perspectivas

Quinta-feira, 5 Agosto 2010

O Valor não é relativo

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 5:26 am
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« Cada qual forja para si o mundo de beleza ou de fealdade em que habita. O que não significa que o valor seja relativo, mas justamente o contrário, visto que mostra como cada ser, pelo acto de participar no Absoluto, cria de algum modo o absoluto de si próprio. »

— Louis Lavelle (Traité des Valeurs)

Quinta-feira, 3 Junho 2010

A privatização do Bem

« A civilização [ocidental] pode, de facto, avançar e declinar em simultaneidade ― mas não para sempre. Existe um limite em relação ao qual se dirige este ambíguo processo; o limite é alcançado quando uma seita activista que representa a verdade gnóstica, organiza a civilização em forma de um império sob seu controlo. O totalitarismo, definido como o governo existencial dos activistas gnósticos, é a forma final da civilização progressista. »
— Eric Voegelin

A estratégia política da esquerda ao privatizar o Bem, tem como intenção diminuir a coesão social por via da diluição da homogeneidade cultural mínima e necessária à sociedade, tendo em vista, numa primeira fase, a imposição de um totalitarismo suave regido pela arbitrariedade de uma elite gnóstica de auto-iluminados.

A esquerda portuguesa — e mesmo alguns sectores do Partido Social Democrata — trabalha activamente para a privatização do Bem. No caso do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, a ironia da situação revela-se através de um ideário político colectivista na economia, e da privatização do Bem na ética e na cultura.

Quando a esquerda fez a provar a lei do “casamento” gay, pretende fazer aprovar a adopção de crianças por duplas de gays, pretende fazer aprovar uma lei que permite a mudança de sexo no Bilhete de Identidade mantendo-se a barba e o pénis, pretende legislar em matéria de eutanásia, etc., o que a esquerda está a fazer é privatizar o Bem.
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Quinta-feira, 27 Maio 2010

Avança a morte silenciosa da nossa sociedade

Enquanto os me®dia nos entretêm com com sub-informação e pseudo-informação, Cavaco Silva dá de barato a lei do “casamento” gay, a direita política anda obcecada com a economia e a direita dos idiotas úteis dá palmadinhas nas costas à esquerda, a agenda política de alienação cultural segue de vento em popa.

O semanário “O Diabo” traz esta semana um relatório completo sobre a agenda política de sexualização da criança por via da politização da escola :

  • A escola passa a ensinar o aborto a crianças de 14 anos;
  • O governo obriga meninos e meninas de seis anos a ouvir 360 minutos de lições sobre sexo
  • A ética e o afecto vão ocupar apenas uma hora e meia em 18 anos de ensino;
  • Em Portugal, há cada vez mais mães sozinhas;
  • 36,8% das crianças nascem fora do casamento;
  • Psicólogos revoltados exigem mais valores e moral na escola.

Esta agenda política tem o dedo da maçonaria; não é por acaso que a actual ministra da educação pertence à “irmandade”. Mas é também fruto do encontro de vontades entre o marxismo cultural — que vê na família tradicional o princípio do capitalismo —, a direita hayekiana e neoliberal — que vê no casamento, que define a família tradicional, uma restrição da liberdade individual —, e a maçonaria — que vê em tudo que é da tradição europeia cristã um obstáculo ideológico à proliferação cultural da “irmandade”.

Por outro lado, a sexualização das crianças convém aos defensores da legalização da pederastia e da pedofilia. Sabemos que algumas lojas maçónicas, pelo menos em um passado recente, praticavam rituais de iniciação com sexo com menores de idade.

Em suma, existe um sincretismo ideológico nesta agenda política e cultural decadente. Perante a força desse “encontro de vontades”, a única oposição possível a esta agenda política decadente é a da acção necessária que a castre e a erradique. Não vejo outra solução para o problema;em matéria cultural, a voz da maioria da população já nada vale.

Sábado, 15 Maio 2010

A felicidade da mulher na sociedade contraceptiva

Todos sabemos que a sociedade contraceptiva, que levou ao aborto legalizado, foi justificado através de uma ideia de “libertação da mulher”; em nome dessa “libertação” foi estruturada a “sociedade da contracepção”. O economista americano Timothy Reichert escreveu um artigo com o título “Bitter Pill” no site First Things, e em que o problema da contracepção é abordado não de uma forma em que “a religião se opõe à razão” — que é como os defensores da contracepção e do aborto colocam o problema, através da ideia segundo a qual “o casamento não serve para procriar” —, mas Reichert prefere colocar o problema da contracepção numa perspectiva das ciências sociais e do senso-comum. É sobre os argumentos de Reichert que irei falar neste postal.


O conceito de “libertação da mulher”, que é defendido não só pelo feminismo e pelo marxismo, mas também por uma certa direita neoliberal de fé em Hayek, tem como base a ideia de “independência” da mulher em relação à sua biologia. Trata-se, aparentemente, de uma tentativa de libertar a mulher da estrutura fundamental da realidade, alterando-a através da pílula contraceptiva e do aborto que se transformou já em um método de contracepção. Por isso, podemos dizer que o conceito de libertação da mulher é de origem gnóstica; a principal característica do gnosticismo é a tentativa de fazer escapar o ser humano das leis fundamentais da natureza. Mas deixemos a discussão em torno das ideologias e concentremo-nos em aspectos práticos.


A pergunta a fazer é: a cultura contraceptiva libertou a mulher?

Timothy Reichert diz que não, e baseia a sua argumentação em sete pontos essenciais:

  1. Declínio da felicidade da mulher;
  2. O mercado dos relacionamentos sexuais;
  3. Mais divórcio;
  4. Inflação dos custos do lar;
  5. Infidelidade;
  6. Aborto;
  7. O “dilema do prisioneiro”

O declínio da felicidade da mulher

A mulher é hoje mais feliz do que era há 40 ou 50 anos atrás? Não, diz Reichert. Vários estudos — entre eles um realizado pela universidade da Pensilvânia (Estados Unidos) — demonstraram que existe um declínio efectivo da felicidade da mulher nas sociedades industrializadas nos últimos 35 anos. Enquanto que na década de 70 do século passado a mulher tinha um grau de “bem-estar subjectivo” mais elevado do que o do homem, a situação inverteu-se e o bem-estar subjectivo passou a ser superior no homem em relação ao da mulher. Esse decréscimo da felicidade feminina coincidiu com o uso generalizado dos contraceptivos. Porém, o mais grave é que quando o bem-estar feminino decresce, este fenómeno reflecte-se imediatamente na felicidade das crianças.

O resultado dos estudos levaram Timothy Reichert a concluir que, ao contrário da retórica da revolução sexual, a contracepção é profundamente sexista na sua natureza. Ela retirou poder e riqueza à mulher em termos gerais, o que significa que fez aumentar o poder e a riqueza do homem na sociedade.

O mercado dos relacionamentos sexuais

Há cinquenta anos atrás — diz Reichert — existia um só mercado de relacionamentos sexuais, composto por homens e mulheres em números aproximados e que acabava em casamento.

Ao baixar o custo do sexo pré-marital e extra-marital (esse custo era mais alto, através da gravidez que dantes forçava o casamento, ou através das pressões sociais que há 40 anos atrás responsabilizavam o homem e o obrigava a “cumprir as suas obrigações sociais”), a contracepção permitiu o aparecimento de um novo mercado de relacionamentos sexuais. Este novo mercado, alternativo ao mercado do casamento ou da formação de família, é o mercado do sexo livre e sem responsabilidades assumidas. Se este novo mercado tivesse afectado os homens e as mulheres em igual modo e no que respeita aos números ou quantidades envolvidos de pessoas de ambos os sexos, tudo se manteria equilibrado e não haveria problemas de maior. Contudo, as quantidades de homens e mulheres dos dois mercados de relacionamentos sexuais não é igualmente proporcional.

Devido aos limites biológicos impostos pela fertilidade, a mulher tem que sair mais cedo do mercado do sexo livre do que o homem, e entrar mais cedo do que o homem no mercado do casamento — quem diz “casamento”, diz “relação estável e familiar”. Este desequilibro entre os dois mercados tem consequências na lei da oferta e procura em ambos. As mulheres mantêm a sua oferta mais rara e em menor quantidade — em comparação com os homens — no mercado do sexo livre, e uma oferta mais abundante no mercado do casamento, o que permite à mulher tirar partido de melhores “negócios” no mercado do sexo livre, mas está sujeita a piores “negócios” no mercado do casamento onde os homens casamenteiros não abundam.

Em resultado deste desequilíbrio entre os dois mercados de relacionamentos sexuais, os homens saem a ganhar e as mulheres a perder.

Mais divórcio

Os maus negócios trazem sempre maiores riscos de ruptura entre as partes nele envolvidas, do que os bons negócios. No mundo empresarial, os bons negócios trazem quase sempre consigo melhores perspectivas de futuro para as partes.

Uma redução do comprometimento sexual transporta consigo uma “procura” do divórcio ainda antes do próprio casamento. A nível social, a mulher permite, assim, que o estigma do divórcio desapareça quando se aprova o “divórcio na hora” — como é o caso da lei socialista de José Sócrates. Esta lei socialista é altamente sexista e machista, como se pode verificar pela argumentação de Reichert.

Para compensar as consequências dos dois mercados paralelos, as mulheres investem mais no poder aquisitivo (mais dinheiro), e menos nas relações familiares, na formação dos seus filhos e no activismo comunitário. Ao fazê-lo, a mulher torna-se semelhante ao homem e os casais tornam-se menos interessantes em relação um ao outro; por outras palavras, podemos dizer que, através da revolução sexual e da sociedade contraceptiva, as relações heterossexuais (entre um homem e uma mulher) foram homossexualizadas, porque as diferenças entre o homem e a mulher saem esbatidas de todo o processo de mudança cultural. Esta foi a verdadeira razão da lei do divórcio unilateral “na hora” de José Sócrates.

A semelhança entre os dois componentes do casal, decorrente da imposição feminista da “neutralidade de género”, traz consigo a uniformidade dos dois membros do casal e, consequentemente, potencia o divórcio.

Inflação dos custos do lar

Na medida em que a mulher entra no mercado do trabalho e dá menos atenção à família, o custo das casas aumentou, porque o mercado da construção de habitações se apercebeu de um maior poder de compra dos casais em que a mulher entrou no mercado de trabalho — o que teve como consequência que ainda mais mulheres entrassem no mercado de trabalho para compensar os aumentos do custo da habitação e dos meios básicos de sobrevivência.

Em resultado deste processo, aumentou a desigualdade intergeracional (a desigualdade entre novos e velhos, em que estes se tornaram incomparavelmente mais ricos do que aqueles), e instalou-se uma evolução constante e progressiva da família tradicional com filhos para a actual ausência de crianças — e em que se pode vender um apartamento por mais de 50 mil Euros em zona urbana, e uma casa por mais de 100 mil Euros. Este desequilíbrio da riqueza é largamente suportado pelas mulheres e pela sua força de trabalho, que passam a financiar o aumento dos custos das habitações e, em última análise, esse prejuízo de bem-estar da mulher estende-se às crianças que deixam de contar com o tempo e a atenção das mães.

Infidelidade

A infidelidade aumenta porque os custos a pagar por ela diminuíram. Trata-se de uma regra base no mercado dos valores: quanto menos se paga por uma coisa mais ela se torna vulgar e ordinária. O mercado do sexo livre providencia as oportunidades, e homens casados, maduros e ricos são mais atractivos às jovens mulheres do que as mulheres maduras em relação aos homens jovens. Mais uma vez, a mulher sai a perder.

Aborto

Antes da pílula anticonceptiva, o custo de uma gravidez não desejada era muitas vezes assumido pelo homem na ponta da baioneta que protegia a honra da rapariga e da sua família. Agora, esse custo da gravidez não desejada é totalmente assumido pela jovem mulher: assim como a contracepção é “coisa de mulheres”, a gravidez também passou a ser. Se ela não aborta e leva a gravidez até ao fim, ela desaproveita as oportunidades do mercado de trabalho; se ela aborta, é ela que paga os custos emocionais do acto, os custos para a sua saúde física e muitas vezes paga do seu bolso o próprio acto clínico de abortar.

A conclusão de Reichert é a seguinte e nas suas próprias palavras:

« A contracepção resultou em um enorme desequilíbrio de riqueza e bem-estar em prejuízo das mulheres e, portanto, em benefício dos homens, assim como resultou em um desequilíbrio de bem-estar entre a mulher típica da família tradicional com filhos, e a mulher actual engajada no mercado de trabalho e sem filhos.

Ademais, tendo em conta que o bem-estar da mulher determina o bem-estar dos filhos, este desequilíbrio é “financiado” pela perda de bem-estar das crianças. Por outras palavras, quanto pior está a mulher, pior estão as crianças. Em termos “líquidos”, as mulheres e as crianças são as grandes perdedoras da sociedade contraceptiva. »

O “dilema do prisioneiro”

O “dilema do prisioneiro” é um conceito teórico relativo ao jogo (um conceito lúdico), em que existe uma situação em que todas as partes intervenientes têm a possibilidade de escolher entre a cooperação e a não-cooperação. Contudo, e porque as partes não são capazes de se coordenar e escolher a cooperação, elas optam pela melhor opção individual, que é a não-cooperação.

Aplicando este conceito às jovens mulheres da cultura contraceptiva, Reichert sugere que aquelas que não entram no mercado do sexo livre perdem as oportunidades dos “altos preços” pagos nesse mercado — por outras palavras: as mulheres que recusam o mercado sexo livre não desfrutam da maior atenção dos homens, da probabilidade de arranjar companheiro, de uma sensação de bem-estar e de uma “boa” imagem. Porém, essas jovens que recusam o mercado do sexo livre acabam também por se sentir em desvantagem no mercado do casamento, porque neste existem muitas mais mulheres do que homens. A decisão preferida das mulheres é então entrar no mercado do sexo e permanecer nele o mais tempo possível, não obstante o facto de que um novo reequilíbrio do modo de vida será pior para a mulher no decurso do seu ciclo vital.

Segundo Reichert, só é possível contrariar o “dilema do prisioneiro” através de leis e valores sociais que o quebrem, leis e valores esses que não se prevêem vir a ser estabelecidos em uma sociedade controlada por uma elite decadente, corrupta e destituída de valores éticos. Por isso, Reichert é de opinião de que os valores da Igreja católica e de outras religiões devem ser melhor aproveitadas, e propõe a criação de um movimento cultural e social em prol de um “novo feminismo”.

Segunda-feira, 3 Maio 2010

A Guerra Cultural

«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se se sentir cercada, senão oprimida, por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

― Eric Voegelin

Na sequência deste postal sobre António Sardinha, em que lhe reconheço a razão sobre o diagnóstico da modernidade, é importante que a não-esquerda — que é, por definição genérica, o conjunto abrangente do pensamento político não contaminado pelo marxismo nas suas diversas vertentes — tenha a noção da importância da linguagem. Por exemplo, quando eu escrevo sobre o “casamento” gay, o termo “casamento” vem sempre entre aspas, o que significa que eu não aceito a definição de “casamento” proposta pelo marxismo cultural. Quando eu escrevo sobre o aborto, nunca me refiro à “interrupção voluntária da gravidez” ou “IVG” sem a colocação de aspas, o que significa que recuso a linguagem imposta pelo marxismo cultural. E por aí fora. Assim procedendo, e através do recurso à linguagem do senso-comum — a linguagem que não complica o que é simples e lógico — a não-esquerda reserva para si mesma o poder de declarar os termos do discurso, ou seja, de contribuir para a criação da comunidade da linguagem de que nos fala Eric Voegelin.

No mercado das ideias, o controlo dos termos do discurso é fundamental, e equivale ao controlo dos meios de produção no marxismo económico clássico. Se repararmos bem, os marxistas — partido comunista, bloco de esquerda, e parte do partido socialista — pretendem discutir os assuntos dos valores presentes na sociedade impondo, à partida, a utilização de categorias, termos e definições da sua autoria, ou seja, pretendem que toda a gente aceite os seus termos de discurso ou a sua linguagem. Quando alguém, que pensa de si próprio como não sendo marxista, utiliza a linguagem imposta pelo marxismo cultural, aceitou já discutir os valores da sociedade segundo as condições do discurso impostas pelo inimigo político, o que significa que já perdeu o debate.

Este é o principal problema da chamada “direita liberal” ou “neoliberal”(ou mesmo de uma outra direita dita “revolucionária”) : já perdeu a batalha política. É uma questão de tempo para seja neutralizada pelo marxismo cultural. Essa “direita”, que é produto directo do Iluminismo (ou seja, faz parte do problema), parte do princípio positivista (que por sua vez é transposto directamente do epicurismo) de que o importante são os factos e não os conceitos e valores.
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Domingo, 18 Abril 2010

A lei da família segundo o panascal politicamente organizado

Coloquemos a situação de um homem e uma mulher que vivem em uma mesma casa e têm um filho em comum. A mulher tem um rendimento bruto mensal de 500 Euros e o homem um rendimento bruto mensal de 3.000 Euros.

Agora, analisemos a situação deste casal em função de serem casados ou não.
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Quinta-feira, 1 Abril 2010

A corrupção da democracia

Hannah Arendt distingue o sistema totalitário (nazismo, comunismo) do sistema autoritarista (Salazarismo, Pinochet, ditadura militar no Brasil, etc.). O sistema totalitário é por ela comparado a uma cebola com as suas diversas camadas a partir do centro onde funciona o comando do sistema.
O sistema autoritarista é por ela comparado a uma pirâmide social em cujo vértice se encontra o escol ou o ditador, cuja legitimidade de poder é outorgado por uma realidade que transcende a própria sociedade.

Julius Evola vê a coisa de outra maneira. Ele distingue entre o sistema totalitário e o sistema orgânico. O sistema totalitário de Evola é o sistema autoritarista de Arendt ― com sua pirâmide social que, segundo Evola, coarcta qualquer grau de liberdade e limita a autonomia dos seus membros ―, e o sistema totalitário Arendt é, sem tirar nem pôr, o sistema orgânico de Evola.
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Domingo, 11 Outubro 2009

O Paradoxo do Valor aplicado ao trabalho

Filed under: economia,filosofia,Política — O. Braga @ 6:20 pm
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Hoje, o trabalho é um bem transaccionável a que se aplica o paradoxo do valor. Acontece que na escala de valores, o trabalho ocupa uma posição alta devido à subjectividade dos actores do próprio mercado de transacções ― o trabalho não tem, de todo, um valor marginal; não é o bem de “utilidade marginal”; o bem transaccionável de utilidade marginal é o ser humano.

Eu acho que o trabalho não acabou, coisa nenhuma. A prova disso é que Portugal (hoje) exporta o trabalho. No nosso tempo, o trabalho é um bem transaccionável tal como um saco de arroz ou um automóvel; é um commodity.

O que se passa é que com a globalização, o mercado do trabalho ― lei da oferta e da procura ― se alterou a favor de quem detém a oferta de trabalho, por um lado, e da nossa entrada na União Europeia faz parte integrante um acordo de exportação da nossa tradicional capacidade de trabalho, por outro lado.

O trabalho que há no mundo é escasso; existe mais gente do que a quantidade de trabalho disponível. Ainda há poucos anos, aquilo a que nós chamamos “trabalho” ― que reflecte o conceito marxista do termo ― estava concentrado nos países industrializados, e o resto do mundo vivia na Primeira Vaga de Alvin Toffler. Com a globalização, tudo isso se alterou, e um determinado tipo de trabalho passou a ser exportado para o terceiro mundo em troca de determinadas mercadorias já manufacturadas ou matérias primas.

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Sábado, 12 Setembro 2009

Caminhamos para o fim da democracia

fim-da-democraciaPortugal está a entrar por um caminho perigoso que pode colocar em causa o sistema democrático, a médio/longo prazo (duas ou três décadas). A ideia de que a União Europeia é um garante da democracia em Portugal, não é uma certeza, porque ninguém consegue prever o futuro e pode acontecer que, em determinado contexto internacional europeu, convenha às potências europeias que um totalitarismo se instale em Portugal.

Porém, esse totalitarismo nunca será de esquerda neomarxista, embora seja essa esquerda que actualmente mais trabalha para conseguir um controlo totalitário do poder. A própria esquerda neomarxista age radicalmente no sentido de um totalitarismo de sinal oposto.

De resto, quando vemos a União europeia dirigida por Durão Barroso que foi militante do MRPP ― que como sabemos, é um partido maoísta ― nos seus anos de estudante universitário (não era nenhuma criança), percebemos que na Europa estão em causa os valores que estão na base da civilização europeia.

O que está acontecer na Europa, controlada agora por uma direita que tem um maoísta como expoente máximo, não é um retorno à consciência dos princípios, mas um retorno aos conteúdos de intenções anteriores ou passadistas desprovidos de quaisquer princípios ou valores. Um conteúdo sem valores ou princípios é um automatismo, é algo ausente da condição humana.
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Domingo, 6 Setembro 2009

Diálogo e valor

Filed under: ética,cultura,Esta gente vota,filosofia — O. Braga @ 5:15 am
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No seguimento do postal anterior, proponho-me a tarefa difícil de traduzir em menos de mil palavras o que é o Valor e a importância deste no Diálogo, tendo como pressuposto a Razão. Temos pois: Razão, Valor e Diálogo. E desta tríade extrair a noção de Honestidade e Coerência.

Só é possível o diálogo ― como busca em comum e por comunicações contraditórias de uma proposição consensualmente considerada “verdadeira” ― quando os interlocutores aceitam critérios compatíveis de verdade e de justiça. Dou o seguinte exemplo de impossibilidade de diálogo:

Interlocutor A : ― “1 +1 = 2”.

Interlocutor B: ― “É falso! Sendo que o primeiro “1” não ocupa o mesmo espaço do segundo “1”, os dois “1” das premissas da referida equação não são idênticos, e portanto, a soma de duas entidades semelhantes, mas não iguais, não pode resultar, em conclusão, no seu dobro absoluto. Coisa diferente é “2+1=3”, porque as premissas da proposição são, a priori, diferentes na sua essência, o que não acontece em “1+1=2”. Já “1^2=1” é verdadeiro porque o “1” da premissa ocupa um só e mesmo espaço apesar de elevado à segunda potência.”

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Segunda-feira, 6 Julho 2009

A ameaça espanhola

Se eu tivesse hoje vinte anos, o único país da Europa ― para além de Portugal, até ver ― onde me sentiria confortavelmente inserido na sociedade, seria a Irlanda. Naturalmente que se poderia dizer que se eu tivesse vinte anos não pensaria assim; porém, o facto de existirem jovens com vinte anos que pensam como eu mantém a probabilidade objectiva de que se o tempo recuasse, ainda assim eu manteria a mesma opinião.

No seguimento do postal anterior, um dos grandes problemas de Portugal chama-se “Espanha”. Espanha representa um enorme problema para Portugal em todos os sentidos, para além do perigo de desintegração territorial do leviatão espanhol que pode, pelo menos, causar grandes incómodos ao nosso país. “Nós podemos escolher os nossos amigos, mas não podemos escolher os nossos vizinhos”, diz o povo, com razão.
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Quarta-feira, 1 Julho 2009

O estado da ética (3)

Filed under: ética,cultura,educação,feminismo,filosofia — O. Braga @ 9:42 pm
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A ideia do “sentimento” como chave da fundamentação da ética

O movimento feminista ― por exemplo na voz de Germaine Greer ou da filósofa Herlinde Pauer-Studer ― defendem a posição segundo a qual a fundamentação da ética tem sido, ao longo da História, demasiado racional. Segundo essas feministas desconstrutivistas (ver), a ética tem sido unilateralmente analisada, e essa unilateralidade teria surgido devido à exclusão da experiência feminina. Elas defendem a ideia da inclusão das virtudes características da mulher na análise da ética, como a intuição, a compaixão, do cuidado ou do sentimental.

Schopenhauer foi da mesma opinião das feministas: ele via na compaixão a raíz da moral ― e talvez por isso é que esse filósofo será um dos preferidos da mulher em geral.
O filósofo judeu francês Emmanuel Levinas, que passou anos da sua vida num campo de concentração nazi, vê o mistério do absoluto no rosto de outro ser humano; afirma ser impossível matar outro ser humano se se olhar para ele nos olhos. “A partir do momento em que o outro olha para mim, torno-me responsável”, escreveu Levinas (in “O Mundo na Cabeça”). O filósofo francês criticou o debate sobre a ética apodando-o de “egologia” absoluta. Em oposição a este debate, Levinas propõe a ética do altruísmo absoluto através de uma existência incondicional para os outros.

Em suma, as feministas desconstrutivistas, Schopenhauer e Levinas (entre outros) renunciam a uma fundamentação racional da ética. Para elas e eles, os valores surgem espontaneamente da profundidade dos sentimentos e da empatia funcional.
O problema que se põe nesta concepção “sentimental” da ética é que ela é permeável à total arbitrariedade porque os seres humanos não têm todos os mesmos sentimentos. Existem criaturas humanas que nem sequer são capazes de sentimentos empáticos, e contudo, a ética terá que existir para eles também. Portanto, o problema da hierarquia de valores éticos permanece intacto.
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