perspectivas

Segunda-feira, 25 Julho 2016

O conceito neoliberal de casamento

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 1:11 pm
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O casamento é um arranjo prático e útil que assegura o benefício mútuo entre dois agentes económicos com diferentes rendimentos. O amor é um “commodity” do lar, não transaccionável em mercado.

E na medida em que o amor produz casamentos eficientes, o amor entre duas pessoas aumenta a possibilidade de essas duas pessoas se manterem casadas.

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Quinta-feira, 21 Julho 2016

Deputados do Partido Social Democrata que votaram com o Bloco de Esquerda a lei da "barriga de aluguer"

 

Margarida Mano, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro, Simão Ribeiro, Duarte Marques, Lima Costa, Sérgio Azevedo, Paula Teixeira da Cruz, Costa Silva, Teresa Leal Coelho, Álvaro Batista, Miguel Santos, Fátima Ramos, Ângela Guerra, Firmino Pereira, Luís Vales, Regina Bastos, Pedro Pinto, Rubina Berardo, Cristóvão Norte.

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Quarta-feira, 20 Julho 2016

O anti-utilitarismo do Partido Comunista

 

O Partido Comunista votou contra a lei das "barrigas de aluguer", na esteira de Karl Marx que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

bentham

Quinta-feira, 12 Maio 2016

A crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 10:19 am
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Este verbete do Aires de Almeida faz a crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls.

A melhor crítica que podemos fazer ao utilitarismo é a de que é condicionado por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista;
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número".

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo (individualismo) e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Ou seja, a melhor crítica ao utilitarismo é reduzi-lo ao absurdo, por um lado, e por outro lado sublinhar a importância do sacrifício voluntário, consciente e racional do interesse próprio que só a religião transcendental (até certo ponto) pode conseguir.

Domingo, 14 Fevereiro 2016

O Miguel Real diz que “é preciso descristianizar a morte”

 

Há uma tendência dos defensores da “desconstrução do sujeito” em transformar a discussão ética sobre a eutanásia em um assunto teológico e religioso. Mas a ética pertence à filosofia e não à religião. A discussão sobre a eutanásia é ética e filosófica, e não necessariamente religiosa.

Portanto, seria bom que os defensores da eutanásia abandonassem o espantalho falacioso da religião, e discutissem ética. É certo que as religiões têm éticas; mas isso não significa que a recusa da eutanásia seja apenas uma matéria de fé religiosa.


Se lermos este texto acerca das posições do Miguel Real sobre a eutanásia, apercebemo-nos do perigo ético que ele encerra. O princípio é utilitarista.

eutanasia-velhariasPor exemplo, e para que o leitor entenda: uma pessoa da família adoeceu na própria casa com uma infecção mortal: ¿é mais correcto abandonar a casa, de modo a não transmitir a infecção, ou cuidar do doente, mesmo que já não exista qualquer esperança?

O Miguel Real defende (no texto) a ideia de que, não existindo qualquer esperança, o referido doente não deve ser cuidado e deve ser eutanasiado.

Ou seja, para o Miguel Real, para a sociedade seria mais útil se, por exemplo, doentes infectados com o vírus do Ébola fossem abandonados ao seu destino, para que a causa da doença permanecesse isolada. Em 1995, em África, também teria sido mais útil para as enfermeiras cristãs se se tivessem mantido afastadas: em vez disso, cuidaram dos doentes e também morreram.

O utilitarismo tem um problema fundamental: ¿quem define o que é útil? ¿E para quem há-de ser útil?

O critério deve ser o de “maior bem para o maior número” (Bentham). ¿E o que acontece com aqueles que não fazem parte do “maior número”? Pascal reduziu ao absurdo as tentativas de chegar a um resultado por esta via: a filosofia conheceria, segundo ele, “280 bens supremos”, de modo que cada filósofo teria a sua própria moral.

Por outro lado, o utilitarismo tem outro ponto fraco: se os valores morais são estabelecidos de acordo com o critério da utilidade individual ou social, uma pessoa pode sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta. O princípio do interesse próprio, em última análise, também pode ser muito útil: ¿por que motivo deve a utilidade para o maior número possível de seres humanos estar acima da utilidade para mim?

Quando Miguel Real defende a opinião de que os seres humanos com doenças terminais ou muito idosos não têm qualquer direito à continuação das suas vidas até à morte natural, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de alguém que (alegadamente) vive “muito para além do seu ciclo natural” — uma vida que não vale a pena —, mas, por outro lado, com a utilidade que representa para a sociedade não ter encargos com tais pessoas. Ou seja, incorre em um sofisma naturalista, visto que não podemos tirar conclusões morais a partir de um facto. E, ademais, pressupõe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana — consenso esse que não existe!

Por isto é que a eutanásia, a ser legalizada, é um retrocesso civilizacional — porque, como o leitor já percebeu, não está apenas em causa a eutanásia dita “voluntária” em casos de doenças terminais. A agenda política da eutanásia é muito mais alargada, como podemos verificar no texto do Miguel Real. E o problema consiste em abrirmos a caixa-de-pandora da eutanásia e deixarmos de ter a noção de que a barbárie se instalou entre nós.

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Sexta-feira, 20 Novembro 2015

A Esquerda é mais inteligente do que a Direita

 

No discurso ético, político e jurídico, não devemos apresentar a nossa oposição a uma determinada ideia “útil” apresentando uma alternativa “útil”.

Ou, por outras palavras: não devemos apresentar uma alternativa utilitarista a uma ideia utilitarista — como se faz aqui. Não devemos apagar o fogo com gasolina. Vejamos este panfleto:

adohomo-utilitarista-web

Esta forma utilitarista de apresentar alternativas a ideias utilitaristas pode ser ilustrada da seguinte forma:

“Em Portugal não se justifica o aborto, porque existe uma distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.

A verdade é que o aborto não se justifica por si mesmo, independentemente da “distribuição quase gratuita de preservativos e de contraceptivos”.


Não podemos criar uma relação de nexo causal utilitarista entre o aborto, por um lado, e os preservativos e contraceptivos, por outro lado — até porque esse nexo não existe de facto. Estamos a falar de coisas diferentes; o aborto não é a mesma coisa que o onanismo sexual, por exemplo. E não podemos dizer que “o aborto não se justifica porque existe a possibilidade do onanismo sexual” — porque estaríamos a justificar a negação de uma acção utilitarista através de uma outra acção utilitarista.

A Direita que temos está embrutecida, porque se deixou vencer pelo utilitarismo, que é a expressão do positivismo na ética. Nem tudo o que é útil é bom; e quem não sabe ver a diferença entre aquilo que é útil, por um lado, e aquilo que é bom e/ou belo, por outro lado, é um utilitarista.

Pelo seu lado, a Esquerda é utilitarista quando lhe convém, porque tira partido da contradição endógena do utilitarismo entre uma proposição positiva (que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista), por um lado, e por outro lado, uma proposição normativa (que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”).

Por exemplo, a Esquerda é utilitarista nas matérias de costumes, porque lhe interessa destruir a tradição e a cultura antropológica. Mas já não é utilitarista, por exemplo, em matéria de economia: a posição da Esquerda em relação à privatização da TAP, por exemplo, é uma posição não-utilitarista.

A oposição à adopção de crianças por pares de invertidos deve ser justificada em si mesma, e não recorrendo a paliativos utilitaristas alternativos.

A Direita deve ter valores que não se submetam ao “útil”.

Terça-feira, 17 Novembro 2015

Pílula da morte, grátis, na Holanda

Filed under: ética — O. Braga @ 8:19 am
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Na Holanda prepara-se a legalização de distribuição gratuita da pílula da morte para pessoas com 70 ou mais anos. Qualquer pessoa com 70 ou mais anos, mesmo que não esteja doente, poderá dirigir-se a uma farmácia e requisitar grátis e livremente a pílula da morte, e suicidar-se.

pilula-da-morte

Segunda-feira, 22 Junho 2015

Quando leio Peter Singer, fico com os cabelos em pé

Filed under: ética — O. Braga @ 5:53 am
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Neue Zuricher Zeitung: You do not consider an infant to be more worthy of protection than an embryo. On the other hand, you do not necessarily ascribe a higher status to humans than to animals.

Peter Singer: Belonging to the human species is not what makes it morally wrong to kill a living being. Why should all members of the species homo sapiens have a right to life, whereas other species do not? This idea is merely a remnant of our religious legacy. For centuries, we have been told that man was created in the image of God, that God granted us dominion over the animals and that we have an immortal soul.

Peter Singer ‘disinvited’ from German philosophy festival

Chegamos hoje ao absurdo de termos que nos questionar por que razão a vida de um ser humano é mais importante e valiosa do que a vida de um peixe, por exemplo. Peter Singer pergunta: “¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”. E depois atribui a maior importância dada à vida humana à “herança religiosa”.


Desde o tempo do paleolítico — ainda não existiam as religiões universais — que a vida humana, na tribo ou no clã, era mais importante do que a dos animais caçados. Portanto, a ideia de Peter Singer segundo a qual “a maior importância dada à vida humana é uma herança religiosa” é uma estupidez de todo o tamanho — a não ser que os trogloditas e os palafitas já fossem cristãos!

Fico com os cabelos em pé ao constatar que Peter Singer é hoje considerado um “grande filósofo”!

A razão por que “a vida humana é considerada mais importante e valiosa do que a dos outros animais” é, em primeiro lugar, a de que o ser humano é um animal gregário (social). Tão simples quanto isto. É uma razão biológica e natural. Só tem a ver com religião por via das diversas diferenciações culturais que desde o tempo do paleolítico foram forjando novas religiões. O “ter a ver com religião” é uma causa secunda construída a partir da natureza humana fundamental.


Desconstruído o argumento da “religião”, vamos ao argumento absurdo principal:

“¿por que razão todos os membros da espécie homo sapiens têm direito à vida, e os das outras espécies não têm?”

Peter Singer parte do princípio da aceitação da superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais — porque só o ser humano pode fazer a pergunta supracitada —, para depois negar a superioridade ontológica (a superioridade do Ser) do ser humano. Se Peter Singer não aceitasse a priori a superioridade moral do ser humano em relação aos outros animais, a pergunta não faria qualquer sentido.

A partir de uma assimetria moral (entre o ser humano e os outros animais), Peter Singer cria uma simetria ontológica (entre o ser humano e os outros animais) — porque os outros animais não são capazes de pensar o mesmo, em termos morais, em relação ao ser humano, e por isso não podemos colocar o ser humano e as outras espécies em um mesmo plano moral, ontológico e natural.

Assimetria moral → simetria ontológica = contradição em termos

Ou seja: para Peter Singer, o ser humano é moralmente superior aos outros animais, mas simultaneamente ele nega que a vida humana tenha mais valor do que a de um peixe.

Para Peter Singer, a superioridade moral do ser humano — que, no fundo, é uma forma de “domínio” — funciona como um instrumento de negação da superioridade ontológica do ser humano. Ora, se Peter Singer aceita a priori o primeiro tipo de superioridade, tem que logicamente aceitar o segundo.

Por maioria de razão, a assimetria moral permite ao ser humano proteger (ou não: trata-se do livre-arbítrio que o ser humano tem e os outros animais não têm) os animais; mas não implica, por essa razão, que o ser humano seja ontologicamente equivalente ou idêntico às outras espécies.

Por vezes, tenho a sensação de que Peter Singer tem sérias dificuldades com a Lógica.

Sexta-feira, 22 Maio 2015

¿Quanto vale uma vida humana?

Filed under: ética — O. Braga @ 7:17 am
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Peter Singer — o guru de Pedro Galvão, de Rolando Almeida e talvez de Desidério Murcho, entre outros semi-deuses — defendeu recentemente em uma entrevista a uma estação de rádio que as crianças com deficiência não deveriam ter apoio médico (as companhias de seguros deveriam recusar prémios de saúde a essas crianças).

Peter-Singer-pig-webPeter Singer já sabe quanto vale uma vida humana; é uma questão de fazer as contas. E semi-deuses como o Pedro Galvão, la crème de la crème, também já tem esse conhecimento. Só os ignaros como eu e você, caro leitor, ainda não sabemos exactamente quanto vale uma vida humana — a vida dos outros, obviamente, porque Peter Singer, Rolando Almeida e Pedro Galvão sabem bem quanto valem as suas próprias vidas…!

A diferença entre Peter Singer e um vulgar ideólogo nazi é a de que o primeiro avalia a vida humana pelo custo económico que essa vida implica para a sociedade, ao passo que o segundo avalia a vida humana por um critério de superioridade de uma raça sobre as outras. Mas o corolário das duas doutrinas é semelhante.

Peter Singer (e Pedro Galvão, Rolando Almeida, etc.) pensam que aquilo que é útil para o indivíduo ou para a sociedade deve ser designado como “bom”. E, neste sentido, o argumento de Peter Singer é o seguinte:

“Não quero que o meu prémio de seguro de saúde aumente em valor para que crianças, que tem uma qualidade de vida nula, possam ter tratamentos caros”.

Este é um argumento comum à Esquerda libertária e à Direita neoliberal. O Pedro Galvão e o Rolando Almeida, “filósofos” de tarimba, assinariam por baixo. “Pimenta no cu dos outros é chupa-chupa”.

Claro que eu, que não sou filósofo, e você também caro leitor, colocamos as seguintes e singelas perguntas: ¿Quem define o que é útil? E para quem há-de ser útil?

E dou comigo a pensar: se os valores morais são estabelecidos de acordo com critérios de utilidade individual ou social, Peter Singer (e os outros semi-deuses supracitados) podem sempre abandonar esta moral por motivos de uma prudência egoísta — como fez Peter Singer em relação à sua própria mãe que sofre da doença de Alzheimer: em vez de defender a eutanásia dela, arranjou e paga a enfermeiras para cuidar dela.

Ou seja, para Peter Singer, o princípio do interesse próprio também é muito útil. ¿Por que razão a utilidade para o maior número de possível de seres humanos deve estar acima da utilidade privada de Peter Singer?!!

sdQuando Peter Singer defende a opinião de que os seres humanos com deficiências não têm qualquer direito à vida, justifica a sua opinião, por um lado, com a situação real de um deficiente — diz ele que “é uma vida que não vale a pena” —, mas, por outro lado, também com a utilidade que representa para a sociedade não ter mais encargos financeiros com essas pessoas com deficiência.

Em primeiro lugar, Peter Singer comete um sofisma naturalista, visto que não se pode tirar conclusões morais de um facto — e isto é tão básico que não entendo como se pode chamar de “filósofos” a essas bestas acima mencionadas.

Em segundo lugar, Peter Singer pressupõe que existe um consenso acerca do valor e dos custos convenientes de uma vida humana, consenso esse que não existe de facto.

Em terceiro lugar, eu desconstrui a lógica da “ética” de Peter Singer (ver aqui). Em um fórum na Internet nos Estados Unidos de apaniguados de Peter Singer, expus a desconstrução lógica da ética de Peter Singer e ninguém foi capaz de me rebater ou refutar com argumentos racionais e lógicos, mas fui vastamente insultado e achincalhado pelos sequazes de Peter Singer, por exemplo, apodado de “português de merda” (“shitty Portuguese”). Quando não se tem razão, só resta o ad Hominem.

Segunda-feira, 13 Abril 2015

Os “libertários” à custa do Estado: uma grande treta!

 

A ideia segundo a qual  a Bélgica é um melhor país para se viver do que o Chile, depende daquilo a que consideremos ser “melhor”. Por exemplo, quando se diz que a mortalidade infantil no Chile é o dobro da mortalidade infantil na Bélgica, incorre-se em uma falácia: “a estatística é a ferramenta de quem renuncia a compreender para poder manipular” (Nicolás Gómez Dávila).

Aqui em baixo: as pirâmides sociais do Chile e da Bélgica, ou seja, o espelho do futuro.

piramide_social_belgicapiramide_social_chile


Se, por absurdo, num país a taxa de natalidade é zero, a mortalidade infantil nesse país também é zero.

Se, no Chile, a taxa de natalidade (13,99 / 1000) é superior à da Bélgica (9,99 / 1000), é natural que a taxa de mortalidade infantil no Chile seja superior à da Bélgica. Até nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade infantil (6,17 / 1000) é superior à da Bélgica (4,18 / 1000), e não consta que os Estados Unidos sejam um país subdesenvolvido — acontece que a taxa de natalidade nos Estados Unidos (13,42 / 1000) é superior do da Bélgica (9,99 / 1000), sendo que são os imigrantes muçulmanos — que não têm em conta a “igualdade” da mulher e do homem — que mais contribuem para a natalidade na Bélgica.

Por exemplo, os Estados Unidos gastam 17% do PIB em saúde, e tem uma taxa de mortalidade infantil superior à da Bélgica que gasta 10% do PIB em saúde — isto porque a taxa de natalidade (o número de crianças nascidas) é superior nos Estados Unidos, como já vimos. Quanto mais crianças nascerem, maior é a probabilidade de se morrer à nascença, e isto independentemente de todo o dinheiro do mundo que se possa gastar em saúde.

O Ludwig Krippahl serviu-se na estatística da mortalidade infantil para defender que a alta taxa de divórcio na Bélgica não é um mal: “é a cura do mal”, diz ele — ou seja, não tem nada a ver o cu com as calças, quanto mais não seja porque o muçulmano imigrante na Bélgica raramente se divorcia e até pode ter várias mulheres. O discurso do Ludwig Krippahl faz lembrar um diálogo de um sofista com um cidadão de Atenas:

(sofista): “¿Tu dizes que tens um cão?”
(cidadão): “Tenho; um bom patife.”
(sofista): “¿E tem cachorros?”
(cidadão): “Tem; e são muito parecidos com ele.”
(sofista): “¿E o cão é pai deles?”
(cidadão): “É; eu vi-o a ele na companhia da mãe dos cachorros.”
(sofista): “¿E ele não é teu?”
(cidadão): “Pois claro que é!”
(sofista): “Então, ele é pai e é teu; portanto, é teu pai, e os cachorros são teus irmãos!”

Este diálogo retrata a esperteza sofista do Ludwig Krippahl.

(more…)

Sexta-feira, 3 Abril 2015

Professores universitários ingleses defendem que deveria ser legal matar uma criança nascida

 

« Parents should be allowed to have their newborn babies killed because they are “morally irrelevant” and ending their lives is no different to abortion, a group of medical ethicists linked to Oxford University has argued.

The article, published in the Journal of Medical Ethics, says newborn babies are not “actual persons” and do not have a “moral right to life”. The academics also argue that parents should be able to have their baby killed if it turns out to be disabled when it is born.

The journal’s editor, Prof Julian Savulescu, director of the Oxford Uehiro Centre for Practical Ethics, said the article’s authors had received death threats since publishing the article. He said those who made abusive and threatening posts about the study were “fanatics opposed to the very values of a liberal society”. »

Killing babies no different from abortion, experts say

Eis o resultado da teoria ética darwinista, naturalista e utilitarista de Peter Singer.

baby-bornMuitos idiotas dizem que Karl Marx não foi co-responsável pelos Gulag soviéticos; ou que Nietzsche não foi co-responsável pelo nazismo, são os mesmos idiotas que dizem que o utilitarismo exacerbado de Peter Singer não é co-responsável pelo infanticídio.

Peter Singer não deveria apenas ser forçado a deixar a universidade: deveria ser preso e julgado por um novo crime a criar no ordenamento jurídico internacional: “crime contra a humanidade em potência” — porque as ideias têm consequências. Peter Singer pode ser comparado a um clérigo radical islâmico que defende o assassinato de pessoas inocentes: o lugar dele é na prisão.

Mas não só: professores de “filosofia”, como por exemplo o Rolando Almeida, que defendem publicamente as ideias de Peter Singer, deveriam ser forçados a abandonar o ensino. A tolerância tem os limites da misericórdia em relação ao ser humano: a impiedade em relação ao ser humano não pode ser, de modo nenhum, tolerada.

A liberdade de expressão tem limites. Por exemplo, não podemos tolerar  liberdade de expressão racista do Ku Klux Klan; assim como não podemos tolerar a liberdade de expressão de gente que segue a ideologia de Peter Singer. Não se trata, aqui, de um “politicamente correcto” da minha parte: trata-se da defesa da inviolabilidade da vida do ser humano, o que é uma questão metafísica que vai para além da ética exclusivamente humana e da política.

Se ter o direito de defender publicamente o assassínio de crianças nascidas faz parte do liberalismo político, então tratemos urgentemente de acabar com ele.

Segunda-feira, 16 Fevereiro 2015

O problema ético do Ovo de Colombo

Filed under: ética — O. Braga @ 2:31 am
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Temos aqui um exemplo de um utilitarista anti-utilitarista. Hoje está na moda.

Toda a doutrina utilitarista encontra-se condicionada por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista;
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do “maior número”.

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo e uma apologia do altruísmo, e uma tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Ou seja: todo o utilitarista é anti-utilitarista conforme os casos e quando lhe convém. É conforme chove ou faz sol.


Se alguém descobre como assentar o Ovo de Colombo em uma mesa, toda a gente fica a saber como se assenta o ovo. Mas antes de se saber, ninguém sabia. E quem se esforçou para ter a ideia do assentamento do Ovo foi o Colombo. Portanto, o Colombo merece ser recompensado pela sua ideia. Mas essa recompensa tem os limites do razoável ou da Razão.

Tratando-se de uma vida humana, os utilitaristas ficam entalados entre a proposição positiva, por um lado, e a proposição normativa, por outro  lado. E tratando-se do capitalismo neoliberal, é sempre e invariavelmente a proposição positiva que vence: a vida humana, segundo os utilitaristas (por exemplo, Peter Singer) tem um preço qualquer.

Só é possível defender a posição do Ludwig Krippahl ou do David Marçal se ambos não fossem utilitaristas; mas, no caso vertente, convém-lhe acentuar a proposição normativa do utilitarismo contra a proposição positiva do dito.

Quanto a mim, seguindo uma ética cristã segundo a qual a vida humana — desde a sua concepção até à  morte natural — não tem preço, em um tempo moderno em que, a partir da Revolução Francesa, a moral foi substituída pelo lucro (como diz Marion Sigaut, o Iluminismo resume-se à   substituição da moral pelo lucro desenfreado), defendo uma ideia diferente: a União Europeia (e não só Portugal) deveria confrontar a farmacêutica com uma proposta razoável: ou baixam o preço do medicamento para níveis aceitáveis, ou desenvolveremos a produção do medicamento na Europa.

Mas como a União Europeia é uma utopia, e como Portugal é um país pequeno, penso que o ministro da saúde Paulo Macedo fez um bom trabalho ao reduzir o custo do tratamento completo da Hepatite C, e por pessoa, para os 25 mil Euros. Mas não veria eu com maus olhos o estudo de rentabilidade e da possibilidade de se desenvolver o medicamento em Portugal, com calma e ponderação, e tendo em vista o futuro. Mas isso sou eu, que não sou utilitarista.

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