perspectivas

Sábado, 12 Janeiro 2013

Álvaro de Carvalho e a douta estupidez

«Para Álvaro de Carvalho, é difícil acreditar que não exista uma relação entre as críticas do movimento de activistas e a suspensão da pós-graduação que, apesar da “justificação formal”, estará assente numa “decisão profundamente ideológica”.»

via Logos: Católica suspende pós-graduação após críticas de activistas antiaborto.

A Universidade Católica cancelou um curso que iria ser ministrado por indivíduos defensores do aborto. E cancelou muito bem!
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Domingo, 9 Dezembro 2012

Desperdício de vinho do Porto

Estudantes da universidade inglesa de Durham publicaram um vídeo no Youtube em que aparecem a despejar garrafas de vinho do Porto pela cabeça abaixo.

A este exercício cultural de protesto, os estudantes chamam de “Porting” — em contraponto a outro exercício cultural de protesto também publicado em vídeo pelos estudantes da universidade de Newcastle que consiste em despejar uma garrafa de leite pela cabeça abaixo e com o nome de “Milking”.

Os estudantes de Durham justificam o Porting em vez do Milking alegadamente devido à alergia à lactose. É desta gente que sairá a futura elite de Inglaterra — e da Europa.

porting

http://youtu.be/mOtK_kTx6d4

( via )

Terça-feira, 21 Agosto 2012

O tal Jorge Martins Ribeiro e a recusa da paternidade

«A lei portuguesa devia reconhecer aos homens o direito de recusar a paternidade de um filho nascido contra a sua vontade. A tese está contida na investigação A igualdade na decisão de procriar, defendida por Jorge Martins Ribeiro, no âmbito do mestrado em Direitos Humanos na Universidade do Minho.

Na óptica do investigador, é uma questão de igualdade. “Do mesmo modo que a mulher tem o direito legalmente reconhecido de abortar ou não abortar, perante uma gravidez não planeada, o homem deve poder decidir se quer ou não ser pai”, sustenta.»

via Homens devem poder recusar paternidade – Sociedade – PUBLICO.PT.

Estamos a falar de um indivíduo que está a tirar um putativo mestrado, embora de “mestrado” só tenha o nome. Por vezes, neste país confunde-se “mestrando” com “menstruado”.

A lógica do “menstruado” é esta: uma injustiça dá sempre direito a outra injustiça. Neste caso, o utilitarismo do crápula Ribeiro já não se aplica apenas e só ao aborto do nascituro: é também extensível à criança já nascida. Com jeitinho, o cabrão acaba a defender o infanticídio.

A cultura da irresponsabilidade faz parte intrínseca da academia. Academia = irresponsabilidade. Salvo raras excepções, quando se olha para um académico vislumbramos hoje o aborto intelectual, a besta humana, a cavalgadura doutorada, o facínora imaginativo e o psicopata com um alvará de inteligente.

Quinta-feira, 1 Abril 2010

Nuno Nabais no RCP e no dia das mentiras

Hoje vinha no carro e fazendo zapping no rádio e levo (outra vez) com o putativo “filósofo” Nuno Nabais no Rádio Clube Português (RCP). Acto contínuo, ia mudar de estação de rádio quando (mais uma vez) me apercebi de que se estava a falar do cristianismo…e de Nietzsche. Ouvi três vezes esse senhor: duas vezes (incluída a de hoje) na RCP e outra vez numa entrevista na RTP1 num programa qualquer; das três vezes, esse senhor colocou Nietzsche no centro das suas palestras. Concluo que se trata de uma obsessão; há quem viva a sua vida em função de Karl Marx, outros em função de uma qualquer religião New Wave, e há quem o faça em função de Nietzsche.

Convém dizer que Nietzsche é o teórico mais lido por adolescentes com borbulhas na cara ― o típico Langweiler à espera da maturidade. Normalmente, quando uma pessoa amadurece, passa a não lhe prestar atenção. Nietzsche é o teórico do desespero do adolescente à procura da sua identidade num mundo que ainda não consegue compreender. Quando um professor universitário de filosofia se fixa em Nietzsche nas suas palestras de rádio, podemos fazer ideia do nível do ensino da filosofia nas faculdades portuguesas…
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Domingo, 8 Junho 2008

O Sincretismo Ideológico socrático

Desde que Sócrates assumiu o poder (e já antes, começando em Cavaco e até Durão e Santana, mas agora é mais acentuada a tendência), tenho aqui falado no sincretismo do neoliberalismo económico / marxismo cultural. Algumas pessoas que passam por aqui têm achado esta “união ideológica” um absurdo — “como pode o marxismo, seja em que aspecto for, conciliar-se com Hayek? Absurdo!” Porém, esse sincretismo é real, e os neoliberais (PS de Sócrates, PSD e algum CDS) aliam-se hoje aos marxistas culturais (Bloco de Esquerda e algum PS), com compromissos que não transparecem na opinião pública e que se traduzem em cedências mútuas na área da educação e cultura, e na área da economia (“uma mão lava a outra”). Porém, o fenómeno não é só português: Sócrates copiou catequisticamente a ideologia sincrética a partir dos senhores da Europa.

Mercedes Rosúa, no seu livro “O Arquipélago Orwell”, escreve:

«Os reaccionários entregam-se a uma inversão da História, apropriam-se das descobertas e das invenções dos trabalhadores, defendem a “preponderância dos especialistas” para ajudar a burguesia a assegurar o seu monopólio da ciência e da técnica: pregam a “superioridade da teoria”, comercializam o ensino, fazem deste, e deliberadamente, um mistério, e encarecem-no para favorecer assim o reino dos intelectuais burgueses nas escolas: afirmam o “papel decisivo das condições materiais e técnicas”, negam esse factor determinante que é o homem e reprimem a imensa força criadora das massas populares (…) Nós compreendemos perfeitamente que o invencível pensamento de Mao Tsé Tung é a arma ideológica fundamental na redacção dos novos manuais para o ensino.» — Directiva do Comité Central do PC Chinês, durante a Revolução Cultural ( 1968 )


Três décadas depois, os tópicos invocados deixam, no leitor europeu, uma curiosa sensação de déjà vu, em datas ― por certo ― recentes. Se se substitui o invencível pensamento de Mao Tsé Tung pela invocação de alguma suposta lei genial ou reforma educativa, o ataque a tudo quanto enriquece e diversifica o pensamento humano parece ser o tópico de cumprimento obrigatório, e a devastação produzida pelas suas aplicações depende simplesmente da força de que disponha o sector no poder, em determinado momento.
A situação também evoca o conflito geral da universidade em relação ao sistema. Nos diversos países e regimes, enfrentam-se os defensores desta como centro de formação em sentido amplo e crítico, com tendência universal e associado à tradição humanística — com os partidários da universidade-escola especializada que produzirá, num mínimo de tempo e com um mínimo de despesas, os indivíduos necessários, seja para os grandes monopólios e firmas capitalistas, seja para o Estado planificador e patrão. Os primeiros podem ser considerados elitistas e separados da vida quotidiana; os segundos de alienatórios e manipuladores do indivíduo em prol da economia, da burocracia e do trust.
Boa parte das fórmulas maoístas têm ― salvaguardando as abismais distâncias de natureza de regime ― paralelos nas experiências das universidades norte-americanas e europeias, no que respeita à formação fora das aulas, fraccionamento e redução dos períodos lectivos e intercalação de semanas ou meses de actividades independentes. A tendência a reduzir os custos e o tempo da educação leva a confundir e a desvirtuar a iniciativa que caracteriza os estudos superiores e o conceito da própria universidade, com a intenção, supostamente democratizadora, de distribuir diplomas que não correspondem ao que por tal nível se deveria entender.

Quando vemos cada vez mais licenciados que mal sabem escrever a língua, esse fenómeno reflecte o actual sincretismo neoliberal/marxista que forma carne para canhão; nivela por baixo; castra a iniciativa individual (embora digam o contrário); passa a ideia de que o sucesso do indivíduo depende não tanto do seu valor, mas essencialmente da forma como ele se “encaixa” no sistema.

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Sábado, 10 Novembro 2007

A especialização “com antolhos” é positiva?

Filed under: Política,Sociedade — O. Braga @ 7:59 pm
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Será possível mudar o actual sistema de ensino tendente a uma especialização exclusiva, para um ensino que dê ao cidadão um conhecimento global, sem se perder a vantagem da especialização? Eu penso que sim, se muitos dos fundamentos do nosso ensino e da organização da sociedade forem modificados.
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