perspectivas

Domingo, 4 Maio 2014

Passos Coelho e o governo decidiram bem

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 8:27 pm
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E eu sou insuspeito no encómio, porque tenho sido crítico de Passos Coelho. Fizeram bem, pelas razões que o próprio Passos Coelho invocou e que são pertinentes.

Domingo, 9 Março 2014

Cavaco Silva: “quem vier atrás que apague as luzes e feche a porta”

Filed under: economia,Portugal — O. Braga @ 1:07 pm
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«O Presidente da República aponta o relançamento da economia como uma das questões prioritárias do pós-‘troika’ e diz ser essencial corrigir as “injustiças acumuladas” na distribuição de sacrifícios durante o período do programa de ajustamento.

“A disciplina orçamental e a supervisão da política económica por parte das instituições europeias irão ser uma constante da vida política portuguesa no período pós-‘troika’. No entanto, tal não significa – antes pelo contrário – que a economia não possa crescer e que não melhorem as condições de vida dos Portugueses”, diz o chefe de Estado, Aníbal Cavaco Silva, no prefácio dos “Roteiros VIII”, divulgados esta noite no ‘site’ da Presidência da República.»

Em português correcto: se, com o Entroikamento vamos viver na merda e ainda perdemos a democracia real, então mais vale viver na merda sem o Entroikamento e com a democracia real. Viver na merda, por viver na merda, que seja com alguma dignidade.

Com uma taxa de juro de financiamento da dívida na casa dos 5%, para que fosse possível pagar a dívida e os juros acumulados, seria necessário que a macro-economia portuguesa crescesse, no mínimo, na ordem dos 3% por ano. Ora, estando Portugal na zona Euro, esta taxa de crescimento é impossível.

Uma “solução” para o problema o crescimento da economia, que é defendida pela Troika, é cilindrar os salários em Portugal, na esperança que Portugal possa competir, em uma lógica de salários baixos, com a Roménia, por exemplo, ou com Marrocos, ou com a Bulgária, etc.. Mas tanto a Roménia como Marrocos estão fora do Euro. Ou seja, o que a Troika pretende é que Portugal, estando no Euro e não podendo ter uma política monetária, entre em competição com economias de baixos salários que não estão no Euro e que, por isso, podem ter uma política monetária. Nestas condições (dentro do Euro), é claro que Portugal não tem a mínima hipótese de competir com essas economias. Nenhuma. E Cavaco Silva sabe disso. Vamos chamar a esta solução da Troika de “Entroikamento”.

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Domingo, 19 Janeiro 2014

A situação política na Grécia é de explosão iminente

Filed under: A vida custa,economia,Europa — O. Braga @ 5:22 pm
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A situação política e económica na Grécia é de explosão iminente. É mais do que provável — é quase uma certeza — de que a Grécia não vai pagar os 325 mil milhões de Euros que a Troika emprestou ao longo de três programas de resgate; e é quase certo que cada português vai ter que pagar 20.000 Euros para que os gregos não paguem nada.

O partido SYRIZA (tipo Bloco de Esquerda, em Portugal) é já o partido maioritário na Grécia. E este partido assegura que os 325 mil milhões emprestados pela Troika vão pela pia abaixo.

A situação política é a seguinte: o PASOK (Partido Socialista) está nos 3% das intenções de votos e tende a desaparecer do parlamento. O partido da Nova Democracia de Samaras está nos 16%, e o partido radical SYRIZA está nos 25%. O partido dito de “extrema direita”, Amanhecer Dourado, está nos 11%. O Partido Comunista está nos 5%; e 13% dos eleitores estão indecisos.

Portugal pediu à Troika apenas 78 mil milhões de Euros, ao passo que a Grécia já pediu à dita 325 mil milhões de Euros. E, no final de contas, cada português ainda vai pagar 20 mil Euros por causa da dívida grega que não vai ser paga, apesar dos grandes sacrifícios que os portugueses já estão a fazer. Ou seja, o crime compensa, e os burros somos nós. Somos entroikados pela Troika e pela Grécia.

Segunda-feira, 2 Dezembro 2013

O “Alemão”

Filed under: Coelhismo — O. Braga @ 5:13 pm
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Bruno Himmler Maçães web 400

Sábado, 2 Novembro 2013

Tragédia humanitária: Portugal estará pior do que a Grécia em 2014

 

A população portuguesa abaixo do nível de pobreza era de 18% em 2006, e na Grécia era de 20% em 2009. Hoje, o nível de pobreza é (alegadamente) de 25% em Portugal e tende a aproximar-se do nível de pobreza grego em 2014. Entretanto, os banqueiros portugueses estão hoje no topo dos banqueiros mais bem pagos em toda a Europa, e com a conivência política de Passos Coelho.

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Terça-feira, 1 Outubro 2013

A Troika, Passos Coelho, e o acto gratuito

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 7:21 pm
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“Já imaginaram ir pedir dinheiro emprestado a um Banco e este vos exigir em troca que párem de tomar os remédios e que tirem os vossos filhos da escola? É o que a Troika está a fazer connosco!!!”

— respigado no FaceBook


¿ O que é um “acto gratuito”?

É um acto que não é objectivamente motivado e que manifesta a existência de uma liberdade absoluta, próxima da liberdade da indiferença — por exemplo, um crime sem móbil é um acto gratuito (ver o filme de Alfred Hitchcock, “A Corda”). A vontade de provar a liberdade absoluta por intermédio de um acto sem móbil constitui em si mesmo um móbil.

No fundo, trata-se de um acto perpetrado em função de um capricho, embora um capricho reflectido e pensado, e representando o exercício de um arbítrio total. O objectivo do acto gratuito é o de afirmar uma liberdade total, contra toda a moral e mesmo contra a Razão.

o pernalonga e a troika web

Segunda-feira, 30 Setembro 2013

Os mostrengos

Filed under: Portugal — O. Braga @ 12:34 pm
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os mostrengos

O MOSTRENGO

O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,

E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:

«El-Rei D. João Segundo!»
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,

Três vezes rodou imundo e grosso.
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»

E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,

E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme

E roda nas trevas do fim do mundo,
Manda a vontade, que me ata ao leme,
De El-Rei D. João Segundo!»

Fernando Pessoa, in “Mensagem”

Sexta-feira, 27 Setembro 2013

O novo igualitarismo: o da “convergência”!

 

Hoje comprei o Jornal de Negócios e li o editorial de Pedro Santos Guerreiro, com o título “Os Inadaptados”. O artigo ataca implicitamente o Tribunal Constitucional sem dar explicitamente razão a Passos Coelho: é aquilo a que podemos chamar de “ataque implicitamente explícito”.

O que deixa baralhado é a novilíngua politicamente correcta neoliberal: termos como “ajustamento”, “imparidades”, “alavancagem”, etc., têm um estatuto quase esotérico. Mas o termo “convergência” é o mais cínico de todos. Escreve o Pedro Santos Guerreiro:

«Estes chumbos do [Tribunal] Constitucional agravam o clima político às portas do Orçamento [de Estado], quando os olhos estavam nos diplomas do horário da função pública para as 40 horas semanais e no corte das pensões [de reformas] do Estado (convergência entre público e privado).»

Na novilíngua neoliberal, “convergência” significa “nivelar por baixo”, eliminando a classe média.

Segundo os neoliberais, precisamos de um “ajustamento” que reduza as “imparidades” e que permita uma “alavancagem” em direcção à “convergência”… para a merda!

A sociedade “converge” quase toda para a pobreza, e à semelhança do que acontecia nos países comunistas da Europa de Leste, a sociedade fica dividida entre uma pequena elite de sibaritas que tem direito a Datchas e a outras sinecuras, por um lado, e por outro lado a massa enorme e inerme dos novos pobres, todos iguais na pobreza. É este o novo igualitarismo que Passos Coelho defende, aquilo a que eu chamei de sinificação da sociedade: um capitalismo que destrói a classe média é uma forma de fascismo.

Chegará o momento em que os neoliberais defenderão a “convergência” entre Portugal e o Burkina Fasso, em nome da “descida dos custos de trabalho por unidade produzida”.

E Pedro Santos Guerreiro continua:

«O FMI quer ainda mais flexibilização, despedimento ainda mais fácil, descida do salário mínimo, subsidio de desemprego mais curto, empregos transitórios e baratos para jovens. Não é masoquismo (1) , é o entendimento de que o desemprego só se ataca pela quantidade (mais desempregados) ou pelo preço (menos salários). E que portanto é preferível mais gente ganhar menos do que haver mais desempregados

Esta retórica parte do princípio (ilusório e falacioso) segundo o qual se os salários baixarem, o desemprego diminui automaticamente. Se isto fosse verdade, o Burkina Fasso não teria desempregados. Esta é a retórica enganosa de Passos Coelho. Ou seja, segundo os neoliberais, precisamos de um “ajustamento” que reduza as “imparidades” e que permita uma “alavancagem” em direcção à “convergência”… para a merda!

Paradoxalmente, é hoje o neoliberal Passos Coelho que defende uma nova forma “sovietizada” ou “chinezada” de igualitarismo: a esmagadora maioria do povo “converge” para a merda. Em vez de “classe média”, vamos ter uma “classe merda”.

(1) Pois não é masoquismo, não! O que poderia ser era sadismo!

Sábado, 21 Setembro 2013

Em Portugal, a democracia representativa está em perigo

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 10:39 am
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Normalmente, só nos lembramos de Santa Bárbara quando troveja; só quando o céu nos cai em cima é que nos lembramos das estrelas.

O ideário de Passos Coelho passa pela seguinte premissa de acção: “Se confrontarmos directamente a Esquerda, mudando a Constituição sem o consenso parlamentar que ela própria instituiu, Portugal seguirá na senda do progresso”.

Esta atitude de Passos Coelho — que vem de longe, ainda antes de ele ser primeiro-ministro — tem uma base ideológica e não propriamente pragmática. Eu não sei se ele tem ou não razão, porque não sou bruxo e não posso adivinhar o futuro (como ele parece adivinhar); não sei se vai haver progresso, ou não. Eu apenas vejo tendências do futuro que se circunscrevem ao curto/médio prazo e que dependem de variáveis políticas e culturais evidentes (toda a gente as pode ver). É neste sentido que se pode dizer que Passos Coelho é temerário e, por isso, não é prudente.

Passos Coelho parte do princípio de que o eleitorado estará sempre de acordo com a sua (dele) ideologia, e que “o tempo da influência Esquerda já era”; e por isso — pensa ele — nem é preciso acordo parlamentar para mudar a Constituição: obriga-se o Tribunal Constitucional a mudar a Constituição, e de facto. Passos Coelho protagoniza um golpe-de-estado em Portugal com o apoio dos “mercados”.

A Constituição precisa de ser mudada? Em algumas coisas, sim! É legítimo um golpe-de-estado jurídico, imposto pela plutocracia internacional, para mudar a Constituição? Nunca! A partir do momento em que Passos Coelho tiver sucesso nesse seu golpe-de-estado jurídico contra a Constituição que temos (má ou boa), qualquer força política ou militar estará legitimada para acabar com a democracia representativa em Portugal.

Sexta-feira, 14 Junho 2013

Sobre a greve dos professores e sobre fecho da televisão grega

Filed under: Geral — O. Braga @ 9:59 pm
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O fecho da televisão pública grega foi um acto radical, tão radical quanto as estatizações revolucionárias de empresas privadas, a que assistimos depois do 25 de Abril de 1974. A Troika é tão radical quanto o estalinismo, embora de sinal contrário. O radicalismo da Troika vai deixar marcas indeléveis na Grécia, e vai suscitar um radicalismo de sinal oposto; ninguém tenha dúvidas disso.


Os professores que assim o entenderem têm o direito a fazer a greve marcada para Segunda-feira, mas os professores que não quiserem fazer a greve não podem ser perseguidos politicamente. O governo tem que assegurar que os professores que não quiserem aderir à greve não tenham problemas políticos dentro da escola. A escola não é, em princípio, um lugar político.

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