perspectivas

Quinta-feira, 25 Outubro 2018

QI baixo, mas com alvará de inteligente

 

O Ludwig Krippahl voltou ao problema da Teodiceia. Parece um disco de vinil riscado. Baixo QI: não há argumento racional que valha.

 

Sobre o problema da Teodiceia, ler o que eu escrevi aqui em 2014. Qualquer pessoa com dois dedos de testa percebe o texto (a não ser que a sua carreira profissional dependa de um alvará de inteligência politicamente correcto).

Quinta-feira, 31 Dezembro 2015

A confusão ateísta entre o infinito e o finito

Filed under: cultura — O. Braga @ 4:41 pm
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O Domingos Faria elabora aqui um arrevesado lógico para chegar à conclusão de que Deus permite o Mal. O problema é o de que os ateus dizem que “se Deus é Bom, não deveria permitir o Mal” — ou seja, os ateus acham-se no direito de impôr a Deus aquilo que Ele deveria ou não permitir.

“Se existisse um Deus bom e omnipotente — dizem os ateístas — teria necessariamente que intervir contra os males. Porém, dado que existem os males, resulta daí — continua o argumento ateísta — que ou Deus não quer ajudar, e neste caso não é bom; ou não pode ajudar, e neste caso não é omnipotente.

Este argumento ateísta é completamente incongruente, porque quem afirma que a existência dos males no mundo é a prova da inexistência de Deus, parte do princípio de que tem o direito natural de viver em um mundo absolutamente positivo; o ateísta vê o problema da seguinte maneira: o bem entende-se por si mesmo; só o mal constitui problema.”

A negação ateísta de Deus mediante a existência do Mal

Este argumento ateísta afirmou-se, na cultura, com o Romantismo, com a sua tendência para identificar o finito com infinito (imanência, monismo). Trata-se de um erro de palmatória. Nicola Abbagnano faz a crítica ao romantismo de Hegel e Croce (§719):

“Mas como pode um espírito infinito (Deus), ou seja, por definição auto-suficiente, numa categoria sua (por definição, universal) ser necessidade, paixão, individualidade, etc., que são características constitutivas do finito como tal e elementos ou manifestações da sua natureza, é um problema que Croce (como Hegel) nunca considerou”.

Na literatura romântica portuguesa surge, por exemplo, “A Velhice do Pai Eterno” de Guerra Junqueiro, em que Deus é considerado “eterno”, ou seja, em que o “infinito” é traduzido por “eterno”.

Porém, o infinito não se confunde com o eterno: podemos dizer que o infinito concebe tudo o que está para além do espaço-tempo, sendo que, neste sentido, o infinito é “detectado” (por assim dizer) de uma forma objectiva pela Razão, pela Lógica, e pela matemática.

Na realidade subjectiva, o infinito também é "detectado" através da intuição do “ilimitado”, e também através do testemunho da interioridade que inspira o infinito que contém o finito (quando se fala do “Ser em Si”).

Quinta-feira, 14 Junho 2012

A metafísica darwinista e o problema da teodiceia

O problema da teodiceia é um problema filosófico clássico e antigo, mas agora, em desespero de causa, o darwinismo recorre à teodiceia para tentar destruir quem se oponha ao seu dogma. Mas o problema da teodiceia é metafísico e, por isso, faz parte da filosofia, e não da ciência. Ou será que o darwinismo é, antes de mais, uma metafísica?!
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Domingo, 15 Maio 2011

Acerca do argumento ateísta do “mal do mundo”

Filed under: ética,filosofia,Religare — O. Braga @ 10:25 am
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1. O argumento mais importante — senão o único com algum relevo — dos ateístas contra a religião cristã, é o seguinte: “se existisse um Deus bom e omnipotente, teria que intervir contra os males do mundo. Porém, dado que existem os males, resulta daí que Ele ou não quer ajudar, e portanto não é bom, ou não pode ajudar, e portanto não é omnipotente”.

2. Adicionalmente, os ateístas acrescentam a este argumento, uma adenda: “o mundo é como é; as leis das natureza são como são. A renúncia a uma explicação sobre o mundo e sobre as leis da natureza, é racional”.

Este argumento existe desde sempre: é o problema da Teodiceia. Antes de analisarmos este argumento ateísta, vamos consentir aqui em um ponto prévio.


Uma refutação de uma metafísica volta a ser, ela própria, uma metafísica. Quando um ateu refuta uma metafísica, assume uma segunda metafísica para refutar a primeira, porque a renúncia à metafísica seria o mesmo que uma renúncia ao pensamento. Em princípio, é possível rejeitar a metafísica, mas neste caso, não se pode querer ter uma só palavra para dizer seja o que for.


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Sábado, 12 Março 2011

A tragédia do Japão e a teodiceia

Filed under: A vida custa,filosofia,Religare — O. Braga @ 11:20 am
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Sempre que acontece uma catástrofe natural seguida de uma tragédia humana, como a que aconteceu anteontem no Japão, o ateu pergunta: “Se Deus existe e é bom, porque permitiu que tamanha tragédia humana fosse possível ?” . E o problema recorrente da teodiceia volta à discussão.
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Sexta-feira, 15 Janeiro 2010

A tragédia humana no Haiti

Filed under: Religare — O. Braga @ 5:28 pm
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A terra tremeu no Haiti e a tragédia entrou pelas nossas casas adentro. Dezenas de milhares de mortos são estimados, famílias desfeitas, sobreviventes que lutam pela sobrevivência; um povo desesperado que não consegue sequer agora pensar no futuro. No Haiti vive-se um eterno presente, porque o passado é um inferno que se quer esquecer e o futuro não tem nome.

Em momentos de aflição como o que se vive no Haiti, reaparece a nossa alma neolítica; quando o chão treme violentamente debaixo dos nossos pés, deixamos por momentos de acreditar na ciência e na técnica; duvidamos do racional e do irracional. Apenas nos resta, nesses momentos em que a realidade objectiva parece desabar à nossa volta, a fé no arracional e no super-racional.

O arracional é tudo aquilo que não é racional nem irracional, como é o caso do Ser e da Existência. Perante uma tragédia daquela dimensão reduzimos a nossa realidade ao Ser e à Existência que, aparentemente sem razão de ser, são e não deixam de ser. E do arracional somos transportados para o super-racional que está presente em toda a criação e do qual deriva a arracionalidade da existência e do ser. E é por isso que, em uma situação-limite daquela natureza, rezamos nós como rezam os haitianos, para que possamos re-apreender o mito que tudo engloba ― o racional, o irracional, o arracional e o super-racional ― e sem o qual não podemos viver.

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