perspectivas

Segunda-feira, 13 Julho 2015

O alquimista das palavras

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 2:40 pm
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“Procura evitar essa gente (…) que está sempre a aprender, mas que é incapaz de chegar algum dia à verdade”.

— 2 Timóteo 3, 6-7

O José Pacheco Pereira é uma espécie de “alquimista das palavras”: tornando complexo aquilo que é simples, tenta transformar o chumbo da realidade em ouro da utopia.

Por exemplo, uma coisa é criticar o governo de Passos Coelho (eu próprio o tenho feito aqui); outra coisa é relacionar essa crítica — criando um falso nexo causal — com problema particular da Grécia: o alquimista das palavras pensa ter encontrado a síntese do mundo, uma espécie de TOE (Theory of Everything).

Tenhamos pena que os ódios de estimação do José Pacheco Pereira moldem a sua alquimia das palavras. E depois — diz ele — “os ressabiados são os outros”.

“Em partidos como o PSD e o CDS, mas em particular no PSD, houve uma clara deslocação à direita.”

Por um segundo pensei que o José Pacheco Pereira se estaria a referir ao Syriza quando falou em “deslocação à direita”. Ou melhor, “a deslocação política do Syriza conforme a puta da realidade!”.

Quando  o Partido Social Democrata e o CDS/PP se “deslocaram à direita”, a culpa é destes; quando o Syriza se “desloca à direita”, a culpa é dos Banksters, e o Syriza é uma vítima. O alquimista das palavras passa a vida a aprender, mas é incapaz de chegar a qualquer tipo de verdade.

Quarta-feira, 24 Junho 2015

Syrízicos

 

sirizicos

Neologismo criado pela Helena Matos.

Quinta-feira, 18 Junho 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

Filed under: Europa — O. Braga @ 3:15 am
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Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

EXP-GR1

Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização mais ou menos parcial da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

Segunda-feira, 26 Janeiro 2015

Os burocratas de Bruxelas andam com medo

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:50 pm
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O Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições. Por isso é que o Syriza diz que “não quer sair do Euro”: pretende que a saída da Grécia do Euro seja apoiada pelos credores, e nesse sentido coloca o ónus da responsabilidade política nos países que controlam o BCE [Banco Central Europeu] — com a Alemanha à cabeça.

eu-greece-kleenex-webSe os credores da Grécia (não estou a falar em perdão de dívida!) derem condições especiais à Grécia para que saia do Euro sem grandes perturbações (garantindo o financiamento ao novo dracma, e amortecendo o choque da mudança de moeda), e se, com o novo dracma e com os apoios dos credores, a economia grega passar a crescer mais de 2% por ano (penso que poderá crescer até mais do que isto: poderia andar entre os 3 e os 4%), os burocratas de Bruxelas estarão em maus lençóis.

A Grécia (com o governo de direita de Samaras) já conseguiu muita coisa: já cobra muito mais impostos e reduziu radicalmente a fuga ao fisco; reduziu a burocracia do Estado; e se o peso dos juros da dívida na economia grega não fosse tão grande (30% da colecta de impostos), o défice orçamental da Grécia andaria já pelos 3%.

O problema é que o Euro é um projecto político, e não meramente económico. É um projecto político de construção de um leviatão burocrático.

E se a Grécia sair do Euro (repito: com o apoio dos credores!, e sem perdão de dívida) e a economia grega começar a crescer, Portugal, Espanha, e até a Itália poderão seguir o exemplo da Grécia. É disto que os burocratas de Bruxelas têm medo!

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