perspectivas

Sábado, 30 Março 2013

Volta!, Positivismo! Estás perdoado!

Wittgenstein falou daquilo que se deve calar devido à impossibilidade de falar disso. Dizia ele que “é impossível falar daquilo que se deve calar”, mas não deixou de falar daquilo que, segundo ele, se devia calar. E depois de falar daquilo que deveria ter sido calado por ser impossível falar disso, Wittgenstein foi apresentado nos meios intelectuais como um génio, e chegou a ser professor universitário em Inglaterra.

Hoje, já quase ninguém fala em Wittgenstein. Mas se os intelectuais colocam hoje em causa o positivismo como uma “coisa ultrapassada, antiga, horrorosa!”, abraçam agora o sofismo que restou do abandono do positivismo.

O sofismo, no avesso do positivismo, diz que “é possível não falar daquilo que não se deve calar” — e portanto, as ideias e as opiniões são todas iguais. Ou melhor dizendo: o que distingue hoje a validade de uma opinião em relação a uma outra, é a lei: desde que duas opiniões não sejam contra a lei, são ambas igualmente válidas mesmo que contraditórias e/ou opostas entre si.

No tempo em que o positivismo de Wittgenstein e Schlick era rei, uma resposta correcta e lógica anulava a razão da pergunta. Por exemplo, a pergunta: ¿Quanto é 1+1? Resposta: 2. Logo, a pergunta ficava resolvida e não se falava mais nisso. Assunto arrumado.
Hoje, porém, com o sofismo instalado na nossa cultura, a coisa já não funciona assim. Se eu disser que 1+1=2, há sempre alguma alma sabichona que me diz pesporrentemente: “Caro amigo: isso é a sua opinião…!”

No tempo do positivismo, diziam os intelectuais que “o critério da significação (a validade do significado de uma proposição ou questão) é a sua verificação (científica)”. Rapidamente se verificou que esta asserção se refuta a si mesma, porque ela própria não é verificável. Mas hoje estamos ainda pior, porque o sofismo instalado defende a ideia segundo a qual “o critério da verificação é a sua significação”, o que transforma a ciência em qualquer coisa que tenha um qualquer significado exclusivamente subjectivo. O positivismo matou o sujeito, e o subjectivismo sofista vingou-se e matou a ciência.

Sexta-feira, 19 Fevereiro 2010

Aristóteles e o relativismo moral (1)

O relativismo moral não é um fenómeno exclusivamente moderno; foi sempre o reflexo de uma crise social e civilizacional, e as suas características principais são recorrentes ao longo da História.
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Quinta-feira, 21 Janeiro 2010

A problema da ética na acção económica e na acção política

O André Azevedo Alves escreve aqui sobre a ética nos negócios e sobre a alegada “responsabilidade social das empresas”.
O que se pode constatar é que em função da crescente colocação em causa da legitimidade da propriedade privada, o negócio é transformado num “mal necessário” que deve ser fiscalizado e controlado pela política. Em alguns países, a propriedade privada ainda não foi abolida, mas funciona agora numa espécie de concessão em leasing através da qual a propriedade é implicitamente colocada com um prazo de validade. Trata-se da política neomarxista, influenciada pela teoria de Gramsci, do “deixa-os poisar”.


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Terça-feira, 22 Dezembro 2009

A dissociação simbólica por parte do Iluminismo

« Muito do relativismo e da amoralidade reinantes não são propriamente crenças ou ideologias: são doenças da alma, adquiridas por esgotamento da inteligência moral. »

― Olavo de Carvalho in “A Demolição das Consciências”

Na sua obra “Ordem e História”, Eric Vögelin assinala o facto histórico evidente segundo o qual uma cultura pode abruptamente perder a sua capacidade de assimilar as noções mais profundas da realidade, devido a um processo de empobrecimento cultural que decorre de uma depauperação espiritual. Este fenómeno de empobrecimento cultural, segundo Eric Vögelin, ocorreu na Grécia Antiga na geração que se seguiu a Ésquilo, quando até o próprio Heródoto foi incapaz de compreender cabalmente os escritos de Homero. Este fenómeno de pauperismo cultural e espiritual abrupto deve-se ao “iluminismo” como fenómeno histórico genérico ― e não só ao nosso Iluminismo do século XVIII que teve as consequências que todos sabemos no materialismo basista e espiritualmente pobre do século XIX.
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