perspectivas

Segunda-feira, 4 Janeiro 2010

A família é o que a gente quiser e nos der na real gana

« Família é muito mais que consanguinidade, é muito mais que um padrão, é muito mais do que papéis perfeitamente definidos e encaixados, é muito mais do que um matrimónio ou o que se vende nos magníficos anúncios dos automóveis familiares.

Família é afecto, é carinho, é compreensão, é aceitação. Há famílias de todos os géneros e estruturas, famílias em que se estabelecem relações de conjugalidade (seja qual for a orientação sexual) e famílias em que isso nem sequer acontece entre os seus membros. »

Pois é. Eu tenho muito afecto, carinho e compreensão pelo Manuel, pelo José, pela Joaquina, pela Maria, pelo António e pelo Carlos. Vamos todos constituir uma família. Uma noite durmo com o Manuel, outra noite com o Zé, outra noite faço um filho à Joaquina, etc. E os filhos são de todos. E vamos ser todos casados. Vamos ser todos uma família. E você, caro leitor, se “pega de empurrão”, adira à nossa família, porque há sempre lugar para mais um.

E se você gosta de menage a trois, ou a quatre, ou a cinque, ou à six, etc, adira já à nossa família: escreva um email para a distrital do PS de Odivelas.

Quarta-feira, 19 Agosto 2009

Eu sou madeirense!

Automóveis: Madeira recusa lei dos chips nas matrículas

chip“O Parlamento Regional invoca o receio de um Big Brother e as dúvidas da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) sobre as implicações relativas à privacidade dos cidadãos e respectivos direitos, liberdades e garantias. O decreto regional contesta a inclusão da Madeira prevista na legislação publicada a 18 de Maio, e segundo a qual a matrícula electrónica será obrigatória em todos os veículos automóveis a partir de 2010. O chip permite o controlo e a gestão de várias funcionalidades, que vão do pagamento electrónico de portagens – solução do governo para a cobrança nas scut (auto-estradas sem custos para o utilizador) – à fiscalização rodoviária e localização de veículos, a qualquer momento, para efeitos de segurança rodoviária e controlo de criminalidade.”

A segurança pública não pode depender da instalação de uma sociedade de Big Brother, em que é colocada em causa paulatina e seriamente a privacidade do cidadão; antes passa pelo controlo da imigração, pela revisão da lei penal no que respeita à celeridade da justiça e aplicação das penas, investimento a sério na Justiça e nas infraestruturas prisionais, e modernização das forças policiais.

Quarta-feira, 3 Setembro 2008

Sobre o chip da ditadura sorridente

Existe uma petição online.

Segunda-feira, 11 Agosto 2008

Directo e sem rodeios: desembrulho!

Posso estar de acordo com a ideia deste postal: é preciso que a imigração seja contida dentro dos limites económicos e sociais que Portugal pode oferecer; não é possível “importarmos” imigrantes para depois não lhes darmos condições de sobrevivência condignas e segurança aos que já cá estão. Até aqui estou de acordo, e tenho-o escrito desde há 5 anos a esta parte.

Contudo, não concordo com a ideia de que os criminosos, por o serem, passem por isso à condição de sub-humanos (“Untermenschen”, para utilizar a terminologia nazi).

Desde logo, qualquer pessoa com dois dedos de testa se apercebe que se os assaltantes quisessem matar os reféns (todos ou algum) poderiam tê-lo feito, em vez de terem libertado quatro deles; tiveram a oportunidade e o momento para o fazer. Parece que a polícia não se apercebeu disso. Quando a polícia mata alguém nestas condições, é essencial que a intenção da pessoa abatida seja prévia e racionalmente avalizada.
(more…)

Nauseabundo

Filed under: Justiça — O. Braga @ 12:33 am
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É muito raro; mas por vezes, ao ler a blogosfera, chego a sentir náuseas.

« “Mais valia ter salvo os quatro”, parecem dizer alguns. Sejamos francos: ali só havia dois que careciam de ser salvos – aqueles que não se tinham lembrado de tomar reféns e de lhes apontar armas à cabeça.
O resto nem danos colaterais são.»

Parece que Fernando Pessoa afinal tinha razão.

Via

Quinta-feira, 26 Junho 2008

O ministro “desadequado”

Filed under: Política — O. Braga @ 11:25 am
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Imagem daqui

O ministro da agricultura tem-me surpreendido. Para além das calinadas no português ― é preciso dizer ao ministro que “desadequado” não existe e a sua utilização é inadequada; o mais parecido com “desadequado” será “desacuado” que deriva do verbo “desacuar”, e que resume a actividade do ministro em relação aos agricultores e pescadores portugueses ― o ministro vem dizer que os agricultores portugueses são menos inteligentes que os outros agricultores da Europa, que pretendem viver à custa de subsídios do Estado e que são uns madraços. Quer queira, quer não, quando o ministro fala representa o governo na área que tutela e não só: identifica também a filosofia política pela qual se pauta o governo na sua acção geral.

Os agricultores portugueses não são menos inteligentes do que os outros; os agricultores portugueses já se aperceberam que não são subsidiados pelo Estado na mesma proporção e medida que os seus congéneres europeus que com eles competem num mercado aberto. Com a arrogância de um presunçoso desasnado, a besta ministerial tem o descoco de tentar fazer dos labregos, burros; com ares e tiques de bicha bigodeira, não resiste a chamar de “ignorantes” a quem sabe muito bem o que se passa lá fora.

É preciso que alguém diga ao ministro que o “mercado aberto” — que a cavalgadura de salão defende com o enviesamento de um neoliberal de pacotilha — não permite que coexista proteccionismo de Estado num lado e neoliberalismo noutro: se bem que existe proteccionismo a que todos tenham direito na mesma medida, ou não deve existir. Triste sina, a dos portugueses, que na miséria têm um governo que defende o melhor dos exemplos, quando os nossos vizinhos se estão nas tintas para as boas práticas e tratam é de fazer pela “vidinha”. Depois, dizem que Espanha tem um “superavit”…pudera, os proveitos têm que vir de algum lado, e também do Zé Tuga que trabalha para aquecer.

O cenário político português é kafkiano, e no meio disto, Cavaco Silva vai-se limitando a fazer religiosamente o relatório das suas actividades diárias; se não fosse triste, dava para rir: os portugueses andam “desadequados”… e mal pagos.

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