perspectivas

Sábado, 11 Dezembro 2010

A moderna guilhotina do espírito, ou breve história da miséria moral e cultural da modernidade

O senso comum é caracterizado pela certeza do saber. Esta certeza do saber decorre da experiência pessoal e subjectiva e, consequentemente, da intersubjectividade ou acção cultural do Homem em sociedade. Todo o ser humano tem certezas, e mesmo aqueles que têm dúvidas têm a certeza das suas dúvidas.

Porém, a ciência não tem certezas, mas antes vive de hipóteses e numa verdade sempre precária. À ciência aplica-se perfeitamente a frase: “o que é verdade hoje pode não ser verdade amanhã”.

Um dos grandes problemas culturais da modernidade surge com a “cientificação” do senso comum, ou seja, com a ideia de que a ciência transporta consigo a tipologia das certezas que existe no senso comum. A partir daqui, e de certa forma, o senso comum é transformado, por uma espécie de emanação metodológica, em ciência; estamos em presença do cientismo.

Todavia, enquanto que o senso comum dá sempre a possibilidade de existência de desvios ao comummente aceite como sendo maioritário, a certeza do cientismo considera o desvio como uma heresia, porque a certeza (que derivou do senso comum) transforma a teoria científica em dogma [a evolução da teoria: teoria (Darwin) → doutrina (darwinismo, positivismo, materialismo filosófico) → dogma (neodarwinismo, naturalismo, neo-ateísmo)].
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Quarta-feira, 10 Março 2010

A falta de coragem moral

Posso estar errado, mas tenho a noção de que a maioria de qualquer povo ― incluído o português ― não é de esquerda (no sentido ideológico do termo) e que existe (isso, sim) uma grande falta de coragem moral. O povo não é de esquerda porque esta desafia e pretende destruir o senso-comum que se baseia na estrutura objectiva da realidade, e seria uma contradição que o senso-comum não pertencesse por natureza à maioria do povo.

A falta de coragem moral decorre do medo da expressão livre do pensamento ou da simples indiferença em relação ao mundo. Ortega Y Gasset escreveu sobre esta maioria de pessoas:

“De baixo da aparente indiferença da despreocupação está latente um pavor secreto de ter que resolver por si mesmo, originariamente, os actos, as acções, as emoções ― um humilde afã de ser como os demais, de renunciar à responsabilidade ante o próprio destino, dissolvendo-o na multitude; é o ideal eterno do débil: fazer o que faz o mundo todo, é a sua preocupação.”

Contudo, o “pavor secreto” e íntimo de que nos fala Ortega y Gasset deixou de ser apenas a expressão do ignaro que prevalecia no tempo em que o filósofo escreveu essas palavras, para lhe ser acrescentado hoje o medo da livre expressão. As pessoas passaram a ter medo de ser livres. Este fenómeno é assustador.

Hoje, a maioria já nem sabe sequer se pode ou deve fazer aquilo que faz o mundo todo: para além de débil, passou a ser moralmente covarde, em consequência da destruição dos símbolos por parte do marxismo cultural que mergulhou a sociedade numa confusão de significados. Instalou-se a torre de Babel dos símbolos e da linguagem.

Aquilo que a maioria sente já não o diz abertamente senão no núcleo mais íntimo das suas relações; e mesmo aqui corre o risco de ter problemas. Aquilo que lhe parece óbvio é calado pelo medo da crítica política e ostracismo social promovidos pelo Poder. Tem-se medo de perder amigos, de perder o emprego e sobretudo de ser prejudicado na sua carreira no emprego no Estado, e por isso, o silêncio passa a ser a norma da sobrevivência. Se o “débil” do tempo de Gasset aceitava o status quo sem pensar, para além dessa despreocupação e estupidez natural, o covarde moral contemporâneo vive o terror da contradição auto-evidente entre a sua percepção da realidade do mundo e aquilo que o Poder político lhe impõe como sendo a realidade.

A minha esperança é que essa maioria silenciosa ― à semelhança da maioria silenciosa nos anos 70 ― um dia resolva acabar com o totalitarismo das ideias e com a censura do pensamento.

Domingo, 7 Fevereiro 2010

Homofobia

Filed under: ética,cultura,Gayzismo,politicamente correcto — O. Braga @ 11:26 am
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« (…) é preciso lembrar que existe um crime muito grave chamado homofobia, que consiste em agredir e prejudicar alguém por ser homossexual. Mas isso é muito diferente da liberdade de opinião acerca da prática. Também há quem seja abertamente contra a Igreja, o que é legítimo na sociedade livre, sem que tal se confunda com a perseguição religiosa concreta, proibida pela lei. »

João César das Neves

Parada de 'orgulho gay'

Eu discordo de João César das Neves num ponto: a homofobia não é, nem pode ser um crime. Hoje, mais do nunca ― e tenho repetido isto até à exaustão ―, há que apelar ao senso-comum. Aquilo a que se convencionou chamar de “homofobia” ― e por evolução semântica e por evolução dos próprios símbolos impostos pelos activistas políticos gay ― consiste na manifestação de repúdio consciente em relação a um determinado comportamento, e não (como muito bem diz JCN) em relação a uma determinada pessoa em si, com as suas características idiossincráticas.

“Agredir e prejudicar alguém” (no sentido de “preconceito negativo”) é crime não só em relação aos homossexuais, como também em relação às mulheres, às crianças, aos deficientes mentais, aos idosos, aos carecas, aos feios, aos pernetas, aos benfiquistas, etc. “Agredir e prejudicar alguém” não é acção de um exclusivismo homofóbico. “Agredir e prejudicar alguém” sem nenhuma justificação plausível de auto-defesa, é um crime per si previsto no Código Penal, independentemente da conotação ideológica que tenha ou da situação em que ocorra.

Não vamos agora criar tipologias legais especiais para as agressões a gays, outras tipologias para as agressões aos carecas, outras para os pernetas, outras para as agressões aos portistas, etc. “Agredir e prejudicar alguém” é, perante a lei, igual para todos.

A “homofobia” distingue-se do “ódio contra homossexuais” por aquela ser racional e consciente, e este ser irracional e inconsciente. O homófobo discrimina e repudia o comportamento e o acto homossexual, e não o ser humano homossexual, assim como a pessoa pró-vida discrimina, critica e condena o aborto (o acto, o comportamento) e não a mulher que aborta (o ser humano).

Uma pessoa pró-vida que sinta ódio por uma mulher que aborta, corre o risco de passar a ter um comportamento irracional; contudo, o seu comportamento torna-se racional e consciente quando essa pessoa pró-vida condena o acto e não a pessoa ― no processo do devir, um homem que, na sua juventude, tenha assassinado alguém, hoje com 75 anos e depois de ter cumprido a sua pena de prisão, já não é um assassino. Não podemos estigmatizar uma pessoa por causa de um acto que ela tenha cometido, porque o ser humano faz parte do processo do devir.

Coisa diferente é categorizar comportamentos e a acção, que é o que a ética faz. E não há outra palavra para definir o repúdio em relação ao acto homossexual senão “homofobia”, assim como não há outra palavra para definir o repúdio em relação ao acto de abortar senão “anti-abortismo”.

Se o termo “homofobia” não serve, inventem outro, mas não se fuja ao senso-comum.

Sábado, 23 Janeiro 2010

Grito d’Alma

« Acreditas naquilo que os teus olhos vêem, ou naquilo que eu te digo? »

― Groucho Marx (mas poderia ser de José Sócrates)

O que aconteceu em Portugal com José Sócrates foi ― a vários níveis: político, cultural, social, económico, etc. ― a tentativa de racionalização do absurdo. Portugal entrou numa espécie de “Processo” de Kafka. De repente, a política socratina desatou a dizer ao povo que a realidade, tal qual o senso-comum popular a vê, não existe; e que apenas existe a verdade exarada dos gabinetes da elite política, e que a realidade passou a ser aquilo que essa elite política exige que seja.

As coisas já não são como elas se nos apresentam; passaram a ser conforme o socratinismo quer que elas sejam. A realidade objectiva já não existe, senão a realidade subjectiva socratina.

Este desfasamento entre a realidade objectiva que é característica do senso-comum popular, por um lado, e a imposição coerciva e até violenta de uma realidade subjectiva ficcionada e programada para a afirmação de um totalitarismo suave, por outro, implica a necessidade urgente de um combate cerrado contra o regime de José Sócrates ― que se transformou no porta-voz do radicalismo mais abstruso e passadista herdado dos totalitarismos (os mesmos das religiões políticas das realidades ficcionadas) do século passado.

Sexta-feira, 22 Janeiro 2010

Cortando a direito e em português correcto

Pela segunda vez numa semana e pico, o sítio do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (alguém me explique, por favor, como é um ministério tem magistrados; os magistrados são próprios dos magistérios, e os ministrados ou ministros, dos ministérios) publica textos que dão loas ao “casamento” gay. Queria chamar a V/ atenção para este sítio:

http://www.catholiceducation.org/articles/homosexuality/ho0075.html

Ademais, podemos encontrar no Google : anal sex diseases. Procurem, s.f.f..
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