perspectivas

Quinta-feira, 23 Setembro 2010

O amor da humanidade

« Nunca confie num homem que diz amar a humanidade. »

Li esta frase no Twitter. Está na moda “amar a humanidade”. Há políticos que fazem campanha pelo amor à humanidade. Em nome do amor à humanidade se falsificaram os dados do IPCC relativos ao alegado aquecimento global alegadamente antropogénico. Pelo amor à humanidade defende-se o aborto ilimitado. Pelo amor à humanidade defende-se o infanticídio e a eutanásia. Pelo amor à humanidade se combate contra a existência das nações e se defende a globalização através da implementação de um governo mundial. Este problema é (também) ético.
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Sábado, 22 Maio 2010

A sociedade europeia em progresso para o paleolítico inferior

A condição do ser humano diferenciou-se da dos outros animais através de uma série de concepções religiosas e prática de determinados ritos. E de tal forma, que se um ateu moderno quisesse ser inteiramente consequente com as suas ideias, não iria a funerais dos outros e nem aos da sua própria família, porque o rito fúnebre tem claramente uma origem religiosa.

O ser humano genérico começou por ser vegetariano (Homo Rudolfensis, Homo Habilis) e não repartia o trabalho entre os sexos.
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Sexta-feira, 21 Maio 2010

O futuro da religião a ocidente

Aconselho a leitura deste artigo de Olavo de Carvalho em que ele fala da experiência “quase-morte” — eu próprio tive essa experiência com 9 anos de idade. Pessoas que tiveram essa experiência têm, por um lado, o privilégio da certeza, e por outro lado, a responsabilidade da consciência.
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Sexta-feira, 9 Abril 2010

O ataque secularista à religião cristã

Hoje, secularismo é sinónimo de anti-cristianismo, embora não seja de anti-islamismo. Existe aqui um fenómeno cultural e político interessante de aliança tácita entre os herdeiros de Karl Marx e os de Maomé.

Os recentes ataques ao Papa provam uma guerra aberta e total por parte do secularismo ao cristianismo como não se via desde o tempo de Hitler e de Estaline. Numa Europa onde os estados estão separados da Igreja Católica e onde existem mesmo países que rejeitaram qualquer concordata com o Vaticano, não haveria razão, em princípio, para este tipo de ataque soez. Mas existem várias razões para que isso aconteça.

Quando atacam o Papa, é óbvio que os secularistas não pretendem atacar o homem do Vaticano mas antes pretendem atacar a religião cristã como um todo. Do ponto de vista da ética, o que se pretende é arranjar pretextos para se nivelar por baixo, por forma a que uma agenda política bárbara possa ganhar alguma legitimidade face à opinião pública. A eliminação de quem defende a ética cristã é a melhor forma de legitimar a barbárie.
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Segunda-feira, 8 Fevereiro 2010

O Ministro do Respeito

The Ministry of Silly Walks

No romance “1984” de George Orwell, o governo do Big Brother era composto por quatro ministérios: o Ministério do Amor, o Ministério da Paz, o Ministério da Abundância e o Ministério da Verdade.

O estado federal australiano de Victoria, governado por socialistas, acaba de criar um novo Ministério: o Ministério do Respeito.

O modernismo é um absurdo pegado: O positivismo (Kelsen) tentou reduzir o político ao jurídico; o politicamente correcto (marxismo cultural) tenta reduzir o jurídico ao político ― esquecendo, nos dois casos, tanto as raízes do político como do jurídico (ambas ligadas ao religioso e, consequentemente, à ética axiológica).

Abandonam-se os princípios éticos estabelecidos pelo cristianismo e pelas religiões em geral, e surge o Ministro do Respeito; seguem-se concerteza o Ministro da Delicadeza, o Ministro da Amizade, o Ministro Tudo Numa Boa…

Se o bloco de esquerda sabe desta…estamos tramados! Vamos ter um Ministro “Não-Há-Problema-Com-O-Chuto-Na-Veia” …

Quinta-feira, 4 Fevereiro 2010

Um exemplo do que é a “estimulação contraditória” esquerdista

« O crucifixo nas paredes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro não pode, mas na Sapucaí, pode. O crucifixo a inspirar os julgadores cariocas não pode, mas a “acompanhar” a celebração da luxúria e da pornografia, pode. »

“Na pornografia pode, no tribunal não…”

Quinta-feira, 28 Janeiro 2010

A teologia civil de Hobbes na União Europeia do leviatão

As obras de Eric Voegelin não existem publicadas em Portugal. Em 2002, a editorial Vega (Lisboa) publicou “As religiões políticas” e “A nova ciência da política”, mas em pequenas edições que esgotaram rapidamente. Acontece que a editora Vega faliu entretanto, e portanto eventuais reedições dos livros de Eric Voegelin não se realizarão tão cedo. A alternativa será mandar vir os livros de Eric Voegelin do Brasil, mas para além do tempo de espera (no mínimo 3 meses), o preço dos livros quadruplica.

A justificação para a não existência dos livros de Eric Voegelin (ou a obra de Frithjof Schuon, que também não existe publicada em Portugal) no mercado português, não pode ser atribuída somente à lei da oferta e da procura. Existem critérios editoriais ideológicos e não puramente comerciais. Se soubermos quem controla o mundo editorial em Portugal, saberemos os verdadeiros critérios de edição que estão para além da lei da oferta e da procura.


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Quarta-feira, 23 Dezembro 2009

O Tribunal Constitucional italiano manda a União Europeia e o Tratado de Lisboa às malvas

No seguimento da polémica dos crucifixos nas escolas públicas italianas (ver), em que o denominado “Tribunal Europeu dos Direitos Humanos” (TEDH) decretou que todas as escolas italianas deveriam retirar os crucifixos das salas de aula — apesar da esmagadora maioria do povo italiano estar em desacordo com a decisão desse tribunal dito “europeu” —, o Tribunal Constitucional de Itália decidiu que o TEDH não tem legitimidade em decidir nesta como em outras matérias que colidam com as disposições da Constituição da República italiana.

Por outras palavras, o Tribunal Constitucional italiano informou a União Europeia que “quem vai para Abrantes, deixa Tomar atrás”.

Portanto, os crucifixos vão continuar pacificamente nos seus locais milenares da república transalpina, enquanto as mesquitas se multiplicam geometricamente para lá dos Alpes e no norte da Europa (ali mesmo ao lado do TEDH), à espera de uma oportunidade de retribuição da façanha do conde romeno Drácula, que na guerra com os invasores turcos, demoveu as intenções invasoras destes últimos mandando empalar os prisioneiros otomanos. Chegou a hora do “pay back” islâmico e da queda do laicismo na Europa às mãos dos maomedanos. Pelo menos em Itália, já se deu uma pequena contribuição para que o perigo da islamização fosse afastado.

Sábado, 19 Dezembro 2009

A cegueira da direita secular europeia

A razão porque me afastei de uma determinada corrente política europeia que coloca em causa o islamismo, não foi porque não esteja de acordo com a necessidade de questionarmos o islamismo como um princípio de ordem política e não apenas como uma religião: foi antes porque a discussão europeia em torno deste assunto se transformou na defesa de uma certa religião política contra a religião política do Islão. O blogue Gates of Viena é o exemplo de um ponto de encontro de intelectuais orgânicos ― que são os que se associam em torno de uma religião política, formada ou em formação ―, enquanto que eu me identifico mais com a intelectualidade tradicional europeia ― que são aqueles intelectuais que “cortam a direito” e que somente se preocupam com a análise sistemática dos factos, independentemente das posições políticas e das repercussões culturais que essas análises possam ter.

A crítica ao Islão a partir de uma perspectiva política secularista não é propriamente uma crítica dos valores, mas a manifestação de uma oposição de uma religião política em relação a outra. Senão vejam esta posição do blogger Fjordman em relação à posição da opinião pública europeia em relação ao Islão. Os intelectuais orgânicos muitas vezes escamoteiam os factos e a história das ideias em favor das teses das suas religiões políticas.
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Quinta-feira, 12 Novembro 2009

O suicídio de Robert Enke

Não vou aqui fazer juízos de intenções, mas choca-me a actual aridez espiritual dos europeus. Robert Enke era um homem de 32 anos com um futuro pela frente que poderia e tinha todas as condições para ser brilhante; era um indivíduo que vivia em desafogo económico, e ele e a sua mulher tinham recentemente adoptado uma criança na tentativa de transferência emocional em relação à morte da sua filha de dois anos ― um dos problemas que aflige os países do norte da Europa é o da infertilidade, seja masculina ou feminina.

robert-enke

Naturalmente que sempre podemos dizer que as razões de Robert Enke “são as razões dele”, isto é, são razões subjectivas acerca das quais a ninguém cabe o direito de julgar ou especular. Mas ele há razões e razões. Quando vi esta notícia no jornal [PDF] que conta a história de uma realidade de pobreza e desespero de uma mãe de 60 anos e de uma filha deficiente, e ambas sem apoio do Estado e da sociedade, não deixei de pensar que Robert Enke foi também vítima da sociedade mas de um modo diferente. A mãe sentiu o desamparo da sociedade e temeu pelo futuro da filha; reduzida à miséria e à indiferença dos seus concidadãos, pensou eventualmente que os deuses as tinham abandonado. Em contraponto, Robert Enke não admitiu sequer a hipótese de deixar de ser deus.

O problema da Europa está na educação. Pela primeira vez, na nossa História, as nossas crianças e jovens são educados nas escolas públicas sem uma cosmovisão, e é ao Estado maçónico que a sociedade, um dia destes, se Deus quiser, terá que pedir contas (e punir, sob o ponto de vista da História, os responsáveis).

Quarta-feira, 11 Novembro 2009

A secularização da sociedade e as religiões políticas

« É lamentável ouvir continuamente dizer que o nacional-socialismo não é mais do que uma regressão à barbárie, à tenebrosa Idade Média, aos tempos anteriores aos modernos progressos da humanidade, sem que os que assim falam se interroguem, por um só instante, sobre o facto de que foi precisamente esta secularização da vida que sustentou a ideia de humanidade, que constituiu o próprio terreno em que os movimentos religiosos anticristãos, como o nacional-socialismo, se puderam gerar e desenvolver. »

― Eric Voegelin, in “As Religiões Políticas” (Prefácio), ISBN 972-699-697-X

Eu diria que é lamentável que não exista em Portugal nem um só livro de Eric Voegelin à venda. Os livros que tenho dele foram comprados há uma década ou mais e nunca mais foram reeditados, e a obra com vários volumes de “Order and History” tenho-a em língua inglesa porque ninguém tem memória da sua publicação em português europeu (dizem-me que houve uma edição em meados da década de 80). Aliás, se visitarmos as nossas livrarias verificamos a decadência ostensiva de oferta das áreas dedicadas não só à filosofia como à política — simplesmente porque não se fazem reedições e uma das razões será, eventualmente, devido a um fraco retorno da informação de procura do mercado que as livrarias não fazem chegar às editoras. Perde o público, perdem as livrarias e perdem as editoras.

“As religiões políticas” de Eric Voegelin é um pequeno livro de leitura fácil que toda a gente que se interessa minimamente por política deveria ler.

Quarta-feira, 4 Novembro 2009

A estaurofobia da União Europeia

estaurofobiaQuando os nazis invadiram a Dinamarca, proibiram que a bandeira dinamarquesa fosse hasteada não só em edifícios públicos como em todas as casas dos cidadãos dinamarqueses. A reacção dos dinamarqueses foi espontânea e imediata: passaram todos a pintar as suas casas de vermelho e branco, que são as cores da bandeira dinamarquesa. Perante isto, a única coisa que restava aos nazis era demolir sistematicamente as casas dos dinamarqueses.

O que se passou com o denominado Tribunal Europeu dos Direitos Humanos ― que é uma instância jurídica da União Europeia, e esta, como sabemos, é controlada pela maçonaria, e que por força de tratados europeus impostos aos diversos países sem direito a referendo, passou a poder intervir directamente no Direito interno ― em relação a Itália é nitidamente a imposição pela violência de uma mundividência vesga das heteronomias maçónicas a um país com mais de 80% de católicos. Além disso, a estaurofobia é uma doença mental que pode ser tratada.

A Itália vai recorrer de uma decisão de um tribunal que, na minha opinião, não só não tem autoridade moral ― porque as suas decisões em relação ao islamismo são exactamente de índole contrária quando esse tribunal emitiu um parecer contrário ao governo francês quando este quis proibir o uso da burka islâmica em locais públicos ―, como não tem autoridade jurídica de facto para meter o bedelho em matérias culturais e tradicionais de cada país membro da União Europeia.

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