perspectivas

Domingo, 27 Abril 2008

As 4 Verdades do Buda

Filed under: Religare — O. Braga @ 11:39 pm
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Se lermos o texto, podemos verificar onde Schopenhauer foi buscar a essência da sua filosofia: ao budismo. Há alguma coisa de verdade — na minha perspectiva — nas 4 verdades, mas noutros conceitos, a Razão que a Parapsicologia introduziu levanta algumas objecções. Sobre isso, escreverei aqui.

Terça-feira, 13 Novembro 2007

Complementando Schopenhauer

“O Budismo é a religião mais elevada e a sua doutrina ética é ortodoxa em toda a Ásia, excepto onde prevalece a detestável doutrina do Islão.” – Arthur Schopenhauer

O Pessimismo

Ao contrário da maioria dos filósofos do seu tempo (exceptuando Kierkegaard) Schopenhauer foi um filósofo pessimista. Tanto os pessimistas como os optimistas, e exceptuando Fichte, tiveram o problema de tentar interpretar a Vida à luz da Razão disponível; Fichte foi o único no seu tempo que defendeu a ideia de que o saber humano era limitado e em evolução em direcção ao Saber Absoluto.
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Quarta-feira, 24 Outubro 2007

Zeitgeist

O caro amigo “Matrix”, visita deste meu humilde tugúrio, chamou-me à atenção do Zeitgeist, um documentário anti-religioso. Devo dizer que não vi o documentário todo – nem metade; deixei de ver quando quiseram atribuir a origem das religiões modernas à adoração do homem primitivo ao Sol. Já não tenho pachorra para argumentos falaciosos repetidos Ad Eternum (ver este post sobre o Politicamente Correcto).

Daquilo que eu vi, e do que adivinhei no restante, o filme é muito básico nos seus argumentos, e não constitui nada de novo desde o tempo de Nietzsche.
Na série de posts que escrevi sobre a “Fé Racional”, chamei à atenção para a necessidade de reformularmos a nossa postura perante a religião, de maneira retirarmos determinado tipo de argumentos a essa gentalha.

Vamos começar pelo título do filme: Zeitgeist. Não vejo conexão entre o conteúdo do filme e o seu título. Zeitgeist é uma palavra alemã composta: Zeit + Geist, que significa “tempo” e “espírito”. Traduzindo, seria “o espírito do tempo”. Dá a sensação que o título foi escolhido para criar impacto, e sem conexão necessária com o conteúdo. Mas como eu não vi a maior parte do filme, não posso ter a certeza de que não exista uma coerência entre o título e o filme. Parece-me, contudo, que o título tanto poderia ser Zeitgeist, como Opel Astra, Coca-cola, ou Adidas.

Impõem-se, desde já, duas perguntas:
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Terça-feira, 23 Outubro 2007

De Nietzsche a Pessoa

Filed under: Religare — O. Braga @ 5:31 pm
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“A coerência, a convicção, a certeza são, além disso, demonstrações evidentes – quantas vezes escusadas – de falta de educação. É uma falta de cortesia com os outros ser sempre o mesmo à vista deles; é maçá-los, apoquentá-los com a nossa falta de variedade.”

“Uma criatura de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada, tem a obrigação cerebral de mudar de opinião e de certeza várias vezes no mesmo dia.”

A falta de coerência, de convicção e de certeza, são pela sua ausência, uma forma de coerência, de convicção e de certeza. Uma “criatura” pode ser coerente quando não é coerente, pode ter a certeza de não ter certezas, pode dizer que a sua convicção é a ausência de convicções. Podemos maçar e apoquentar os outros tanto pelas nossas convicções ou pela convicção de não ter convicções, pela “falta de variedade”, ou pela “falta de variedade” de quem vive em constante variedade. A constante variedade é uma forma de “falta de variedade”, na medida em que a variedade se transforma num ritual tão maçador quanto a sua ausência. A “falta de variedade” acontece de uma maneira e doutra, tanto pela criatura que não muda de certezas, como por outra que convictamente muda frequentemente de certezas.

O importante, é a força dos argumentos e o exercício da lógica.

Na minha opinião, toda a criatura “de nervos modernos, de inteligência sem cortinas, de sensibilidade acordada”, deve mudar de opinião, de certeza e de convicção, se vergado pela força dos argumentos e pela interiorização saudável da lógica, não se preocupando com o incómodo que causaria aos outros a sua falta de variedade, porque esse incómodo existirá sempre, de uma maneira ou doutra. Enquanto não me demonstrarem, pela força dos argumentos e pelo exercício da lógica, de que estou errado, não posso ser desonesto comigo próprio e mudar de opinião só para não apoquentar os outros. É uma questão de princípio de honestidade para comigo próprio. Quem não é honesto consigo próprio não pode ter dignidade.

Apoquenta-me e maça-me a ideia de que Fernando Pessoa pense que não me maça com a ideia da sua variedade ideológica quotidiana. Chateia-me a ideia que uma criatura mude de opinião e de certezas em função dos outros, e para que os outros não se apoquentem nem se macem com a sua falta de variedade.


Existe muito de Nietzsche neste texto de Fernando Pessoa. Nietzsche leva o exercício do racional até ao irracional anti-metafísico – note-se que “irracional” é diferente de “abstracto”. O problema pessoal de Nietzsche foi a imensa revolta que sentiu constantemente e por toda a sua vida, pela simples razão de ser Humano. As limitações inerentes ao Ser Humano eram insuportáveis para Nietzsche, e toda a sua filosofia andou à volta do problema das limitações humanas e da forma de as suplantar, de as eliminar. Nietzsche não suportava a condição humana, nunca a aceitou verdadeiramente, e tanto assim foi que enlouqueceu e permaneceu, louco, 12 anos até à sua morte em 1900. A vida e personalidade de Nietzsche são perfeitamente explicáveis à luz da psicologia freudiana (o seu pai era um pio pastor luterano) e da filosofia budista, que inclui o conceito de Akasha, de Karma e de Dharma.

O grande problema de quem lê Nietzsche é que fica indelevelmente marcado, a nível inconsciente, pelo seu pensamento – e Fernando Pessoa não fugiu à regra. O que mais me repugna em Nietzsche é a sua defesa da ausência de qualquer hierarquia de valores (o niilismo), quando sabemos que qualquer ética se apoia numa hierarquia de valores: por exemplo, segundo a Ética, matar não é o mesmo que agredir fisicamente.

Vejam este texto de Nietzsche (“Para lá do Bem e do Mal”):

«Aborreço a vulgaridade do homem quando diz: “O que é justo para um homem é justo para outro”. “Não faças aos outros o que não queres que te façam.” Tais princípios estabelecem as relações humanas sobre serviços mútuos, de modo que as acções parecem a paga de alguma coisa que nos fizeram. A hipótese é ignóbil no mais alto grau; é como se julgasse indiscutível haver uma (acção) como equivalência de valor entre as minhas e as tuas acções.»

Se compararem com o texto de Pessoa acima, encontrarão lá qualquer influência disto. Este texto de Nietzsche – citando Jesus Cristo – revela a sua indignação pelo simples facto de alguém se atrever a dizer que as acções de todos os homens são equivalentes entre si. Para Nietzsche, a verdadeira virtude não é para todos, mas somente para uma minoria aristocrática; a verdadeira virtude é hostil à ordem, à democracia e prejudica sempre, conveniente e necessariamente os “seres humanos inferiores”. A verdadeira virtude só é possível através do sacrifício dos “seres humanos inferiores”, os “Untermenschen”. Nietzsche está clara e inequivocamente na origem do antropocentrismo anti-cristão que marcou todo os século XX na Europa. Como cristão, não posso gostar de Nietzsche; contudo, tenho pena dele, merece-me misericórdia.

Nietzsche é uma espécie de guarda-roupa onde os desiludidos da vida e do mundo vão sempre buscar uma peça que lhes sirva. Por exemplo, o que existe em comum entre Hitler e Fernando Pessoa é o anti-cristianismo de Nietzsche e o desprezo Nietzscheano pelas mulheres; enquanto Pessoa se refugiou no ocultismo e nas odes platónicas a Ofélia, Hitler enveredou pela metafísica ariana e pagã, era um impotente monotesticular, misógino militante, e um pederasta que fornicou uma sobrinha menor de idade que se suicidou.

O anti-semitismo ideológico moderno ganhou forma com Nietzsche. Ele era um admirador do compositor Wagner, mas quando este compôs o “Parsifal”, Nietzsche achou a obra demasiada cristã e cheia de renúncia, criticando Wagner de uma forma violenta e acusando-o Ad Hominem de ser judeu.
Nietzsche não gostava de Sócrates (eu também não, mas destoutro) porque o considerava um defensor da democracia; o Tio Nietzsche não perdoa a Sócrates a sua origem humilde.

Nietzsche era um Tio enfezado, desprovido de ética e de estética, doente crónico e fisicamente mal-asado, que talvez por isso acreditava no super-homem e na superioridade absoluta da sua raça sobre todas outras, defendia a legitimidade e a necessidade de classes superiores e inferiores (Tios e Bestas), e que “se passou dos carretos” quando se deu conta que tinha um parafuso a menos. De igual modo, Hitler, que não tinha um testículo, acreditava por isso que era superior aos outros e acabou por dar um tiro na cachimónia.

É tão legítimo introduzir Nietzsche no programa de ensino da filosofia, como o “Mein Kampf”.

Nietzsche não foi um filósofo na verdadeira acepção da palavra; utilizava mais a filosofia como literário do que como académico (ao contrário de Schopenhauer e Kant, por exemplo). Foi antes um político frustrado e um historiador revolto que introduziu o desconstrucionismo epistemológico, servindo-se da herança da Filosofia e dos seus grandes vultos, no único intuito de condenar a Ética. Um verdadeiro filósofo tem uma visão ideológica abrangente, global; Nietzsche era um míope e um fanático ideológico.

A história do Tio Nietzsche foi parecida com a dum anarquista “aristocrático” da linha de Cascais que conheci, uma espécie de Marquês que dava pouca confiança ao pessoal lá no Café, escaganifobético e com ares de intelectual de escarradura, baixito e um pau de virar tripas, feio todos os dias e que passa a usar bigode para disfarçar as suas excrescências superiores. Asqueroso e sexualmente mal-dotado, as miúdas fugiam dele como o diabo da cruz, e vai daí, alista-se no MRPP. Com grandes dificuldades em arranjar parceira para a cópula, passa a detestar as mulheres e a pregar a violência, a guerra revolucionária, o orgulho de pertencer a uma elite clarividente. Ao mesmo tempo que prega a violência, diz que gosta de arte e passa o tempo todo a pintar paredes e a desenhar grafittis nas ruas de Lisboa, faz uma tatuagem de foice e martelo acima das nádegas, frequenta as tertúlias de baladeiros de intervenção, e não perde uma sessão do Cornucópia; era também visto num bar gay em Campo de Ourique a assistir ao “late night show” de travestismo do Zé Castelo Branco.
Como o MRPP não dava para chegar ao Poder, o Tio Nietzsche muda e adere a um partido do Bloco Central, e passa a desprezar o povo ignorante que acusa de ser manipulado pelos três “efes”: “Fátima, Futebol e Fado”; segundo ele, a maioria do povo são os “remendados e estropiados” e existem apenas como meio para a excelência de um punhado de Tios, para que estes possam reclamar a sua felicidade e bem-estar, e não vê nenhuma objecção ao sofrimento da ralé se for necessário produzir um “grande homem”, isto é, um Super-Tio. Hoje, o Tio Nietzsche faz parte do governo de José Sócrates.

O Tio Nietzsche foi o primeiro defensor ideológico oficial da teoria das bestas humanas e da carne para canhão. Antes dele, já existia a prática, mas o Tio Nietzsche instituiu a teoria e o método, e o escreveu o “Código da Besta Humana” (“Assim falava Zaratustra”). A unificação da Europa foi preconizada pelo Tio Nietzsche sob os auspícios de um Super-Tio. Ele admirava Napoleão Bonaparte (“um grande homem derrotado por pequenos adversários”).


A filosofia de Nietzsche funciona, no nosso intelecto, como um vírus informático destrutivo que se instala na memória RAM e no sistema operativo, que muda constantemente de identidade para não ser detectado pelos programas antivírus, e que permanece até que o disco seja formatado. Só com uma lobotomia, Nietzsche é eliminado, porque a filosofia dele é a essência da lobotomia ideológica, vai de encontro aos instintos mais básicos e animalescos do ser humano. Perante uma tentativa de lobotomia ideológica, só se contrapõe uma outra lobotomia.
A única forma de combater Nietzsche no nosso intelecto, é colocá-lo constantemente em causa e, no meu caso, alimentar carinhosamente um ódio de estimação em relação a ele.

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