perspectivas

Segunda-feira, 7 Janeiro 2019

O nojo progressista

1/ Eu não vi (na totalidade) o programa com Mário Machado na TVI; vi apenas excertos. Dos excertos que vi, não me pareceu que a TVI (ou o entrevistador) desse qualquer legitimidade (ou sustentação) às teses políticas de Mário Machado: pelo contrário, (a julgar pelos excertos) o contraditório ideológico foi claramente enviesado contra as teses ideológicas de Mário Machado.

2/ Eu vivi (já espigado) sob o regime de Salazar e Caetano; eu tive a experiência do regime do Estado Novo que nem a Raquel Varela nem o Mário Machado tiveram.

Hoje há muita gente que fala do Salazarismo sem ter uma noção substantiva do que está a falar.

3/ O enorme erro político e ideológico dos “progressistas” (como é o caso da Raquel Varela) é o juízo crítico baseado na falácia ad Hominem; ou seja, (ao contrário do que a Esquerda faz!) a crítica a uma determinada ideologia deve ser independente de quem a defende: não é, por exemplo, por que o Mário Machado cumpriu 10 anos de prisão que a ideologia política que ele defende tem que ser necessariamente negativa: as ideias políticas são piores ou melhores entendidas em si mesmas (os valores valem por si mesmos, e não dependem de qualquer utilidade), independentemente de quem as defende.

O recurso sistemático ao ataque político ad Hominem (por parte da Esquerda) reduz drasticamente o volume de juízo crítico em circulação na sociedade.

4/ a censura de tipo “Marcelista” (a auto-censura) imposta à TVI (por parte da Esquerda) e aos me®dia em geral, não abona em favor das teses pessoais contra o Mário Machado; nem sequer consegue denegrir a imagem pública do Salazarismo, exactamente porque labora no mesmo tipo de práticas. Em bom rigor, Portugal vive hoje sob um novo tipo de ditadura.

5/ gente como a Raquel Varela (que se diz historiadora) continua a dizer que o Estado Novo foi um fascismo — quando basta ler Hannah Arendt para sabermos a diferença entre o fascismo (que é totalitário por sua própria natureza) e uma qualquer ditadura (que foi o caso do Salazarismo, ou/e como foi também o caso do regime militar no Brasil).

Como afirmou Goebbels, “uma mentira muitas vezes repetida acaba por ser verdade”. É este o mote dos esquerdistas como a Raquel Varela.

É absolutamente falso que o Estado Novo tenha sido um “fascismo” → porque o Estado Novo não foi um regime totalitário (totalitarismo).

6/ o regime político que a Raquel Varela defende (comunismo marxista) é um totalitarismo.

Assistimos, com alguma ironia, à classificação de uma ditadura salazarista como sendo um regime totalitário, para se branquear a defesa camuflada de um totalitarismo que matou mais de 100 milhões de pessoas em todo o mundo e só no século XX.

7/ morreu mais gente inocente — nas ex-colónias portuguesas de África, incluindo centenas de milhar de crianças que morreram de fome em Angola e em Moçambique — depois de 1975, do que durante 500 anos de colonização portuguesa em África.

Ou seja, o processo “exemplar” de descolonização em África foi o maior crime colectivo praticado por Portugal.

É neste contexto que a Raquel Varela vem falar de “100 mil mortos”; naturalmente que ela não sabe o que diz; ou papagueia o que se diz por aí. A Raquel Varela é o espelho do pior que existe na actual cultura da “elite” da sociedade portuguesa.

Anúncios

Quarta-feira, 7 Novembro 2018

¿Salazar era de Direita?

Filed under: Portugal — O. Braga @ 2:00 pm
Tags:

 

Era.

O facto de Salazar ter sido um autocrata, foi um acidente da História que resultou do caos político e económico do Portugal da I república.

O Estado Novo foi uma consequência necessária do descalabro cultural, social e económico causado pelo golpe-de-estado republicano e jacobino de 1910.

Ou seja: para se ser de Direita não é necessário ser um ditador: ser um ditador é independente do facto de se ser de Direita ou de Esquerda (vejam, por exemplo, o Maduro na Venezuela: é ditador, mas é de Esquerda).

Em geral, um indivíduo de Direita defende um Estado fraco (ou seja, um Estado desburocratizado), mas com um governo forte. Neste sentido, por exemplo, Donald Trump é de Direita; e Rui Rio e Assunção Cristas são de Esquerda.

Salazar — como a maioria dos políticos e intelectuais europeus da sua (dele) época — tinha uma visão hegeliana (Hegel) da História e da política (ver “Direita hegeliana” no Google). Portanto, só podemos julgar Salazar à luz das ideias na moda na sua época.

A elite intelectual europeia do princípio do século XX adoptou uma visão corporativista da sociedade — por exemplo, Durkheim defendeu uma forma de corporativismo, emulação sucedânea das guildas medievais: ou seja, é um erro afirmar que o corporativismo é uma consequência do fascismo: pelo contrário, o fascismo italiano adoptou uma deriva do corporativismo que já vinha do passado.

Isto significa que ser “corporativista” não significa necessariamente ser “fascista” — porque o corporativismo é historicamente anterior ao fascismo italiano. E o facto de Salazar ter sido o protagonista político de um Estado forte e burocrático, deve-se ao facto de os republicanos jacobinos da I república terem conduzido Portugal à falência económica, financeira, social e cultural. salazar-direita-web

Domingo, 17 Abril 2016

O que existe hoje não é democracia

Filed under: Política — O. Braga @ 8:02 pm
Tags: , ,

 

“Não creio no sufrágio universal, porque o voto individual não tem em conta a diferenciação humana. Não creio na igualdade, mas na hierarquia. Os homens, na minha opinião, devem ser iguais perante a lei, mas considero perigoso atribuir a todos os mesmos direitos políticos.”

António de Oliveira Salazar, entrevista ao jornal «Le Figaro», Setembro de 1958.

O problema desta proposição de Salazar é o seguinte: ¿quem deve governar? Esta pergunta foi feita por Platão. ¿Quem estabelece o critério da desigualdade dos direitos políticos?

A democracia tem a vantagem de as mudanças políticas se operarem sem derramamento de sangue. Por outro lado, a igualdade natural não significa que as pessoas sejam idênticas, ou seja, a igualdade natural (Direito Natural) não é impedimento da hierarquia.

Não devemos confundir democracia com o que existe hoje. Vejamos o que escreve o reaccionário Alain de Benoist:

“A democracia mudou. Foi no início um meio para o povo participar na vida pública elegendo representantes. Em vez disso, a democracia tornou-se em um meio para que os representantes adquirissem legitimidade popular para o exercício do Poder. O povo já não governa através de representantes: são os representantes que se governam a si própios. ¿Quem representa o quê? A noção de ‘representação’ está em crise”.

Alain de Benoist, The Problem of Democracy

Segunda-feira, 15 Fevereiro 2016

Salazar et la révolution au Portugal

Filed under: Política — O. Braga @ 7:58 pm
Tags: ,

 

“Sous la direction de Salazar, l’Etat ne confisque pas la vie de ceux qui le constitue, mais fait en sorte que la personne humaine conserve tous ces droits naturels. La liberté chrétienne n’est pas le libéralisme ni le libertarisme”.

Salazar et la révolution au Portugal (Mircea Eliade)

 

salazar-7-duotone

Sexta-feira, 18 Dezembro 2015

Um livro que não será traduzido e publicado em Portugal

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 3:01 pm
Tags:

 

“Antonio de Oliveira Salazar (1889-1970), à la tête du Portugal de 1926 à 1968, est un modèle de chef politique intègre et soucieux du bien commun.

Profondément catholique, Salazar a conduit le pays avec cette conscience de la primauté du spirituel. Ce qui ne l’empêcha pas d’assainir les finances de l’Etat portugais en instituant un système corporatif qui fit ses preuves. Mais Salazar a protégé tant qu’il a pu son pays et son peuple de cette mentalité matérialiste qui a envenimé l’Europe de l’Ouest”.

Salazar le regretté (Jean-Claude Rolinat)

salazar-le-regrette

Segunda-feira, 9 Novembro 2015

Saudades de Salazar

Filed under: A vida custa,Política — O. Braga @ 8:03 am
Tags: ,

 

Quinta-feira, 19 Março 2015

¿ Salazar estaria na Lista Fiscal VIP?

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 6:26 pm
Tags: ,

 

 

“Demagogia é o vocábulo que os democratas empregam quando a democracia os assusta.”

— Nicolás Gómez Dávila


Se Salazar estivesse hoje no Poder, ¿haveria uma Lista Fiscal VIP para membros da classe política?

Duvido que houvesse. Poderia talvez existir uma Lista Fiscal VIP para os banqueiros, mas nunca Salazar permitiria que existisse uma Lista Fiscal VIP para deputados, presidente da república, funcionários públicos, ou outros membros da classe política.

“Conta-se que filho do presidente da república Francisco Higino Craveiro Lopes, Nuno Craveiro Lopes e sua mulher, então grávida, se encontravam entre os passageiros do comboio da linha do Estoril que descarrilou devido à derrocada da barreira junto ao farol de Caxias, em 1952. Embora não tenham ficado feridos, no meio da confusão entre mortos e feridos a esposa ter-se-á sentido mal. Não sendo possível arranjar transporte no local, o filho telefonou ao Presidente, no sentido de lhe enviar um carro da Presidência para os levar a casa. Francisco Higino, depois de se certificar de que se encontravam bem, retorquiu que não podia dar ordem para enviarem o carro pois estes eram exclusivamente para serviço oficial; que procurassem um táxi para o efeito. E seu filho assim fez: foram andando a pé em direcção a Lisboa e um pouco adiante conseguiram apanhar um táxi.

Como norma, nas viagens e visitas, não eram oferecidos objectos de valor, conforme o desejo do Presidente que era transmitido previamente às entidades pelos elementos do protocolo. Apenas aceitava flores, medalhas comemorativas e diplomas honoríficos. Livros, só oferecidos pelos autores. Isto devia-se ao facto de que durante a inauguração das Feiras do Livro, era usual nos governos anteriores enviar uma camioneta que os livreiros faziam carregar com livros, facto que o Presidente achava despropositado. Do mesmo modo, nas visitas ao Ultramar, fez saber que não aceitava diamantes, metais de valor, peles, marfim, e coisas semelhantes. Até um boi que lhe foi oferecido pelo Rei do Congo, que não podia recusar por motivos de protocolo, foi abatido e comido pelo seu povo, com grande satisfação.”1

A Lista Fiscal VIP é um fenómeno democrático que é, em si mesmo, anti-democrático. Por isso é que os democratas dizem que Salazar era “faxista”.


Nota
1. Fonte

Quinta-feira, 4 Dezembro 2014

A nova plutocracia

Filed under: Política — O. Braga @ 9:17 am
Tags: ,

 

«O plutocrata não é, pois, nem o grande industrial nem o financeiro: é uma espécie híbrida, intermediária entre a economia e a finança; é a «flor do mal» do pior capitalismo.

Na produção não lhe interessa a produção, mas a operação financeira a que pode dar lugar; na finança não lhe interessa a regular administração dos seus capitais, mas a sua multiplicação por jogos ousados contra os interesses alheios. O seu campo de acção está fora da produção organizada de qualquer riqueza e fora do giro normal dos capitais em moeda; não conhece os direitos do trabalho, as exigências da moral, as leis da humanidade.

Se funda sociedades é para lucrar apports e passá-las a outros; se obtém uma concessão gratuita é para a transferir já como um valor; se se apodera de uma empresa é para que esta lhe tome os prejuízos que sofreu noutras.

Para tanto, o plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo — corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política. — Quem tenha os olhos abertos para o que se passou aqui e para o que se passa lá fora não pode duvidar do que afirmei.»

SALAZAR, António de Oliveira – Problemas da organização corporativa. Conferência no S. P. N., em 13 de Janeiro de 1934, Discursos, Vol. 1, pp. 292-294


O conceito de “plutocrata”, segundo Salazar, era adequado à década de 1930, e continua, em grande parte, válido. Mas deve-lhe ser acrescentado (ao conceito de plutocrata) alguns elementos que decorrem do globalismo (e não da “globalização” que começou no século XV) que não existiam na época em que Salazar proferiu aquela conferência.

Vamos dar como exemplos de plutocratas, Bill Gates e George Soros; mas, antes de mais, vamos ver a raiz etimológica da palavra “plutocracia”, que vem do grego Pluto (ou o deus Plutão, que era o deus dos ricos) + cratia (“poder”, ”governo”). Ou seja, uma plutocracia é um governo coordenado e dirigido por ricos e segundo os seus interesses, e um plutocrata ou é um membro desse governo, ou é alguém que defende a legitimidade desse tipo de governo.

Não podemos confundir uma plutocracia com uma aristocracia que vem do grego aristoi (“os melhores”, no sentido das virtudes que não se reduzem ao dinheiro) + cratia (poder, governo). Uma aristocracia é um “governo dos melhores em virtudes”; um aristocrata pode ser rico ou não. Por exemplo, em Inglaterra, existem aristocratas que o são na medida em que recebem o título de “Sir”, mas que não têm que ser ricos — como acontece com o prémio Nobel James Watson que tem o título de “Sir” e vive praticamente na pobreza.

Vemos, portanto, como a noção de “plutocrata”, segundo Salazar, se afastava da raiz etimológica da palavra. Para Salazar, um plutocrata era apenas uma espécie de oportunista, de um parasita da economia e das finanças. Se a noção de Salazar de “plutocrata” se pode aplicar literalmente a George Soros, já não se aplica a Bill Gates; e, no entanto, este também é um plutocrata no sentido globalista actual.

As acções políticas e globalistas de Bill Gates e sua mulher, por um lado, e de George Soros, por outro lado, têm as seguintes características: 1/ a necessidade de afirmação do acto gratuito como manifestação de Poder; a vontade dos plutocratas passa a ser um fim em si mesma, destituída de qualquer ética universal e de qualquer verdade partilhada, ou a vontade passa a fundamentar o direito de imposição, a toda a humanidade, de um qualquer tipo subjectivista de ética; 2/ a obliteração do poder político e das hierarquias sociais tradicionais em favor de um novo tipo de fascismo, a que podemos chamar de sinificação global.

Um plutocrata não é apenas um parasita; também é alguém que pretende moldar o futuro da humanidade segundo critérios exclusivamente utilitaristas ou subjectivistas.

Domingo, 9 Novembro 2014

Segundo Salazar, eu não sou português

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:31 pm
Tags:

Dado que a minha família, de pai e mãe, é oriunda do Minho, acontece que, segundo Salazar, eu não sou português.

Sábado, 17 Maio 2014

Salazar: era ¿monárquico ou republicano?

Filed under: Política — O. Braga @ 6:21 am
Tags: , , ,

 

“(…) era certo que [Salazar] temia que o regime republicano viesse a descambar no sistema de partidos e na confusão de que nos libertáramos havia 30 anos. Mas tinha ainda mais dúvidas do que eu acerca da viabilidade e da idoneidade da Monarquia, pois às que eu formulara se juntavam as dele sobre a dinastia. Não lhe parecia que D. Duarte Nuno possuísse as qualidades necessárias para o reatamento do regime monárquico, e as provas até então dadas pelos filhos ainda eram piores.

No seu discurso [de Salazar], a referência à eventualidade de a solução monárquica vir a ser uma solução nacional queria dizer que poderia chegar um momento em que, à consciência da Nação, a restauração da Monarquia surgisse como forma única de salvaguardar a sua existência e o seu património moral. Nada mais do que isso.”

Marcello Caetano, “Minhas Memórias de Salazar”, Lisboa, 2006, página 733

Salazar, antes de ser um economista, era um professor de Direito na Universidade de Coimbra. Salazar foi bastante influenciado, na sua formação, pela Filosofia do Direito, de Hegel — como, aliás, a esmagadora maioria dos seus contemporâneos. Salazar substituiu o conceito de “Ideia” (imanente, e proveniente do protestantismo), de Hegel, pelo conceito católico e tradicional de “Providência” (transcendente). Ou seja, Salazar não seguiu exactamente a metafísica de Hegel, mas é certo que foi influenciado, de forma marcada, pela Filosofia do Direito do filósofo alemão.

(more…)

Quarta-feira, 5 Junho 2013

Para quando uma avenida em Lisboa com o nome António Oliveira Salazar?

Filed under: Política,politicamente correcto,Portugal — O. Braga @ 4:51 pm
Tags:

“A Câmara de Lisboa vai inaugurar, no próximo sábado, uma avenida com o nome de Álvaro Cunhal, junto à quinta das Conchas, no Lumiar. Esta já existe nos mapas e nos sistemas de navegação electrónicos, mas só agora é que vai ser oficializada. No ano do centenário do nascimento do líder histórico dos comunistas portugueses, Lisboa faz o que outras cidades e concelhos portugueses estão a fazer: associar o líder comunista à toponímia. Na nota que acompanha a atribuição do nome de Álvaro Cunhal a uma das novas avenidas de Lisboa, o presidente da Câmara, António Costa, diz que a autarquia está a cumprir a responsabilidade institucional com a memória histórica comum.”

Lisboa vai ter avenida com o nome de Álvaro Cunhal

Sábado, 25 Maio 2013

O reaccionarismo de Fernando Pessoa

“Ser revolucionário é servir o inimigo. Ser liberal é odiar a pátria. A Democracia Moderna é uma orgia de traidores.” Fernando Pessoa

Eu, que me considero reaccionário, ao ler Fernando Pessoa fico corado. Há passagens dele que fazem lembrar Nicolás Gómez Dávila. Fernando Pessoa é tão reaccionário que considerou que Salazar, ao tirar partido do movimento revolucionário para subir ao Poder, é também uma vergôntea deste. Dizer que Salazar foi uma espécie de revolucionário só pode vir de uma mente ultra-reaccionária.

Já se viu alguém de esquerda citar a prosa de Fernando Pessoa? É muito raro. Até os escritores e artistas de esquerda cobrem hoje Fernando Pessoa com um véu de ignorância. O ódio do politicamente correcto a Fernando Pessoa é de tal modo que lhe querem mesmo destruir a língua com este Acordo Ortográfico.

Página seguinte »

Site no WordPress.com.