perspectivas

Terça-feira, 4 Dezembro 2007

A ideologia neoliberal

O Neoliberalismo tem muito pouco a ver com o liberalismo capitalista clássico, que sempre foi uma teoria económica com repercussões na política, e não uma ideologia política propriamente dita. O Neoliberalismo resulta de uma filosofia antropocêntrica, à semelhança do Marxismo, e o actual tipo de globalização está directamente relacionado com a expansão da ideologia política resultante da filosofia de Hayek.

As influências filosóficas de Hayek

Já aqui falei em Kant e em Heidegger, mas ainda não me referi a Hume e a Aristóteles; os quatro são os filósofos em que se sustentou Hayek para lançar as bases da sua filosofia.
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Sábado, 17 Novembro 2007

A ciência e o mito

“A fé no nexo causal é uma superstição” – Ludwig Wittgenstein (1889-1951)

È interessante a opinião da populaça de que 1) a ciência não é dogmatizável, e 2) de que os mitos modernos não existem, porque partindo do princípio de que a ciência não é dogmatizável, as pessoas erradamente concluem que cabe exclusivamente à ciência denunciar e catalogar os mitos – o que dá muito jeito à política e ao dinheiro que manipulam e controlam a ciência.
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Sexta-feira, 2 Novembro 2007

Divagações sobre a Ética (Bertrand Russell)

Filed under: ética,Religare,Ut Edita — O. Braga @ 1:41 pm
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Bertrand Russell diz que a Ética se resume ao “desejo individual” transferido para a dimensão colectiva. Quando eu digo: “José Sócrates é um engenheiro da treta”, acreditando eu no que eu digo ou não, sendo na minha opinião, verdade ou não, eu “desejo” que todos “desejem” acreditar no que eu digo. E se todos ou a maioria acreditarem no que eu digo, passa a fazer parte da Ética a ideia de que José Sócrates é um engenheiro da treta. Isto é o resumo da visão de Russell sobre a Ética.

“A ética não contém asserções verdadeiras ou falsas, mas afirmações que traduzem desejos de um certo tipo geral, a saber, daquele que se refere aos desejos da humanidade em geral e dos deuses, anjos ou diabos, se existirem. A ciência pode discutir a causa dos desejos e os meios para actuar sobre eles, mas não pode conter nenhum juízo genuinamente ético, dado que se refere aquilo que é verdadeiro ou falso” – Bertrand Russell (Religião e Ciência)

Russell resume a Ética a uma componente da Política – diria mesmo que, para Russell, a Ética e a Política são a mesma coisa.
Porque – seguindo o raciocínio de Russell – a Ética não é verdadeira ou falsa (“não contém asserções verdadeiras ou falsas”), é tão legítima a Ética de Hitler, que “desejou” a morte de milhões de pessoas, e que “desejou” e convenceu milhões de alemães a “desejar” matar milhões de não-alemães, como a Ética de Jesus Cristo, que “desejou” a paz entre os homens. Para Russell, a Ética de Hitler e a Ética de Jesus Cristo são equivalentemente irracionais e por isso, igualmente legítimas.

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