perspectivas

Quinta-feira, 12 Novembro 2009

O suicídio de Robert Enke

Não vou aqui fazer juízos de intenções, mas choca-me a actual aridez espiritual dos europeus. Robert Enke era um homem de 32 anos com um futuro pela frente que poderia e tinha todas as condições para ser brilhante; era um indivíduo que vivia em desafogo económico, e ele e a sua mulher tinham recentemente adoptado uma criança na tentativa de transferência emocional em relação à morte da sua filha de dois anos ― um dos problemas que aflige os países do norte da Europa é o da infertilidade, seja masculina ou feminina.

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Naturalmente que sempre podemos dizer que as razões de Robert Enke “são as razões dele”, isto é, são razões subjectivas acerca das quais a ninguém cabe o direito de julgar ou especular. Mas ele há razões e razões. Quando vi esta notícia no jornal [PDF] que conta a história de uma realidade de pobreza e desespero de uma mãe de 60 anos e de uma filha deficiente, e ambas sem apoio do Estado e da sociedade, não deixei de pensar que Robert Enke foi também vítima da sociedade mas de um modo diferente. A mãe sentiu o desamparo da sociedade e temeu pelo futuro da filha; reduzida à miséria e à indiferença dos seus concidadãos, pensou eventualmente que os deuses as tinham abandonado. Em contraponto, Robert Enke não admitiu sequer a hipótese de deixar de ser deus.

O problema da Europa está na educação. Pela primeira vez, na nossa História, as nossas crianças e jovens são educados nas escolas públicas sem uma cosmovisão, e é ao Estado maçónico que a sociedade, um dia destes, se Deus quiser, terá que pedir contas (e punir, sob o ponto de vista da História, os responsáveis).

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