perspectivas

Domingo, 27 Junho 2010

Segundo o neodarwinismo, não pode existir “dignidade humana”

Uma coisa que nunca percebi é como foi possível existir um “processo materialista de evolução” através de uma “selecção natural” que actua por meio de “mutação genética aleatória”. Se se trata de uma “selecção”, como pode ela ser “aleatória” ? Se nós “seleccionamos”, como podemos fazê-lo “aleatoriamente” ? Uma opção pelo aleatório nunca é selectiva…! O que nós podemos seleccionar previamente é o método aleatório, e a partir do momento em que este entra em funcionamento, a selecção deixa de ser possível…
(more…)

Sábado, 26 Junho 2010

Temos que ser “especialistas da curiosidade não especializada”

Eu sigo a blogosfera porque me interessa saber de ideias. Naturalmente que se tiver a oportunidade de conhecer as pessoas que escrevem, melhor seria; mas não tendo o ensejo de as conhecer, bastam-me as ideias. Porém, não deixo de ficar aturdido com esta estória.
(more…)

Os monismos seculares

Quando lemos ou ouvimos gente como Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou Manuel Alegre, não podemos nunca esquecer de que se trata de gente religiosa — mas de uma religião diferente (ou mesmo, em alguns casos, de uma corruptela gnóstica) do Cristianismo.

1. À medida em que o Cristianismo se foi afirmando como nova religião, verificam-se nele duas características essenciais: o universalismo abrangente (que não existe tanto no Judaísmo mas existe mais no Islão) e o carácter individual da fé (que existe mais no Judaísmo mas que é limitado no Islão).

No Judaísmo, o carácter formal dos ritos (limitações na alimentação, circuncisão, etc) limita a sua universalidade. O Islão, com excepção talvez do Islão espanhol tardio, não trouxe impulsos de individualização comparáveis aos do Cristianismo europeu e ocidental — que é diferente do Cristianismo oriental ou ortodoxo. O papel determinante da comunidade dos fiéis no Islão (a Umma) e o sistema legal islâmico (a Sharia) fizeram recuar, a partir do século IX da Era cristã, o processo de individualização que é uma das características marcantes das religiões universais.
(more…)

Quinta-feira, 24 Junho 2010

O gnosticismo moderno e a liberdade

O problema da liberdade de expressão coloca-se hoje na Europa em geral com especial acuidade. Se é verdade que não existe um cultura e uma civilização sem tabus, o problema será sempre o de saber se os tabus que existem têm um fundamento na realidade.

Politicamente correcto

Se os tabus têm o seu fundamento na realidade terão, mesmo assim, de ser sujeitos ao crivo de um julgamento ético, sendo que a ética que preside a esse julgamento terá sempre que ter uma raiz histórica; não é possível inventar uma ética a partir do nada e fundamentar nela o sistema de tabus, ou inverter, de forma irracional, uma ética existente só para fundamentar os tabus que pretendemos — assim como não é racional que se criem leis “à medida” para legitimar atitudes e comportamentos de uma elite.

A humanidade tem uma História, e a evolução da ética ao longo dessa História não pode ser ignorada em nome de um assalto presentista ao poder político. Quaisquer alterações da ética herdada da História têm que ser fundamentadas racionalmente, o que pressupõe uma discussão livre, ou seja, a liberdade de expressão. Porém, a liberdade de expressão não pode ser utilizada politicamente para acabar com a liberdade de expressão — que é o que está acontecer por toda a Europa, nuns países mais do que noutros.
(more…)

Terça-feira, 22 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (11)

Num postal sobre José Saramago, alguém colocou o seguinte comentário:

« A um homem “normal” (O. Braga) não é possível compreender um Homem Extraordinário! [José Saramago] Por isso escreve, ele sim com ódio, o que escreve. Mas O. Braga é “normal”. Por isso não é de espantar. »

A ideia do comentarista é esta: o ódio de Saramago em relação à ordem cósmica e à estrutura fundamental da realidade, é positiva porque ele é um “homem extraordinário” — um super-homem e um exemplo de um Aeon gnóstico moderno. Eu, que critico o gnosticismo de Saramago, é que tenho ódio porque sou um Hílico moderno, ou seja, um “normal”. Segundo o gnosticismo moderno — e em analogia com o gnosticismo antigo —, os “normais” nunca conseguirão a “salvação”.
(more…)

Quinta-feira, 17 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (7)

— A diástase História / Natureza, a tensão existencial e a Metaxia.

Do gnosticismo antigo e medieval, evoluiu-se na modernidade para duas formas diferentes mas complementares de gnosticismo moderno: um que se baseia no determinismo da natureza que reduz o ser humano a um ser meramente material e sem alma (através do cientismo), e outro que se baseia no determinismo da História (através das religiões políticas). (more…)

Quarta-feira, 16 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (6)

Já vimos duas características do gnosticismo antigo: a sua raiz anticósmica e o unanimismo como exigência de pertença. Também falámos das diferenças entre as religiões superiores e as religiões universais. (more…)

Domingo, 13 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (5)

A afirmação do indivíduo e as religiões universais

Com o processo de diferenciação cultural das religiões superiores, tornou-se mais distinto o que sempre existiu no ser humano, embora de forma mitigada, reprimida e homogeneizada no paleolítico e neolítico : a individualização religiosa.
(more…)

Quarta-feira, 9 Junho 2010

As maiorias construídas nos laboratórios da ideologia

A estratégia da nova esquerda — ex-estalinista e/ou ex-trotskista porque os tempos mudaram e a razão prevaleceu — é a construção artificial de maiorias. Por tudo e por nada, vem a lengalenga: “a maioria do povo, isto e aquilo”. Por vezes, existem sondagens realizadas com todo o rigor exigido pelo viés ideológico — tudo para provar a existência de uma maioria previamente definida e estabelecida. Contudo, é essa esquerda, que se pavoneia com as sua “maiorias” nos bolsos, que recusa referendos senão quando tem a certeza de que a ideologia vence. Desde que possível e ao alcance do seu poder, a esquerda nunca corre riscos de ceder à vontade do povo.
(more…)

Sábado, 5 Junho 2010

A ética nas religiões políticas

O que separa a direita hayekiana da esquerda marxista não é a autoridade moral de uns sobre os outros — porque ambas as religiões políticas defendem a privatização da ética, ou seja, a redução da ética ao indivíduo e, portanto, a sua pulverização.

A superioridade moral de uma pessoa sobre outra não existe; o que pode existir é a superioridade de uma ética (que tem que ser racionalmente fundamentada, ser universal, ter uma validade intemporal e ser reconhecida nas suas características principais) sobre a ética privada e subjectiva.

Quando o José Manuel Fernandes (JMF) faz esta crítica à esquerda em geral e a José Sócrates em particular, ele não invoca a sua superioridade moral privada para criticar a auto-proclamada (e também privada) superioridade moral da esquerda. Ele invoca uma ética universal, racionalmente fundamentada, com uma validade intemporal e reconhecida nas suas características principais.

No entanto, o paradoxo da situação actual é que essa ética (como definida acima) já não é reconhecida como válida, tanto pela direita hayekiana como pela esquerda marxista (seja esta económica e/ou cultural). Ou seja: privatizamos a ética, mas quando queremos criticar o comportamento dos outros, ou impomos a nossa ética privada e subjectiva aos outros (e a toda a sociedade) — que é uma estratégia da esquerda mais radical, gnóstica, dogmática e empedernida —, ou sacamos do baú das velharias culturais a ética universal, racional e sem tempo.

Tanto à esquerda como à direita, a ética — universal, racionalmente fundamentada, intemporal e reconhecível nos seus aspectos principais — só vale quando nos interessa. Quando esta ética não nos interessa, retiramo-la do espaço público.

Domingo, 30 Maio 2010

A “singularidade gnóstica” do marxismo cultural

O Bloco de Esquerda e o Partido Socialista aliam-se nas mais abstrusas iniciativas legislativas no âmbito da cultura. A política cultural é de terra queimada; “ou vai o racha”. Embora a burguesia iluminista tenha transformado a cultura em arte, a cultura não é só a arte — como Passos Coelho a entendeu ontem, na sua visita ao cinema S. Jorge —: é a síntese colectiva de uma civilização.
(more…)

Sexta-feira, 28 Maio 2010

Algumas características do gnosticismo moderno

Uma das características do gnosticismo moderno é a aversão visceral às definições, característica essa que herdaram do gnosticismo antigo. Essa característica existe não só na esquerda em geral como em uma certa direita. A aversão às definições tem como base dois princípios: a dogmatização da ideologia e o consequente “exclusivismo” da “salvação” — seja a “salvação” segundo a esquerda, seja a de uma certa direita.

Naturalmente que não podemos definir a realidade porque fazemos parte dela (o conteúdo não pode definir o continente); mas podemos e devemos tentar definir partes da realidade, sob pena de cairmos no cepticismo de Hume e no niilismo. E esta tentativa humana de detectar o inteligível não é incompatível com uma postura positiva em relação ao conjunto da realidade, e com a religião em si mesma.
(more…)

« Página anteriorPágina seguinte »

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: