perspectivas

Segunda-feira, 15 Fevereiro 2016

Paulo Rangel faz uma confusão entre Estado, por um lado, e política, por outro lado

 

A leitura deste artigo do Pedro Arroja levou-me a este artigo no jornal Púbico:

“Ao PÚBLICO, Paulo Rangel explica as razões que o levaram a escrever este ensaio, que procura demonstrar que a separação entre a religião e a política tem a sua origem no Cristianismo”.

Paulo Rangel, Jesus Cristo e a política

Parece-me que o Rangel confunde Estado e política.

De facto, o Cristianismo separou a religião e o Estado, mas Jesus Cristo nunca separou a política e a religião. Quando Jesus Cristo diz que “dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”, “César” simbolizava o Estado imperial romano; e aqui, Jesus Cristo marca uma linha divisória entre o Estado e a religião.

Por outro lado, Paulo Rangel não considera as ideologias políticas como formas modernas de religiosidade (as “religiões políticas imanentes”, segundo a terminologia de Eric Voegelin).

Separar a política e a religião — seja esta qual for — é uma impossibilidade objectiva.

Segunda-feira, 4 Janeiro 2010

A moral relativista das religiões políticas

« Uma ideologia tende a remeter para a periferia, isto é, considerar secundário, qualquer dado cuja existência deva admitir, mas de que não posa conceber o sentido, a não ser que ela própria se ponha em causa. Assim, se em dado momento a ideologia comunista tiver que reconhecer a existência dos Gulag, este parecerá como um fenómeno não necessário, mas contingente (relacionado com os avatares históricos, com o atraso da Rússia, com o cerco capitalista), não principal (pois o principal é globalmente positivo), mas secundário. A partir daí, tendo em conta que “se não fazem omeletas sem partir ovos”, as sombras não devem ocultar a luz, a árvore não deve esconder a floresta e é escusado deitar o bebé fora com a água do banho.

O notável, então, é que a ideologia se bate em dois campos diferentes, com dois pesos e duas medidas. As mesmas prisões, as mesmas proibições e as mesmas interdições que são crimes nos outros (capitalistas e imperialistas) são “erros” e “imperícias” no seu caso. É um erro prender os dissidentes, é um erro meter os opositores em campos; mas Pinochet e os fascistas, esses, cometem crimes praticando os mesmos actos.

O paralelismo objectivo entre os sistemas nazi e estalinista é evidente: campos de concentração, partido único, julgamentos deturpados, proibição da arte “decadente”, censura generalizada (com acentuação muito maior da censura literária, artística e filosófica na URSS). Mas enquanto os mesmos actos, por parte dos nazis, constituem um mal absoluto, por parte dos estalinistas não passam de males relativos. Os crimes nazis são imprescritíveis, eternos; os crimes estalinistas são esquecidos, os seus autores vivem em paz, ninguém exige investigação, procedimento… Melhor ainda: a “moral”, do ponto de vista marxista, é uma mistificação idealista se se indigna com os excessos revolucionários.

Mas o marxismo que relativiza a moral dos outros situa-se no plano da ética absoluta quando denuncia os crimes capitalistas e imperialistas. Assim, a ideologia coloca-se num trono autocêntrico, no lugar da Terra no sistema de Ptolomeu, no lugar do Sol no sistema de Copérnico. Torna-se o centro de referência absoluto. »

— Edgar Morin (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)


A “ideologia” a que se refere Morin é a religião política. Morin, na sua condição de ex-marxista e gnóstico, tem dificuldade em associar a ideologia à religião política.

Quarta-feira, 16 Dezembro 2009

Kopenhagen Entschluss Politik

“Es trat an uns die Frage heran: Wie ist es mit den Frauen und Kindern? Ich habe mich entschlossen, auch hier eine ganz klare Lösung zu finden. Ich hielt mich nämlich nicht für berechtigt, die Männer auszurotten- sprich also, umzubringen oder umbringen zu lassen – und die Rächer in Gestalt der Kinder für unsere Söhne und Enkel groß werden zu lassen. Es musste der schwere Entschluss gefasst werden, dieses Volk von der Erde verschwinden zu lassen.” (1)

— Heinrich Himmler, discurso de 1943

Se o planeta Terra oscilar no seu eixo, como já aconteceu várias vezes desde que foi formado, todas as preocupações dos “aquecimentistas” globais iriam por água abaixo, porque provavelmente uma oscilação do eixo da Terra em apenas dois graus traria um arrefecimento global de tal dimensão que transformaria toda a Europa em uma camada de gelo equivalente à do pólo sul. Para além disso, uma tal oscilação do eixo da Terra daria lugar a um período de catástrofes naturais com vagas de oceânicas a engolir literalmente as regiões costeiras de todos os continentes, e na sequência da acção que tal oscilação axial terrestre teria sobre as placas telúricas, aconteceria uma série terramotos de primeira grandeza em todo o mundo. As consequências de tal oscilação axial terrestre fariam a alegria dos malthusianos utilitaristas e dos niilistas: provavelmente, a população da Terra seria reduzida em [pelo menos] dois terços.

Acontece que a probabilidade de o planeta aquecer 3 graus Celsius até ao fim do século é menor do que a probabilidade de um deslocamento axial que pode acontecer sem qualquer aviso ou sinal, porque a redução dos gases de efeito de estufa passa pela reflorestação do planeta. As plantas alimentam-se de CO2, e mantêm o ciclo de condensação do vapor de água. O que se está a discutir em Copenhaga é um negócio gigantesco a nível global e a atribuição de “jobs for the boys” nos organismos da ONU à custa de um imposto mundial sobre todos os seres humanos cidadãos dos diversos países. Assistimos em Copenhaga à instituição da maior fraude consentida de todos os tempos.

(1) “É-nos colocada a pergunta: o que fazer com as mulheres e as crianças? Encontrei aqui uma solução clara. Não me considerei satisfeito em exterminar os homens – isto é, matá-los ou proporcionar a sua morte – e permitir que os vingadores dos nossos filhos e netos, na forma das suas crianças, possam crescer. A difícil decisão teve que ser tomada para fazer este povo desaparecer da terra.”

Terça-feira, 8 Dezembro 2009

O ambientalismo das “mudanças climáticas antropogénicas” é uma religião gnóstica (3)

O que se está a passar em Copenhaga é uma hierofania, isto é, o aparecimento ou a revelação de uma religião que tem a característica de ser uma corruptela gnóstica judaico-cristã. Se não, reparem neste texto editorial publicado no jornal Público e em mais 56 jornais de 44 países, em que são utilizados termos e conceitos como:
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