perspectivas

Quarta-feira, 1 Julho 2009

O estado da ética

Filed under: ética,cultura,educação,filosofia,Sociedade — O. Braga @ 7:15 am
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Temos ouvido sistematicamente gente inteligente ― como o professor Adriano Moreira ― falar insistentemente na necessidade dos “valores”. O que são os “valores”?

Com a actual crise financeira, tem-se falado muito de necessidade de ética. A crise do capitalismo está estritamente ligada à perda de normas vinculativas que faz regredir os seres humanos cada vez mais ao princípio do egoísmo através de um círculo vicioso: a perda de valores causa o recrudescimento da mentalidade individualista que causa mais perda de valores, rumo à irracionalidade e à decadência. Perante este fenómeno, alguns (a esquerda) defendem uma maior intervenção do Estado na sociedade, o que daria azo a que os cidadãos deixassem de ser controlados pela sua consciência e passassem a ser sujeitos a uma repressão através da acção policial estendida não só ao comportamento individual como em relação ao seu próprio pensamento. Uma maior intervenção do Estado na sociedade, no seguimento desta crise de valores, significaria o reconhecimento da impossibilidade de ver o ser humano senão como um animal irracional. Portanto, a solução para o problema está antes numa cultura moral razoável e segura e de responsabilização dos cidadãos.

valoresAs estruturas tradicionais da sociedade civil entraram em colapso, e entre elas a mais importante: a família. A religião começa a ser perseguida pelo Estado, nuns países mais do que noutros: a nossa sociedade ultrapassou já o limiar da pobreza em termos religiosos e ideológicos. Pela primeira vez desde que a História é escrita ― e mesmo na pré-história ― os jovens são educados e socializados sem uma cosmovisão.

Temos ouvido sistematicamente gente inteligente ― como o professor Adriano Moreira ― falar insistentemente na necessidade dos “valores”. O que são os “valores”? Eles referem-se à ética ― que é a disciplina filosófica que fundamenta as normas. Porém, se os valores não estão enraizados na tradição de uma sociedade, terão que ser fundamentados. E aqui começa o problema.

Desde logo, os valores morais devem ter uma validade universal, o que parece ser impossível numa sociedade pluralista, em que cada um reclama para si próprio o direito à “sua ética”. Para que os valores tenham uma validade universal ― numa sociedade pluralista ― terão que ser fundamentados racionalmente, na medida em que os valores morais não podem ser rejeitados por qualquer pessoa, porque se assim fosse não seriam universais. Para que não seja possível relativizar os valores morais, eles têm que possuir uma validade intemporal, o que significa que eles seriam comparáveis às leis da natureza. As leis da natureza existem independentemente do ser humano, são sempre válidas e quem as desrespeitar causa a si próprio um problema grave, mesmo que não seja controlado por alguém.

Em resumo: os valores morais devem ser universais, fundamentados racionalmente, ter uma validade intemporal e serem identificáveis nas suas características principais.
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Domingo, 16 Novembro 2008

A abolição paulatina da propriedade privada

Nazismo Rosa

Nazismo Rosa

Eu sou adepto da propriedade privada. Mesmo quando a minha propriedade privada é aberta ao público (e para isso pago impostos ao Estado), o estatuto público da propriedade que é minha é gerida pela minha vontade, na minha qualidade de proprietário, desde que a minha propriedade não seja gerida ao arrepio do que está estabelecido no Código Penal.

Acontece que em Portugal a propriedade privada tem sido banida paulatinamente da lei quando se incorpora no Código Penal legislação que atenta contra a própria propriedade privada. Assistimos a uma colectivização marxista por via da Lei Penal.

A lei do Tabaco é um exemplo de como em nome do famigerado “interesse público” se restringe a liberdade do proprietário em gerir a sua casa comercial da forma que achar mais adequada. Se existem restaurantes cujos proprietários, por sua própria vontade, proibiriam o fumo colocando um dístico bem visível à porta, deveria haver a liberdade de existirem outros restaurantes cujos proprietários tivessem a liberdade de permitir o fumo, sem restrições tão onerosas como as que a lei impõe ― seguindo-se o exemplo de Espanha. Ninguém é obrigado a entrar onde não quer entrar, a não ser que a elite política passe um atestado de imbecilidade ao povo.

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Segunda-feira, 10 Março 2008

A esquerda e Habermas

A esquerda reclama Habermas a todo o transe. A ideia de que todas as normas sociais (moral), assim como toda a verdade, devem ser postas sistematicamente em causa e analisadas de modo crítico, só se aplica se as normas morais tiverem origem religiosa. Seguindo Habermas, a esquerda defende a ideia de que nenhuma verdade é definitivamente adquirida senão a verdade que insulte as convicções religiosas da maioria. A ética da tolerância e de livre comunicação entre cidadãos, made by Habermas, é aquela que manipula a ciência em nome da Utopia Negativa.


“The results of more than a century of anthropological research on households, kinship relationships, and families, across cultures and through time, provide no support whatsoever for the view that either civilization or viable social orders depend upon marriage as an exclusively heterosexual institution. Rather, anthropological research supports the conclusion that a vast array of family types, including families built upon same-sex partnerships, can contribute to stable and humane societies.”

Gostava de saber onde os antropologistas americanos alguma vez se depararam com uma “sociedade viável” onde o casamento entre pessoas do mesmo sexo parisse gente que tornasse viável o futuro dessa mesma sociedade. No entanto, é esta a verdade científica inquestionável, que a esquerda que idolatra Habermas dá graças à verdade “científica” definitivamente adquirida.

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