perspectivas

Sábado, 8 Dezembro 2012

A diferença entre consciência e conhecimento, ou entre Razão e Entendimento

The internet is a new lifeform that shows the first signs of intelligence. So says brain scientist and serial entrepreneur Jeff Stibel.

via BBC – Future – Technology – Will the internet become conscious?.

A BBC (Bolshevik Broadcasting Corporation) traz esta pequena notícia que “é mais do mesmo”: cientismo que é incapaz de discernir entre Razão (consciência), por um lado, e processo conhecimento (ciência), por outro lado. Consciência é uma coisa; outra coisa, bem diferente, é ciência; e ainda outra coisa é a insciência da “ciência” actual.

Talvez tenha chegado o momento de “desenterrar” um velho conceito de Kant que a filosofia tinha considerado obsoleto: o conceito de Entendimento.

O que se passa hoje, com a “ciência”, é que esta já não consegue saber a diferença entre “consciência” e “conhecimento”; e por isso, já não tem a noção da diferença entre Razão, por um lado, e Entendimento, por outro lado. Exactamente porque já não tem consciência desta diferença, a “ciência” deixou de discernir as regras que devem determinar o Entendimento (“Em ciência vale tudo, até arrancar olhos!” — Feyerabend).

Para a “ciência”, o Entendimento passou a ser a própria Razão, uma vez que a “ciência” confunde e mistura as regras “a priori” do conhecimento com o próprio processo de conhecimento. E a Razão deixou, por sua vez, de existir, uma vez que foi substituída totalmente pelo Entendimento. Hoje, a “ciência” é irracional.

Quarta-feira, 13 Julho 2011

Racionalismo não é racionalidade

O realismo ingénuo consiste, basicamente, na noção comum segundo a qual a realidade está de acordo com as percepções [sensoriais] que temos dela. Embora as coisas não se passem exactamente de acordo com o realismo ingénuo, este é necessário à formatação do senso-comum.

A cadeira em que estou sentado, segundo o realismo ingénuo, é sólida e compacta o suficiente para suportar o meu peso; e quem insistir no contrário disto, estará a precisar de tratamento psiquiátrico. Porém, a verdade é que a cadeira em que me sento é composta mais por vácuo do que por matéria (partículas elementares); mas essa realidade da “cadeira quântica”, é microscópica, e por isso, não pode influenciar sobremaneira o nosso senso-comum que é predominantemente macroscópico.
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Domingo, 10 Abril 2011

O mistério da mentecapcia minoritária que ainda apoia José Sócrates

Pergunto-me como é possível que depois do descalabro da governança socratina, as sondagens ainda lhe dêem 30% das intenções de voto. Esses 30% não podem ser todos de militantes do Partido Socialista; e também não aceito a ideia de que sejam todos gente que depende de esmolas ou de prebendas do Estado. Poderia aceitar a ideia de que as sondagens estão erradas, mas então, e por uma questão de coerência, não estaria a escrever este postal.
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Sábado, 18 Setembro 2010

Razão, racionalidade, racionalismo

Filed under: cultura,filosofia — O. Braga @ 8:45 am
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1 Hoje é vulgar ouvirmos dizer que é preciso ter uma “mente aberta”. Porém, normalmente o que se quer dizer com “mente aberta” é sinónimo de ausência de espírito crítico, e sem um espírito crítico a mente fecha-se no “dogma da mente aberta”. Mente aberta deve, pelo contrário, significar abertura e predisposição à análise crítica, e não aceitação passiva ou permissividade crítica.

Mais grave ainda é quando, implícita ou explicitamente, nos dizem que ter a “mente aberta” é sinónimo de rejeição da lógica, por um lado, e a imposição quase absoluta da nossa subjectividade em relação ao objectivo e ao concreto, por outro; criamos assim um nosso sistema privado de ideias, desfasado e mesmo divorciado do real (da realidade). A cristalização de cada uma das nossas teorias privadas, fechadas na nossa subjectividade, serve um propósito de dogmatização da cultura por via negativa, que leva a um totalitarismo político através da eliminação da intersubjectividade e da objectividade (atomização da sociedade).

A primeira coisa que as ideologias políticas totalitárias têm que fazer é eliminar o espírito crítico em circulação na sociedade, convencendo os cidadãos de que possuir um espírito critico é sinónimo absoluto da aceitação passiva de um determinado sistema de ideias diabolizado pela ideologia, ou uma determinada mundividência. Criou-se, pois, o “dogma da mente aberta” que se fecha em relação à realidade. Ter uma “mente aberta” passou a ser aceitar sem criticar.
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Quinta-feira, 17 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (7)

— A diástase História / Natureza, a tensão existencial e a Metaxia.

Do gnosticismo antigo e medieval, evoluiu-se na modernidade para duas formas diferentes mas complementares de gnosticismo moderno: um que se baseia no determinismo da natureza que reduz o ser humano a um ser meramente material e sem alma (através do cientismo), e outro que se baseia no determinismo da História (através das religiões políticas). (more…)

Domingo, 16 Maio 2010

A fé racional e a razão da fé

Santo Agostinho dizia que as descobertas da ciência não anulam os fundamentos da fé. São Tomás de Aquino sublinhava o valor da razão na auto-afirmação da fé — o que não significou todavia que este desse primazia à razão sobre a fé. Contudo, estas duas formas de ver a relação entre a fé e a razão foram consideradas por muitos, e até hoje, como sendo incompatíveis.
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Terça-feira, 2 Fevereiro 2010

Pensar contra a corrente

Este texto é interessante. O autor abre com caução: “Que causas,” diz ele, “longe das convulsões atávicas motivadas por diferenças ideológicas, preconceito ou falhas de comunicação”, ou seja, distingue o racional da estupidez.
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Quinta-feira, 14 Janeiro 2010

A ideia de “progresso” e a do “presente autoritarista”

O Iluminismo introduziu na Europa dois novos mitos: o mito da Razão e o mito da Natureza. Ambos os mitos desviaram-se da axiologia universal cósmica, que pressupunha a fonte da ordem, na cosmogonia, ou seja, no mito da criação do universo. Ao mesmo tempo que o Iluminismo introduziu esses dois novos mitos, tentou através deles eliminar da cultura, o mito cosmogónico que situava o Homem na sua dimensão cosmogónica e espiritual.
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Sexta-feira, 27 Novembro 2009

Sobre Nietzsche e os mitos sociais modernos

Neste postal que escrevi sobre Nietzsche e Fernando Pessoa, os comentários foram diversos e o último deles foi o que se segue:
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Quinta-feira, 30 Julho 2009

Diferença entre fé e fideísmo

Filed under: cultura,filosofia,Islamismo,Sociedade — O. Braga @ 4:24 pm
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Não se pode confundir “fé” com “fideísmo”; é o que se faz aqui. Muita da propaganda ateísta apela e manipula a ignorância das pessoas.

Fé é o que a pessoa que escreveu esse artigo talvez tenha, mesmo que a nível do consciente não o assuma; a própria ciência é um sistema de crenças em que existem valores que se sobrepõem a outros valores ― sem uma crença qualquer, o conhecimento seria impossível. Portanto, a fé tem muito da Razão (preconceito positivo).

O fideísmo é outra coisa: é o convencimento de que a crença dos outros não tem nenhum valor, e de que somente uma crença sectária é valorizada sem discussão possível (preconceito negativo). O cientificismo, o islamismo e o ateísmo são exemplos de fideísmos.


Email me (espectivas@nullgmail.com)

Terça-feira, 23 Junho 2009

O argumento segundo o qual ‘os direitos individuais não podem ser referendados’

Um direito digno desse nome nunca pode ser um direito que caduca quando a força que o impõe acaba (Rousseau).
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Sexta-feira, 19 Setembro 2008

O dualismo de Descartes e a inteligência humana

Filed under: filosofia — O. Braga @ 12:20 pm
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Este postal merece uma leitura (PDF); trata da inteligência humana e dos conceitos que esta envolve. O que é a inteligência? De certo modo, o postal concatena-se com este outro que aborda “O Erro de Descartes” de António Damásio, que por sua vez se relaciona com este sobre o dualismo cartesiano.

Do intróito do postal podemos resumir as seguintes ideias:

  1. A inteligência não pode ser identificada como algo físico nem tangível;
  2. Não há uma qualidade única e exclusiva que possamos associar à inteligência;
  3. A valoração global de uma pessoa é essencialmente impossível;
  4. As pessoas mais inteligentes não são as que necessariamente se distinguem no processo natural da sobrevivência.

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