perspectivas

Terça-feira, 30 Março 2010

O bloco-central-que-não-existe

A interpretação que eu faço da vitória de Passos Coelho nas recentes eleições internas no PSD, é a de que a base militante do PSD se identifica social e ideologicamente cada vez mais com a base militante do PS, ou vice-versa ― a ordem dos factores é arbitrária. Tanto Passos Coelho como José Sócrates defendem uma economia de direita e uma cultura de esquerda ― ou seja, defendem a quadratura do circulo que tem feito Portugal num oito e transforma a Europa num espaço politicamente híbrido, populista, amorfo e a-ideológico. Uma economia de direita e uma cultura de esquerda só beneficiam, a médio prazo, a esquerda marxista económica e/ou cultural; é esse o trabalhinho que tem sido feito pela pseudo-direita portuguesa.
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Quarta-feira, 23 Dezembro 2009

O PSD e a defesa de “gente nova”

Quando olhamos para uma equipa de futebol equilibrada e campeã, verificamos que coexistem na equipa jogadores mais novos e jogadores com experiência, isto é, mais velhos. Por exemplo, no Benfica actual, vemos jogadores mais velhos, como o Luisão ou o César Peixoto, trabalhando lado a lado com jogadores mais novos e inexperientes como Di Maria ou David Luís. O segredo dos campeões está na sabedoria desta mescla entre experiência e a juventude.


Vejo aqui um artigo do Expresso assinado por um tal Henrique Raposo ― que não sei quem é, nem interessa identificar as ideias com a pessoa: interessa saber se as suas ideias são racionais ou irracionais ― que diz o seguinte:

« Anda por aí uma vaga de fundo óptima no PSD. Querem novas ideias, ideias de ruptura. Óptimo. Escrevi isso vezes sem conta . Mas, além de ideias novas, o PSD precisa de gente nova. Porque ideias novas em gente velha é coisa que não resulta. »

Ora, o PSD foi talvez o partido político que mais “gente nova” incluiu nas listas de deputados para as eleições que deram origem ao actual parlamento. Então, porquê esta obsessão do escriba com a “gente nova”? E o que são “ideias de ruptura”?
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Sexta-feira, 18 Dezembro 2009

A direita deve incluir nos seus programas eleitorais o banimento da lei socialista do “casamento” gay

Os partidos da “não-esquerda” que não optarem por uma estratégia política fabiana “ao contrário”, tornam-se cúmplices do partido socialista.

Para o cidadão normal português, que tem a sua família e os seus filhos, e que não frequenta os círculos sociais decadentes do Parque Mayer, de Monsanto, ou não faz incursões noctívagas no parque Eduardo VII ― em suma: para a gente séria de Portugal, porque ser-se uma pessoa séria e idónea não se limita ao pagamento de impostos ―, dizia que para o cidadão normal português é difícil compreender a agenda cultural da esquerda, embora muita gente acabe por votar na esquerda somente por causa do seu “canto da sereia” em matéria de medidas económicas e sociais de classe.

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Segunda-feira, 28 Setembro 2009

O que se está a passar agora no PSD é uma vergonha!

Uma das características do partido republicano de finais do século XIX era a de que era um partido de bases, e não era um partido de quadros. Em contraponto, os partidos do rotativismo monárquico eram partidos de quadros mas não eram partidos de base, e portanto, a partir do momento em que os quadros abandonaram os partidos do rotativismo ― e logo que se implantou a república ― os partidos extinguiram-se. Naturalmente que os partidos que evoluíram a partir do velho partido republicano ― como por exemplo, o partido democrático e o partido evolucionista ― rapidamente se transformaram em partidos de quadros também, e por isso foi possível o Sidonismo e a ditadura de 28 de Maio de 1926 que deu origem ao Estado Novo de António de Oliveira Salazar.

Tudo isto para dizer que as acusações que são feitas a Pacheco Pereira responsabilizando-o pela “derrota” do PSD são a manifestação típica de um partido de quadros perante um revés eleitoral. Quem critica Pacheco Pereira são os quadros do PSD ― aqueles que se mudam de um lado para o outro enquanto o diabo esfrega um olho.
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Domingo, 13 Setembro 2009

Debate na TV: Manuela Ferreira Leite vs. José Sócrates

Manuela Ferreira Leite

Manuela Ferreira Leite

Os portugueses estão cansados de políticos truculentos e mentirosos, gente que faz da política uma forma de vigarice sistematizada. A política passou a ser o “sistema do vígaro” e do vendedor da banha-da-cobra.

Põe-se um tipo engravatado, com aspecto “produzido” e com o cabelo oleado e “azeiteiro” a falar ao desbarato, e toda a gente compra a banha-da-cobra para depois chegar a casa e verificar que foi no “conto do vigário”.

A política é uma função nobre que carece de gente honesta, gente de coração aberto e que faz da política não só uma vocação mas também uma missão. Não precisamos de políticos mentirosos, que fazem as mais fantásticas promessas, e depois de se apanharem no poleiro fazem tudo ao contrário do que prometeram.
A primeira mentira de José Sócrates aconteceu quando ele prometeu não aumentar impostos durante a campanha eleitoral, e a primeira coisa que ele fez quando chegou ao governo, foi aumentar impostos.
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Sábado, 22 Agosto 2009

O PS e as suas ideias e propostas

ps-ajuda

Um indivíduo está de férias, acorda e ainda estremunhado liga o laptop, e dá de caras com esta notícia: Ferreira Leite tem falta de ideias e propostas, acusa Santos Silva. Para além de estremunhado fiquei estupidificado; fui tomar um café bem forte.

Portanto, de acordo com o caceteiro do PS, a governação de um país resume-se a “ideias e propostas”. “Quer-se-dizer”: a gente faz uns brainstorms aqui no bairro, inventa umas ideias porreiras, e está feito: ficamos aptos para a governação.

E depois há pelo menos uma coisa que de facto separa o PS de José Sócrates do PSD de Manuela Ferreira Leite: o nível de intervenção do Estado na sociedade civil. As ideias e as propostas do PS ― para além de serem muitas delas promessas de mau pagador [aperta-me as mamas!] ― têm como alvo a asfixia da sociedade civil e o condicionamento por parte do Estado em relação às empresas e aos cidadãos.

As únicas ideias boas que um governo pode ter são aquelas que se destinam a facilitar a organização autónoma da sociedade, e nunca aquelas que pretendem intervir directamente na sociedade de forma a condicionar a sua auto-organização. Simplesmente não queremos um governo que se meta na nossa vida privada com as “ideias e propostas” da sua lavra.

Eu espero que Manuela Ferreira Leite siga Alberto João Jardim na recusa dos chips electrónicos nas matrículas dos automóveis que são privados porque pertencem aos cidadãos. O meu automóvel é privado, não pertence ao Estado, e portanto não tem que ser localizável discricionariamente pelas forças policiais a seu bel-prazer, e contra a minha vontade. A colocação obrigatória dos chips electrónicos de controlo dos automóveis privados não faz absolutamente nenhum sentido e pode constituir um precedente extremamente perigoso. Se querem estabelecer portagens nas SCUTS que construam pontos de portagem tradicionais.

Sexta-feira, 31 Julho 2009

Como fui eu parar à extrema-direita?

no-left

Hoje, quem se atreve a dizer determinadas verdades é automaticamente apodado de “extremista de direita”. Em conversa com um colega meu de nacionalidade holandesa, ele disse-me que na Holanda já existe uma corrente de opinião libertária intelectual radical de esquerda, segundo a qual quem se opõe à legalização da pedofilia e à prática da zoofilia (bestialidade), já é também considerado de “extrema direita”. Reparem bem: quando os intelectuais radicais de esquerda colocam em causa determinados tabus, estes serão, a prazo, eliminados.

De facto, assiste-se a um fenómeno curioso: nos anos 80 do século que findou, eu era considerado pelas pessoas minhas amigas como uma “pessoa tolerante” em relação ao socialismo democrático de então; diziam-me eles que eu era “suspeito”. Por exemplo, para as eleições autárquicas, cheguei a votar num candidato do PCP porque me pareceu uma pessoa honesta e trabalhadora.
Porém, com o aparecimento do radicalismo do Bloco de Esquerda, eu fui tele-transportado para a “extrema direita” sem que eu tivesse mudado uma vírgula no meu discurso e nas minhas opiniões. Passei a ser de “extrema-direita” por uma radical determinação da extrema-esquerda.
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Terça-feira, 23 Dezembro 2008

Este governo utiliza a Bomba Atómica para matar uma mosca

Filed under: josé sócrates — O. Braga @ 3:27 pm
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Em relação ao pequeno contribuinte em geral, este governo está a utilizar bombas atómicas para matar moscas. Já em relação aos grandes tubarões, este governo dá a trela toda, e até fiquei admirado quando prenderam o velhinho administrador do BPN ― depois compreendi que se trata de um bode expiatório para não meter na pildra uma data deles, a começar pelo Constâncio que fez vista grossa e deixou muita coisa acontecer impune. Começo a sentir vergonha de ser português.

Entendeu a administração fiscal que eu deveria pagar 50 Euros de multa (em 2006) devido ao que eles consideram ser um atraso na entrega de papéis, e naturalmente que eu não concordei. Consultei um advogado amigo que me disse que o entendimento das Finanças, neste caso da multa, é altamente discutível e controverso, mas disse-me que, por causa de uns meros 50 Euros, uma acção judicial de reclamação não se justificaria. Quer dizer: se por reclamar o pagamento de 50 Euros, o processo judicial contra o Estado custaria 7.000 Euros, é então preferível pagar os 50 Euros mesmo que a multa seja injusta e altamente discutível a leitura da lei?


Em Portugal, não existe ― por parte do Estado ― uma cultura de respeito pelos pequenos contribuintes, que se reflecte no facto de uma simples reclamação ao Estado poder custar uma “pipa de massa”, o que faz com que o cidadão prefira pagar e não “bufar”. Vivemos numa ditadura fiscal em relação aos mais desfavorecidos e à classe média. Muitas vezes, os prazos da burocracia são feitos propositadamente de forma a tramar o “Zé Mexilhão”.


Estávamos neste braço-de-ferro quando o governo (através das Finanças) cativa-me todas as contas bancárias (por causa de 50 euros!) de uma alegada dívida que eu não considero legítima mas que me custaria um balúrdio contestar. Isto não é ficção nem anedota: aconteceu mesmo!
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Sexta-feira, 12 Dezembro 2008

A Educação e a estratégia de Esquerda

A política cultural socialista aplicada à educação é de uma importância crucial para a Esquerda em geral, que pretende a criação de “um homem novo, autónomo e livre”, mas com uma liberdade que não reconhece nem a condição humana nem lei moral, rumo a uma sociedade de Esquerda com laivos totalitários que deixará marcas de tal forma indeléveis na nossa sociedade que nunca mais dela poderá sair.

Muita gente ainda não compreendeu que a reforma educativa do PS de José Sócrates, como todas as reformas de Esquerda com reflexos na cultura, tem como objectivo estabelecer uma sociedade exclusiva e irreversivelmente de Esquerda. A colagem dos partidos de Esquerda ― como o Bloco de Esquerda e o PCP ― à posição dos professores só pode ser compreendida como uma estratégia de “controlo” político oportunista de modo a evitar que a classe docente se polarize e se fixe nos partidos à Direita do espectro político nacional.

À primeira vista, a divisão da docência em professores titulares e professores de “segunda classe”, parece ser uma estratégia de Direita que vai contra um igualitarismo característico da Esquerda, mas esta é a única forma que o PS encontra para romper um consenso cultural e profissional que marca a história da docência em Portugal, por forma a que as políticas culturais de ruptura sejam alcançadas sem grande resistência numa fase posterior. Trata-se de uma estratégia para-totalitária de terapia de choque para dissolver as resistências culturais que existam na classe docente.
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Segunda-feira, 15 Setembro 2008

O cúmulo do politicamente correcto: passa agora a ser “politicamente incorrecto”

O que significa o conceito de “politicamente correcto” ? Quem quiser ter a pachorra de ler, pode ver aqui.

A “inversão revolucionária e radical do sujeito e do objecto” é isto: as trocas e baldrocas do PS de José Sócrates — o neomarxismo e o marxismo cultural passam agora a ser “politicamente incorrectos”. Os “correctos” agora são aqueles não gostam de fazer companhia a gays.

Esta tropa recorre a todas as manobras e desconstruções ideológicas possíveis e imaginárias para enganarem a malta.

Quinta-feira, 7 Agosto 2008

O Sr. Pinto de Sousa e os seus amigos gays

Prometi afastar este blogue de notícias que digam respeito à besta socretina, mas abro aqui uma excepção.

«O debate tem de começar a ser feito na sociedade civil, para que em 2009 a legalização do casamento entre homossexuais possa ser uma realidade.»


Acham isto normal?

A coisa que mais me irrita no PS socretino é a pesporrência celebrada e vangloriada. Se a decisão está tomada pelo Partido Socialista, para quê o debate na “sociedade civil” (existirá uma “sociedade não-civil”?). O Sr. Pinto Sousa quer pôr uma matéria à discussão pública, mas como tem o Poder, a discussão é uma mera formalidade. Será que o PS pensa que vai ganhar eleições com os votos dos homossexuais que pretendem adoptar crianças de instituições como a Casa Pia?

A adopção é concebida para dar uma família a uma criança, e não para dar uma criança a uma família.

A lei 7/2001 que regula as uniões de facto, poderia ser revista — caso seja necessária a sua revisão para acomodar algumas das reivindicações invertidas — mas sempre de modo a que não fosse possível a adopção de crianças por duplas de homossexuais e por casais heterossexuais em união-de-facto, à semelhança do que acontece na lei francesa (1) (PACS).

A estratégia do PS é a da domesticação da sociedade através da produção de falsas necessidades. O Poder socretino age substituindo a opressão totalitária tradicional nas ditaduras por uma opressão que nos dá a ilusão de liberdade, e a “discussão pública” com a decisão já tomada é sinónimo desse totalitarismo sedutor.

É extremamente importante que esta escumalha saia do Poder.


(1) France Overruled on Gay Adoption

PACSPacte civil de solidarité

Ler também: Recortes sobre José Sócrates

Quinta-feira, 17 Julho 2008

Será que o PS quer deserdar as crianças para beneficiar o concubinato?


Acham isto normal?

Consta que o Partido Socialista pretende alterar a Lei 7/2001 de 11 de Maio (que regula as uniões-de-facto) de forma a que seja possível a herança de um(a) parceiro(a) por morte do outro(a). Recordo que a Lei 7/2001 é aplicável a uma dupla independentemente do sexo, o que abrange as uniões homossexuais. Pode-se dizer com propriedade que é devido à pressão do lobby gay nacional e internacional (Espanha) que a lei poderá ser alterada pelo Partido Socialista.

O PS pretende também criar uma espécie de “registo” das uniões-de-facto, o que é uma redundância legal, uma vez que a partir do momento em que dois anos são passados em união-de-facto, uma dupla em coabitação assume automaticamente todos os direitos previstos na lei sem necessidade de qualquer registo ― incluindo os direitos de herança de casa de morada e residência comum, nos termos da lei, e/ou transmissão do arrendamento por morte. Essa coisa do “registo” cheira a esturro.

Eu não sei que alteração o PS quer fazer à lei porque ela já prevê direitos de herança, nomeadamente no caso de casa de morada e residência comum (art. 4º), salvo exista descendente do falecido que com ele tenha convivido ― o que não significa que “tenha coabitado” ― há mais de um ano e/ou tenha menos de 1 ano de idade. Isto significa que a lei privilegia a procriação e os direitos das crianças, e muito bem.

Ficamos à espera de saber o que é que o PS de Sócrates vai tirar da cartola nesta matéria. Esperemos que Sócrates não retire direitos de herança aos descendentes directos e/ou indirectos, beneficiando o concubinato sem crianças ― porque aí teremos o caldo entornado.

De José Sócrates é possível esperar tudo; do pior!

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