perspectivas

Segunda-feira, 5 Outubro 2009

O problema da liberdade e da autoridade

Quase 30% das chamadas para a SOS Professor relatam agressões físicas, e as agressões verbais são ainda mais numerosas.

A diferença principal entre um conservador e um libertário, é que o segundo defende a ideia de progresso como sendo um processo histórico em que a inexorabilidade da construção de um “reino de liberdade” conduzirá a sociedade a um “paraíso na terra” ― enquanto que o conservador não prevê o futuro nem em termos de “paraíso na terra” nem em termos de “inferno na terra”. O conservador não prevê o futuro no sentido da intervenção primacial da acção humana que “força” um determinado “processo histórico”; apenas constata factos do presente, e mesmo que estes factos apontem, em tese, para uma perda da autoridade na sociedade, não vê nisso uma catástrofe senão no sentido do retorno à barbárie. Afinal, ninguém pode provar que um bárbaro seja mais infeliz do que um civilizado ― e vice-versa; por isso, o facto de o conservador dizer que a perda da autoridade na nossa sociedade significa um retorno à barbárie, é uma constatação de facto e não uma profecia da desgraça.
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Terça-feira, 23 Junho 2009

Os erros ortográficos da directora da DREN

Uma forma de aferir o nível a que chegou a nossa educação é avaliar a capacidade dos representantes políticos desta área, nomeados ou delegados por “cunha” política pelo governo de José Sócrates. Podem ler aqui (PDF) um email enviado pela actual responsável pela DREN (Direcção Regional de Educação do Norte), Margarida Moreira, às escolas da sua jurisdição.

É este tipo de gente, que se constitui como uma elite cultural de esquerda, que defende o actual Acordo Ortográfico ― e as razões estão à vista: se não existirem regras na língua escrita desaparecem as possibilidades da escrita errada.

Terça-feira, 9 Junho 2009

Estudo científico revela que as crianças adquirem a homossexualidade por aculturação e educação

adopcaoUma das bandeiras da propaganda gayzista protagonizada pelo activismo gay da ILGA, da Ex-aequo e outras organizações patrocinadas pelo governo de José Sócrates, é o slogan segundo o qual “a homossexualidade não se pega” e que, portanto, as crianças podem perfeitamente ser educadas por duplas de gays, e o homófobo é “lélé da cuca”.

O argumento segundo o qual “a homossexualidade não se pega” foi recentemente utilizado pelos gayzistas patrocinados pelos governo de Sócrates e pelo Bloco de Esquerda para defender não só o “casamento” gay como a adopção de crianças por duplas de avantesmas.
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Sábado, 20 Dezembro 2008

A culpa do falhanço da Esquerda na política do Ensino, é dos professores?

Quando a Esquerda se cola à luta dos professores assume uma posição que os brasileiros chamam de “cara-de-pau” sem vergonha. A luta dos professores é exactamente contra uma política irresponsável de Esquerda na área da Educação que dura há mais de 30 anos.

A maioria das pessoas não sabe que uma professora primária já faz uma grande parte do trabalho dos chamados “empregados auxiliares”, vulgarmente conhecidos por “contínuos” das escolas. Em vez de se concentrarem nas aulas que dão e se preocuparem com a formação dos seus alunos, uma professora primária é, cada vez mais, “pau para toda a colher” na organização da escola. Por este andar e se este processo de degradação da condição de docente continua, um dia destes as professoras primárias vão passar a limpar as latrinas das escolas.

Contudo, muita gente sabe que esta política de degradação da condição da docência é propositada e provocada por este governo socialista. Atiram-se as culpas para cima dos professores em relação a toda a um série de erros nas políticas educativas desde o 25 de Abril de 1974, isto é, perante o falhanço total das políticas educativas de Esquerda, os socialistas arranjam um bode expiatório na classe dos professores.
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Sexta-feira, 12 Dezembro 2008

A Educação e a estratégia de Esquerda

A política cultural socialista aplicada à educação é de uma importância crucial para a Esquerda em geral, que pretende a criação de “um homem novo, autónomo e livre”, mas com uma liberdade que não reconhece nem a condição humana nem lei moral, rumo a uma sociedade de Esquerda com laivos totalitários que deixará marcas de tal forma indeléveis na nossa sociedade que nunca mais dela poderá sair.

Muita gente ainda não compreendeu que a reforma educativa do PS de José Sócrates, como todas as reformas de Esquerda com reflexos na cultura, tem como objectivo estabelecer uma sociedade exclusiva e irreversivelmente de Esquerda. A colagem dos partidos de Esquerda ― como o Bloco de Esquerda e o PCP ― à posição dos professores só pode ser compreendida como uma estratégia de “controlo” político oportunista de modo a evitar que a classe docente se polarize e se fixe nos partidos à Direita do espectro político nacional.

À primeira vista, a divisão da docência em professores titulares e professores de “segunda classe”, parece ser uma estratégia de Direita que vai contra um igualitarismo característico da Esquerda, mas esta é a única forma que o PS encontra para romper um consenso cultural e profissional que marca a história da docência em Portugal, por forma a que as políticas culturais de ruptura sejam alcançadas sem grande resistência numa fase posterior. Trata-se de uma estratégia para-totalitária de terapia de choque para dissolver as resistências culturais que existam na classe docente.
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Quarta-feira, 10 Dezembro 2008

A intenção totalitária de José Sócrates

Filed under: educação — O. Braga @ 10:55 am
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Se existe um filósofo ― neste caso, filósofa ― contemporâneo que eu respeite e aprecie, é Hannah Arendt. No seu texto “As Origens do Totalitarismo”, Hannah diz que o totalitarismo “é uma forma de governo moderno por excelência”, sendo a negação do “político”.

Segundo Hannah, o totalitarismo baseia-se, em primeiro lugar, na destruição do tecido social e na atomização da comunidade reduzida a um estado de massa inerte e indiferenciada. Os meios de coesão próprios do totalitarismo são a ideologia e o terror, que culminam — in extremis — com os campos de concentração e/ou Gulag.

Segundo os agentes totalitários ― escreve Hannah ―, “tudo é permitido, tudo é possível”, sendo que este critério ético é a chave da intenção totalitária.

Depois de duas gigantescas manifestações de professores num espaço de seis meses, depois de uma greve com adesão de cerca de 95% dos docentes, José Sócrates afirma que a maioria absoluta do PS lhe serve para defender a ideia de que tudo lhe é permitido, de que tudo lhe possível. A intenção totalitária é a mesma em Sócrates como em outros celerados da História; o que separa Sócrates de um ditador plenipotenciário é a forma do sistema político vigente que o inibe de ir mais longe; contudo, o ditador existe, é uma realidade incontestável.

Sábado, 29 Novembro 2008

Comparando Sócrates aos jesuítas do século XVI

jesuitas-1599

Em 1599, os jesuítas publicavam a obra Ratio atque Institutio Studiorum, em que se aconselhava os reitores das universidades a ter um tratamento adequado em relação à carreira docente. Quatrocentos anos depois, o poder analfabeto do engenheiro-da-treta e da ministra-sinistra, quer transformar a docência, de profissão nobre que molda os espíritos, em robôs politicamente correctos. Os analfabrutos já não ligam a latinices e à etimologia; agora a linguagem é a do “eduquês” e a do “aborto ortogáfico”.


“Nada deve ser mais importante nem mais desejável (…) do que preservar a boa disposição dos professores (…). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (…).”

“Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações.”

Recomenda-se a todos os professores um dia de repouso semanal: “A solicitude por parte dos superiores anima muito os súbditos e reconforta-os no trabalho.”

“Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo.”

Incentivar e valorizar a sua produção literária: porque “a honra eleva as artes.”

“Em meses alternados, pelo menos, o reitor deverá chamar os professores (…) e perguntar-lhes-á, com benevolência, se lhes falta alguma coisa, se algo os impede de avançar nos estudos e outras coisas do género. Isto se aplique não só com todos os professores em geral, nas reuniões habituais, mas também com cada um em particular, a fim de que o reitor possa dar-lhes mais livremente sinais da sua benevolência, e eles próprios possam confessar as suas necessidades, com maior liberdade e confiança. Todas estas coisas concorrem grandemente para o amor e a união dos mestres com o seu superior. Além disso, o superior tem assim possibilidade de fazer com maior proveito algum reparo aos professores, se disso houver necessidade.”

“I. 22. Para as letras, preparem-se professores de excelência

Para conservar (…) um bom nível de conhecimento de letras e de humanidades, e para assegurar como que uma escola de mestres, o provincial deverá garantir a existência de pelo menos dois ou três indivíduos que se distingam notoriamente em matéria de letras e de eloquência. Para que assim seja, alguns dos que revelarem maior aptidão ou inclinação para estes estudos serão designados pelo provincial para se dedicarem imediatamente àquelas matérias – desde que já possuam, nas restantes disciplinas, uma formação que se considere adequada. Com o seu trabalho e dedicação, poder-se-á manter e perpetuar como que uma espécie de viveiro para uma estirpe de bons professores.

II. 20. Manter o entusiasmo dos professores

O reitor terá o cuidado de estimular o entusiasmo dos professores com diligência e com religiosa afeição. Evite que eles sejam demasiado sobrecarregados pelos trabalhos domésticos.”


Ratio Studiorum da Companhia de Jesus (1599)

Recebido por email

Segunda-feira, 24 Novembro 2008

Comparando o ensino na Europa com o de Sócrates

Filed under: educação — O. Braga @ 11:07 am
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Aqui.

Sexta-feira, 21 Novembro 2008

Será que eu estou a ver mal o problema?

Se não há dinheiro do erário público para a educação e para uma avaliação justa dos professores, cortem nos ordenados principescos da manada que se refastela em volta da manjedoura do orçamento, poupem nas reformas e mordomias obscenas dos sibaritas que vivem à custa do tráfico político de influências e no sistema endémico das “cunhas” que infestam o Terreiro do Paço.

Eu sou bisneto de uma professora, neto de professora, filho de professora, casado com professora, tenho um filho que é professor e três irmãs professoras. Só não segui a carreira docente porque sempre fui “do contra”. 🙂

Posto, isto, agradeço que me ajudem a entender esta proposição:

«(…) Considerando uma carreira de 36 anos (mantendo-se ao longo dos anos a “transformação” de parte do tempo de trabalho (horário) de actividade lectiva noutro tipo de actividade e um objectivo de chegarem ao topo da carreira 1/3 dos docentes (…)»

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Sexta-feira, 14 Novembro 2008

Qual “pesadelo burocrático”?”

Filed under: educação — O. Braga @ 9:30 am
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O super-modelo de avaliação da ministra

«Um responsável do SINDEP revelou ao DN, ilustrando o modelo de avaliação da ministra Lurdes Rodrigues, o caso concreto de uma professora com 9 turmas e 193 alunos que vai ter que introduzir manualmente no computador 17 377 registos e fazer 1456 fotocópias, além de participar em algo como 91 reuniões.»

“Qual “pesadelo burocrático”?”

Quarta-feira, 12 Novembro 2008

Ser jornalista, hoje, é pertencer ao crime organizado

A luta dos professores é o exemplo de como o senso-comum e a racionalidade ainda não se perderam na nossa sociedade. Essencialmente por isso, estou ao lado dos professores.

É-me difícil escrever sobre a realidade portuguesa porque já não sei por que ponta lhe hei-de pegar. Contudo, os me®dia são sempre um bom ponto de partida para uma qualquer análise.
Hoje de manhã, todas as rádios concentravam as suas atenções em três assuntos: o “assalto” de alguns alunos de uma escola de Fafe à ministra da educação (criticando), a anunciada greve dos professores marcada para 19 de Janeiro de 2009 (criticando), e a não-demissão de Vítor Constâncio do Banco de Portugal (“uma no cravo, outra na ferradura”, “sol na eira e chuva no nabal”).

Todas as rádios e respectivos comentadores estão de acordo: “os professores não querem ser avaliados”. A única voz dissonante que ouvi hoje na Antena 1 da RDP, foi a de Bagão Félix . Ora o povo sabe perfeitamente que não é exactamente isso que se passa, isto é, os professores estão apenas contra a filosofia que inspira este modelo de avaliação.

Podemos então inferir que os me®dia tentam enganar o povo. E porquê? Porque ser jornalista, hoje, é ― literalmente ― pertencer ao crime organizado.
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Segunda-feira, 10 Novembro 2008

O resto é conversa

manif-prof-nov-2008

A segunda grande manifestação dos professores deste ano, que teve lugar no Sábado passado em Lisboa, teve o condão de, pelo menos, ter convencido os cépticos de que alguma razão assiste aos professores. Não é fácil ter juntado 150 mil professores na manifestação da Primavera passada, e agora cerca de 120 mil, se os professores não estivessem unidos sobre determinadas reivindicações.

O tipo de avaliação docente que esta ministra impôs é

  • burocratizado porque não deixa tempo aos professores para ensinar,
  • enviesado e marxizante porque obriga a que profissionais do mesmo oficio se avaliem uns aos outros e não reconhece a experiência profissional como um Bem em si mesmo,
  • e pidesco porque incentiva a delação gratuita e apela a instintos básicos, como o da inveja, e conduz a uma política de avaliação baseada no tráfico de influências em vez da valorização da competência profissional.

Tudo isto são factos. O resto é retórica política.

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