perspectivas

Domingo, 17 Abril 2016

Com António Costa e a geringonça, estamos perante um pré-PREC

Filed under: Política — O. Braga @ 11:41 am
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Quando Paulo Portas e Assunção Cristas afirmaram que o voto útil já não faz sentido depois da geringonça, expressaram talvez um desejo mas não uma constatação de facto. Mesmo que a Esquerda fosse, toda ela, moderada, o voto útil fará sempre sentido. A votação anormal no BE nada mais é do que voto útil.

“(…) o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade

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O que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista pretendem não é impôr a agenda LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros] no Colégio Militar; a agenda LGBT é um meio, e não um fim em si mesmo. Os gueis não passam de um instrumento político. Como escreve Luís Campos e Cunha, trata-se de mais uma (porque já existiram outras) “tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

O ataque ao Colégio Militar por parte da Esquerda não é inédito. E este novo ataque ao Colégio Militar, e à própria instituição militar em geral, só é possível devido à geringonça no Poder que configura uma situação de pré-PREC: há que garantir que a tropa ande submissa e canina: não há nada pior, para o reviralho, do que uma tropa patriota.

Para o cidadão comum, é muito difícil perceber isto. Não entende que, para a Esquerda, os fins justificam todos os meios: vale tudo, até arrancar olhos. Têm uma visão estritamente maniqueísta do mundo e da História; a dialéctica hegeliana e marxista impõe a necessidade constante de se criarem inimigos internos e externos; o mundo é concebido como um perene campo de batalha política que destrói as sociedades — como ficou demonstrado bastamente durante o curto século XX.

O que me espanta é que gente dita “inteligente” (como o José Pacheco Pereira) tenha criticado Passos Coelho e agora apoie a geringonça. Se a crítica a Passos Coelho estava para além da ideologia [porque não estava em causa a austeridade em si mesma, mas a forma de austeridade], o apoio à geringonça é ideologia pura.

Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.

Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

Quarta-feira, 29 Janeiro 2014

Rui Tavares no Poder?! Antes o suicídio!

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:22 pm
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“Para memória, o cenário mau era um governo PS/PSD a partir de 2015, o cenário péssimo era uma nova vitória do actual governo e o cenário medonho era uma vitória por maioria relativa do PSD e do CDS seguida de um governo de coligação em que o PS fosse o parceiro menor. Como evitar nesta segunda crónica que o leitor desanime de vez? Esta é a questão.”

Voltar ao PREC [Processo Revolucionário em Curso]? Nem por cima do meu cadáver! Foram tempos medonhos onde imperava a “maioria silenciosa”. Quem não se lembra da “maioria silenciosa”? Quem não se lembra da grande manifestação silenciosa de centenas de milhares de pessoas na cidade do Porto em 1976? Também lá estive e ainda era um miúdo.

Entre o alegado cenário medonho de uma vitória por maioria relativa do PSD e do CDS seguida de um governo de coligação em que o PS fosse o parceiro menor; o alegado cenário péssimo de uma nova vitória do actual governo; o alegado cenário mau de um governo PS/PSD a partir de 2015pior ainda seria o cenário tenebroso de gente da laia do Rui Tavares no Poder em Portugal. Só nos faltava mais esta! Antes o suicídio!

Sábado, 15 Setembro 2012

Da borrada à borrasca, vai um pequeno passo da História

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Política,Portugal — O. Braga @ 3:04 pm
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Os políticos portugueses actuais, em geral, pensam que a História não se repete; pensam que “é só fumaça”, e que “o povo é sereno”. Mas há alguns, mais informados e lestos, que já se auto-exilaram, por exemplo, em Paris — enquanto outros se passeiam pela estranja, aproveitando o tempo da aparente bonança, e enquanto a História não se repete.

Terça-feira, 18 Agosto 2009

Preparem-se para um novo PREC

Filed under: Política — O. Braga @ 1:19 pm
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Temos que estar preparados para uma nova edição do Processo Revolucionário Em Curso (PREC), desta vez sem intervenção das Forças Armadas e centrado na guerra cultural. A blogosfera é, de certa forma, o reflexo do ambiente político partidário no País.

Sábado, 8 Agosto 2009

Ainda sobre o Dr. João Lobo Antunes e o Conselho de Ética

A esquerda tem uma aversão atávica à discussão filosófica, uma enraizada fobia ao diálogo e à Razão que lhe vem do marxismo.

«Os filósofos limitaram-se até agora a interpretar o mundo de diferentes modos; do que se trata é de o transformar.
(…)
O problema de saber se ao pensamento humano se pode atribuir uma verdade objectiva não é um problema prático. É na prática onde o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade,o poder, a terrenalidade do seu pensamento. A discussão em volta da realidade ou irrealidade do seu pensamento ― isolado da prática ― é um problema meramente escolástico.»

Karl Marx, “Os Manuscritos Económico-filosóficos”, tradução portuguesa de César Oliveira, Porto, 1971, pp. 165 – 168

É por demais evidente que deixou de existir um clima de compromisso na política nacional; podemos dizer que, a partir de agora, vale tudo.

Karl Marx nunca se questionou se o seu pensamento poderia estar “isolado da prática”. Por outro lado, Marx criticou ― e desprezou todos os filósofos ― toda a filosofia [pensamento humano] excepto a sua; a “transformação” que defende é segundo a sua filosofia que é a única correcta ― todo o pensamento de milhares de anos, segundo Marx, estava errado. A posição marxista é a favor da acção segundo uma determinada filosofia [a de Karl Marx] com desprezo total pela própria Razão Humana na medida em despreza qualquer outra teoria que não seja a sua. Tal como o islamismo, o marxismo é um princípio de ordem irracional: o que conta é unicamente a acção sem atender à Razão [“navegar é preciso, viver não é preciso”].

Com o decorrer do tempo, o marxismo transformou-se numa religião fideísta e irracional, através da qual o importante passa a ser não a revolução mas antes o processo revolucionário sem fim. Escreveu Boris Pasternak, em “Doutor Jivago”:

“As revoluções duram semanas, anos; depois, durante dezenas e centenas de anos, adora-se, como algo de sagrado, esse espírito de mediocridade que as suscitou.


O caso do afastamento do Dr. João Lobo Antunes do Conselho de Ética é preocupante porque significa que os compromissos assumidos pela esquerda são letra morta, o que pressupõe a predominância do radicalismo na política como nunca vimos em Portugal depois do PREC. Um radical nunca assume os seus compromissos.

Perante os argumentos do Dr. João Lobo Antunes sobre o “Testamento Vital”, o que faz a esquerda marxista cultural? Não respeita um compromisso assumido com o Presidente da República. É certo que o Presidente da República não é chamado a indicar qualquer nome para o Conselho de Ética ― embora, na minha opinião, devesse ter esse direito ―, mas existindo um compromisso de cavalheiros com o primeiro-ministro acerca do nome do Dr. João Lobo Antunes, a omissão da nomeação deste para o Conselho de Ética dá indicações da radicalização da política portuguesa.

Embora este caso seja importante porque se trata de uma lei que se pode transformar numa monstruosidade anti-ética, também são importantes os indícios da actuação política da esquerda. É por demais evidente que deixou de existir um clima de compromisso na política nacional; podemos dizer que, a partir de agora, vale tudo.

Quinta-feira, 25 Setembro 2008

Hoje, o PREC é neoliberal

Filed under: Portugal — O. Braga @ 7:45 pm
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As Forças Armadas engajadas no PREC

As Forças Armadas engajadas no PREC

Os jovens que votam hoje no Bloco de Esquerda não sabem o que é a Esquerda radical perto do Poder.

Logo a seguir ao PREC, a economia portuguesa estava de rastos. Era grande a quantidade de empresas privadas que tinham sido intervencionadas por comissões de trabalhadores ligadas ao PCP, à UDP e MRPP, ou simplesmente nacionalizadas. Não me lembro de então existir um Banco privado português.

Depois da euforia dos aumentos astronómicos de salários que se seguiu ao 25 de Abril de 1974, veio a inflação ― como a ressaca que chega depois de um chuto de droga. Lembro-me da inflação a 20 e tal porcento; a inflação comia os salários, os salários eram depois aumentados em percentagem superior à inflação, o que gerava cada vez mais inflação ― um pesadelo!

As Forças Armadas pareciam um bando de guerrilheiros sul-americanos. Portugal encontrava-se na altura em greves constantes, dia sim, dia sim; a produtividade nacional caiu a pique. O escudo desvalorizava-se constantemente, o ouro que o Salazar deixou ficar no Banco de Portugal era sistematicamente vendido para pagar obrigações económico- financeiras do País.

Os monumentos nacionais estavam pejados de grafítis; não escapava nada, desde a estátua do Marques de Pombal até ao edifício do parlamento nacional. As ruas de Lisboa e do Porto fediam nauseabundas de tanto lixo. Portugal parecia um país do quarto mundo.


A solução para actual crise não passa pelo PCP nem pelo Bloco de Esquerda, mas também já vimos que o Partido Socialista de José Sócrates não ajuda. Em 1978, eu era um jovem que acabava de ter direito a voto, e sabia bem em quem devia votar para livrar Portugal do PREC.
Porém, confesso que se eu fosse jovem hoje estaria muito mais vulnerável para cair na esparrela da demagogia radical de esquerda ― porque hoje é a Direita neoliberal que provoca a crise. Hoje, o PREC é neoliberal.

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