perspectivas

Quarta-feira, 5 Agosto 2015

Vamos colocar o fascismo ao contrário

 

Imaginemos este cenário:

  • O Partido Socialista faz uma coligação eleitoral com o Bloco de Esquerda.
  • Passos Coelho diz que não debate com Catarina Martins, mas apenas com António Costa.
  • Logo → segue-se que Passos Coelho é “fascista”.

Mas quando o fascista é Esquerda, não é fascista.

Domingo, 2 Agosto 2015

O submarino do CDS/PP, Adolfo Mesquita Nunes, volta a atacar

 

Eu não leio o Expresso (ou Espesso?), mas acredito no que está escrito aqui em relação à reforma da lei do aborto:

« Adolfo Mesquita Nunes no Expresso de hoje sobre as alterações à lei 16/2007: “Há uma redução do espaço de liberdade da mulher. Isso seria suficiente para eu votar contra.” e “a alteração não vem colmatar nenhuma falha na aplicação da lei.”. »

Adolfo Mesquita Nunes está a mais no CDS/PP, e só se tem mantido lá por influência de Paulo Portas. Talvez seja chegado o momento de ambos saírem do partido — como aliás defende, subliminar- e nomeadamente, José Ribeiro e Castro.

Dizer que “a alteração não vem colmatar nenhuma falha na aplicação da lei”, quando, por exemplo, na anterior versão da lei, o aborto dava direito automático a férias pagas — é próprio de alguém que se identifica com minorias exóticas mais próprias do Partido Socialista.

Adolfo Mesquita Nunes deve ser convidado a sair do CDS/PP. Se não for a bem, vai a mal.

Domingo, 1 Junho 2014

O Partido Social Democrata tende a ser o Bloco de Esquerda da direita

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 11:00 am
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Quando isto acabar, o Partido Social Democrata terá sido transformado em um partido radical, com uma votação próxima da do Bloco de Esquerda, ou coisa que o valha. E o CDS/PP tende a desaparecer como partido político.

PC-irs-TC

Como partidos radicais, esses dois partidos agarram-se a ódios de estimação — o ódio contra os funcionários públicos, por exemplo — e vão perdendo a noção do país real. Por exemplo, os chumbos recentes do Tribunal Constitucional significam cerca de 500 milhões de Euros!, mas a reacção desproporcionada e radical do Partido Social Democrata de Passos Coelho tem tudo a ver com ideologia política e pouco a ver com a prudência da política pragmática.

Esses 500 milhões de Euros são tratados por Passos Coelho como se não tivesse existido um buraco do BPN de cerca de 5.000 milhões de Euros (no mínimo!), ou como se as PPP (Parcerias Público-privadas) não fossem mais lesivas ao Estado e ao bolso dos contribuintes do que os chumbos do Tribunal Constitucional.

O problema é profundamente ideológico e revela a irracionalidade política de Passos Coelho: face a uma decisão do Tribunal Constitucional, Passos Coelho entende que essa decisão é puramente ideológica, arbitrária, discricionária e independente do texto da própria Constituição — ou seja, Passos Coelho pensa que o Tribunal Constitucional incorreu em um acto gratuito. E isto porque a própria concepção que Passos Coelho tem da política é a da possibilidade de um permanente acto gratuito por parte de quem detém o Poder: para Passos Coelho, ao alegado acto gratuito do Tribunal Constitucional responde-se com um outro qualquer acto gratuito do “quero, posso e mando”.

Em Portugal já não há lei nem Estado de Direito. E a coisa é simples: ou Cavaco Silva demite o governo, ou corre o risco de ir parar ao Brasil. Já não é possível respirar neste ambiente político; qualquer coisa de diferente será sempre melhor do que temos agora.

Domingo, 27 Abril 2014

A hipocrisia de Paulo Portas na defesa do aumento dos impostos sobre a cerveja e o tabaco

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 10:39 am
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passos-abortoPaulo Portas quer aumentar impostos sobre a cerveja e o tabaco. Mas não o ouvimos dizer claramente que o Estado gasta mais de 100 milhões de Euros por ano com o aborto gratuito.

Ou seja, parece que o aborto faz bem à saúde das mulheres. Chegamos ao absurdo de um parto em um hospital privado ser pago pela parturiente, mas se ela quiser fazer um aborto em um hospital privado, já é grátis.

Paulo Portas só teria legitimidade para defender aumentos de impostos quando defendesse simultaneamente o princípio segundo o qual o Estado não tem que pagar as cambalhotas irresponsáveis dos cidadãos!

Quarta-feira, 5 Março 2014

O Bloco de Esquerda da direita

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 1:01 pm
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Penso que o CDS/PP cometeu um erro em substituir, nas listas para a o parlamento europeu, Diogo Feio por uma mulher e só porque é mulher (a não ser que tenha sido o próprio Diogo Feio a não querer continuar no parlamento europeu, o que ele próprio não referiu publicamente).

Este CDS/PP alterou-se depois do último congresso (e depois das viagens de férias de Paulo Portas ao Dubai). Retirar Diogo Feio das listas só porque é homem, e colocar nas listas uma mulher qualquer e só porque é mulher, transforma o CDS/PP no Bloco de Esquerda da direita.

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Quinta-feira, 20 Fevereiro 2014

A hipocrisia do CDS/PP na questão da adopção de crianças por pares de invertidos

 

“O CDS-PP disse hoje respeitar a decisão do Tribunal Constitucional, que ‘chumbou’ a proposta de referendo sobre adopção e co-adopção por casais do mesmo sexo, e reiterou que “no actual contexto do país” não considera esta matéria prioritária.

“O CDS, como sempre, respeita as decisões do Tribunal Constitucional e mantém que no actual contexto de dificuldade do país a co-adopção não é uma prioridade“, referiu, numa declaração escrita enviada à Lusa, o porta-voz do CDS, Filipe Lobo d’ Ávila.

foi-cesarianaUma coisa que, alegadamente, não é prioritária, não significa necessariamente que não seja legítima. A prioridade de uma acção não condiciona necessariamente a sua putativa legitimidade. Ou seja, parece que, para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos não é prioritária, mas nada indica que não seja legítima. Para o CDS/PP, a adopção de crianças por pares de invertidos é uma questão de prioridade, e nada mais do que isso.

Eu sempre pensei que pelo facto de Paulo Portas ser homossexual, isso não influenciaria a linha política tradicional do CDS/PP. Enganei-me. Estamos sempre a aprender.

Até Bagão Félix alinhou pelo diapasão sodomita deste CDS/PP de Paulo Portas: segundo ele, “o Presidente da República fez muito bem” em pedir a fiscalização preventiva do documento, e agiu “como manda a Constituição”. Até porque, continuou, “não era uma questão de prioridade” visto que o referendo “tinha sido aprovado apenas por um partido”.

Porém, a vergonha deste CDS/PP é exposta pelo constitucionalista Jorge Miranda, que dá o exemplo daquilo que este CDS/PP invertido deveria dizer:

O constitucionalista Jorge Miranda disse esta quarta-feira não ver inconstitucionalidade na proposta de referendo sobre a Co-adopção e adopção de crianças por casais homossexuais, que aguarda decisão do Tribunal Constitucional. “Inconstitucional não é. A Constituição diz quais são as matérias que não podem ser objecto de referendo e essa matéria não está excluída”, disse Jorge Miranda em declarações à agência Lusa.

O professor reconhece que as perguntas que constam da proposta de consulta popular “são um pouco diferentes”, mas mesmo assim considera que é sempre “possível responder ‘sim’ a uma e ‘não’ a outra”. Sobre o facto de uma das perguntas propostas (sobre a adopção plena) não ter qualquer iniciativa legislativa associada, questão que várias vozes defendem poder suscitar dúvidas de constitucionalidade, Jorge Miranda sustentou que “não é necessário que tenha”.

Ressalvando que “tem acompanhado pouco a questão”, o professor da Faculdade de Direito de Lisboa, adiantou que resta aguardar pela decisão do Tribunal Constitucional. A proposta de referendo sobre esta matéria foi enviada pelo Presidente da República, Cavaco Silva, ao Tribunal Constitucional, que se encontra a avaliar a constitucionalidade das duas perguntas contidas na proposta, uma sobre a Co-adopção e outra sobre a adopção plena de crianças por parte de casais do mesmo sexo. A proposta de referendo, apresentada pelo PSD, foi aprovada no Parlamento, com a abstenção do CDS-PP e os votos contra de PS, PCP, BE e PEV, há três semanas.”

Ainda hei-de ver este CDS/PP reduzido ao “partido da bicicleta”. Enganou meio mundo mas não engana o mundo inteiro.

Quinta-feira, 16 Janeiro 2014

Prevaleceram as férias no Dubai de Paulo Portas e Adolfo Mesquita Nunes

 

«A bancada parlamentar do CDS “não inviabilizará” a proposta do PSD de referendo sobre a co-adopção e adopção por parte de casais do mesmo sexo, anunciou Filipe Lobo D´Ávila, porta-voz do partido, durante o debate parlamentar, o que torna difícil a aprovação da iniciativa.»

Bancada do CDS abstém-se na proposta de referendo sobre co-adopção por casais homossexuais

Quarta-feira, 4 Dezembro 2013

Um exemplo da falácia do espantalho

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 8:36 am
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Passos Coelho: “ A Troika pretende cortar nas despesas do Estado em 5 mil milhões de euros”.

Paulo Portas: “E o que é que vamos fazer?!”

Passos Coelho: “Eu acho que devemos cortar nas despesas com a saúde e a educação”.

Portas: “Mas poderíamos cortar nas despesas com as PPP (Parcerias Público-privadas), nos monopólios da energia, no aborto grátis, e nas despesas de funcionamento do governo…”

Passos Coelho: “Meu caro Paulo Portas!: não percebo por que razão queres levar este país à falência!”

(ver falácia do espantalho)

Domingo, 1 Dezembro 2013

Um Estado que não comemora a sua independência, é um Estado bastardo!

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 5:30 pm
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estado bastardo

Sábado, 30 Novembro 2013

Governo de Passos Coelho amplia o prazo do aborto para as 11 semanas

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 1:05 pm
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Em 2007 realizou-se um referendo sobre o aborto sob proposta do Bloco de Esquerda e do Partido Socialista de José Sócrates, referendo esse que não foi vinculativo porque mais de 50% dos portugueses recusaram-se a participar nele. Mas esse referendo mencionava o prazo de dez semanas de gravidez como limite máximo para o aborto.

O governo de Passos Coelho alterou não só a lei mas também os pressupostos do referendo, aumentando o prazo de abortar para as 11 semanas:

Ordem dos Médicos diz que cálculo da Direcção Geral de Saúde sobre idade gestacional para aborto é ilegal

«A Ordem dos Médicos considera que o cálculo da idade gestacional para a Interrupção da Gravidez (IG) que consta de uma norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) é “incorrecto” e “ilegal” e defende que seja alterado.

Em causa está uma norma da DGS, de Janeiro deste ano, sobre a IG e que recorda, entre outros critérios, a definição do tempo de gestação até ao qual esta prática é permitida por lei.

Em relação à possibilidade legal da IG, por opção da mulher, esta é realizada “nas primeiras dez semanas de gravidez”, lê-se na norma.»

De Passos Coelho é de esperar tudo: e quando digo tudo, é tudo sem excepção. Mas Paulo Portas foi a maior decepção deste governo em matéria de ética: numa altura em que se corta nas pensões dos reformados mais pobres, o aborto a pedido discricionário da mulher continua a ser grátis nos hospitais públicos e com uma despesa para o Estado de cerca de 100 milhões de Euros por ano.

Domingo, 24 Novembro 2013

O silêncio popular é de anuência, mas a anuência não é em relação ao governo

 

O que mais me assusta neste governo é a arrogância e a demonstração de uma certa pesporrência em relação ao povo.

Quando membros do governo e dos partidos políticos da coligação vêm a terreiro dizer que os polícias — que se manifestavam em frente do parlamento — fizeram mal em avançar para além das barreiras de segurança, o que eles dizem é o óbvio; e por isso, é patético que venham dizer o óbvio. Mas a razão por que vêm dizer o óbvio é porque sabem que, por estes tempos, o óbvio não é tanto como parece ser, e são os próprios membros do governo que dão o exemplo transformando o que seria óbvio em absurdo.

policias arA verdade é que grande parte do povo, se não mesmo a maioria, não discorda (pelo menos de forma veemente) daquele avanço dos polícias à paisana sobre as barreiras da assembleia da república. Em vez de criticar aqueles polícias, grande parte do povo prefere o silêncio que anui. E portanto, de nada vale ao Paulo Portas vir criticar Mário Soares acusando-o de “legitimar a violência”, como se a opinião pública não fosse maioritariamente composta por um conjunto de indivíduos idóneos que não depende da opinião dos membros do governo. Cada vez mais, a opinião pública está divorciada da opinião do governo.

O governo está convencido de que pode transformar o silêncio do povo em uma forma de expressão de um síndroma de Estocolmo em que o povo é a vítima e o governo o agressor. Que o governo não se engane! O estado de coisas pode mudar tão repentinamente como muda um pequeno incêndio em um dia ventoso de Verão: basta, por exemplo, que o discurso da Esquerda se desloque do actual eixo ideológico marxista para se concentrar exclusivamente em um discurso pragmático que demonstre aos portugueses que “perdidos por um, perdidos por mil”.

De forma inconsciente, o povo sabe que, na política, as acções são passíveis de retroactividade — podem conduzir a situações que resultam em uma retroacção da realidade social e política. Mas se a retroactividade existe em política, a acção deste governo também incorre no mesmo risco de retroacção, e isso pode acontecer quando se chega a um ponto tal em que o povo aceita (como a colmeia “sente”, ou seja, de forma inconsciente) correr o risco de uma qualquer retroacção só para que o estado de coisas actual não se mantenha.

O que mais me assusta neste governo é a arrogância e a demonstração de uma certa pesporrência em relação ao povo; e por isso é que a acção de Mário Soares e de José Pacheco Pereira, entre outros, serve de válvula de escape: em vez de Paulo Portas criticar Mário Soares, deveria estar calado, porque o velho socialista está-lhe a prestar um serviço.

 

Segunda-feira, 18 Novembro 2013

O discurso de José Pacheco Pereira em relação a Paulo Portas é de ataque pessoal

Filed under: Política — O. Braga @ 9:00 am
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Quando o José Pacheco Pereira entra no ataque ad Hominem acaba por incorrer numa série de falácias lógicas que fundamentam o seu populismo que ele próprio critica nos outros.

Quando criticamos um político, criticamos a sua obra (o resultado da sua acção), e não a sua putativa intencionalidade. Criticar a intenção de alguém é uma tentativa de transformar os critérios de uma determinada subjectividade em lei universal.

O problema da crítica de José Pacheco Pereira a Paulo Portas é o de que se fundamenta em um critério formal; e a forma utilizada está errada porque ele parte de um ataque pessoal — que ainda por cima é um ad Hominem subjectivo, porque o chorrilho de críticas não pode ser demonstrado objectivamente. E mesmo as críticas que possamos considerar objectivas de José Pacheco Pereira a Paulo Portas, acabam por ser autocríticas do próprio José Pacheco Pereira: “Para o político, o que conta é a eficácia e não aquilo em que ele acredita” (Nicolás Gómez Dávila). Esta máxima aplica-se a Paulo Portas e ao José Pacheco Pereira, a não ser que este negue o seu estatuto de político, o que seria uma incoerência.

Quando criticamos, por exemplo, Passos Coelho, criticamos aquilo que ele diz (objectivamente, depois de o termos ouvido) e o que ele faz (a sua acção). Seria irracional que criticássemos Passos Coelho pela ideia que nós (subjectivamente) temos das putativas intenções dele. E a irracionalidade de José Pacheco Pereira consiste em fazer exactamente o contrário: a crítica dele a Paulo Portas é baseada na sua (do José Pacheco Pereira) subjectividade (vulgo “má-língua”), quando ele poderia concentrar as críticas nos aspectos objectivos da acção de Paulo Portas.

Quando José Pacheco Pereira critica as mudanças de posição políticas (e, eventualmente, de opinião) de Paulo Portas ao longo do tempo, está também a fazer uma autocrítica: se há alguém, na política portuguesa, que não fez outra coisa senão mudar de posição e de opinião ao longo do tempo, foi o próprio José Pacheco Pereira.

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