perspectivas

Segunda-feira, 2 Março 2015

A eficácia política da ministra da justiça Paula Cruz

 

Assim como o sistema político democrático privatiza os lucros da Banca e socializa os seus prejuízos, assim privatiza os comportamentos individuais e socializa as suas consequências.

Em nome da “autonomia individual” vão-se legitimando aberrações comportamentais que se impregnam na cultura antropológica através do Direito Positivo, e cujas consequências terão que ser socializadas.

paula-teixeira-da-cruzPor exemplo, a ministra da justiça do Partido Social Democrata defendeu (em discurso directo nos me®dia) a legalização do comércio e consumo de drogas — em absoluta sintonia com o Bloco de Esquerda, diga-se. Por isso é que já não faz grande sentido falar em Esquerda e Direita, mas antes em um “sistema político”, em que gente com um arquétipo mental semelhante, apenas luta pelos privilégios do Poder.

Reduz-se quase tudo a uma questão de Poder. Ou, como escreveu Nicolás Gómez Dávila, “o político democrático nunca diz aquilo em que acredita, mas antes diz aquilo que julga ser eficaz”.

A eficácia do político democrático é sempre a de socializar as consequências dos comportamentos individuais aberrantes tornados legítimos através do Direito  — por exemplo, a transformação da sodomia em casamento: quando os índices de propagação da SIDA (e de outras “doenças anais”) continuam a aumentar, legaliza-se o “casamento” sodomita ao mesmo tempo que se socializa as suas consequências através da sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde.

Segunda-feira, 13 Outubro 2014

José Pacheco Pereira e a pedofilia

 

“Escrevi pedofilia entre aspas porque a palavra é das mais ambíguas que por aí correm, mais sujeita a simplificações, deturpações e ignorâncias. Estamos perante realidades muito diferentes entre si, umas de claro carácter patológico, outras da ordem das perversões sexuais, outras criminosas, e outras dependentes de factores sociais e culturais. Outras ainda, indevidamente classificadas na pedofilia, que na percepção popular inclui o abuso de menores, como se fosse a mesma coisa.

José Pacheco Pereira

Uma coisa que eu desprezo no José Pacheco Pereira é uma certa tendência para um gongorismo intelectual — não o tradicional gongorismo da escrita académica, mas uma tendência para complicar o que, muitas vezes, é simples. O discurso do José Pacheco Pereira é anticientífico: o princípio da navalha de Ockham não se lhe aplica.

¿As “perversões sexuais” não são de “carácter patológico”?! Mas do que é que José Pacheco Pereira está a falar?!

Ou seja, segundo o José Pacheco Pereira, há “perversões sexuais” que não têm “carácter patológico”. Desde logo teríamos que ter a noção de “perversão sexual”; mas, pelo visto, para o José Pacheco Pereira há pedófilos que não são “sexualmente pervertidos”, ou não têm qualquer “patologia”.

Fico pior que estragado com este tipo de raciocínio!


Eu também sou contra a lei da base de dados dos pedófilos da ministra Paula Teixeira da Cruz.

Por dois motivos: em primeiro lugar, não gosto dela (da ministra); olhar para ela, na televisão, causa-me imediatamente um transtorno emocional negativo. Tresanda a feminista burra (tal como a Teresa Leal Coelho).

É claro que isto não é um argumento objectivo, mas também tenho direito à minha subjectividade (tal como o José Pacheco Pereira acha subjectivamente que uma perversão sexual não é necessariamente uma patologia).

Em segundo lugar, a lei é perigosa, porque quebra princípios fundamentais que orientam o estatuto ontológico da pessoa — e não só do cidadão. Hoje, a classe política tem imensa dificuldade em distinguir a pessoa, do cidadão. Por exemplo, vemos como David Cameron prepara uma lei que restringe a liberdade de expressão em nome do combate ao terrorismo: o princípio é o mesmo: o de uma classe política constituída por “gente menor” (como dizia o saudoso José Hermano Saraiva).

Quinta-feira, 30 Janeiro 2014

Paula Teixeira da Cruz é (mesmo!) ministra da Justiça?

 

O “direito” de um adulto à adopção é “um direito de liberdade e garantia”? E é “isto” ministra da Justiça?! Valha-nos Deus! Estamos entregues à bicharada!

Desde quando um qualquer adulto tem “direito” a adoptar uma criança? Será que o “direito” a adopção advém apenas do facto de os adultos terem dinheiro ou bastos rendimentos? Será que um adulto qualquer, apenas porque é rico, tem automaticamente “direito” a adoptar?

Adoptar uma criança é um “direito” do adulto?! Será que aquela avantesma sabe o que é um “direito”? Será que ela pensa, por exemplo e com Edite Estrela, que o aborto é um “direito humano”?

Em uma democracia real e plena, com eleição dos deputados através de círculos uninominais, Paula Teixeira da Cruz provavelmente não existiria senão na casa dela. Ela faz parte de uma casta de burocratas dos partidos políticos, gente sem pensamento crítico. Marinho Pinto tinha razão acerca desta criatura.

¿Onde é que a Constituição impede a realização deste referendo? Alguém que me diga qual o artigo da Constituição que seja obstáculo ao referendo acerca da adopção de crianças por pares de invertidos. E não me venham com interpretações subjectivas.

O que nós podemos constatar, preto no branco e sem qualquer dúvida, é que os opositores do referendo defendem claramente os “direitos” dos adultos em detrimento dos direitos da criança. Ora, isto vindo de uma ministra da Justiça, revela o estado decrépito da nossa democracia. Se o Tribunal Constitucional agir politicamente, não resistindo às pressões da classe política, qualquer tentativa golpe-de-estado torna-se legítima em Portugal.


Karl Popper — que como toda a gente sabe, foi um liberal — fez a distinção entre “relativismo” (o da Paula Teixeira da Cruz, por exemplo), por um lado, e “pluralismo crítico”, por outro lado.

«O relativismo é uma posição segundo a qual se pode afirmar tudo, ou quase tudo, e por conseguinte, nada. Tudo é verdadeiro, ou nada é. A verdade é, pois, destituída de sentido.

O pluralismo crítico representa uma posição de acordo com a qual, no interesse da busca da verdade, cada teoria — e quanto mais teorias, tanto melhor — deve ser posta em plano de concorrência com as demais. Esta concorrência consiste na discussão racional das diversas teorias e na sua eliminação crítica. A discussão é racional: isto significa que o que está em causa é a verdade das teorias concorrentes. Aquela teoria, que na discussão crítica, parecer aproximar-se mais da verdade, é a melhor: e a melhor teoria prevalece sobre as teorias menos boas. O mesmo se passa com a verdade.»

Karl Popper tem razão, apenas com um senão: em uma sociedade onde o relativismo se entranhou na cultura das elites, já não é possível a existência do pluralismo crítico. Em uma sociedade onde as elites são relativistas, já não existe verdade — e por isso é que se torna legítima qualquer tentativa de golpe-de-estado.

Segunda-feira, 14 Junho 2010

Afinal, a terra é redonda

Hoje ouvi na antena 1 da RDP, a Paula Teixeira da Cruz (P.S.D.) dizer que “o povo português vai continuar a perder poder de compra nos próximos 10 anos” (sic). Bem sei que a senhora não representa o Partido Social Democrata, mas falta saber até que ponto — e a julgar pela acção política de Passos Coelho — esta não será a opinião, assumida consciente ou inconscientemente, pela generalidade da nomenclatura política social-democrata.

Eu penso que a opinião de Paula Teixeira da Cruz reflecte um consenso a nível dos dirigentes do Partido Social Democrata. Existe uma resignação, um “fado” português, um destino a que não podemos escapar. E esse destino inexorável, e esse futuro a que não podemos escapar e que nos castra a vontade, esse fado é o Euro.

Paula Teixeira da Cruz conclui — implicitamente, porque não o disse — que “o povo português vai continuar a perder poder de compra nos próximos 10 anos” porque estamos no Euro. Colocar em questão a causa da malapata, ou seja, o Euro, é tabu (neste caso, não se trata de um sistema religioso de Mana / Tabu, mas de um sistema de maná, para alguns, e tabu para todos).

Há três caminhos para Portugal:

  1. Manter-se no Euro mantendo o nível de endividamento actual — impossível porque insustentável;
  2. Mantendo-se no Euro empobrecendo alegremente, como defende Paula Teixeira da Cruz— com aumento de impostos sucessivos, falências de empresas, aumento do desemprego, diminuição de salários reais — em nome do tabu economicista que serve de maná à elite política e burocrata que se apoia em Bruxelas, e na construção do leviatão.
  3. Sairmos do Euro — mantendo-nos na União Europeia e em Schengen, como a Dinamarca ou a Inglaterra — e acreditarmos em nós próprios e dependermos muito mais da nossa vontade, para o bem e para o mal.

Por mais que os políticos digam que “há outras alternativas”, não as há. Só existem estas três, que na prática são reduzidas a duas porque a primeira é impraticável (a Alemanha não deixa).

Crescimentos de 1 ou 2 porcento serão sempre absorvidos pela inflação e pela actual progressiva clivagem social a nível de rendimentos.

Quando os políticos portugueses — como Mário Soares, Ramalho Eanes, Cavaco Silva, etc. — se mostram “desapontados” com os políticos europeus do directório, revelam que afinal a integração de Portugal no Euro foi mesmo parte de uma utopia — os políticos portugueses não tinham previsto uma saída para o problema do falhanço da utopia, porque a utopia nunca permite um falhanço na medida em que é assumido que o futuro utópico é absolutamente certo.

E assim ficamos, agarrados ao fado (talvez por isso eu não goste de fado), à espera de um qualquer D. Sebastião que apareça em uma manhã de nevoeiro — ou seja, à espera que alguma pequena mas garbosa nação europeia, determinada na sua acção, tome resolutamente a iniciativa de afirmar que, afinal, a terra é redonda.

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