perspectivas

Quinta-feira, 10 Maio 2012

A ciência que “salva as aparências” [6]

Um artigo do filósofo Roger Scruton

“There are many reasons for believing the brain is the seat of consciousness. Damage to the brain disrupts our mental processes; specific parts of the brain seem connected to specific mental capacities; and the nervous system, to which we owe movement, perception, sensation and bodily awareness, is a tangled mass of pathways, all of which end in the brain. This much was obvious to Hippocrates.

Even Descartes, who believed in a radical divide between soul and body, acknowledged the special role of the brain in tying them together.

The discovery of brain imaging techniques has given rise to the belief that we can look at people’s thoughts and feelings, and see how “information” is “processed” in the head. The brain is seen as a computer, “hardwired” by evolution to deal with the long vanished problems of our hunter-gatherer ancestors, and operating in ways that are more transparent to the person with the scanner than to the person being scanned.

Our own way of understanding ourselves must therefore be replaced by neuroscience, which rejects the whole enterprise of a specifically “humane” understanding of the human condition.

In 1986, Patricia Churchland published Neurophilosophy, arguing that the questions that had been discussed to no effect by philosophers over many centuries would be solved once they were rephrased as questions of neuroscience. This was the first major outbreak of a new academic disease, which one might call “neuroenvy.”
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Segunda-feira, 7 Julho 2008

Evolucionismo versus naturalismo

É interessante o contemporâneo argumento do “evolucionismo contra o naturalismo” (ou ateísmo), defendido pelo filósofo Alvin Plantinga. Digo “ou” porque o naturalismo e ateísmo não são exactamente a mesma coisa. O naturalismo é o ateísmo “mais alguma coisa”; o naturalista acredita numa articulação directa da vida moral com a vida biológica, no apelo ao instinto e à moral sem obrigação nem caução, ao passo que o ateu não acredita na existência de Deus mas acredita que a ética distingue o humano dos outros animais. O naturalista prefere as “ciências naturais” à matemática porque a capacidade dedutiva da matemática contraria, de certa forma, a filosofia básica do naturalismo.

…a conjugação
entre evolucionismo e o naturalismo
é absurda e irracional…

O naturalismo é um monismo religioso, em que o sagrado é a Natureza como única origem da existência. Para o naturalismo, não só não existe o Deus pessoal, como não existe nada parecido com Deus (transcendência). Pode-se ser um ateu sem ser um naturalista, mas não se pode ser um naturalista sem ser ateu.

O argumento do “evolucionismo contra o naturalismo” defende a ideia de que existe um conflito entre o evolucionismo e o naturalismo.
Normalmente tem-se a noção de que o naturalismo e o evolucionismo se apoiam mutuamente, sendo que o evolucionismo constitui uma das bases de argumentação do naturalismo. O argumento do “evolucionismo contra o naturalismo” recusa esta ideia.

Entre os naturalistas mais conhecidos, estão nomes como Carl Sagan e Stephen Jay Gould, os filósofos David Malet Armstrong, Bertrand Russell, Gilles Deleuze, Michel Foucault; Peter Atkinson, o zoólogo Richard Dawkins, Daniel Dennett, etc., e sem dúvida Charles Darwin. Contudo, é importante notar que não existe uma ligação entre a ciência propriamente dita e o naturalismo, apesar dos nomes sonantes que lemos acima ― exactamente porque o naturalismo é um monismo religioso.

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