perspectivas

Sábado, 30 Março 2013

Um exemplo de humanismo pagão politicamente correcto

“Educado por uma tribo de padres e ateus ecuménicos, capazes de se porem de acordo sobre princípios éticos que jamais precisaram de adjectivar, nunca vi a Fé ou a sua ausência como fronteiras entre as pessoas. Filho de Deus e do Homem ou apenas do segundo, lembramos hoje a morte de alguém que nos disse para amar o Outro como a nós mesmos.

E alguns responderão que ultrapassaram a meta estabelecida – amaram filhos, netos, pais, avós, amigos ou amantes mais do que a si mesmos. Não o nego. A minha profissão é escutar, certas histórias de vida desconhecem palavras como egoísmo, ressentimento, vingança, sobranceria. Mas como Humanidade, herdeira no seu todo de tão magnífico sonho, esquivo por alheio à nossa natureza, em que as sombras pedem meças à luz, não estivemos à altura de tão grande Paixão.

Bom seria que não nos refugiássemos na auto-piedade estática do remorso ou na indiferença cómoda de quem não acredita. Olhemos em volta. Para tentar mudar um cisco deste mundo, mecanicamente selvagem mas com donos de carne e osso, que tritura os mais fracos para “os proteger”, não é preciso acreditar em Deus – basta crer que ainda somos capazes da mais elementar decência solidária.”Boa Páscoa, gente.

O humanismo — para muitos idiotas do Renascimento, do Iluminismo e actuais — é o retorno acrítico aos templos clássicos e à cultura grega, mesmo sabendo que Aristóteles defendeu abertamente o infanticídio (o assassínio de crianças já nascidas). O humanismo — no sentido adoptado por esses idiotas que pensam uma moral sem Deus —, para além de ser um anacronismo, é um retorno à barbárie. O humanismo pagão é sinónimo de barbárie.

O curandeiro gayzista da RDP

O curandeiro gayzista da RDP

De Aristóteles e dos seus contemporâneos devemos retirar aquilo que é bom e positivo — e foi isso que a Igreja Católica fez durante a Idade Média e com a Escolástica —, mas os idiotas pensam que humanismo é a transcrição literal para actualidade dos fundamentos de uma cultura de uma sociedade de deuses antropomórficos. Julgam, esses idiotas, que sem o Deus da Bíblia é possível a aceitação social — anterior aos princípio do interesse próprio — dos valores fundamentais de uma ética que devem ser, por definição, universais (o que não significa que sejam unânimes), intemporais, racionalmente fundamentos e facilmente distinguíveis nos seus aspectos fundamentais.

O teórico ateu americano J. L. Mackie defendeu a ideia segundo a qual a validade de uma moral universal (uma moral para toda a sociedade) deveria idealmente impor-se através da hipótese da existência de um Deus que, dispondo do conhecimento sobre a hierarquia de valores que o ser humano não tem, pudesse ajudar o ser humano a distinguir a hierarquia dos valores e assim adoptar um modo de vida “mais útil” para si próprio. Segundo o ateu Mackie, Deus não seria nenhum tirano que exigisse do ser humano comportamentos absurdos, mas apenas exigiria deste apenas o que seria efectivamente melhor para ele. Mackie estava, de facto, preocupado com a restrição racional do princípio do interesse próprio, mas como ele não acreditava em Deus, e apesar da sua razoabilidade, colocou a sua teoria de parte.

Quando um burro carregado de livros e munido de um alvará de inteligência não consegue perceber o autêntico milagre que é a própria existência da Natureza e do universo (o Ser), não há “decência solidária” que o valha. E o mais grave é que consegue enganar outros idiotas como ele.

Quinta-feira, 28 Março 2013

Os inimigos da cruz de Cristo

Filed under: Religare — O. Braga @ 12:52 pm
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“É que muitos — de quem várias vezes vos falei e agora até falo a chorar — são, no seu procedimento, inimigos da cruz de Cristo: o seu fim é a perdição, o seu deus é o ventre, e gloriam-se da sua vergonha — esses que estão presos às coisas da terra.” — Carta aos Filipenses — 3, 18-19

O retorno à ignorância e à cultura bárbara na Europa

Filed under: cultura,Europa — O. Braga @ 12:30 pm
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Segundo uma sondagem realizada em Inglaterra, 80% das crianças não sabe o verdadeiro significado da Páscoa, e ¼ delas pensa que talvez a Páscoa esteja ligada ao nascimento do coelho, enquanto outros 25% das crianças pensa que a Páscoa celebra a invenção do chocolate.

O problema, neste caso, não tem nada a ver com uma educação laica, mas simplesmente com falta de educação e retorno à barbárie. Uma educação laica, se fosse boa, não deixaria de ensinar às crianças por que razão existe a Páscoa, independentemente do ensino da religião.

Domingo, 24 Abril 2011

A mensagem do ciclo pascal

Filed under: Religare — O. Braga @ 8:17 am
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A mensagem pascal cristã é a da negação da morte física como sendo a extinção da consciência; é a afirmação segundo a qual o princípio da individuação tomista (principium individuationis) se afirma para além da morte corporal; é a anuência em relação à estrutura transcendente da realidade.

A Páscoa é também um momento de renovação cíclica das nossas vidas.

Pela altura da Páscoa, a minha mãe fazia a limpeza geral e a fundo da casa, em que tudo era revirado de alto a baixo, as roupas todas lavadas e coradas, as pratas polidas, as vidraças reluziam, os cortinados cheiravam a novo, e a partir do Sábado de Aleluia parecia que uma renovada alegria invadia aquela casa, todos os anos novinha em folha à espera do Padre e do compasso pascal de Domingo.

Quarta-feira, 31 Março 2010

O problema da opinião

O postal anterior sobre a Ressurreição de Jesus levantou alguma controvérsia na medida em que o próprio postal menciona factos ― por exemplo, o facto de não ter havido nenhuma testemunha ocular da ressurreição. Contudo, e perante uma verdade de facto, as opiniões são quase sempre contra ela. Por exemplo, outra verdade de facto é a de que depois da crucificação de Jesus, os seus discípulos galvanizaram-se e transfiguraram-se ― e aqui já existem testemunhas oculares da ocorrência ― depois de Jesus Cristo lhes ter aparecido em espírito.

Platão dizia que aquele que diz a verdade corre um risco de ser assassinado. Naturalmente que a verdade de Platão era a verdade da razão. Porém, com o modernismo e com a mentira organizada pela política (que não existia antes da idade moderna), o problema agudizou-se na medida em que passam a correr risco de vida (metaforicamente ou não) mesmo aqueles que se limitam à verdade dos factos.

A verdade da razão tem a ver com a ciência e com a filosofia. A verdade dos factos tem a ver com os acontecimentos em que há testemunhas oculares que se constituem como fontes primárias. Perante a verdade da razão, uma mentira é, segundo a ciência, resultado de ignorância ou erro, ou é ilusão ou opinião em filosofia. Portanto, a palavra “opinião” tem uma conotação pejorativa; tradicionalmente, quem tinha uma mera opinião (doxa) que por natureza não era fundamentada, ou era ignorante ou alienado.
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Segunda-feira, 29 Março 2010

Jesus ressuscitou

Ainda hoje ninguém sabe ao certo o que se passou no dia 13 de Outubro de 1917, nas cercanias da Cova da Iria, em Fátima. Milhares de pessoas dizem ter visto, por volta do meio-dia, “o sol dançar”. E as pessoas, hoje, perguntam: será que “o sol dançou” mesmo? Podemos responder: não sabemos ou não podemos afirmar com toda a certeza, porque não estivemos lá nesse dia para testemunhar a experiência daquelas milhares de pessoas que se reuniram naquele local pela fé comum (fé comum = experiência intersubjectiva).

Porém, temos que partir do princípio de que uma idêntica experiência vivida comummente por milhares de pessoas, a maior parte delas estranhas umas às outras, não se pode considerar como uma falsidade ou uma ilusão, porque se o considerássemos assim estaríamos à partida a considerar a nossa própria experiência subjectiva de vida como uma ilusão ― estaríamos a negar a nossa própria experiência subjectiva. Seria estúpido dizer-se que o que se passou naquele dia em Fátima não aconteceu de facto; o que podemos dizer é que a experiência intersubjectiva daquelas pessoas não foi compartilhada por outras pessoas, nomeadamente por nós.
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