perspectivas

Quinta-feira, 10 Outubro 2019

Rousseau passou a vida a plagiar conceitos

Filed under: Ciência,filosofia,Rousseau,Santo Agostinho — O. Braga @ 8:34 pm
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Vemos aqui um texto que nos demonstra como o Jean-Jacques Rousseau foi o precursor da Teoria Crítica — a arte retórica niilista de colocar em dúvida a própria dúvida: e é só nisto que Rousseau é original, porque a crítica que Rousseau faz aos filósofos é literalmente copiada de Pascal [por exemplo, quando Blaise Pascal afirma que a filosofia conhece “280 bens supremos” de modo que cada filósofo teria a sua própria moral].

Ainda no referido texto, Rousseau [a negação romântica da ciência, como acontece hoje, por exemplo, com o Bloco de Esquerda e com uma certa parte do Partido Socialista] refere-se à dúvida sistemática de Descartes, criticando-a:

“Estava naquele estado de espírito de incerteza e de dúvida que Descartes exige para a procura da verdade. Este estado não é feito para durar, é inquietante e penoso; deixa-nos apenas o interesse do vício e a preguiça na alma. Não tinha o coração tão corrompido para aí me comprazer; e nada preserva melhor o hábito de reflectir que estar mais satisfeito consigo do que com o seu destino”.

Mas assim como Rousseau copiou Pascal, assim Descartes copiou Santo Agostinho que antecipou, no século IV, a famosa ideia de Descartes do século XVII: “cogito, ergo sum”:

“¿Quem quereria duvidar de que vive, se lembra, compreende, pensa, sabe ou julga? É que, mesmo quando se duvida, compreende-se que se duvida… portanto, se alguém duvida de tudo o resto, não deve ser dúvidas acerca disto. Se não existisse o Eu, não poderia duvidar absolutamente de nada. Por conseguinte, a dúvida prova por si própria a verdade: eu existo se duvido. Porque a dúvida só é possível se eu existo”.

→ “Cidade de Deus” (Santo Agostinho)

A professora Helena Serrão chapou o referido texto de Rousseau sem quaisquer comentários (“quem cala, consente”, diz o povo) — um texto da respigado da obra de Rousseau “L’Émile ou de l’éducation”, obra essa que fez [talvez] com que Rousseau enviasse os seus cinco filhos para um orfanato para não ter a preocupação e a trabalheira de os educar.


“Quando vemos ambos que aquilo que dizes é verdadeiro — ¿onde é que o vemos?, pergunto-te. Decerto não é em ti que o vejo, não é em mim que o vês. Vemo-lo ambos na imutável Verdade, que se encontra acima das nossas inteligências.”

→ Santo Agostinho, Confissões, XII, XXIV, 35

Quinta-feira, 25 Agosto 2011

Pascal, os moralistas franceses, e o amor-próprio de “comodidade”, e de “vaidade” (2)

Uma feminista, se for coerente, e na medida em que é a favor do aborto livre, não pode revoltar-se ou ir contra a selecção do sexo masculino por via do aborto, que é um fenómeno comum a vários países asiáticos, incluindo a Índia e principalmente a China. Vemos aqui uma das muitas contradições intrínsecas ao feminismo: sendo radicalmente a favor daquilo a que chamam “direitos das mulheres”, seria incoerente que fossem contra o aborto em série de fetos do sexo feminino.
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Quarta-feira, 30 Março 2011

O erro de Espinoza (2)

Espinoza foi um homem que viveu e morreu sem grandeza porque não conseguiu ser diferente de uma árvore — não conseguiu vislumbrar a sua condição de miserável.

Quando Stephen Hawking, no seu último livro, afirmou que a causa do universo era o próprio universo, nada mais fez do que seguir, grosso modo, a metafísica de Espinoza. A diferença essencial é a de que Stephen Hawking baseia-se no conceito de Multiverso para justificar a infinitude material do espaço-tempo, enquanto que Espinoza concebia o universo como infinito porque não tinha os meios científicos suficientes para saber que, afinal, o universo teve um princípio e que, por isso, é finito.
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Segunda-feira, 1 Setembro 2008

Blaise Pascal

Filed under: filosofia,Religare — O. Braga @ 10:23 am
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Neste comentário faz-se referência a Blaise Pascal. Tenho-o esquecido neste blogue e vou falar dele ― das coisas boas e menos boas.

Existe uma diferença entre “fatalismo” e “determinismo”. O determinismo implica a ideia de que a natureza retira, por si e através da sua lógica endógena de criação e destruição, a liberdade ao ser humano; o determinismo está ligado à ideia de um monismo naturalista e cientificista (o caos que gera a vida e que a destrói), ou à ideia de um panteísmo (Espinosa; Deus que coincide com a natureza).
O fatalismo (fado) liga-se à ideia da existência de uma “Providência” divina que tudo controla, e que é o próprio Deus-providência que nos retira a liberdade (Jansenismo).
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