perspectivas

Quarta-feira, 20 Julho 2016

O anti-utilitarismo do Partido Comunista

 

O Partido Comunista votou contra a lei das "barrigas de aluguer", na esteira de Karl Marx que dizia que “o utilitarismo é moral de merceeiro inglês”.

bentham

Quinta-feira, 19 Maio 2016

A malandragem dos malandros da geringonça

 

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Domingo, 17 Abril 2016

Com António Costa e a geringonça, estamos perante um pré-PREC

Filed under: Política — O. Braga @ 11:41 am
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Quando Paulo Portas e Assunção Cristas afirmaram que o voto útil já não faz sentido depois da geringonça, expressaram talvez um desejo mas não uma constatação de facto. Mesmo que a Esquerda fosse, toda ela, moderada, o voto útil fará sempre sentido. A votação anormal no BE nada mais é do que voto útil.

“(…) o que está em causa é uma tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

Ex-alunos do Colégio Militar são sempre gente com outra postura perante o dever e a sociedade

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O que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista pretendem não é impôr a agenda LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros] no Colégio Militar; a agenda LGBT é um meio, e não um fim em si mesmo. Os gueis não passam de um instrumento político. Como escreve Luís Campos e Cunha, trata-se de mais uma (porque já existiram outras) “tentativa de fazer desaparecer uma das instituições mais antigas de ensino na Europa [o Colégio Militar] com uma longa tradição de serviço ao País”.

O ataque ao Colégio Militar por parte da Esquerda não é inédito. E este novo ataque ao Colégio Militar, e à própria instituição militar em geral, só é possível devido à geringonça no Poder que configura uma situação de pré-PREC: há que garantir que a tropa ande submissa e canina: não há nada pior, para o reviralho, do que uma tropa patriota.

Para o cidadão comum, é muito difícil perceber isto. Não entende que, para a Esquerda, os fins justificam todos os meios: vale tudo, até arrancar olhos. Têm uma visão estritamente maniqueísta do mundo e da História; a dialéctica hegeliana e marxista impõe a necessidade constante de se criarem inimigos internos e externos; o mundo é concebido como um perene campo de batalha política que destrói as sociedades — como ficou demonstrado bastamente durante o curto século XX.

O que me espanta é que gente dita “inteligente” (como o José Pacheco Pereira) tenha criticado Passos Coelho e agora apoie a geringonça. Se a crítica a Passos Coelho estava para além da ideologia [porque não estava em causa a austeridade em si mesma, mas a forma de austeridade], o apoio à geringonça é ideologia pura.

Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem doutrina. Enganam-se os que supõem que ele a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema — o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.

O comunismo não é uma doutrina porque é uma anti-doutrina, ou uma contra-doutrina. Tudo quanto o Homem tem conquistado, até hoje, de espiritualidade moral e mental — isto é, de civilização e de cultura — tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.

Fernando Pessoa, “Ideias Filosóficas”

Domingo, 28 Fevereiro 2016

Os malandros e a ideologia

 

os-malandros-webSegundo Hannah Arendt, todo o pensamento ideológico (as ideologias políticas) contêm três elementos de natureza totalitária:

1/ a pretensão de explicar tudo;

2/ dentro desta pretensão, está a capacidade de se afastar de toda a experiência;

3/ a capacidade de construir raciocínios lógicos e coerentes que permitem crer em uma realidade fictícia a partir dos resultados esperados por via desses raciocínios — e não a partir da experiência.

Quarta-feira, 10 Fevereiro 2016

O Partido Comunista irá extinguir-se rapidamente

 

Tradicionalmente, o Partido Comunista não adoptava uma ética utilitarista. Karl Marx dizia que “o utilitarismo é uma moral de merceeiro inglês”. Álvaro Cunhal dedicou a sua tese de doutoramento em Direito à justificação da legalização do aborto: o aborto era de tal modo repugnante para ele, que ele dedicou a tese inteira do seu doutoramento para justificar a sua legalização.

Desde a morte de Álvaro Cunhal, o Partido Comunista abandonou “progressivamente” a sua tradição não-utilitarista, em parte devido à influência do fenómeno Bloco de Esquerda, e por outra parte devido ao isolamento ideológico que sofreu dentro da União Europeia do Euro.

Isto faz com que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista sejam hoje intermutáveis: tanto faz votar num como no outro. A distinção não-utilitarista do Partido Comunista desapareceu.

À partida, o problema colocar-se-ia assim: a probabilidade do Bloco de Esquerda substituir o Partido Comunista é tão grande como a do Partido Comunista substituir o Bloco de Esquerda no eleitorado. joao-semedo-autonomia-web

Mas, para além do utilitarismo adoptado pelo Bloco de Esquerda, o Partido Comunista terá que seguir à risca o Culto da Autonomia 1 (a perversão do conceito iluminista de “autonomia” segundo Kant) que também caracteriza o Bloco de Esquerda.

O princípio utilitarista da “maior felicidade para o maior número”, sendo repugnante para Karl Marx, ainda tem qualquer coisa de colectivo; mas o Culto da Autonomia, que caracteriza o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista e uma parte do Partido Social Democrata, destrói qualquer desígnio colectivista real, e transforma os partidos de Esquerda em meros projectos de poder apenas pelo Poder.

O Culto da Autonomia é, no seu fundamento, incompatível com qualquer partido marxista-leninista. Quando o Partido Comunista tenta ignorar esta contradição, desfigura-se e copia o original que é o Bloco de Esquerda. Entre a cópia e o original, os eleitores tendem instintivamente a seguir o original. Por isso é que o Partido Comunista tem os dias contados em Portugal.

eutanasia-velharias


Nota
1. A autonomia de Kant pode definir-se 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador).

A autonomia da vontade é, segundo Kant, “o princípio supremo da moralidade” (“Fundamentação da Metafísica dos Costumes”). Segundo Kant, uma acção não pode ser verdadeiramente moral se não obedece a razões sensíveis exteriores à razão legislativa. Por exemplo, segundo Kant, se ajo por amor à Humanidade, não ajo por dever, mas por sentimento.

Ora, uma acção cuja máxima se baseia num sentimento não pode aspirar à universalidade e servir de lei a todo o ser racional. Em contrapartida, e seja qual for o meu sentimento em relação à Humanidade, “tratar a Humanidade na minha pessoa e na pessoa de qualquer outro, sempre simultaneamente como um fim, e não simplesmente como um meio”, é a máxima exigível universalmente, um dever para todos; a vontade que determina a sua acção a partir dela, é uma vontade autónoma, na medida em que se submete livremente à lei da razão pura prática.

Ou seja, para Kant, a autonomia consiste em ser simultaneamente “cidadão e legislador”: a vontade do Bem é ela própria uma criação livre.

A radicalização do princípio da autonomia de Kant, que ocorre na contemporaneidade, consiste grosso modo em adoptar a liberdade em sentido negativo (o “cidadão”) e excluir o sentido positivo da função da Razão no papel do “legislador”, transformando a autonomia em subjectivismo puro e não passível de universalidade, levando à atomização da sociedade.

Quinta-feira, 16 Outubro 2014

Com este Orçamento de Estado de Passos Coelho, o Partido Comunista só precisa de afinar a táctica

Filed under: Passos Coelho — O. Braga @ 6:52 am
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Existe uma táctica que poderá permitir ao Partido Comunista ultrapassar largamente a fasquia dos 15%: deixar Jerónimo de Sousa entregue ao Alentejo, e entregar Lisboa, Porto, Braga e Coimbra ao João Oliveira e ao Bernardino Soares. Depois, há zonas mistas: Viseu, Aveiro, Douro interior e Trás-os-Montes, Guarda, que podem ser “trabalhadas” em conjunto.

Se o Partido Comunista tiver esta flexibilidade interna, é verosímil que ultrapasse largamente os 15% de votos nas próximas eleições, porque o povo já se apercebeu que António Costa é “papel carbono” de Passos Coelho, o CDS/PP está “amarrado” a Passos Coelho, o Livre quer apenas chegar ao Poder, o Bloco de Esquerda está em liquidação, e Marinho e Pinto vai ser recuperado pelo sistema (como aconteceu com o defunto PRD).

A alternativa ao avanço natural do Partido Comunista seria uma renovação interna no Partido Social Democrata — o que me parece quase impossível face à dinâmica natural dos partidos políticos.

Sexta-feira, 28 Fevereiro 2014

O Partido Comunista e a estimulação contraditória

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 1:31 pm
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O Partido Comunista é a favor do “casamento” gay e da adopção de crianças por pares de invertidos; mas, ao mesmo tempo, é a favor da perseguição mortal da Coreia do Norte aos homossexuais.

PCP vota contra condenação de crimes da Coreia do Norte   Política   Sol

Domingo, 8 Dezembro 2013

Definição de “Daniel Oliveira”

 

Um radical de esquerda é um descendente ideológico dos antigos puritanos cristãos que, com a passagem do tempo e das gerações, chegaram à conclusão de que são mais santos do que o próprio Deus.

Domingo, 1 Setembro 2013

Um artigo científico para Isabel Moreira ler

A deputada lésbica do Partido Socialista, Isabel Moreira, afirmou, numa entrevista, que é preciso “separar a maternidade dos afectos”, fazendo alusão à necessidade de vulgarização do negócio das “barriga de aluguer”. O sítio scientificamerican.com publica um artigo interessante acerca da relação entre a mãe e o nascituro.

Isabel Moreira não sabe o que diz – quando a vemos na televisão, com aquele ar postiço de doutorice asnal, com uma pose de quem sabe muitas coisas mas não consegue explicar-se, com aquela ignorância bem escondida por detrás de um alvará de inteligência.

Cientistas descobriram que células do nascituro coexistem no cérebro da mãe .

mom-web.jpg«The link between a mother and child is profound, and new research suggests a physical connection even deeper than anyone thought. The profound psychological and physical bonds shared by the mother and her child begin during gestation when the mother is everything for the developing fetus, supplying warmth and sustenance, while her heartbeat provides a soothing constant rhythm.

The physical connection between mother and fetus is provided by the placenta, an organ, built of cells from both the mother and fetus, which serves as a conduit for the exchange of nutrients, gasses, and wastes. Cells may migrate through the placenta between the mother and the fetus, taking up residence in many organs of the body including the lung, thyroid muscle, liver, heart, kidney and skin. These may have a broad range of impacts, from tissue repair and cancer prevention to sparking immune disorders.»

Quarta-feira, 14 Agosto 2013

A linguagem de ódio

Filed under: A vida custa,Política — O. Braga @ 6:54 am
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A lógica do terror, expressa neste tipo de discurso político, autojustifica-se com a necessidade de destruir pela violência os vestígios do passado e de dar à luz um “mundo novo”, assegurando – se for necessário – pela guerra civil, a vitória da revolução contra um putativo “inimigo” externo, por um lado, e por outro lado, através da profilaxia social, pela purga ou pelo campo de concentração, pretende-se eliminar qualquer “inimigo” interno.

Trata-se de uma “ideologia de granito”, que pretende monopolizar os discursos políticos e históricos, reduzindo a arte, a filosofia e a ciência a meros campos de experimentalismo que anunciam o “homem novo” destituído de natureza humana. E, finalmente, através da ocultação do facto originário da pluralidade das opiniões, pretende conduzir a uma situação de impossibilidade dos indivíduos pensarem por serem incapazes de distinguir os factos, por um lado, das suas respectivas representações, por outro lado.

Para a “ideologia de granito”, é absolutamente necessário que o real seja privado de simbolização para que se possa desencadear, até ao infinito, uma lógica de terror levada a um extremo tal em que o conceito de “delimitação da lei” é por ela sistematicamente colocado em causa, e a procura da verdade é condicionada pela tentativa recorrente de limitar a escolha de fontes de informação à disposição dos cidadãos.

É absurdo que se compare – porque não se trata de uma analogia, mas antes de uma comparação – Bin Laden que não era americano; ou Hitler que não era holandês, por um lado, com o cónego Melo que era português, por outro lado. A “ideologia de granito” tudo faz para privar o real da sua simbolização através da irracionalização do discurso político: a lógica passa a ser o absurdo.

[verbete também publicado aqui ]

Segunda-feira, 15 Julho 2013

Os marxistas nunca aprendem com a História

Um marxista é essencialmente burro: tanto faz a experiência do dia anterior, como nada. Um marxista é anti-empírico e, por isso, anti-científico: não aprende com a experiência. A “praxis” marxista é treta teórica. A obra de Karl Marx é ininteligível porque amiúde contraditória, e só pode ser entendida num contexto de formação de um dogma.

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Nesta imagem – respigada aqui – o militante comunista incorre em duas falácias lógicas: o argumento ad Baculum (ou baculino) e o argumento ad Numerum. O argumento ad Baculum, vindo de um político, revela a sua (dele) índole totalitária. O argumento ad Numerum revela estupidez: nunca ocorreu uma qualquer transformação histórica e social somente baseada no putativo número de apoiantes dessa transformação. A própria revolução francesa teve origem burguesa (elitista), e não proletária ou campesina.

Manuel Tiago terá eventualmente alguma razão em relação a uma certa actual ofensiva contra alguns princípios básicos dos direitos humanos em Portugal – ofensiva que existe de facto -, mas perdeu a razão através dos seus argumentos falaciosos.

Domingo, 16 Junho 2013

Os tolerantes de Esquerda

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«Last weekend, Tony Brett, a Liberal Democrat councillor in Oxford and the city’s deputy lord mayor, found what he called a “disgraceful rabble” of people climbing on the city’s main war memorial – squashing, he said, the flowers that mourners had placed there, then trying to remove half of them altogether and “jeering” other visitors as they paid their respects.

That day, the memorial was supposed to be the scene of a wreath-laying by the far-Right, racist English Defence League. But none of the people laying flowers and being jeered bore any kind of EDL insignia and none of the wreaths had any kind of card or message from the group.

Neither Mr Brett, nor a local newspaper reporter on the scene, saw any sign of any EDL presence.

All the aggro, Mr Brett said – he called it the “hate” – came from the self-appointed opponents of bigotry, a group called Unite Against Fascism (UAF). UAF’s response was to start an online petition saying that merely by criticising them Mr Brett had proved himself an EDL patsy, “not a fit representative for Oxford’s wonderful and multi-ethnic community”, and must resign immediately.»

Anti-fascists fuel the fire of hate

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