perspectivas

Terça-feira, 5 Outubro 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (13)

Em um série de postais sobre o gnosticismo moderno, defendi aqui a tese (com o título genérico “A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna”) segundo a qual o gnosticismo (tanto o da antiguidade tardia como o moderno) tem como característica um gene recessivo cultural do paleolítico superior e do neolítico das religiosidades da Mãe-Terra. Isto significa que em termos culturais e religiosos, o gnosticismo atira a sociedade moderna para uma espiritualidade paleolítica.

Nem de propósito, fiquei a saber que o governo inglês reconheceu o druidismo — que como se sabe, é uma religiosidade da Mãe-Terra característica do paleolítico superior e do neolítico — como sendo uma religião comparável não só às religiões superiores da História como equivalente às religiões universais (Budismo, Hinduísmo, Cristianismo, Judaísmo, Islamismo, etc.).

Para quem dizia que eu era maluco quando escrevi essa série de postais, aqui fica a prova provada de que nem sempre quem tem razão é maluco.

Quarta-feira, 26 Maio 2010

O “homo occidentalis” — a redução da realidade à economia

O homo occidentalis já não consegue compreender que não é possível uma economia florescente sem os pressupostos civilizacionais que a condicionam: a cultura — que abrange a ética e a complexidade da racionalidade filosófica, a arte, o sistema do tabu e a religião.

Embora cristão convicto e com fé, sou um céptico por natureza. Tenho muita dificuldade em aceitar qualquer tipo de dogma, e a minha posição face às doutrinas e teorias é sempre crítica. Porém, há dogmas que são comummente considerados como tais porque não se dá, normalmente, a devida atenção à complexidade (em geral), não só à da realidade como à da consciência humana, isto é, há dogmas que não o são tanto assim e apenas manifestações racionalizadas — por via do simbolismo — da complexidade. E, em alguns casos, é na medida em que esta complexidade é compreendida e racionalizada pelo ser humano através da experiência intersubjectiva que surge o simbolismo que traduz o que passa a ser considerado como “dogma”.
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