perspectivas

Quinta-feira, 8 Abril 2010

O mito moderno contra a superstição

Este artigo de Olavo de Carvalho desfaz o mito do libertarismo, seja de direita ou de esquerda. Olavo de Carvalho dá a indicação de como pode o libertarismo ser uma forma de coarctar a liberdade em geral, o que transforma o libertarismo em um mito.
(more…)

Quinta-feira, 18 Março 2010

A construção apocalíptica das religiões políticas

Eric Voegelin é, na minha opinião e não só, um dos maiores pensadores do século XX porque conseguiu pensar a História ― e consequentemente, a Humanidade ― fora de um determinado tempo, isto é, preocupando-se em não estar agarrado aos conceitos e preconceitos da época em que viveu (século XX). Neste sentido, podemos dizer que Eric Voegelin teve uma visão holística da História, da filosofia e da política ― a visão de quem analisa os fenómenos humanos a partir de um ponto de observação externo que não é nem a perspectiva do tempo histórico observado nem o tempo histórico na perspectiva do observador. Isto não significa que ele tenha pretendido formatar a História atribuindo-lhe um sentido formal (eidos da História); pelo contrário, a sua posição de observador externo permitiu-lhe perceber que a História não tinha acabado ― ao contrário do que defenderam as religiões políticas surgidas do Iluminismo, como o marxismo, o comteanismo, o hegelianismo, o nazismo, ou o neoliberalismo hayekiano de Francis Fukuyama.
(more…)

Domingo, 27 Dezembro 2009

O dogma positivista presente na discussão política

« In so far as the methodologists accepted the positivistic dogma, they participated in the destruction of science. At the same time, however, they tried valiantly to save the historical and social sciences from the disrepute into which they were liable to fall because of the destruction in which they participated.

When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. The so-called value-judgments could become a serious concern for methodologists because, in philosophical language, they were doxai, uncritical opinions concerning the problem of order; and the methodologists’ attempt to make the social sciences again respectable by eliminating current uncritical opining did at least awaken the consciousness of critical standards, even though it could not reestablish a science of order. Hence, the theory of “value-judgments” as well as the attempt to establish a “value-free” science were ambivalent in their effects.

In so far as the attack on value-judgmerits was an attack on uncritical opinion under the guise of political science, it had the wholesome effect of theoretical purification. In so far as under the concept of value-judgments was subsumed the whole body of classic and Christian metaphysics, and especially of philosophical anthropology, the attack could result in nothing less than a confession that a science of human and social order did not exist. »

― Eric Voegelin (“The New Science of Politics”, pág. 12)

Na medida em que o ataque ao “julgamento de valor” tinha como objectivo a eliminação da opinião não-fundamentada (doxa), como aconteceu nas culturas clássica e cristã, esse ataque tinha como corolário a purificação teorética. A partir do momento em que a metafísica clássica e cristã, e principalmente a antropologia filosófica, foram consideradas “subjectivas” ― segundo o dogma positivista ―, o positivismo reconheceu que a ciências humanas e a ordem social não existem.
(more…)

Quinta-feira, 14 Agosto 2008

Estamos metidos num colete de varas

Filed under: Portugal — O. Braga @ 8:38 pm
Tags: , , , , , , ,

Estamos metidos num colete de varas, e vez de nos liberarmos dele, estrebuchamos e apertamos cada vez mais o baraço que nos ata. Andamos a discutir o que não tem discussão, e deixamos o importante de lado. Note-se que eu não concordo com o Fernando Rosas em quase tudo.

Não tem discussão possível que a morte pela GNR do rapaz que acompanhava adultos desarmados num roubo de material de construção civil, é desproporcionada, embora a lei penal preveja a situação de crime punível para adultos que induzam um menor em situação de ilegalidade.
(more…)

Segunda-feira, 11 Agosto 2008

Directo e sem rodeios: desembrulho!

Posso estar de acordo com a ideia deste postal: é preciso que a imigração seja contida dentro dos limites económicos e sociais que Portugal pode oferecer; não é possível “importarmos” imigrantes para depois não lhes darmos condições de sobrevivência condignas e segurança aos que já cá estão. Até aqui estou de acordo, e tenho-o escrito desde há 5 anos a esta parte.

Contudo, não concordo com a ideia de que os criminosos, por o serem, passem por isso à condição de sub-humanos (“Untermenschen”, para utilizar a terminologia nazi).

Desde logo, qualquer pessoa com dois dedos de testa se apercebe que se os assaltantes quisessem matar os reféns (todos ou algum) poderiam tê-lo feito, em vez de terem libertado quatro deles; tiveram a oportunidade e o momento para o fazer. Parece que a polícia não se apercebeu disso. Quando a polícia mata alguém nestas condições, é essencial que a intenção da pessoa abatida seja prévia e racionalmente avalizada.
(more…)

Sexta-feira, 8 Agosto 2008

Fernando Pessoa e a Segurança na Sociedade

Eu devo confessar que sinto muitas dúvidas sobre se tudo teria sido feito pelos agentes da autoridade para que ninguém tivesse sido morto na operação policial de ontem. Penso que seria possível terem saído todos com vida, e os assaltantes seriam apanhados mais tarde num café em Montegordo, ou comendo tapas na Diagonal de Barcelona, ou bêbedos na Bierfest em Munique (1). A morte “in loco” revela a fraqueza da União Europeia em matéria de prevenção e controle da segurança no espaço Schengen, é sinónimo de que o Tratado de Schengen não funciona de forma a garantir uma segurança racional dos Estados e das nações.
Não conheço os detalhes das negociações entre a polícia e os assaltantes, mas mesmo assim mantenho as minhas dúvidas.

Hoje vou falar sobre o conceito de Fernando Pessoa sobre ordem e segurança. Nas suas obras em prosa, Pessoa critica o conceito comtista (Augusto Comte) de Ordem e Segurança.

“Evidentemente que por “ordem” os seus defensores não entendem a mera ordem material e ostensiva, aquela que a polícia guarda. Entendem a ordem nos espíritos também, a disciplina íntima de onde resulta o bom funcionamento, físico como psíquico, da engrenagem social. Eles compreendem, de resto, que não há ordem só material, que é nos espíritos que a ordem começa.”

Aqui, Pessoa critica os defensores extremistas (comtistas) da ordem e da segurança como defendendo não só a ordem de guarda policial, como a ordem dos espíritos, a ordem psíquica, isto é, Pessoa critica a ideia de uma ordem que antevê e procura um totalitarismo.

A ordem é nas sociedades o que a saúde é no indivíduo. Não é uma coisa: é um estado. Resulta do bom funcionamento do organismo, mas não é esse bom funcionamento. (…) Na sociedade, semelhantemente: quando aparece a desordem, a sociedade sã procura logo, não manter a ordem, que pode ser provisória e aparente, mas atacar o mal que produziu a desordem. A exclusiva preocupação com a ordem é um morfinismo social.
(…)
No indivíduo, a constante preocupação com a saúde é um sintoma de neurastenia, ou males psíquicos mais graves ainda. Na sociedade, paralelamente, a preocupação da ordem é uma doença de espírito colectivo.

O que se está a passar na nossa sociedade é exactamente aquilo que Fernando Pessoa criticou nos defensores do comtismo securitário do seu tempo (defesa comtista da “ordem” que desembocou no Salazarismo). A História não se repete, mas a essência das coisas existe independentemente daquela. O que assistimos ontem em directo pela TV é próprio de um Estado securitário com altos índices de totalitarismo comtista (científico, no seu pior sentido).

Fiquei com a sensação de que a exibição policial de ontem tem uma intenção, quis passar uma mensagem claríssima: “Cuidado! cidadãos deste país: hoje foi abatido um assaltante armado, amanhã será um delinquente que rouba um pão para comer”. Pode ser só sensação minha; queira Deus que assim seja.

(1) Bastava que polícia tivesse colocado um sinalizador GPS no carro que permitisse a fuga aos assaltantes.

(textos de Pessoa tirados de “O Preconceito Tradicionalista”)

%d bloggers like this: