perspectivas

Sábado, 9 Abril 2011

Os moucos de espírito

Eu considero a discussão acerca da existência de Deus um absurdo, principalmente porque as pretensões dos chamados neo-ateístas são (aparentemente) incompreensíveis, na medida em que não é possível acabar com a religião mas apenas substitui-la por uma coisa parecida.

Aquilo a que chamamos de “ideologias políticas” são, de facto, religiões políticas, que pretendem colmatar a espiritualidade que é característica intrínseca do Homem através de um substitutivo chão, básico, anético ou provido de uma ética discricionária e circunstancial, e que transforme o ser humano em uma besta nas mãos de uma elite de iluminados neognósticos.

Portanto, todos nós sabemos o que os neo-ateístas pretendem com essa discussão estéril e prolixa: substituir Deus pelo poder político totalitário protagonizado por uma elite auto-eleita. O que é surpreendente, é que depois da queda retumbante do muro de Berlim, ainda existam idiotas desses convencidos que a História é repetível, e que é possível que tudo volte a ser como dantes. Eles bem tentam, e não desistem…

E depois, a julgar pelo argumentário, é gente que não tem preparação intelectual para discutir este tipo de assuntos; adoptam o mesmo tipo de discurso ideológico necessário para convencer analfabetos; dá-me a impressão de estar a ler textos de um iletrado funcional. Admiro a perseverança do Jairo Entrecosto que, com uma pachorra inaudita, vai demonstrando ao asno a evidência da sua condição. É caso para perguntar ao mono ateísta: “quem te manda, a ti, sapateiro…?!”

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Domingo, 14 Novembro 2010

Karl Popper sobre o último livro de Stephen Hawking

« As nossas teorias científicas, por melhor comprovadas e fundamentadas que sejam, não passam de conjecturas, de hipóteses bem sucedidas, e estão condenadas a permanecerem sempre conjecturas ou hipóteses. »

Karl PopperEnsaio “Sobre o Saber e Ignorância”; discurso proferido por Karl Popper em uma conferência de 8 de Junho de 1979, no Salão Nobre da Universidade de Frankfurt-am-Main, por ocasião da atribuição do grau de Doctor Honoris Causa.

Adenda para burros: o título deste postal é uma metáfora!

Sábado, 30 Outubro 2010

Um exemplo do manual de instruções dos religiosos ateístas

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 3:11 pm
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Ao ler este postal do Jairo Entrecosto, deu-me a ideia de que os os religiosos ateus dispõem de uma espécie de catálogo de falácias à la carte, de tipo “manual de instruções” de funcionamento de uma máquina: sempre que entram numa discussão, trazem consigo o “manual de falácias”, tal como se convencionou caricaturizar o típico cidadão alemão, quadrado de raciocínio, sempre acompanhado de um manual de instruções de qualquer coisa.

Atentemos a esta proposição #1 :

«O ateísmo, ao postular que o Universo, a vida e o ser humano surgiram acidentalmente por processos irracionais só pode mesmo ser o cúmulo da irracionalidade. Se os seres humanos, os seus pensamentos e as suas condutas dependem, em última análise, de uma sucessão de acidentes, porque é que temos que estar preocupados com o que os adultos ensinam às crianças?»

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Segunda-feira, 18 Outubro 2010

O mito e o tabu gayzistas (1)

Há pelo menos duas coisas sem as quais o ser humano não pode viver em sociedade, e que estão na base de toda a actividade humana, incluindo a política: o mito e o tabu. É o tipo de mitos e de tabus existentes em uma sociedade que a definem.
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Sábado, 23 Agosto 2008

Thomas Huxley estava errado (9)

Os “milagres”, a matéria e anti-matéria, a luz que podemos “agarrar” e a “Singularidade”

Par electrão / positrão

Par electrão / positrão

O electrão é uma ínfima porção de electricidade que é responsável pela estrutura dos átomos e das moléculas, e naturalmente é também responsável ― nomeadamente ― pela estrutura do nosso sistema nervoso central. Contudo, já vimos que a “Consciência” existe ― na forma de ondulação quântica ― independentemente da existência “material” do nosso cérebro.

Richard Feynman, Nobel da Física, defendeu a tese de que todas as partículas do universo poderiam ser reduzidas a uma só partícula ― a um electrão. Sabemos que sem a actividade do electrão, toda a actividade química não poderia existir; mas como seria possível reduzir as partículas do universo a um só electrão? Segundo Feynman, a resposta estaria na possibilidade de se poder viajar para trás no tempo; se o electrão conseguisse viajar para trás no tempo, ele poderia surgir em dois lugares espaciais em simultâneo. De igual modo, esse electrão poderia surgir simultaneamente em inúmeros locais e constituir um universo de electrões.

Portanto, a reversibilidade e o avanço do “universo do Tempo” constitui uma possibilidade que permitiria reduzir o “universo do Espaço” à sua partícula mais ínfima. E aqui entramos na área a que as religiões e a ciência convencionaram chamar de “milagres”, por exemplo, o “milagre” da ubiquidade ― a capacidade de alguém poder estar em dois locais diferentes em simultâneo.

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Segunda-feira, 18 Agosto 2008

Guilherme de Occam e a crença do cientificismo

Podemos dizer que o positivismo que deu lugar ao cientificismo pós-moderno iniciou-se com Guilherme de Occam (1290 ― 1348), a última grande figura da Escolástica e a primeira da Idade Moderna. Occam ficou celebrizado pelo princípio conhecido como “Navalha de Occam”, segundo o qual o conhecimento implica uma relação imediata, e sem intermediários de qualquer espécie, entre o sujeito cognoscente e a realidade conhecida (princípio que regula o Empirismo).
Um exemplo de um “intermediário” que Occam rejeitaria poderia ser a estátua da sereia que podemos ver na baía de Copenhaga: segundo Occam e o empirismo, a estátua da sereia de Copenhaga nunca conduziria ao conhecimento das sereias se não se conhecesse previamente o conceito do que é uma sereia. Portanto, segundo Occam, a estátua da sereia (o “intermediário”) é inútil para o processo de conhecimento.

Mas será que as sereias existem? O empirismo científico iniciado por Occam não pode provar a não-existência de sereias. Quando alguém ouvir a um “cientista” dizer que “está provado que as sereias não existem”, pode dizer-lhe, com a maior autoridade do mundo, que ele mente; ou, em alternativa, convide esse “cientista” a explicar como é que a ciência chegou a essa conclusão.
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Sexta-feira, 1 Agosto 2008

Liberdade e necessidade

Baruch Espinosa entrou em várias contradições, e uma delas foi a de defender a liberdade do indivíduo face ao Estado ao mesmo tempo que defendia um Determinismo do universo e a total falta de livre-arbítrio do ser humano. A característica determinante da filosofia de Espinosa é o determinismo que, segundo ele, marca a vida de todo o ser humano inserido num universo panteísta ― um universo que consiste no próprio Deus. Espinosa foi um dos precursores do Naturalismo ateísta contemporâneo.

«Chamo livre, quanto a mim, uma coisa que é e que age através da única necessidade da sua natureza; oprimida, aquela que é obrigada por uma outra coisa a existir e a agir de uma certa maneira. (…) Para tornar isto claro e inteligível, vamos conceber uma coisa muito simples: uma pedra, por exemplo, recebe de uma causa exterior que a empurra, uma certa quantidade de movimento e, ao acabar a impulsão da causa exterior, continuará necessariamente a mover-se. Esta persistência da pedra no movimento é uma imposição, não porque seja necessária, mas porque é definida pela impulsão de uma causa exterior (…) Vamos conceber agora que a pedra, enquanto continua a mover-se, pensa e sabe que faz esforço, tanto quanto pode, para se mover. Esta pedra (…) pensará que é bastante livre e que apenas continua o seu movimento porque assim o quer.» ― Espinosa, Carta 58.

…o
determinismo filosófico
é incompatível com a liberdade…
Portanto, para Espinosa a nossa liberdade é uma ilusão porque ela é determinada por uma causa exterior que a condiciona totalmente, apesar de nós pensarmos que temos liberdade. Não vejo é como se pode defender esta ideia e ao mesmo tempo defender a liberdade do indivíduo em sociedade ― liberdade de expressão incluída. A filosofia de Espinosa, como todo o Naturalismo, é intrínseca e essencialmente totalitária; o determinismo filosófico é incompatível com a ideia de liberdade individual.
Esta ideia foi mais tarde seguida por Kierkegaard e por outros existencialistas (para além dos materialistas). Contudo, Maquiavel dois séculos antes de Espinosa escreveu que o ser humano tem liberdade em 50% do seu comportamento, sendo que os outros 50% são restrições à liberdade devido ao meio-ambiente, condicionalismo de vida, educação, etc. Na minha opinião, Maquiavel estará muito mais próximo da Razão do que Espinosa, e a filosofia quântica veio corroborar isso mesmo.

A Física quântica veio demonstrar que o Determinismo não existe na Natureza, mas apenas a Probabilidade de que algo aconteça (“Princípio da Incerteza”, de Heisenberg). Analisando um fenómeno, podemos concluir sobre as suas probabilidades de ocorrência, mas nunca podemos estar 100% seguros de que ele aconteça. É nessa probabilidade falível que reside a liberdade; pelo facto de um determinado fenómeno ser provável significa que existe uma margem de manobra que possa demonstrar a sua não ocorrência: é provável que algo aconteça de determinada maneira salvo exista uma vontade e uma consciência que decida que essa probabilidade se transforme numa impossibilidade objectiva.
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Sábado, 12 Abril 2008

“E Deus tornou-se visível” – um ponto de vista

Filed under: Religare — O. Braga @ 1:40 pm
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Lendo o resumo do blogue “E Deus tornou-se visível”, e embora não tenha a formação em Física que o amigo Henrique teve, vou tentar expor algumas ideias (numa perspectiva diferente), sobre aquilo que li. Desde logo, parece-me que experiências em laboratório recentes realizadas com fotões colocaram já em causa a ideia de que a velocidade máxima deste universo é a velocidade da luz; fica, contudo, a pergunta: o que é a luz?
Depois, sob o ponto de vista filosófico, a ideia de “universo finito” não significa que este “tem um fim possível”, mas que teve um princípio; algo “finito” teve princípio, embora não tenha necessariamente que ter fim, até porque não podemos com segurança prever esse fim. Finalmente, deduz-se logicamente que o mundo finito, o tal mundo do Big Bang – aquele de que nos apercebemos empiricamente – é sujeito às leis de causalidade. Adiante.

A luz como meio de comunicação interdimensional

Segundo Kant (e muitos outros filósofos) o Conhecimento assenta em duas leis fundamentais: 1) a “lei da permanência da substância” e 2) a “lei da causalidade”. Segundo a primeira lei, a Essência de tudo quanto existe, isto é, a “substância incondicionada”, é imutável em si, isto é, permanente. A segunda lei estabelece a decisão lógica e empírica de que toda a mudança é “condicionada”, o que significa que a mudança – que é característica do chamado “mundo finito” – depende de mutações antecedentes. Estas duas leis simplistas são úteis para um entendimento fácil do que se pretende aqui dizer.
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Domingo, 30 Dezembro 2007

Dissertação sobre o fundamentalismo anti-teísta e a elite estupidificada

“No caso de Dawkins – e intra-muros, no caso de Saramago – assistimos a dois casos típicos de desonestidade intelectual. Ambos são intelectualmente desonestos na sua sanha irracional anti-religiosa.”

(texto com 1690 palavras)
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Domingo, 23 Dezembro 2007

Também assim se explica o Novo Ateísmo

Filed under: cultura,Europa,Islamismo,Religare — O. Braga @ 7:14 am
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Os medos da Europa e a crescente influência islâmica no continente fazem parte das novas causas do ateísmo que dizem ser “novo”. Os “novos ateus” pensam que podem travar a islamização da Europa através da proliferação de uma crença que não pegou de estaca em nenhuma sociedade desde que surgiu o homo sapiens, o que transforma os “novos ateus” nos maiores ingénuos que a história da filosofia e da ciência já conheceu.

Não há nada — absolutamente nada — que possa travar a islamização da Europa senão uma das duas condicionantes seguintes: o recurso a um novo “Vernichtung” decorrente de uma perseguição política e um novo “Heimkehr” de muitos milhões, ou a defesa dos valores europeus da cristandade. Eu opto claramente pela segunda alternativa.

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