perspectivas

Terça-feira, 4 Outubro 2011

O Tratado de Tordesilhas entre a religião e a ciência

Filed under: A vida custa,Ciência,cultura — O. Braga @ 12:11 pm
Tags: , , , , ,

Existe hoje uma determinada visão religiosa que mete no mesmo saco a biologia ou a sociobiologia, por um lado, e a física ou a matemática, por outro lado. Podemos constatar essa visão, aqui. Essa confusão é absurda e decorre de uma posição anti-científica primária.

Essa confusão, vinda de gente religiosa, tem como fundamento a própria confusão do cientismo em relação à noção de “prova” (evidence) — ou seja, muitas vezes, à religião interessa que os erros do cientismo sejam validados como verdade. E isto viu-se no caso recente da experiência dos neutrinos no CERN: tanto naturalistas como religiosos, por razões diferentes, tentam a todo o custo desacreditar a validação da experiência; e essa foi a razão por que eu escrevi isto.

Nem católicos nem naturalistas se lembram já das experiências feitas em Paris por Alain Aspect, em 1982, em que se constatou, sem margem para dúvidas, que dois fotões comunicam entre si a velocidades muito superiores à velocidade da luz. Portanto, a barreira da velocidade da luz no universo já foi oficialmente quebrada em 1982, e não agora com esta experiência dos neutrinos.


Tratado de Tordesilhas

Um determinado tipo de católico e o cientista naturalista fizeram um acordo: cada um deles toma conta de uma parte da realidade. O católico diz que se ocupa exclusivamente da fé, e o cientista diz que se ocupa exclusivamente das provas; ambos celebraram uma espécie de Tratado de Tordesilhas acerca da realidade. O interesse de ambos é mundano, utilitarista e materialista.

Mas a verdade é que as provas do naturalista partem de um pressuposto de fé nas ditas provas, ou seja, o naturalista tem fé (ou tem a certeza) dos seguintes pressupostos, anteriores à própria prova:

1) as leis da natureza (ou as leis da física) são imutáveis e a natureza é uniforme; 2) existe um mundo material exterior que se relaciona com a nossa percepção sensorial; 3) a forma como a nossa percepção sensorial interpreta o mundo “é aquilo que é” na realidade (WYSIWYG — What You See Is What You Get); 4) a lógica e a matemática aplicam-se ao mundo da nossa percepção sensorial.

Nenhum dos 4 pontos são factos (no sentido de “evidence”), mas apenas crenças ou fé acerca da realidade.

Portanto, a esse católico em particular, e ao cientista naturalista, interessa que a fé do cientista seja escamoteada e obnubilada, porque só assim o Tratado de Tordesilhas acerca da realidade pode ser aplicável no mundo dos homens. E é assim que se cria a ilusão de que a ciência e a religião se antagonizam, por um lado, e se cria, por outro lado, a ideia de que é legítimo, e até normal, ao religioso assumir uma posição anti-científica (e vice-versa).

A ler, acerca deste assunto:

Sábado, 1 Outubro 2011

É sempre mau ter razão antes do tempo

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 6:58 pm
Tags:

O que eu escrevi em Maio de 2009:

O limite cósmico da velocidade da luz? “Já era”!

Reparem nos comentários: só faltava sugerir que eu deveria ser internado num hospital psiquiátrico… !

Os neutrinos superluminais lançam a confusão entre os católicos e entre os naturalistas

Filed under: A vida custa,Ciência,Quântica — O. Braga @ 4:27 pm
Tags: ,

A recente experiência com neutrinos superluminais, no CERN, levantou objecções da parte de dois tipos de pessoas diametralmente opostos: os naturalistas e os religiosos. Porém, as razões das objecções são idênticas: para os católicos, por exemplo, a possibilidade de “viajar para trás no tempo” é tabu, e para os naturalistas, alegadamente os neutrinos colocariam em causa as leis da física (ou seja, colocariam em causa o determinismo da causa e efeito). Tanto os católicos como os naturalistas estão errados.

A teoria da relatividade restrita de Einstein (1907) já previa a existência dos Taquiões, por um lado, e por outro lado a reversibilidade do tempo que pode ser verificada a nível microscópico não tem nada a ver com as leis da física — a possibilidade da reversibilidade do tempo no macrocosmos é totalmente anulada pela entropia da gravidade que determina o macrocosmos, e que existe desde o primeiro segundo do tempo cósmico ( a irreversibilidade do tempo é uma característica intrínseca e imutável do próprio universo macroscópico!).

Portanto, com os neutrinos superluminais, nem é possível a um humano viajar para trás no tempo, nem as leis da física e o seu determinismo saem beliscados.

%d bloggers like this: