perspectivas

Segunda-feira, 25 Junho 2012

A ciência descobriu o gene que faz com que as pessoas acreditem em Deus


A ciência explica tudo! Veja o vídeo!

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Sexta-feira, 4 Novembro 2011

A neurobiologia e a cacofonia do cérebro

«Dr. Gazzaniga, 71, now a professor of psychology at the University of California, Santa Barbara, is best known for a dazzling series of studies that revealed the brain’s split personality, the division of labor between its left and right hemispheres. But he is perhaps next best known for telling stories, many of them about blown experiments, dumb questions and other blunders during his nearly half-century career at the top of his field.

Now, in lectures and a new book, he is spelling out another kind of cautionary tale — a serious one, about the uses of neuroscience in society, particularly in the courtroom

via Telling the Story of the Brain’s Cacophony of Competing Voices – NYTimes.com.

Podemos imaginar uma cena, por um absurdo apresentado como sendo absolutamente racional, em que um assassino em série diz ao juiz, em tribunal:

“Senhor juiz, a culpa dos assassínios não foi minha: a culpa foi dos meus genes!”

O mesmo princípio absurdo do determinismo genético e/ou determinismo neurobiológico tem sido utilizado pelo lóbi político guei que afirma que “um guei já nasceu guei”. E como um guei “já nasceu guei”, todo o tipo de comportamento inerente à “condição inata guei” terá que ser admitida.
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Segunda-feira, 17 Outubro 2011

O cientismo que critica o cientismo que, por sua vez, critica o cientismo

O cientismo não desarma. Face à lógica, pretende derrubá-la. O cúmulo do cientismo é aquele cientismo que critica o cientismo para se poder afirmar na opinião pública como não sendo cientismo. Este tipo de cientismo faz lembrar os novos marxistas, como por exemplo, Edgar Morin, que criticam o marxismo-leninismo dizendo que “aquilo não é marxismo”, e que o verdadeiro marxismo virá nos “amanhãs que cantam” — ao mesmo tempo que dizem que devemos desistir dos “amanhãs que cantam”. O novo cientismo é um fenómeno que se recusa a si mesmo afirmando que, afinal, é “outra coisa”: é a esquizofrenia ideológica e política em todo o seu esplendor, travestida de ciência.

Para quem acredita no mito segundo o qual a neurociência poderá substituir a filosofia, aconselho a leitura deste artigo (em inglês). Entretanto, eu vou dar aqui umas “achegas” que o artigo não incluiu.

As ciências da natureza — com excepção da física — e principalmente a biologia e a neurobiologia, quando pretendem transformar a consciência humana e, portanto, a ética e a moral, em subprodutos da química do cérebro, transformam a sua “teoria da identidade” (que é o nome desta teoria cientificista da neurociência) em um absurdo, conforme demonstrou Karl Popper que chamou a esta armadilha lógica “o pesadelo do determinismo físico”.

Se as minhas ideias são produtos da química que se processa na minha cabeça, então nem sequer vale a pena discutir qualquer teoria biológica ou neurobiológica, incluindo a própria “teoria da identidade”: estas não podem ter nenhuma pretensão à verdade, visto que as provas apresentadas por esses “cientistas” são igualmente química pura. E se eu disser que a biologia e a neurobiologia estão erradas e que os neurobiólogos são burros, então também tenho razão, dado que a minha química apenas chegou a um resultado diferente.

Por outro lado, nós não recebemos passivamente as impressões do mundo exterior, tal como se tivéssemos uma cópia do mundo na nossa cabeça (ver “teoria do balde”, de Karl Popper, de que falei em postais anteriores). Através dos nossos sentidos e da nossa percepção, o fluxo de sinais que aflui ao cérebro — aproximadamente de 100 milhões de células sensoriais mais conhecidas por neurónios — não é portador de qualquer indicação de quaisquer propriedades para além destas células, a não ser o facto de estas terem sido estimuladas em determinados pontos da superfície do corpo. Isto significa que é preciso acrescentar algo mais aos dados sensoriais na nossa cabeça, para que estes possam dar origem a uma realidade.

Ou seja: os nossos órgãos sensoriais registam “diferenças”, mas não registam “coisas” que se pudessem distinguir, como tais, de outros objectos. Isto quer dizer que a realidade é construída por nós mesmos, quando a consciência utiliza o cérebro. O cérebro é apenas e só uma ferramenta da consciência. Construímo-nos com a ajuda do cérebro, a partir de dados das nossas percepções sensoriais, tal como construímos, com a ajuda do nosso cérebro, uma história a partir dos pixeis do ecrã do nosso televisor.

Por último, e talvez o mais absurdo das ciências biológicas, é que ignoram ostensiva e irracionalmente as descobertas da física. Atrevo-me a dizer que a condição do neurocientista é a burrice e o autismo teórico. A física já demonstrou que o nosso cérebro, como qualquer outro objecto, é um conglomerado de Partículas Elementares Longevas que existem por via da força entrópica da gravidade: o cérebro humano, em si mesmo e no que respeita à sua génese (origem) física, não é diferente de um outro objecto físico qualquer. O que diferencia um cérebro humano, por exemplo, de um cérebro de uma barata, é o tipo de organização intrínseca das partículas elementares que os constituem.

Domingo, 7 Agosto 2011

A ciência biológica está a tornar-se inimiga do Homem

Num dos seus escritos, Karl Popper relatou um episódio em que participava num conferência sobre um determinado tema, e na qual participava também um antropólogo. Durante toda a conferência, que durou alguns dias, o antropólogo não pronunciou uma palavra. Na última sessão da conferência, o antropólogo foi instado a dar a sua (dele) opinião acerca do que tinha sido tratado na conferência, e segundo Karl Popper foram estas mais ou menos as suas palavras:

“Talvez os surpreenda o facto de eu não ter proferido até agora uma única palavra durante estas jornadas. Isso resulta de eu ser um observador. Como antropólogo, a minha presença nestas jornadas deve-se não tanto ao meu interesse em participar do vosso comportamento verbal, mas antes em estudá-lo. E foi isso que fiz. Nem sempre consegui acompanhar as vossas discussões, mas quando alguém, tal como eu, estudou dezenas de debates de grupo, fica a saber que o que realmente interessa tem pouco a ver, de facto, com o assunto em causa.

Nós, os Antropólogos, aprendemos a olhar esses fenómenos sociais de fora e de uma perspectiva mais objectiva. Aquilo que nos interessa é o Como; é, por exemplo, o modo como este ou aquele procura dominar o grupo, e como a sua tentativa é rejeitada pelos outros, quer isolada, quer conjugadamente; como após várias tentativas deste género, se vai estabelecendo uma certa hierarquização e, portanto, um equilíbrio do grupo, e um ritual de verbalização. Estas coisas são sempre muito semelhantes, por muito diferente que se afigure a formulação do problema colocado como tema de discussão.”

Portanto, a premissa do nosso antropólogo é a de que ele recusa a experiência em nome da objectividade, mas reclama-se no direito de julgar a experiência do grupo sem participar nela; o conteúdo da discussão não lhe interessa absolutamente nada.
Segundo o nosso antropólogo, os argumentos da discussão dos membros do grupo são aceites ou não aceites, não em função da sua validade ou verdade objectiva (que não existe), mas apenas em função de fenómenos de sociabilidade que variam conforme os grupos e as épocas — ou seja, aquilo que é verdade hoje, já não é verdade amanhã; por isso, a putativa e ilusória verdade não interessa, mas apenas a objectividade do comportamento (behaviourismo).

Para não falar apenas de um pensador liberal (Karl Popper), Edgar Morin (ex-comunista) defende exactamente a mesma ideia segundo a qual é absolutamente errado admitir que a objectividade da ciência está dependente da objectividade do cientista, por um lado, e é absolutamente errado que a ciência se ocupe da subjectividade humana. Ademais, é absolutamente errado pensar que há maior objectividade, a nível individual, nas ciências da natureza (por exemplo, na neurociência) do que nas ciências sociais (por exemplo, na antropologia).


O neurocientista Michael Graziano, professor universitário em Princeton, faz de conta de que a realidade e as evidências constatadas, por exemplo, por Karl Popper e Edgar Morin, simplesmente não existem. E este comportamento da ciência contemporânea é recorrente e sistémico, e por isso é que podemos afirmar que a ciência biológica se está a transformar paulatinamente em inimiga do ser humano.

Diz Graziano que a religião é um artefacto emergente da evolução da capacidade humana de sociabilidade.

Ou seja, segundo Graziano, “se o ser humano não fosse sociável, não existiria religião!” Esta explicação é interessante, porque se assemelha à seguinte “explicação” do andar humano: “o homem anda porque tem pernas” e, por isso, “se o homem não tivesse pernas, não andava”. O raciocínio de Graziano é circular, na medida em que a explicação faz parte daquilo que se pretende explicar.

Porém, a verdade é a de que o acto de andar (de se deslocar) existe como uma possibilidade real e objectiva independentemente do Homem ter pernas ou não. Mesmo que não existisse nenhum organismo vivo em todo o universo, a possibilidade da existência de vida seria sempre real e não dependente da sua existência efectiva. A possibilidade não exige a existência (ou na linguagem de Kant: a existência não é a condição da possibilidade): é a existência que decorre da possibilidade.

Depois, esta “explicação” não explica os eremitas ou anacoretas, que se isolam da sociedade em nome da sua religiosidade, por um lado, e, por outro lado, ela parte da posição de “observação objectiva” semelhante à do antropólogo de Karl Popper, que recusando a participação na experiência colectiva da religião, parte do princípio de que essa experiência é, em si mesma, irrelevante e destituída de qualquer verdade objectiva.

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