perspectivas

Quarta-feira, 30 Maio 2012

O cientismo não aceita o “princípio da incerteza” de Heisenberg

O “princípio da incerteza” de Heisenberg — diz-nos, a traço grosso, que existem sempre dois modos complementares de “construir” a realidade. Se observarmos a realidade de um desses modos, o outro torna-se indefinido — ou seja, por exemplo, é impossível fazer a observação de uma Partícula Elementar Longeva [ou partícula subatómica], e simultaneamente definir a sua posição; ou se faz a sua observação (tempo), ou se define a sua posição (espaço), isto é, numa observação, por exemplo, de um electrão, ou se define o tempo ou o espaço que ele ocupa, e não as duas coisas simultaneamente.

Todas as actividades do ser humano, incluindo as ciências, estão sujeitas a esta lei. Porém, a filosofia já tinha chegado, há milénios, à mesma conclusão de Heisenberg [por exemplo, com Xenófanes], mediante o conceito da limitação do conhecimento imposta pela relação sujeito-objecto a que está submetido o ser humano [Karl Jaspers aperfeiçoou e desenvolveu este conceito].

A Incerteza, de Heisenberg


Nas ciências, em todas elas, ou valorizamos a generalização precisa [a abstracção que corresponde às leis gerais, por exemplo, na física], ou valorizamos o particularismo dos fenómenos [a acuidade nominalista e particularista, por exemplo, na paleontologia]. E aqui voltamos ao problema da querela entre o nominalismo e os universais, e à constatação de facto de que o franciscano Guilherme de Ockham, ao excluir a importância dos universais para o conhecimento da natureza, foi um dos precursores do cientismo.

Se partirmos do pressuposto segundo o qual o princípio de Heisenberg é verdadeiro, então não existem, intrinsecamente, áreas do conhecimento que sejam superiores, em valia, a outras [são complementares]. Não podemos dizer, por exemplo, que a biologia é superior à filosofia, porque ambas estão sujeitas às limitações impostas pela realidade macroscópica da relação sujeito-objecto, e à dualidade modal de construção da realidade.

Quarta-feira, 29 Dezembro 2010

Crença, disse ela

Filed under: Ciência,filosofia — O. Braga @ 9:43 am
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A Helena Damião escreve :

«Um deles é que a noção de verdade, apesar de ter sido inventada por pessoas, não decorre do entendimento contextualizado de algumas pessoas.»

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Sexta-feira, 16 Julho 2010

O arcaísmo do ensino universitário português

« Toda ciência, mesmo a ciência do divino, é uma sublime história de detectives. Só que ela não está construída para detectar por que o Homem morre, mas antes para tentar descobrir por que o Homem vive. » — G K Chesterton

Vou falar sobre um livro de António Zilhão com o título “Do Círculo de Viena À Filosofia Analítica Contemporânea”, com edição em 2007. Confesso que não li o livro todo porque a sua leitura é um desafio à salubridade mental de qualquer ser humano normal e saudável. Em contraponto, aconselho a leitura deste postal que, em menos de mil palavras, reduz os pressupostos do livro de 350 páginas de António Zilhão ao absurdo. E os pressupostos de António Zilhão aparecem logo no início do livro, nomeadamente no capítulo II, em que o autor assume (sem o assumir explicitamente, mas as ideias não enganam) a validade do cientismo, em contraponto à ciência.
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Domingo, 30 Agosto 2009

O Positivismo e a Razão

Chamo a vossa atenção para este texto que vale a pena ler. Contudo, não deixaria de fazer ressaltar algumas ideias do texto com as quais não estou em total acordo:
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Domingo, 11 Maio 2008

A Birmânia e a ordem jurídica neo-positivista


Monge budista assassinado

A filosofia neo-positivista aplicada ao Direito Internacional e Nacional tem sido a causa das maiores barbaridades aplicadas aos povos do mundo em nome da lei. Os neo-positivistas são os herdeiros ideológicos dos positivistas oitocentistas – com uma pitada de Nietzsche – e tiveram o seu núcleo duro no “Círculo de Viena” (Schlick, Carnap, Popper, Kelsen, entre outros, a que se juntaram Bertrand Russell e alguns dos neo-empiristas ingleses).

Na tradição portuguesa das dinastias, as leis eram aprovadas pelas Cortes, de que faziam parte os representantes das classes sociais e o Rei. Desta forma, a tradição moral em vigor era reflectida nas leis que eram aprovadas, e o ordenamento jurídico nacional espelhava, até certo ponto, uma realidade cultural da Nação que incluía os valores da ética e da moral da época.
Os positivistas do século 19 não alteraram substancialmente esta tradição europeia na feitura das leis, quando reconheceram o Direito como ordem ou acção imperativa do Estado que tendia a identificá-lo com a média dos comportamentos sociais efectivos. Assim, com os positivistas de oitocentos, a lei que o Estado aplicava continuava conter a “média” dos valores ético-morais que caracterizam a sociedade.


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