perspectivas

Sábado, 26 Março 2016

O anti-Nacionalismo é um cinismo moderno

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:53 pm
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“Eis, em suma, porque Agostinho da Silva não era realmente um nacionalista. A seu ver, para um país como Portugal, a posição nacionalista era demasiado insuficiente para garantir a nossa existência histórica. Se mesmo um país como o Brasil não pode sobreviver sozinho num mundo cada vez mais globalizado, quanto mais um país como Portugal. De resto, sempre foi assim na nossa história. Foi sempre uma hábil política de alianças trans-nacionais o que foi garantindo, até hoje, a nossa existência histórica”.

Nacionalismo, Anti-Nacionalismo e Trans-Nacionalismo

Agostinho da Silva foi um cínico (no sentido grego); só lhe faltou viver dentro de um barril, como aconteceu a Diógenes que se incomodou com o imperador Alexandre, O Grande, porque este lhe tapava o Sol. Como cínico, Agostinho da Silva fazia da cidade-estado um meio, e não um fim em si mesma; ele não foi um cidadão de um qualquer lugar: entrava na cidade para brandir o seu cajado aos cidadãos, e depois saía dela para se reconciliar com a sua idiossincrasia.

Um cidadão-de-nenhum-lugar não pode ser nacionalista. A ideia segundo a qual “Portugal não tem viabilidade histórica” é própria de um determinado cinismo actual. O cínico tem uma inconfessável desconfiança visceral e um profundo desprezo em relação ao cidadão. Ao contrário de Sócrates (que amava a cidade; este sim, foi um nacionalista), que fazia perguntas incómodas aos cidadãos — o cínico proferia verdades absolutas e ameaçava os cidadãos com o seu cajado. O anti-Nacionalismo é um cinismo moderno.

diogenes-web

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Sábado, 28 Novembro 2015

O “paganismo nacionalista” do PNR (Partido Nacional Renovador)

Filed under: Portugal — O. Braga @ 11:24 am
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Escreve-se aqui o seguinte:

“O Cristianismo perdeu a “magia” que em tempos teve e na Europa depara-se hoje com um sério problema. É que o mais do que evidente ressurgimento dos nacionalismos e identitarismos na Europa faz um apelo directo às raízes da tradição europeia e isto em termos religiosos constitui um grave problema para os cristãos, pois as raízes religiosas da Europa nunca foram nem o Judaísmo, nem o Cristianismo, mas sim o Paganismo politeísta que no caso europeu se divide em inúmeras “famílias” de cultos pagãos, cada qual com a sua identidade e tradições próprias”.

Vamos analisar este trecho.

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Quinta-feira, 19 Junho 2014

A contradição “nacionalista” do Corta Fitas

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 9:35 pm
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Escreve-se aqui:

“A questão do “nacionalismo” é perigosamente dúbia, enganadora. Quem ler Jean-François Revel (A Tentação Totalitária e Como acabam as Democracias) percebe claramente qualquer movimentação comunista começa por se afirmar “nacionalista”, assustando as gentes com a eminência da invasão estrangeira.

Assim procederam também os republicanos portugueses do início do século XX e quando nos empurraram para a matança da I Guerra Mundial”.

Adiante, lemos:

“A verdadeira Direita radica na Nação. Nas comunidades, no Povo, no respeito pelo Passado como indicador de um rumo, o do Futuro. Daí o seu orgulho pela História, vale dizer, pela continuidade do ethos nacional. De uma cultura identificativa. Nos nossos dias, a Direita só pode ter uma meta, jamais uma solução política inamovível.”


Convém que se diga, em abono da verdade, que a principal razão por que a I república entrou na I Guerra Mundial foi a defesa dos territórios ultramarinos, ameaçados pela Alemanha que chegou tarde à Era colonial.

Parece que existem dois conceitos de “nação”, distintos à esquerda e à direita. À esquerda (em uma certa esquerda soberanista representada pelo Partido Comunista), a nação é concebida como uma comunidade natural; e em uma certa “direita” (representada principalmente pelo Partido Social Democrata de Passos Coelho, mas também por Paulo Portas), a nação é vista como o resultado de um contrato, de uma associação voluntária dos seus membros unidos apenas por interesse.

É certo que o Partido Comunista, até há pouco tempo, era internacionalista e agora virou soberanista. Viragens súbitas deste tipo são de desconfiar. Podemos pensar legitimamente que o soberanismo do Partido Comunista é um menos uma convicção do que um instrumento de acção política.

Se a visão da direita em relação à “nação” se reduz a um contrato entre indivíduos, então não faz sentido que se diga que “a verdadeira direita radica na nação” (como se diz no texto referido); é uma contradição em termos. Poderíamos, em vez disso, dizer que “a verdadeira direita radica na comutatividade das relações entre indivíduos que define a nação”. Esta é, de facto, a direita neoliberal. Mas aqui, a nação deixa de fazer sentido histórico, mas antes assume uma dimensão presentista e revolucionária. Se a nação é produto de um mero contrato entre indivíduos, o passado histórico da nação é relegado para o olvido e apenas o presente é relevante — um presente omnipresente.


A nação pode ser definida como uma comunidade natural na qual cada um se inscreve, em primeiro lugar, devido ao facto do seu próprio nascimento; e depois devido a uma História comum, a uma língua comum, e a uma cultura comum. Uma nação é uma realidade que se impõe aos indivíduos, independentemente da sua escolha.
Esta é a minha noção de “nação”.

Mas existe um outro conceito de “nação”, em que esta já não é uma comunidade natural mas antes um resultado de um mero contrato entre indivíduos que decorre da vontade discricionária individual. Ou adoptamos a primeira noção de “nação” ou a segunda. Não há aqui meio termo. Não há aqui possibilidade de “sol na eira e chuva no nabal”.

“A verdadeira Direita despreza os extremismos. Somente os gradua nas consequências da sua loucura.”

Temos que saber o que significa “extremismo”. Defender o primeiro conceito de “nação” ¿é ser extremista?! Ou ¿será que reduzir a nacionalidade a um mero contrato é uma forma de extremismo?

“Sequer a verdadeira Direita se foca no prisma ideológico. Há muito percepcionou o seu fim – as ideologias são meramente pretextos, conforme hoje bem se alcança das discussões parlamentares em torno do Estado Social vs. o famigerado neoliberalismo.”

O termo “ideologia” foi criado pelo francês Destut Tracy (1754 – 1836) para designar o projecto de uma ciência genealógica das ideias. Podemos definir “ideologia” como um sistema de ideias que reflecte uma determinada representação do mundo (este sistema de ideias pode ser mais ou menos dogmático).

A afirmação de que “já não existem ideologias” é sempre feita em um contexto ideológico — ou seja, é a ideologia segundo a qual “não existem ideologias”. A negação das ideologias é (ou faz parte de) uma ideologia.

Sábado, 19 Abril 2014

¿A Suíça é um Estado socialista?!

 

nacionalismo webNa Suíça, vai acontecer brevemente um referendo para aprovar um salário mínimo nacional 25 Euros / hora. A julgar pela ideologia neoliberal de Passos Coelho e, por exemplo, dos blogues Corta-fitas ou do Blasfémias, a Suíça é um país socialista!.

Há um fenómeno social e político que os “liberais” de pacotilha da nossa praça não compreendem: o nacionalismo.

A Suíça é nacionalista, e por isso é que restringe a imigração, controla as importações, faz aumentar a influência da classe média na economia, e mantém assim a coesão social. Aliás, o que nos valeu, nesta crise económica, foi o nacionalismo que é intrínseco ao povo português, e à revelia dos estúpidos que controlam este país.

Para a “tropa” do PSD do Pernalonga, falar-lhes em “nacionalismo” é como tentar explicar a um analfabeto o que é um soneto decassilábico.

Sábado, 14 Dezembro 2013

Fernando Pessoa já tinha a solução na década de 1920

 

Fernando Pessoa«O nosso homem das classes médias — e as classes médias são o esteio de um país — é mal culto, ignorante, profissionalmente instintivo ou atado; a propaganda da nossa terra é descurada pelo Estado, absorvido por políticos, pelos indivíduos, desnacionalizados e inertes, para tudo quanto não seja os seus baixos interesses ou os interesses superiores da sua política inferior; e a invasão das ideias estrangeiras, pervertendo a própria substância do patriotismo que restava entre nós, privou-nos de podermos criar, não já um orgulho nacional, mas uma simples consciência superior da nossa nacionalidade.

(…)

Em matéria cultural, o que se tem feito é quase nada. Quem há culto entre nós, a si próprio se cultiva, e as mais das vezes mal, quase sempre antinacionalmente. (…) E em matéria de consciência superior da nacionalidade, a maioria dos portugueses nem sequer sabe que isso existe.

É preciso criar um organismo cultural capaz de substituir o Estado nestas funções. Escusa de ter aspecto de potência adentro da Pátria; basta que tenha a precisa noção superior dos seus fins.

Deve essa organização visar três fins: a criação de uma atitude cultural nas classes médias, porque são elas as em que assenta a vida nacional, e entre os comerciantes sobretudo, porque, sobre serem eles a parte mais forte das classes médias, são a parte mais representativa delas, dado o carácter comercial da nossa época; a criação de uma propaganda ordenada e científica de Portugal no estrangeiro; a criação lenta e estudada de uma atitude donde derive uma noção de Portugal como pessoa espiritual

— Fernando Pessoa, Obras em Prosa, “Sobre Portugal” (“O Sentido de Portugal”)

Sexta-feira, 20 Julho 2012

Nacionalismo e liberalismo

Filed under: Política,Portugal,Sociedade — O. Braga @ 12:50 pm
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Ainda acerca da homenagem de Passos Coelho aos heróis da FRELIMO, e da sua não-homenagem aos combatentes portugueses mortos na guerra colonial:

Um dos erros dos liberais portugueses — representados em grande parte, pelo PSD do Pernalonga, por uma grande parte do CDS/PP, e pelo sincretismo maçónico e político do Partido Socialista — é que são ou mesmo anti-nacionalistas radicais, ou a favor da desnacionalização paulatina e “reformista” de Portugal.

Ora, um liberal não tem que ser necessariamente anti-nacionalista. Um liberal é alguém que defende a primazia estatutária do indivíduo na sociedade, mas esta defesa do indivíduo não é incompatível com o princípio da defesa da nação. Defender o indivíduo português — e não o cidadão! — não significa necessariamente a desnacionalização de Portugal.

E porque o liberal português é anti-nacionalista [na medida em que é, na sua esmagadora maioria e em juízo universal, a favor da construção do leviatão europeu e a favor da desnacionalização de Portugal], os nacionalistas portugueses e por reacção a esses liberais anti-nacionalistas, são obrigados a tomar posições anti-liberais. Mas os nacionalistas também não tem que ser necessariamente anti-liberais, porque defendem a nação — e não o Estado! — que é composto de indivíduos.

Entroncam aqui uma série de equívocos nacionais; por exemplo, a ideia segundo a qual um nacionalista é necessariamente um defensor acérrimo do Estado plenipotenciário (PNR e PCP). E a ideia segundo a qual um liberal é um defensor do cidadão (CDS/PP). E, finalmente, a ideia segundo a qual um liberal deve ser um elemento activo de desnacionalização portuguesa (Bloco de Esquerda, Partido Social Democrata e sincretismo socialista).

O europeísmo, entendido como desnacionalização portuguesa, é a expressão vulgar desse liberalismo anti-nacionalista coevo.

Segunda-feira, 4 Junho 2012

O nacionalismo: aquilo que a maçonaria e a Esquerda nos roubaram

The ultimate street party! ONE MILLION Jubilee spectators line the banks of the Thames to celebrate with her Majesty as she passes on Royal barge

via Queen's Diamond Jubilee 2012: ONE MILLION spectators line the River Thames | Mail Online.

Segunda-feira, 6 Fevereiro 2012

O Rei está para além do Estado

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:39 pm
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Este texto é, em parte [sublinho: em parte], um equívoco:

D. Duarte Pio de Bragança

O Rei nada tem a ver com o Estado, porque o Rei já existia antes do Estado.

O facto de o Rei ser o Chefe-de-estado moderno é um facto “acidental” — segundo o conceito aristotélico de “acidente”. O Rei não tem nada a ver com o Estado, na mesma relação de que o casamento não tem nada a ver com o Estado: ambas as instituições já existiam antes do Estado!

Estabelecer um nexo causal directo entre o Rei e o Estado é um erro de palmatória! Seria o mesmo que dizer que o olho existe em função da visão; ou dizer que uma pessoa tem pernas porque anda; ou que uma pessoa é livre porque age, quando na verdade a pessoa age porque é livre…!

O Rei não se reduz ou se limita à pessoa do rei. O Rei é uma instituição que se fundamenta no nacionalismo integral de Teixeira de Pascoaes. O Rei está para além do Estado, e está fundamentado na Nação. Nação e Estado não são a mesma coisa.

E chegados aqui, temos que definir “nação”:

“A nação é o conjunto de indivíduos que estão fundamentalmente ligados por laços históricos, culturais, por interesses, necessidades e aspirações comuns; povo; raça; pátria”.

Ressalto aqui o qualificativo “fundamentalmente”, que remete para o fundamento, para a raiz, para a origem. E também as “aspirações comuns”, que remetem para o desejo de um futuro e de auto-preservação.

Portanto, segundo a definição de “nação”, o nacionalismo não deve ser apenas e só o “nacionalismo tradicionalista” [segundo Fernando Pessoa; ler as obras em prosa de Fernando Pessoa], nem tão pouco o “nacionalismo sintético” [segundo o mesmo Fernando Pessoa], que se vê traduzido no texto supracitado. O nacionalismo não diz respeito preponderantemente ao passado [nacionalismo tradicional], nem preponderantemente ao futuro [nacionalismo sintético].

A Nação e o Rei não têm tempo, porque são instituições que advêm directamente da lei natural — e por isso é que não existe “um pretendente ao trono”: existe o Rei! Não é o trono que faz o Rei: é o Rei que faz o trono. E é também por isso que o nacionalismo deve ser integral [intemporal], segundo a ideia de Teixeira de Pascoaes.
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Quarta-feira, 18 Janeiro 2012

A maior ameaça ao sistema político decadente actual, é o conservadorismo

Quando o governo da direita medíocre de Passos Coelho e de Paulo Portas acaba com o feriado de 1 de Dezembro e ressuscita o feriado de 5 de Outubro, revela o maior inimigo do sistema político vigente: o conservadorismo português, ou melhor, o “nacionalismo integral” segundo o conceito de Fernando Pessoa — em contraponto ao “nacionalismo tradicionalista” de uma certa “direita” extrema, e em oposição ao “nacionalismo sintético” [segundo Fernando Pessoa] do CDS/PP de Paulo Portas, por um lado, e ao internacionalismo europeísta do Partido Social Democrata e do Partido Socialista, por outro lado.

O nacionalismo integral é — não só, mas também — representado pelos adeptos da restauração da monarquia e, por isso, pelos adeptos da defesa da originalidade e dos valores da singularidade cultural portuguesa. Por isso é que o 1º de Dezembro de 1143, dia da independência nacional, foi eliminado da lista dos feriados nacionais, por um lado, e, por outro lado, mantido o feriado do 5 de Outubro de 1910, dia do golpe-de-estado maçónico que assassinou o rei D. Carlos I. O que se pretende é erradicar da memória dos portugueses a noção da sua independência e da sua História.

Esta gentalha vai ter, um dia destes, que ser julgada; e se for caso disso, em praça pública.

Terça-feira, 6 Setembro 2011

Ainda sobre a dicotomia maniqueísta entre “nacionalismo” e “democracia”

No decorrer da discussão sobre a pretensa dicotomia existente entre “nacionalismo” e “democracia”, uma pessoa dita “nacionalista” escreveu um comentário no FaceBook mais ou menos deste teor: “a democracia implica o relativismo dos valores, enquanto o nacionalismo implica o absoluto de valores”.
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Domingo, 27 Junho 2010

As lobotomias culturais suaves, para bem do povo obediente e chão

Este senhor, que dizem ser professor universitário, pega em Fernando Pessoa, retorce o seu pensamento, substitui “patriotismo” por “nacionalismo”, e passa a uma narrativa presentista que faz a apologia do nacionalismo “sintético” ou “cosmopolita”, segundo Fernando Pessoa.

« O nacionalista tradicionalista vai ao passado para descobrir o presente. O nacionalista integral vai ao presente e ao passado para descobrir o presente. O nacionalista cosmopolita busca o presente apenas no presente. »

— Fernando Pessoa, “O Preconceito Tradicionalista”.

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Sexta-feira, 28 Agosto 2009

Portugal: resumo de 200 anos de vergonha (II)

Filed under: Maçonaria,Portugal — O. Braga @ 1:15 pm
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Portugal esteve em estado de guerra contínua entre 1806 e 1851; foi quase meio século de conflitos externos e internos. Depois de expulsas as tropas de Napoleão, surgiu o conflito entre liberais e absolutistas, e quando os absolutistas foram açaimados continuou o conflito entre liberais e liberais (Vintismo, Cartistas, Setembristas, Cabralistas, etc).

Quando, em 1851, finalmente uma paz interna ― de alguns anos ― foi instaurada, o povo português tinha um nível médio de vida inferior em 50% em relação ao que tinha imediatamente antes das invasões francesas. Seria como se o salário médio português fosse hoje 1.000 euros e passasse a ser de 500 euros daqui a 50 anos, em termos reais. (more…)

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