perspectivas

Sábado, 4 Fevereiro 2017

Como as mulheres destroem nações e civilizações

 

Sexta-feira, 5 Junho 2015

O Observador e a defesa do super-estado da União Europeia

 

“Por nacionalismo entende-se um grupo de indivíduos que partilham a mesma lealdade a um grupo étnico ou nacional”.

O Nacionalismo é a Guerra (via).


1/

O idiota que concebeu esta definição de “nacionalismo” escreve no Observador — como não podia deixar de ser. Imaginem que eu definia assim “luz”:

“A luz é o movimento luminoso dos corpos luminosos”.

Trata-se de uma tautologia. Por exemplo, outra tautologia só possível em uma articulista do Observador: “o liberalismo é um movimento político e económico liberal a favor do liberalismo político e económico”. E os leitores do Observador, na sua maioria ignaros, batem palmas.

Portanto, a definição de “nacionalismo”, por parte do idiota do Observador, é uma tautologia. Por outro lado, não é possível definir “nacionalismo” sem primeiro definir “nação”:

“Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.”

A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 1/ a que decorre da comunidade de origem, e 2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

2/

Napoleão foi o campeão do liberalismo — económico e político. E foi também o campeão das nações: por isso é que Napoleão fez a guerra contra os conglomerados aristocráticos da Europa de finais do século XVIII, destruindo os impérios monárquicos e instaurando as várias nacionalidades europeias. Ou seja, o liberalismo económico e político foi fundado na nação.

Agora está na moda — como se verifica pelo idiota do Observadorser liberal mas contra a nação. Ou seja, a própria origem histórica e conceptual do liberalismo (“liberalismo” no sentido europeu o termo, ou seja, económico e político, mas não no sentido americano) é negada em nome do liberalismo. Esta contradição pode ser apenas aparente — a não ser que o escriba do Observador, para além de idiota, seja estúpido —, porque o que se pretende é diabolizar as nações europeias para que se possa formar uma super-nação: o leviatão da União Europeia sob a égide de um alegado “federalismo”. O idiota observador pretende a criação de uma super-nação sem fundamentos nacionais: mas essa super-nação já é boa!

3/

O idiota identifica necessariamente “nação” e “Estado”.

“O Estado é o conjunto das instituições – políticas, jurídicas, militares, administrativas, económicas – que organizam uma sociedade num determinado território.”

A noção de Estado pressupõe, em primeiro lugar, a permanência do Poder: o Estado apenas surge quando o Poder se institucionaliza, ou seja, quando deixa de estar exclusivamente incorporado na pessoa de um chefe: é esta permanência do Poder que exprime a seguinte fórmula: “O Rei morreu, Viva o Rei!” (por isso é que o Absolutismo monárquico foi contra o Estado).

Em segundo lugar, o Estado pressupõe a “coisa pública”: se o Poder do Estado não pertence a um seu detentor, se não é sua propriedade pessoal (não há tal coisa como “dono do Estado”), é porque define um espaço público, comum a todos. Neste sentido, podemos dizer que qualquer Estado é uma “res publica” (do latim, “coisa pública”), mesmo tratando-se de uma monarquia. Por exemplo, a monarquia inglesa ou a dinamarquesa são “res publicae”.

Para além da confusão entre “nação”, por um lado, e “Estado”, por outro lado, o idiota observador defende implicitamente um super-estado que é a União Europeia — um super-estado sem rosto e sem identificação com uma qualquer nação propriamente dita.

4/

Se tomarmos por exemplo o movimento radical islâmico I.S.I.S., este faz a guerra em nome de um Estado islâmico que não tem uma nação, mas antes é um aglomerado de nacionalidades. Ademais, Napoleão, como campeão do liberalismo, fez a guerra contra os não-liberais do século XVIII. Ou seja, segundo o observador idiota, parece que há uma guerra boa e uma guerra má; e parece que o Estado islâmico faz a guerra porque é uma nação (o Estado islâmico é, alegadamente, “nacionalista”).

5/

Já vos falei aqui do que é o Observador, ressalvadas raras excepções: uma merda.

Segunda-feira, 20 Outubro 2014

O ressurgimento dos Estados-Nação na Europa

Filed under: Europa — O. Braga @ 9:24 am
Tags: , ,

 

Estado-Nação significa “território em que o Estado coincide (exclusivamente ou quase) com a Nação”.

Na Europa existem poucos Estados-Nação. Por exemplo, a Bélgica, a Itália, a Espanha, a Áustria, o Reino Unido, a Suíça — não são Estados-Nação porque as diversas nações que habitam em um determinado território estão subordinadas a um mesmo Estado.

Em contraponto e como podemos ver no mapa abaixo, Portugal, a Holanda, a Dinamarca, a Suécia, a Noruega, a Irlanda (república), a Grécia, a Estónia, a Bulgária, a Hungria, são Estados-Nação porque a única nação existente coincide com o Estado.

E depois existem países que sendo basicamente Estados-Nação, têm pequenos movimentos separatistas internos, como é o caso da ilha mediterrânica da Córsega ou do país basco francês, a Sérvia, a república Checa, a Alemanha (o problema da independência da Baviera), a Roménia, etc..

separatismo

Um bovinotécnico de serviço escreve aqui o seguinte:

“Há poucas semanas, a Escócia não se separou do Reino Unido por menos de dez pontos percentuais em relação ao não. Se os estados compostos da União Europeia se começarem a cindir, não há mecanismo previsto nem para os integrar, nem para os excluir.

Este é o problema político que a Europa enfrentará nos próximos anos, e que de alguma forma corresponde ao fim do Estado-Nação, onde ele nasceu e provavelmente se esgotou.”

O que acontece na realidade é exactamente o contrário daquilo que o bovinotécnico escreve. O que está a acontecer na Europa não é o fim do Estado-Nação, mas antes são as nações europeias que não têm Estado a quererem afirmar os seus respectivos Estados-Nação!

Quinta-feira, 19 Junho 2014

A contradição “nacionalista” do Corta Fitas

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 9:35 pm
Tags: ,

 

Escreve-se aqui:

“A questão do “nacionalismo” é perigosamente dúbia, enganadora. Quem ler Jean-François Revel (A Tentação Totalitária e Como acabam as Democracias) percebe claramente qualquer movimentação comunista começa por se afirmar “nacionalista”, assustando as gentes com a eminência da invasão estrangeira.

Assim procederam também os republicanos portugueses do início do século XX e quando nos empurraram para a matança da I Guerra Mundial”.

Adiante, lemos:

“A verdadeira Direita radica na Nação. Nas comunidades, no Povo, no respeito pelo Passado como indicador de um rumo, o do Futuro. Daí o seu orgulho pela História, vale dizer, pela continuidade do ethos nacional. De uma cultura identificativa. Nos nossos dias, a Direita só pode ter uma meta, jamais uma solução política inamovível.”


Convém que se diga, em abono da verdade, que a principal razão por que a I república entrou na I Guerra Mundial foi a defesa dos territórios ultramarinos, ameaçados pela Alemanha que chegou tarde à Era colonial.

Parece que existem dois conceitos de “nação”, distintos à esquerda e à direita. À esquerda (em uma certa esquerda soberanista representada pelo Partido Comunista), a nação é concebida como uma comunidade natural; e em uma certa “direita” (representada principalmente pelo Partido Social Democrata de Passos Coelho, mas também por Paulo Portas), a nação é vista como o resultado de um contrato, de uma associação voluntária dos seus membros unidos apenas por interesse.

É certo que o Partido Comunista, até há pouco tempo, era internacionalista e agora virou soberanista. Viragens súbitas deste tipo são de desconfiar. Podemos pensar legitimamente que o soberanismo do Partido Comunista é um menos uma convicção do que um instrumento de acção política.

Se a visão da direita em relação à “nação” se reduz a um contrato entre indivíduos, então não faz sentido que se diga que “a verdadeira direita radica na nação” (como se diz no texto referido); é uma contradição em termos. Poderíamos, em vez disso, dizer que “a verdadeira direita radica na comutatividade das relações entre indivíduos que define a nação”. Esta é, de facto, a direita neoliberal. Mas aqui, a nação deixa de fazer sentido histórico, mas antes assume uma dimensão presentista e revolucionária. Se a nação é produto de um mero contrato entre indivíduos, o passado histórico da nação é relegado para o olvido e apenas o presente é relevante — um presente omnipresente.


A nação pode ser definida como uma comunidade natural na qual cada um se inscreve, em primeiro lugar, devido ao facto do seu próprio nascimento; e depois devido a uma História comum, a uma língua comum, e a uma cultura comum. Uma nação é uma realidade que se impõe aos indivíduos, independentemente da sua escolha. Esta é a minha noção de “nação”.

Mas existe um outro conceito de “nação”, em que esta já não é uma comunidade natural mas antes um resultado de um mero contrato entre indivíduos que decorre da vontade discricionária individual. Ou adoptamos a primeira noção de “nação” ou a segunda. Não há aqui meio termo. Não há aqui possibilidade de “sol na eira e chuva no nabal”.

“A verdadeira Direita despreza os extremismos. Somente os gradua nas consequências da sua loucura.”

Temos que saber o que significa “extremismo”. Defender o primeiro conceito de “nação” ¿é ser extremista?! Ou ¿será que reduzir a nacionalidade a um mero contrato é uma forma de extremismo?

“Sequer a verdadeira Direita se foca no prisma ideológico. Há muito percepcionou o seu fim – as ideologias são meramente pretextos, conforme hoje bem se alcança das discussões parlamentares em torno do Estado Social vs. o famigerado neoliberalismo.”

O termo “ideologia” foi criado pelo francês Destut Tracy (1754 – 1836) para designar o projecto de uma ciência genealógica das ideias. Podemos definir “ideologia” como um sistema de ideias que reflecte uma determinada representação do mundo (este sistema de ideias pode ser mais ou menos dogmático).

A afirmação de que “já não existem ideologias” é sempre feita em um contexto ideológico — ou seja, é a ideologia segundo a qual “não existem ideologias”. A negação das ideologias é (ou faz parte de) uma ideologia.

Domingo, 9 Junho 2013

O director não-executivo da Goldman Sachs está de acordo com o Bloco de Esquerda

O representante da ONU e organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento é o inglês Peter Sutherland que é, também, director não-executivo do Banco Goldman Sachs International, e foi presidente do grupo petrolífero BP (British Petroleum).

¿ E o que é que o director não-executivo da Goldman Sachs (que “por acaso” é o organizador do Fórum Global da Migração e Desenvolvimento) defende, no que diz respeito às migrações populacionais e ao multiculturalismo ? Exactamente aquilo que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista defendem! Ou seja, o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda estão de acordo com a Goldman Sachs.

(more…)

Segunda-feira, 10 Setembro 2012

A ditadura irracional do feminino, e Savater

A Helena Damião, neste postal, parece não ter percebido um fenómeno social e político que marca estas eleições nos Estados Unidos como nunca marcou outras anteriores: a feminização da política americana, ou melhor dizendo, o apelo ao voto feminino. Quem vai decidir estas eleições nos Estados Unidos são as mulheres, porque se dependesse apenas dos homens, Mitt Romney já as tinha ganho. E por isso é que as duas mulheres — as esposas dos candidatos à presidência — assumiram um papel inusitado, inédito e mesmo exagerado nas respectivas campanhas eleitorais.

O problema aqui é o de saber até que ponto é positivo que o futuro de um país dependa da emoção feminina. Eu penso que é muito perigoso que o futuro de um país dependa dos humores volúveis e voláteis femininos. Mas a verdade é que os Estados Unidos estão hoje nessa posição.

É assim que, nestas eleições, são as mulheres dos candidatos que assumem publicamente o velho “american dream”, o mito segundo o qual qualquer pessoa pode ascender na escala social e chegar a presidente. Ou seja, as duas mulheres assumem o “american dream come true” dos respectivos maridos.

Mas, entretanto, o que está realmente em causa são duas mundividências opostas e inconciliáveis: uma, a de Obama, que defende o aborto até aos 9 meses de gravidez; a que pretende obrigar hospitais católicos a subscrever anticoncepcionais e a fazer abortos; a que pretende “casar” gays e lésbicas; a que pretende proibir a expressão religiosa em público; a que pretende centralizar a vida americana num Estado orwelliano; a que pretende continuar a aumentar indefinidamente a dívida pública do país — e a outra, de Mitt Romney, que se opõe a tudo isso.
(more…)

Segunda-feira, 4 Junho 2012

O nacionalismo: aquilo que a maçonaria e a Esquerda nos roubaram

The ultimate street party! ONE MILLION Jubilee spectators line the banks of the Thames to celebrate with her Majesty as she passes on Royal barge

via Queen's Diamond Jubilee 2012: ONE MILLION spectators line the River Thames | Mail Online.

Segunda-feira, 6 Fevereiro 2012

O Rei está para além do Estado

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:39 pm
Tags: , , , , ,

Este texto é, em parte [sublinho: em parte], um equívoco:

D. Duarte Pio de Bragança

O Rei nada tem a ver com o Estado, porque o Rei já existia antes do Estado.

O facto de o Rei ser o Chefe-de-estado moderno é um facto “acidental” — segundo o conceito aristotélico de “acidente”. O Rei não tem nada a ver com o Estado, na mesma relação de que o casamento não tem nada a ver com o Estado: ambas as instituições já existiam antes do Estado!

Estabelecer um nexo causal directo entre o Rei e o Estado é um erro de palmatória! Seria o mesmo que dizer que o olho existe em função da visão; ou dizer que uma pessoa tem pernas porque anda; ou que uma pessoa é livre porque age, quando na verdade a pessoa age porque é livre…!

O Rei não se reduz ou se limita à pessoa do rei. O Rei é uma instituição que se fundamenta no nacionalismo integral de Teixeira de Pascoaes. O Rei está para além do Estado, e está fundamentado na Nação. Nação e Estado não são a mesma coisa.

E chegados aqui, temos que definir “nação”:

“A nação é o conjunto de indivíduos que estão fundamentalmente ligados por laços históricos, culturais, por interesses, necessidades e aspirações comuns; povo; raça; pátria”.

Ressalto aqui o qualificativo “fundamentalmente”, que remete para o fundamento, para a raiz, para a origem. E também as “aspirações comuns”, que remetem para o desejo de um futuro e de auto-preservação.

Portanto, segundo a definição de “nação”, o nacionalismo não deve ser apenas e só o “nacionalismo tradicionalista” [segundo Fernando Pessoa; ler as obras em prosa de Fernando Pessoa], nem tão pouco o “nacionalismo sintético” [segundo o mesmo Fernando Pessoa], que se vê traduzido no texto supracitado. O nacionalismo não diz respeito preponderantemente ao passado [nacionalismo tradicional], nem preponderantemente ao futuro [nacionalismo sintético].

A Nação e o Rei não têm tempo, porque são instituições que advêm directamente da lei natural — e por isso é que não existe “um pretendente ao trono”: existe o Rei! Não é o trono que faz o Rei: é o Rei que faz o trono. E é também por isso que o nacionalismo deve ser integral [intemporal], segundo a ideia de Teixeira de Pascoaes.
(more…)

Create a free website or blog at WordPress.com.