perspectivas

Segunda-feira, 29 Outubro 2012

O enorme problema ético que é o marxismo e a Esquerda em geral

Asked in a BBC television interview in 1994 whether the creation of a communist utopia would be worth the loss of “15, 20 million people,” he replied clearly, “Yes.”

via Is the Response to Totalitarianism More Totalitarianism? :: Gatestone Institute.


Em 1994, portanto já depois da queda do muro de Berlim, a BBC entrevistou o historiador marxista inglês Eric Hobsbawm, falecido no dia 1 de Outubro p.p., e fez-lhe a seguinte pergunta:

¿A criação da utopia comunista valeu a perda de 15 a 20 milhões de pessoas, vítimas do processo revolucionário? Eric Hobsbawm respondeu: “sim”.

Portanto, para o comunista Eric Hobsbawm, 15 a 20 milhões de pessoas é nada. Matar 15 a 20 milhões de pessoas é, segundo o comunista, como “dá lá aquela palha”. Eric Hobsbawm foi franco e disse o que pensava, mas a maioria dos marxistas pensa o mesmo, mas não diz; apenas escondem. Colocados na situação histórica ideal (ou seja, colocados na “ocasião que faz o ladrão”), gente como Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã não hesitariam, um minuto sequer, pela via do genocídio revolucionário. Álvaro Cunhal recuou em 1975/76, apenas e só porque verificou in loco que as “condições da luta” não permitiam, com alguma segurança, a garantia de um massacre em massa do povo português.

Partidos como o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista são células terroristas adormecidas, à espera da melhor oportunidade para perpetrar o genocídio revolucionário. Dêem-lhes a ocasião e veremos o ladrão. Este tipo de gente não se arrepende de nada do que faz ou do que pensa, porque ou são psicopatas, ou são psicóticos: os primeiros são a encarnação do mal e os segundos são doentes mentais.

Anúncios

Terça-feira, 24 Julho 2012

Neognosticismo

Existe (ainda) uma certa ética cristã “voluntarista” — de origem em S. Paulo, continua por Santo Agostinho, segue com a irmandade franciscana, é adoptada por gente como Henrique de Gand ou Abelardo, foi seguida pela Escola de Port-Royal e por Pascal, entrou na Reforma através do calvinismo e do puritanismo, influenciou Kant, Hegel e o romantismo alemão, e finalmente descambou com Nietzsche com a sua inversão da vontade. Esta corrente ética voluntarista parte do paradoxo paulino: por um lado, a ética depende exclusivamente da nossa vontade; e por outro lado, depende do determinismo imposto por Deus — hoje, o determinismo de origem divina foi substituído pelo determinismo da natureza, mesmo sabendo-se que existe a física quântica.

Prefiro a concepção ética de S. Tomás de Aquino:

  • (1) é preciso obedecer sempre à nossa consciência, mesmo que possamos estar eventualmente errados;
  • (2) o acto cometido por uma consciência errada ou errónea continua a ser mau e distinto do de uma consciência informada; e por isso, há também a necessidade de informarmos a nossa consciência no sentido de evitarmos, quanto seja possível, os erros grosseiros na acção ética;
  • (3) o Direito Positivo tem a sua origem no direito natural que pertence às origens da criatura racional e que o tempo não muda, mas antes é imutavelmente permanente;
  • (4) o Direito Positivo é a incarnação do direito natural na História; e a dominação de um homem pelo outro já existia antes da “queda” e no estado de natureza no sentido das relações políticas entre um príncipe e os seus súbditos — porque o homem é um ser político: o direito natural é a forma do direito histórico;
  • (5) o ser humano é possuidor de livre-arbítrio, e a verdade é a adequação da consciência à realidade.

Ao contrário da concepção ética aristotélica de S. Tomás de Aquino, a estirpe platónica da ética — o “voluntarismo” — é iminentemente escapista [escape à realidade objectiva] e potencialmente gnóstica.

Por exemplo, os franciscanos medievais [desde a Alta Idade Média] defendiam a tese segundo a qual a própria natureza foi “quebrada” pela História [vemos as semelhanças com o movimento revolucionário moderno] por causa do pecado original [o “bom selvagem”, de Rousseau]. E os franciscanos baseavam esta sua tese na concepção ética de Santo Agostinho que, por sua vez, a foi buscar a S. Paulo.

Antes da “queda” — cogitavam os franciscanos medievais —, ou seja, antes do pecado original, no estado de uma natureza instituída, não existia nem senhor nem escravo [Rousseau], mas apenas a posse natural sem direito sobre as coisas [utopia platónica da República]; depois disto, para acudir às fraquezas humanas, foi instituída pelo homem a propriedade privada, (por exemplo, em Alexandre de Hales, “Suma do Irmão Alexandre”) introduzindo assim o direito e as relações de dominação [desconstrutivismo moderno e, por exemplo, marxismo cultural ou Derrida].

O próprio direito — ruminavam ainda os franciscanos — foi cindido pela “queda”, porque o direito natural é o estado da natureza humana antes do pecado original, antes da propriedade privada e antes da dominação: o Direito Positivo é, assim, concebido para uma natureza pecadora, o que significa que, para os franciscanos, existiu na Terra o Homem sem pecado e perfeito, e uma sociedade em que não existia o sofrimento nem a morte. Estamos em pleno gnosticismo cristão!

Podemos vislumbrar as influências da estirpe voluntarista da ética franciscana / agostiniana em gente tão diversa como, por exemplo, no bispo esquerdista Torgal Ferreira ou no radical Francisco Louçã. É isto que chamamos, grosso modo e entre outras razões, de “gnosticismo moderno”, ou neognosticismo.

Sexta-feira, 13 Julho 2012

Sobre a revolução

“Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.”

— Fernando Pessoa

Terça-feira, 22 Maio 2012

O naturalismo e o relativismo moral (4)

O descrédito do darwinismo lançou o desespero entre os neo-ateístas. Hoje, ninguém com dois dedos de testa defende a ideia darwinista de evolução.
(more…)

Domingo, 4 Março 2012

A frenologia republicana e o complexo de superioridade revolucionário

Republicanos medindo a cabeça de um sacerdote jesuíta, depois do golpe-de-estado de 5 de Outubro de 1910.

Quarta-feira, 10 Agosto 2011

O fabrico em série de novos direitos do cidadão

A fabricação de novos direitos começa sempre por um qualquer direito negativo atribuído ao cidadão; esse direito negativo é sempre um direito à negação de um costume, de uma tradição ou de uma lei moral — direito à negação, esse, que se transforma em letra de lei.

Os novos direitos do indivíduo, fabricados pelo movimento revolucionário, apelam invariavelmente à fraqueza humana, ou seja, invocam um qualquer aspecto negativo da sociedade que introduz os novos direitos como um carácter consistente da ordem social.

Foi assim desde que Calvino se serviu da negação dos costumes e da tradição católica como um direito negativo do cidadão da cidade teocrática de Genebra.

Teoricamente, esse direito negativo primordial transporta consigo mais deveres do que direitos (puritanismo), mas o que se verifica na prática é apenas a pulverização consequente de novos direitos sem que a natureza humana seja minimamente beliscada ou alterada, o que serve de esteio a sucessivos e sempiternos totalitarismos.

Sábado, 6 Agosto 2011

A responsabilidade da Igreja Católica no movimento revolucionário

Este artigo no Brussels Journal [inglês] é interessante porque faz uma súmula daquilo que se considera a “evolução do liberalismo” desde a Idade Média, e também faz menção a Maquiavel, acerca de quem Olavo de Carvalho publicou um livro recentemente a que, infelizmente, não temos acesso em Portugal devido ao conluio entre os me®dia e as editoras.

A cultura anglo-saxónica chama de “liberalismo” ao movimento revolucionário (que engloba a cultura antropológica, intelectual, a economia, a ética e portanto os costumes, e sobretudo a mundividência) , enquanto que na nossa cultura, “liberalismo” é apenas um sistema económico que evoluiu essencialmente a partir da escola económica escocesa do século XVIII.


Eu tenho uma posição crítica, ou no mínimo ambivalente, em relação a esta matéria, porque de facto o movimento revolucionário teve a sua origem dentro do clero da Igreja Católica medieval. Portanto, não é líquido que “uns sejam culpados e outros sejam inocentes”.

Os frades franciscanos medievais, também conhecidos por frades menores, aka frades mendicantes, aka “Fraticelli”, embora fossem conhecidos como os defensores da pobreza radical, foram quem produziu, pela primeira vez na Europa, uma teoria da riqueza. Foram os franciscanos defensores da pobreza extrema que defenderam, pela primeira vez na Idade Média católica, o direito à remuneração excepcional devido a um investimento de capital de risco (risco de câmbio, o custo do transporte de fundos, o risco de roubo, a imobilização do capital, etc.); foram eles que estabeleceram uma ligação directa entre a Banca e os Seguros.

O franciscano Duns Escoto, entre outros franciscanos, ao defenderem a teoria do poder absoluto do Papa, produziram uma doutrina filosófica — nomeadamente através de Jean Bodin — que absolutizou o poder político subtraindo-o à autoridade do Papa.

São os franciscanos teóricos da pobreza radical, que em nome do justo uso e da liberdade de contratar, justificam as práticas de enriquecimento da sociedade do início do século XIV (estamos no tempo de Filipe, o Belo, em França, da sua querela política com o Papa Bonifácio, e da extinção da Ordem dos Templários).

Quando os franciscanos reflectiam sobre a sua (deles) fuga do mundo (ascetismo), colocavam em causa a ordem do próprio mundo, e por isso foram obrigados a imaginar uma refundação utópica desse mundo que eles próprios rejeitavam. Os mesmos (os franciscanos) que queriam renunciar a todo o direito e a isolar-se do mundo, proclamaram o Direito como sendo positivo e arbitrário e assente num pacto social originário. O resultado disto foi a inversão da hierarquia cósmica, religiosa e política em prol de uma Nova Ordem na qual o ser humano se torna em fonte eterna e sistémica de “direitos” que nunca mais acabam.

Os franciscanos apóstolos da pobreza foram os teóricos da riqueza. Os Fraticelli franciscanos, seguidores fanáticos da doutrina de Joaquim de Fiore — e muito antes de Lutero — foram os verdadeiros percursores do movimento revolucionário. Ainda hoje, quando sei de um clérigo franciscano, fico logo de pé-trás.

Quinta-feira, 28 Julho 2011

Olavo de Carvalho escreve sobre o caso Anders Behring Breivik

«A mídia iluminada está em festa: no meio de milhares de atentados mortíferos praticados por gente de esquerda, conseguiu descobrir o total de um (1, hum) terrorista ao qual pode dar, sem muita inexatidão aparente, o qualificativo de “extremista de direita”.

O entusiasmo com que alardeia a presumida identidade ideológica do norueguês Anders Behring Breivik contrasta da maneira mais flagrante com a discrição cuidadosa com que o qualificativo de “extremista de esquerda” é evitado em praticamente todos os demais casos.»

via Quem aí lê norueguês?

Sexta-feira, 15 Julho 2011

A felicidade, a ética e o direito

A Itália acaba de rechaçar a lei esquerdista da eutanásia, depois de França, a Bulgária e a Polónia terem feito o mesmo. Alegadamente, os proponentes da lei da eutanásia fazem-no em nome da liberdade do indivíduo e, paradoxalmente, em nome do direito individual à felicidade — ou seja, não podendo o indivíduo ser feliz, terá, então, o direito a exigir da sociedade o seu aniquilamento.
Um fenómeno semelhante passou-se com o “casamento” homossexual e com guerra cultural subversiva pelos novos “direitos” dos gays. Talvez o argumento mais propalado pelo gayzismo e acolhido na opinião pública foi o de que “todos têm o direito à sua felicidade”.

Eu sou a favor da valorização da opinião pública nas decisões políticas. Pior do que a opinião pública é corrermos o risco de cairmos em uma ditadura de sábios. G. K. Chesterton escreveu: “Without education, we are in a horrible and deadly danger of taking educated people seriously.” (sem a educação, corremos um horrível e mortífero perigo de levar a sério as pessoas educadas). Porém, se perguntarmos a uma pessoa (qualquer que seja) o que é a felicidade, ela não saberá dizer o que é. A felicidade não tem definição: nem colectiva, nem individual.
(more…)

A tradição revolucionária (1) — por Olavo de Carvalho

«Os movimentos contra-revolucionários, nos quais tantos reacionários e conservadores apostaram suas belas esperanças, nunca passaram da ala direita do processo revolucionário, fortalecendo-o na medida mesma em que imaginavam debilitá-la.»

A tradição revolucionária – 1.

Terça-feira, 7 Junho 2011

Um revolucionário é basicamente um louco

A negação da realidade é uma característica comum aos gnósticos da antiguidade tardia e aos neognósticos (movimento revolucionário moderno). Segue-se que podemos dizer, e neste sentido, que um marxista ou um nazi, por exemplo, são neognósticos.

A proliferação de novos “direitos” atribuíveis ao cidadão revela essa negação íntima e subjectiva da realidade.

Enquanto que os gnósticos antigos consideravam a realidade, em que se move a existência humana, como sendo um “mundo tóxico” que, segundo eles, deveria ser objecto de rejeição e negação — os gnósticos modernos não só rejeitam e negam essa realidade, como pretendem também alterar o seu fundamento axiomático.

Quanto mais vou vendo e analisando o fenómeno revolucionário moderno, mais me convenço que o neognóstico ou revolucionário é basicamente um doente mental. Pessoas como, por exemplo, Francisco Louçã e outros dirigentes políticos da Esquerda, são doentes mentais.

Faz parte da doença mental neognóstica ou revolucionária, a obsessão com a igualdade que acaba por esmagar as diferenças humanas. E o absurdo é que a obsessão em relação à igualdade é proclamada em nome do direito à diferença…! Essa obsessão em relação à igualdade faz parte do quadro clínico de uma pessoa com graves perturbações mentais.

É neste ambiente de loucura política neognóstica que surgem as reivindicações de novos “direitos” — que reduzem a norma do Direito ao facto —, como por exemplo, o direito ao “casamento” gay, à adopção de crianças por duplas de avantesmas, à eutanásia, a liberalização do aborto e a equiparação dos direitos dos animais aos direitos humanos (ou vice-versa), etc.

Essas reivindicações de novos “direitos” expressam, por parte dos neognósticos ou revolucionários, a firme negação e rejeição da realidade concreta e objectiva, e o desejo — impossível de realizar — de alterar a estrutura axiomática da natureza e da realidade. Estamos a lidar com gente com graves problemas mentais!

O problema está em saber até que ponto permitimos que um bando de loucos tome conta da nossa sociedade.

Segunda-feira, 28 Março 2011

Breve história da Reforma luterana (4)

Se o luteranismo permitiu o casamento da religião com o Estado, o calvinismo permitiu o casamento da religião com o dinheiro.

Uma das características do luteranismo foi a submissão da religião ao Estado, o que ainda acontece hoje nas igrejas nacionais, como é caso da igreja sueca que não é mais do que um apêndice do Estado sueco. Pelo contrário, a Igreja Católica defendeu sempre a independência da religião em relação aos Estados, o que se acentuou ainda mais com a Contra-reforma. Mesmo durante os fascismos do século XX, a Igreja Católica conseguiu uma certa independência.
(more…)

« Página anteriorPágina seguinte »

Site no WordPress.com.

%d bloggers like this: