perspectivas

Segunda-feira, 3 Março 2014

A causalidade diabólica

 

Se perguntarmos, a quem escreveu isto (ver ficheiro PDF), se é a favor da democracia directa — ou melhor dizendo, da democracia participativa, e em alternativa à democracia representativa que temos —, o escriba dirá que não é a favor. No entanto ele diz ser a favor da “vontade do povo”! — só que a “vontade do povo” terá que estar de acordo com a ideologia política que o escriba defende.

Para fundamentar uma ideologia absolutista (próxima do totalitarismo), os chamados “tradicionalistas” e “integralistas” — que de tradicionalistas não têm nada, e nada mais são do que uma extensão do movimento revolucionário — optam invariavelmente pelo recurso ao conceito de “causalidade diabólica” para explicarem as dificuldades da Realidade, os malogros da acção humana e todos os males do mundo, como uma conspiração de forças malignas. Essas forças malignas ou são os judeus, ou o capitalismo, ou outra coisa qualquer. Para a racionalização maniqueísta dos ditos “tradicionalistas”, o acidental (o acaso) e as causas naturais não existem: tudo parece estar determinado por forças ocultas que agem independentemente de factos objectivos que comprovem essa acção.


É certo que a História é feita (também) de conspirações de grupos ou de elites. Mas essas conspirações não comandam o curso da História: em vez disso, integram-se nele (no curso da História). Portanto, é irracional que queiramos ver nos judeus, ou no capitalismo, uma conspiração oculta que conduz a História de uma forma determinista. Só podemos falar de “conspiração” propriamente dita quando existem factos concretos e objectivos que infiram ser verídica uma determinada teoria.

A racionalização política mete tudo no mesmo saco: criminosos políticos e inocentes apolíticos — porque a racionalização política pretende meter o universo inteiro e a Realidade dentro de uma lógica de uma ideia (o conceito de “lógica mortífera de uma ideia”, de Hannah Arendt). A tentativa de meter a Realidade dentro de um sistema ideológico conduz a uma perda de aderência em relação ao Real e à experiência. O revolucionário “desanca” no Real, pretendendo que o Real obedeça às suas ordens (por exemplo, com o “casamento” gay ou com a adopção de crianças por pares de invertidos), ou para que o Real obedeça à sua ideia. Mas logo que alcança o Poder, o revolucionário estabelece um reino de terror e pretende que o Real se adapte à sua ideologia, a todo e qualquer custo.

A racionalização política ergue-se acima dos factos e torna-se superior a estes, ou seja, recusa a experiência do Real.

Por outro lado, o pragmatismo político também pode ser uma forma de racionalização política, porque se caracteriza por um excesso de lógica em relação ao empírico e pela recusa da complexidade do Real; pretende-se que o Real obedeça à simplificação que o espírito faz da Realidade. E quando o Real não corresponde à ideologia, o revolucionário entra em dissonância cognitiva e procura imediatamente a coerência unívoca da sua mundividência adequada à ideologia política que professa.

Joseph Gabel disse da racionalização política que era um “racionalismo mórbido” (na sequência do conceito de delírio interpretativo) porque pretende qualificar construções lógicas delirantes a partir de dados que não são necessariamente imaginários ou alucinatórios. O que aquele blogue tem vindo a escrever acerca de Olavo de Carvalho é o exemplo perfeito de “racionalismo mórbido”.

A loucura não é apenas sinónimo de incoerência: também pode ser um excesso de coerência abstracta (por exemplo, em Louis Althusser) que implica uma perda de contacto com o concreto e com o objectivo, ou seja, como se diz comummente, uma “perda de aderência ao Real”.

Quarta-feira, 24 Julho 2013

Para Rui Tavares, o futuro é uma certeza, e a língua portuguesa deve ser simplificada

Neste texto de Rui Tavares, se o lermos com atenção, fica claro e explicito de que é legítimo cada um escrever como quiser; e cabe ao Estado regular a “escrita oficial” que pode ser diferente da “escrita real”. Ou seja, cada um deve escrever conforme fala, o que significa potencialmente a implosão da língua portuguesa culta.

“Quem tem de obedecer ao acordo em primeiro lugar são os próprios Estados que o assinaram. Eu escrevo e continuarei a escrever da forma como quiser sem punição do Estado (na verdade, muitas vezes são os poderes privados que interferem: eu escrevo sempre “estado” com minúscula, e tanto este jornal como a minha editora costumam alterar para maiúscula). Mas reconheço legitimidade ao Estado [maiúscula introduzida pelo editor para confirmar declaração anterior] para escolher uma ortografia para os seus actos escritos, nomeadamente para que as leis estejam escritas de forma homogénea. O primeiro objecto do acordo será, nesse sentido, o Diário da República. O resto da sociedade só segue se quiser.”

Esta concepção de Rui Tavares acerca da língua portuguesa é, pelo menos em parte, coincidente com a do brasileiro Marcos Bagno. Ou seja, para ele não existe, de facto, um português correcto. Em vez disso, existe o Acordo Ortográfico que os Estados assinaram, e depois existe o português que cada um escreve ou quer escrever – e as duas versões da língua não têm que ser necessariamente coincidentes. Exigir ao cidadão a utilização de um português correcto passa a ser uma atitude bafienta, reaccionária ou salazarista.

A adopção da visão de Marcos Magno por Rui Tavares é confirmada no resto do texto, desde logo quando ele escreve que o Acordo Ortográfico “facilita-nos a vida”. Um dos argumentos de Magno é que a escrita deve facilitar a vida a quem escreve; a escrita deve ser fácil e simples, e mesmo simplificada, reduzida a um basismo essencial.

A argumentação de Rui Tavares resume-se à necessidade de um certo nivelamento por baixo. A falácia da mediocridade é o seu ponto mais forte: se há pessoas que têm maior dificuldade em aprender a escrever a língua culta, então que se acabe com a língua culta escrita e etimologicamente ligada ao latim e ao grego.

Esta visão da cultura assusta. E mais assusta, em Rui Tavares, a certeza absoluta que ele tem do futuro. Por causa de gente que sempre teve a certeza do futuro é que as hecatombes humanitárias e as decadências sócio-culturais têm acontecido.

[ ficheiro PDF do texto de Rui Tavares]

Terça-feira, 2 Julho 2013

A Escolástica do século XX

José Pacheco Pereira fala-nos aqui da “Escolástica do século XX”.

A dogmatização dos direitos humanos, transformando-os em uma forma de fazer política, para além de repudiar o que há de bom e positivo nas tradições, é a causa do aumento da tutela da organização burocrática (por exemplo, na cúpula do leviatão da União Europeia), em que a afirmação retórica, obsessiva e repetida da singularidade das pessoas concretas é acompanhada pela sua equivalência abstracta num anonimato generalizado; e em que o reconhecimento social de todas as espécies de direitos – “casamento” gay, adopção de crianças por pares de invertidos, eutanásia “a pedido do freguês”, aborto livre “porque sim”, pedofilia como “orientação sexual”, teoria de género, feminismo, etc. – e liberdades tem como contraponto o retraimento narcísico dos indivíduos e o seu desinteresse pela coisa pública (ou seja, diminuição da coesão social), e em que a omnipresente encenação política de liberalização dos costumes esconde a propensão para um mimetismo na cultura antropológica, um seguidismo e um conformismo sem precedentes que abre caminho a uma nova forma de totalitarismo.

Exceptuando alguns poucos pensadores medievais católicos – como, por exemplo, Anselmo de Aosta ou S. Tomás de Aquino -, a Escolástica, em geral, passou o tempo a discutir o sexo dos anjos. De um modo semelhante, também existiu uma Escolástica no século XX, que já vinha da revolução francesa, da utopia positivista que evoluiu para o socialismo francês pela mão do utilitarismo de Bentham, e que teve em Karl Marx o seu corolário.

Paradoxalmente, a religião que Karl Marx criticou deu origem a um Ersatz da religião, a uma religião política imanente e moderna que também teve os seus relapsos, os seus “protestantes” e a sua “Reforma”: mas sempre a discutir o sexo dos anjos. O que se passa hoje, em grande parte da Europa e nomeadamente em França , é, de facto, o retorno às origens da Escolástica moderna; uma espécie de “vira o disco e toca o mesmo”.

José Pacheco Pereira fala de “humanismo” e de “anti-humanismo”. Mas ¿o que significa “humanismo”?

O termo “humanismo” sofreu tantas definições que já não se sabe bem o que é. O próprio marxismo ortodoxo, que se dizia “anti-humanista”, acabou por reclamar a herança do humanismo e, por isso, paradoxalmente, ser também – embora involuntariamente – “humanista”. Se considerarmos “humanismo” aquilo que saiu do Iluminismo – porque também existe um outro “humanismo” que saiu do Renascimento, para além do “humanismo” do personalismo cristão, e etc. -, esse humanismo iluminista é sinónimo de racionalismo; mas racionalismo não é a mesma coisa que racionalidade; mas durante muito tempo pensou-se que os dois conceitos eram equivalentes.

Dizia Albert Camus que “Nietzsche era grego e Karl Marx, cristão”. O que separa, realmente, Karl Marx do Cristianismo é a ausência de um fundamento último da teoria. Ou seja, o marxismo é construído sem alicerces na metafísica, sem uma axiomática que o prenda ao Real; neste sentido, é uma espécie de Escolástica medieval invertida ou do avesso.

Do racionalismo humanista do iluminismo, muitas vezes irracional, não poderíamos esperar outra coisa senão a construção do “Homem abstracto”, por exemplo, mediante uma “política dos direitos humanos” criticada profeticamente por Marcel Gauchet em princípios da década de 1980.

Existe aqui um paradoxo: os “direitos humanos”, assumidos como uma política em si mesma, diluiu qualquer tipo de humanismo – incluindo o personalismo cristão que sempre foi concreto (pelo menos em tese) por sua própria natureza. Vivemos numa época de paradoxos decorrentes de uma racionalização política que é, no fundo, uma tentativa (propositada!) de irracionalizar a sociedade e a cultura.

Os paradoxos da relação entre indivíduo e sociedade, por um lado, e por outro lado entre o indivíduo e o Estado, são mitigados (aparentemente) pela invocação ritualizada (por exemplo, pelo socialismo dos Khmers Rosa de François Hollande ) da liberdade, e da igualdade entendida como uma aplicação prática de uma espécie de ideologia de Procrustes.

A dogmatização dos direitos humanos, transformando-os em uma forma de fazer política, para além de repudiar o que há de bom e positivo nas tradições, é a causa do aumento da tutela da organização burocrática (por exemplo, na cúpula do leviatão da União Europeia), em que a afirmação retórica, obsessiva e repetida da singularidade das pessoas concretas é acompanhada pela sua equivalência abstracta num anonimato generalizado; e em que o reconhecimento social de todas as espécies de direitos – “casamento” gay, adopção de crianças por pares de invertidos, eutanásia “a pedido do freguês”, aborto livre “porque sim”, pedofilia como “orientação sexual”, teoria de género, feminismo, etc. – e liberdades tem como contraponto o retraimento narcísico dos indivíduos e o seu desinteresse pela coisa pública (ou seja, diminuição da coesão social), e em que a omnipresente encenação política de liberalização dos costumes esconde a propensão para um mimetismo na cultura antropológica, um seguidismo e um conformismo sem precedentes que abre caminho a uma nova forma de totalitarismo.

Foi nisto que desembocou a “Escolástica do século XX”.

Quinta-feira, 27 Junho 2013

Morreu hoje um membro fundador do Partido Comunista da África do Sul

Filed under: A vida custa — orlando braga @ 11:47 am
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O Partido Comunista sul-africano, sob a a batuta de Nelson Mandela, foi responsável pelo assassínio de inúmeras pessoas inocentes, incluindo três freiras católicas. O próprio partido ANC era dirigido por membros do Partido Comunista da África do Sul; entre os terroristas comunistas que dirigiam o ANC figurava o famigerado Nelson Mandela que morreu hoje , com 94 anos.

Sábado, 25 Maio 2013

O reaccionarismo de Fernando Pessoa

“Ser revolucionário é servir o inimigo. Ser liberal é odiar a pátria. A Democracia Moderna é uma orgia de traidores.” - Fernando Pessoa

Eu, que me considero reaccionário, ao ler Fernando Pessoa fico corado. Há passagens dele que fazem lembrar Nicolás Gómez Dávila. Fernando Pessoa é tão reaccionário que considerou que Salazar, ao tirar partido do movimento revolucionário para subir ao Poder, é também uma vergôntea deste. Dizer que Salazar foi uma espécie de revolucionário só pode vir de uma mente ultra-reaccionária.

Já se viu alguém de esquerda citar a prosa de Fernando Pessoa? É muito raro. Até os escritores e artistas de esquerda cobrem hoje Fernando Pessoa com um véu de ignorância. O ódio do politicamente correcto a Fernando Pessoa é de tal modo que lhe querem mesmo destruir a língua com este Acordo Ortográfico.

Quarta-feira, 20 Fevereiro 2013

A mitificação da ciência e a demitificação da morte

“No âmbito da medicina actual, a situação é deveras problemática: no esforço de apagar do seu horizonte o sofrimento e a morte, a ciência médica investe na Técnica que está para além das suas possibilidades. Max Weber escreveu que a ciência médica não coloca a questão de se, e quando, a vida vale a pena ser vivida, omitindo a crise de identidade do médico perante o problema dos doentes terminais.

A medicina parece não poder resolver os problemas com que se confronta senão transformando um problema ético num problema técnico. — Sofia Reimão (página 168 do livro mencionado em rodapé).


forneira de Jean-François_Millet1/ O problema é, de facto, complexo, mas a responsabilidade da actual situação recai naqueles que, ao longo de várias gerações, e principalmente desde finais do século XVIII a esta parte, foram moldando a cultura antropológica do Ocidente, transformando a ciência num mito ao mesmo tempo que a morte era demitificada (“demitificar” não é a mesma coisa que “desmitificar”, e/ou “desmistificar”). A longo dos últimos dois séculos, a morte foi sendo demitificada na proporção directa da mitificação da ciência. Hoje, damo-nos conta dos erros culturais acumulados e da responsabilidade não só da comunidade científica desde o Iluminismo, mas também da responsabilidade das elites políticas e da ruling class em geral.

2/ Durante o século XX, principalmente nele, a mitificação da ciência acelerou-se, ao mesmo tempo que a demitificação da morte foi sendo imposta indirectamente na cultura antropológica a Ocidente mediante um combate feroz, levado a cabo pela ruling class e ao longo de gerações, não só contra todos os tipos de tradições, mas também tendo em vista a construção ontológica do Homem Novo, partindo do princípio de que é possível alterar a natureza fundamental do ser humano.

3/ Na sequência do Iluminismo, as elites passaram a acreditar no progresso e na perfectibilidade progressiva do ser humano enquanto tal. A mente humana, incluindo a volição e a razão, teriam a potencialidade de progresso. Por entre a ruling class do século XIX e grande parte do século XX, acreditava-se no “futuro da razão” e no inevitável progresso e avanço da mente humana. O progresso tornou-se numa lei da natureza que colocava em causa a própria natureza humana. O resultado dessa mundividência progressista foi dantesco: centenas de milhões de mortos, vítimas das revoluções progressistas e do movimento revolucionário em geral, e apenas no século XX.
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Quinta-feira, 14 Fevereiro 2013

Segundo o movimento revolucionário, “a Lógica evolui”

« O marxismo afirma que a forma de pensar de uma pessoa é determinada pela classe a que pertence.  Toda classe social tem sua lógica própria.  Logo, o produto do pensamento de um determinado indivíduo não pode ser nada além de um “disfarce ideológico” dos interesses egoístas da classe à qual ele pertence.  A tarefa de uma “sociologia do conhecimento”, segundo os marxistas, é desmascarar filosofias e teorias científicas e expor o seu vazio “ideológico”.  A economia seria um expediente “burguês” e os economistas são sicofantas do capital.  Somente a sociedade sem classes da utopia socialista substituirá as mentiras “ideológicas” pela verdade.

Este polilogismo, posteriormente, assumiu várias outras formas.  O historicismo afirma que a estrutura lógica da acção e do pensamento humano está sujeita a mudanças no curso da evolução histórica. O polilogismo racial atribui a cada raça uma lógica própria.

O polilogismo, portanto, é a crença de que há uma multiplicidade de irreconciliáveis formas de lógica dentro da população humana, e estas formas estão subdivididas em algumas características grupais. »

via Mídia Sem Máscara – O que os nazistas copiaram de Marx.

Sexta-feira, 8 Fevereiro 2013

O que está em causa com o “casamento” gay é uma mudança de civilização

“Se o nosso mundo se transformar num inferno, ficaremos orgulhos por termos sido nós a criá-lo.” — Charles Hernu, ministro socialista e maçon do governo de François Mitterrand.

Em nenhum país onde o “casamento” gay foi legalizado, a instituição do casamento ficou a ganhar: pelo contrário, nesses países (incluindo Portugal), o número de casamentos, em geral, diminuiu.

Segundo dados estatísticos de entre 1999 e 2011, o número de homossexuais em união-de-facto (PACS) em França caiu de 42% para 4,7%. O artigo refere que o primeiro gay francês a morrer de SIDA, Gaëtan Dugas, vangloriava-se de ter tido cerca de 250 parceiros sexuais por ano. Em Espanha, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas espanhol, a percentagem de “casamentos” entre gays é 1,06% e 2,38%, entre 2005 (data da legalização) e 2011 — ou seja, entre 0,013% e 0,127% do total de casamentos realizados em Espanha no dito período de tempo.

O que está em causa com o “casamento” gay não é uma questão de legalização das relações homossexuais; em vez disso, é uma tentativa de destruição de toda uma civilização — destruição de identidade social, cultural, moral, histórica e religiosa da nossa sociedade; é uma revolução que pretende destruir todas as bases da nossa sociedade.

O “casamento” gay é um símbolo político da rejeição da civilização ocidental, o que significa uma tentativa de retorno cultural ao paganismo dos bárbaros anterior à Era cristã. Trata-se de um tentativa de recuo civilizacional de mais de 2000 anos. Em nenhum país onde o “casamento” gay foi legalizado, a instituição do casamento ficou a ganhar: pelo contrário, nesses países (incluindo Portugal), o número de casamentos, em geral, diminuiu.

Segunda-feira, 26 Novembro 2012

O Neoliberalismo combate o Estado, mas depende do Estado para combater o Estado

Os insurgentes explanam aqui sobre o conceito de Neoliberalismo, não como uma teoria económica, mas como uma ideologia política — porque o “desprezo” do Neoliberalismo pela política é uma componente central da ideologia política neoliberal. E mais: o Neoliberalismo, desprezando o Estado, não pode vingar, como ideologia política, sem o Estado: estamos em presença de uma ideologia parasitária e auto-contraditória, à semelhança do marxismo (embora o marxismo tenha outro tipo de contradições).
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Segunda-feira, 29 Outubro 2012

O enorme problema ético que é o marxismo e a Esquerda em geral

Asked in a BBC television interview in 1994 whether the creation of a communist utopia would be worth the loss of “15, 20 million people,” he replied clearly, “Yes.”

via Is the Response to Totalitarianism More Totalitarianism? :: Gatestone Institute.


Em 1994, portanto já depois da queda do muro de Berlim, a BBC entrevistou o historiador marxista inglês Eric Hobsbawm, falecido no dia 1 de Outubro p.p., e fez-lhe a seguinte pergunta:

¿A criação da utopia comunista valeu a perda de 15 a 20 milhões de pessoas, vítimas do processo revolucionário? Eric Hobsbawm respondeu: “sim”.

Portanto, para o comunista Eric Hobsbawm, 15 a 20 milhões de pessoas é nada. Matar 15 a 20 milhões de pessoas é, segundo o comunista, como “dá lá aquela palha”. Eric Hobsbawm foi franco e disse o que pensava, mas a maioria dos marxistas pensa o mesmo, mas não diz; apenas escondem. Colocados na situação histórica ideal (ou seja, colocados na “ocasião que faz o ladrão”), gente como Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã não hesitariam, um minuto sequer, pela via do genocídio revolucionário. Álvaro Cunhal recuou em 1975/76, apenas e só porque verificou in loco que as “condições da luta” não permitiam, com alguma segurança, a garantia de um massacre em massa do povo português.

Partidos como o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista são células terroristas adormecidas, à espera da melhor oportunidade para perpetrar o genocídio revolucionário. Dêem-lhes a ocasião e veremos o ladrão. Este tipo de gente não se arrepende de nada do que faz ou do que pensa, porque ou são psicopatas, ou são psicóticos: os primeiros são a encarnação do mal e os segundos são doentes mentais.

Terça-feira, 24 Julho 2012

Neognosticismo

Existe (ainda) uma certa ética cristã “voluntarista” — de origem em S. Paulo, continua por Santo Agostinho, segue com a irmandade franciscana, é adoptada por gente como Henrique de Gand ou Abelardo, foi seguida pela Escola de Port-Royal e por Pascal, entrou na Reforma através do calvinismo e do puritanismo, influenciou Kant, Hegel e o romantismo alemão, e finalmente descambou com Nietzsche com a sua inversão da vontade. Esta corrente ética voluntarista parte do paradoxo paulino: por um lado, a ética depende exclusivamente da nossa vontade; e por outro lado, depende do determinismo imposto por Deus — hoje, o determinismo de origem divina foi substituído pelo determinismo da natureza, mesmo sabendo-se que existe a física quântica.

Prefiro a concepção ética de S. Tomás de Aquino:

  • (1) é preciso obedecer sempre à nossa consciência, mesmo que possamos estar eventualmente errados;
  • (2) o acto cometido por uma consciência errada ou errónea continua a ser mau e distinto do de uma consciência informada; e por isso, há também a necessidade de informarmos a nossa consciência no sentido de evitarmos, quanto seja possível, os erros grosseiros na acção ética;
  • (3) o Direito Positivo tem a sua origem no direito natural que pertence às origens da criatura racional e que o tempo não muda, mas antes é imutavelmente permanente;
  • (4) o Direito Positivo é a incarnação do direito natural na História; e a dominação de um homem pelo outro já existia antes da “queda” e no estado de natureza no sentido das relações políticas entre um príncipe e os seus súbditos — porque o homem é um ser político: o direito natural é a forma do direito histórico;
  • (5) o ser humano é possuidor de livre-arbítrio, e a verdade é a adequação da consciência à realidade.

Ao contrário da concepção ética aristotélica de S. Tomás de Aquino, a estirpe platónica da ética — o “voluntarismo” — é iminentemente escapista [escape à realidade objectiva] e potencialmente gnóstica.

Por exemplo, os franciscanos medievais [desde a Alta Idade Média] defendiam a tese segundo a qual a própria natureza foi “quebrada” pela História [vemos as semelhanças com o movimento revolucionário moderno] por causa do pecado original [o “bom selvagem”, de Rousseau]. E os franciscanos baseavam esta sua tese na concepção ética de Santo Agostinho que, por sua vez, a foi buscar a S. Paulo.

Antes da “queda” — cogitavam os franciscanos medievais —, ou seja, antes do pecado original, no estado de uma natureza instituída, não existia nem senhor nem escravo [Rousseau], mas apenas a posse natural sem direito sobre as coisas [utopia platónica da República]; depois disto, para acudir às fraquezas humanas, foi instituída pelo homem a propriedade privada, (por exemplo, em Alexandre de Hales, “Suma do Irmão Alexandre”) introduzindo assim o direito e as relações de dominação [desconstrutivismo moderno e, por exemplo, marxismo cultural ou Derrida].

O próprio direito — ruminavam ainda os franciscanos — foi cindido pela “queda”, porque o direito natural é o estado da natureza humana antes do pecado original, antes da propriedade privada e antes da dominação: o Direito Positivo é, assim, concebido para uma natureza pecadora, o que significa que, para os franciscanos, existiu na Terra o Homem sem pecado e perfeito, e uma sociedade em que não existia o sofrimento nem a morte. Estamos em pleno gnosticismo cristão!

Podemos vislumbrar as influências da estirpe voluntarista da ética franciscana / agostiniana em gente tão diversa como, por exemplo, no bispo esquerdista Torgal Ferreira ou no radical Francisco Louçã. É isto que chamamos, grosso modo e entre outras razões, de “gnosticismo moderno”, ou neognosticismo.

Sexta-feira, 13 Julho 2012

Sobre a revolução

“Um período revolucionário é sempre uma ditadura de inferiores.”

— Fernando Pessoa

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