perspectivas

Quinta-feira, 7 Julho 2016

O sofisma de Pedro Arroja sobre a democracia

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 7:47 pm
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O Pedro Arroja diz que os portugueses não se conciliam com a democracia, e que no Canadá é que é bom porque lá existe democracia:

“Não que nos faltem grandiosas declarações de apego à democracia. Mas, depois, os actos, sobretudo por parte daqueles que fazem as grandiosas declarações, não correspondem ao espírito ou cultura democrática. A diferença está nos detalhes e é uma miríade de detalhes que postos em conjunto produzem este resultado. A cultura dos portugueses é uma cultura monárquica, de soberanos e súbditos.”

O que se passa hoje com Hillary Clinton a fugir dos pingos da chuva da Justiça americana, ¿é democracia? E o Canadá do actual primeiro-ministro canadiano ¿é democracia?

A democracia está em crise em todo o mundo — e não só em Portugal. Se o Pedro Arroja fosse buscar o exemplo democrático da Suíça, já concordaria eu com ele; mas o exemplo do actual Canadá, não lembra ao diabo.

Ademais, o Pedro Arroja estabelece uma falsa dicotomia entre democracia, por um lado, e monarquia, por outro lado — como se uma grande parte das democracias não fossem monarquias (Reino Unido, Dinamarca, Suécia, Noruega, Bélgica, Holanda, Espanha, etc., e o próprio Canadá foi, até há pouco tempo, um território sujeito à monarquia britânica).

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Segunda-feira, 25 Janeiro 2016

Viva o progresso!

Filed under: Portugal — O. Braga @ 6:58 pm
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Pela primeira vez temos um presidente da república divorciado (não há primeira-dama).

O próximo presidente da república será uma lésbica “casada” com outra (uma marida com uma marida) e com um filho anónimo, produto de inseminação artificial (um filho-de-puta).

E depois teremos um gay poliândrico como presidente da república, que transformará o palácio de Belém em uma sauna gay. Há que ser moderno!

E para sermos ainda mais progressistas, iremos eleger para presidente da república um transsexual negro em uma relação poliamórica com 27 homens e mulheres de género neutro. Não há fome que não dê em fartura!

Ser progressista é fixe.


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Sexta-feira, 13 Novembro 2015

O Rei não é um presidente da república

Filed under: Portugal — O. Braga @ 6:03 pm
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Quando o Príncipe do Liechtenstein — que é uma monarquia constitucional — se viu confrontado com uma lei do aborto proposta pelo parlamento, não só vetou a lei como também ameaçou abdicar do cargo se a lei não fosse revogada. E a lei do aborto acabou por ser revogada no Liechtenstein.

Este é apenas um exemplo que ilustra por que razão o João Távora está errado (e o D. Duarte Pio também).

djoao2O João Távora faz uma confusão quando diz que “o rei não pode entrar em conflito com os partidos do parlamento de que não gosta”; não é uma questão de “gostar” ou “deixar de gostar”: é uma questão de valores e de convicções. Se o João Távora e D. Duarte Pio não sabem o que são valores, então não se distinguem de um qualquer político que não age segundo aquilo que pensa, mas antes age segundo aquilo que lhe parece ser mais eficaz. Ora, o Rei não é um político qualquer (não faz parte da classe política).

Se existisse, por absurdo, um partido neonazi coligado com o Partido Social Democrata e o CDS/PP, o João Távora acharia certamente que o Rei deveria dar posse a um governo dessa coligação, embora “existissem riscos”. O problema é o de saber se um partido neonazi e/ou o partido estalinista devem fazer parte do espectro partidário legal e legítimo.


Parece-me que o João Távora não percebeu ainda o que é um Rei. Um Rei não é uma espécie de presidente da república — e parece-me que Cavaco Silva procura emular um verdadeiro Rei.

O fundamento da legitimidade do Rei é um fundamento metajurídico. Embora seja o garante da Constituição, o Rei (enquanto símbolo) está antes da Constituição. E é por isto que um Rei não é republicano.

Se fosse verdade, como diz o João Távora, que “o Rei só se deve pronunciar sobre questões que toquem a sua consciência ou naquelas em que pressentir choque com a cultura social predominante”, então Príncipe do Liechtenstein teria promulgado a lei do aborto no seu (dele) país proposta pela maioria do parlamento; mas não o fez — porque o símbolo do Rei ultrapassa os recursos da jurisprudência e precisa de ser analisado de forma não convencional.

Segunda-feira, 6 Julho 2015

A esperança esboroa-se perante tanta estupidez “monárquica”

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 6:44 am
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Os monárquicos portugueses fazem lembrar as palavras de Afonso de Albuquerque, Vice-rei da Índia, na hora da sua morte: “Mal com os homens por amor d’ El Rei, mal com El Rei por amor dos homens. O melhor é acabar…”

Vemos em baixo, na imagem, um membro da comunidade da “Monarquia Constitucional” no FaceBook a dar razão a um texto que provocaria apoteose nos membros da comunidade “Monarquia Tradicional” no mesmo FaceBook.

fora-com-dom-duarte

Mas, se seguirmos a lógica das coisas, Monarquia Constitucional e Monarquia Tradicional são incompatíveis — porque a Monarquia Tradicional segue as ideias de António Sardinha que foi republicano durante a monarquia e que passou a ser monárquico na república. A coerência e a consistência de António Sardinha diz tudo acerca do tipo de “Monarquia Tradicional” que se defende em Portugal — para além de o próprio D. Miguel, irmão de D. Pedro IV (D. Pedro I do Brasil), ter assinado, em 26 de Fevereiro de 1828 e sob palavra de honra, a Carta Constitucional, depois de já ter aceite a proposta do seu (dele) irmão para se casar com a filha de D. Pedro, D. Maria da Glória (para além da honra pútrida, o incesto permitido) e governar sob as leis liberais.

Se esta gente tivesse dois dedos de testa, nunca um adepto da Monarquia Constitucional subscreveria um texto que critica a Monarquia Constitucional; e nunca um adepto da Monarquia Tradicional pretenderia regredir ao Absolutismo Monárquico. Os “monárquicos” portugueses são revolucionários no pior sentido: no sentido histórico caracterizado pela pulverização política e ideológica iniciada pelo protestantismo no século XVI. Assim como a Esquerda se pulveriza em pequenos grupelhos, assim os “monárquicos” portugueses atomizam o movimento monárquico.

Depois de eu ter sido hostilizado e maltratado na comunidade “Monarquia Tradicional” no FaceBook, cliquei num botão e saí; e depois de verificar as incongruências da comunidade “Monarquia Constitucional” no mesmo FaceBook, voltei a clicar no botão. Perante tanta estupidez, há sempre um botão que nos ajuda.

¿Mas por quê tanta animosidade em relação a D. Duarte Pio?! Será por que ele vive no século XXI?

blog familia

Pior do que a utopia, é a ucronia: porque o utopista é um sonhador, a utopia é uma simples quimera ou a descrição concreta da organização de uma sociedade ideal — ao passo que a ucronia valida o contra-factual, o que é sinal de grave deficiência cognitiva.

Terça-feira, 23 Junho 2015

Qual a bandeira portuguesa mais bonita?

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:07 am
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Segunda-feira, 1 Dezembro 2014

1º de Dezembro: Mensagem 2014 de SAR o Senhor Dom Duarte, Duque de Bragança

Filed under: Portugal — O. Braga @ 6:25 pm
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Domingo, 5 Outubro 2014

Portugal faz 871 anos como nação e reino independente

Filed under: Portugal — O. Braga @ 3:31 am
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A 5 de Outubro de 1143 (século XII), Portugal tornou-se independente sob os auspícios do monarca D. Afonso Henriques. Hoje celebra-se a independência de Portugal e a monarquia que esteve na sua causa.

“O Tratado de Zamora foi um diploma resultante da conferência de paz entre D. Afonso Henriques e seu primo, Afonso VII de Leão e Castela. Celebrado a 5 de Outubro de 1143, esta é considerada como a data da independência de Portugal e o início da dinastia afonsina”.

→ fonte: Wikipédia

 

Sexta-feira, 4 Julho 2014

A desconstrução revolucionária do modelo da monarquia tradicional

Filed under: Justiça — O. Braga @ 3:22 pm
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Este texto é inacreditável. Com todo o respeito, trata-se de uma inversão revolucionária dos factos históricos.

“A verdade é que o poder régio nos séculos XVII e XVIII mostra que a concepção da soberania na monarquia absoluta estava nos antípodas do regime despótico. Quando o despotismo se tornou uma realidade, isso nada teve a ver com a soberania régia nem com a monarquia absoluta, mas sim com a progressiva desconstrução que a justiça foi sofrendo.”

E a seguir:

“A supremacia da justiça significava a supremacia da lei, mas tudo começou a inverter-se a partir da revolução francesa. A harmonia de relações que existia entre superiores e subordinados é destruída em favor de uma progressiva igualdade que destruiu por completo os fundamentos da Idade Média.”

Ou seja, alegadamente, a culpa da corrupção da justiça durante a monarquia absoluta é da Revolução Francesa que aconteceu depois. Seria como se eu dissesse que “a culpa da implantação da república em 1910 é dos capitães de Abril”.

Um dia destes, se Deus quiser e me ajudar, vou escrever aqui sobre as diferenças entre a monarquia tradicional, por um lado, e a monarquia absolutista, por outro lado — porque me parece que as pessoas ainda não compreenderam a diferença.

S. Tomás de Aquino, na “Suma Teológica” (I-II 93,3), escreve: “Todo o Poder vem de Deus”.

A interpretação, por parte do Absolutismo, desta proposição do santo é um contra-senso: consiste em dizer que toda a autoridade humana (do rei) é de direito divino — quando, em verdade, aquela frase de S. Tomás de Aquino significa, pelo contrário, que não há poder legítimo senão o que verdadeiramente procede de Deus para exigir obediência, e a própria autoridade (humana; por exemplo, o rei) deve obedecer à lei eterna.

É por isso que é legítimo não obedecer aos injustos (aos reis injustos). Para S. Tomás de Aquino, a lei exprime, por essência, a justiça na dimensão do Finito: e se a lei não é justa, nem sequer é lei!; e não a cumprir não é desobedecer, mas simplesmente reconhecer que a lei, sendo injusta, não existe.

Segunda-feira, 23 Junho 2014

O bi-partidarismo da monarquia constitucional e a entrada do Portugal republicano na I Guerra Mundial

Filed under: Europa,Maçonaria,Política — O. Braga @ 7:51 pm
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Este verbete no Corta-fitas “embrulha” uma série de ideias.

1/ A ideia de Pulido Valente segundo a qual “a monarquia caiu por duas razões. Primeiro, porque os partidos “rotativos”, o Regenerador e o Progressista, que não podiam sobreviver numa sociedade urbana (no fundo, Lisboa, e um pouco o Porto), se começaram a dividir no reinado de D. Carlos”, não está correcta, conquanto que a segunda razão esteja.

O bi-partidarismo, entendido em si mesmo, é um sistema tão bom ou melhor do que o multi-partidarismo (ver a opinião de Karl Popper acerca do bi-partidarismo). O problema da monarquia constitucional do século XIX esteve no tipo de cultura política, e não no sistema político entendido em si mesmo.

“A tirania do Senhor Dom Carlos procede de feras mais obesas: do porco. Que o porco esmague o lodo é natural. O que é inaudito é que o ventre de um porco esmague uma nação e dez arrobas de cebo achatem 4 milhões de almas”. — Guerra Junqueiro, publicado no jornal “Voz Pública”, de Lisboa.

O texto supracitado revela a cultura política dos intelectuais portugueses daquela época. “Liberdade” era sinónimo de “possibilidade de insulto público e publicado sem reservas e sem lei”. Aliás, a esmagadora maioria dos intelectuais portugueses ou era republicana, ou pertencia à maçonaria, ou as duas coisas. E quando não eram republicanos ou/e maçónicos, os poucos intelectuais portugueses faziam o jogo político do inimigo.

Por exemplo, em 1876, o partido Reformista, liderado pelo Bispo de Viseu, e o partido Histórico, liderado pelo duque de Palmela, celebraram o Pacto da Granja, através do qual os dois partidos se fundiam e fundavam um novo partido: o partido Progressista (um dos dois partidos do futuro rotativismo). Repare-se que os dois partidos eram liderados por um membro do alto clero português e por um alto membro da nobreza!

Nos dias seguintes ao nascimento do partido Progressista, o governo “caiu”, e o novo Partido Progressista tentou influenciar o Rei D. Luís no sentido de que preferisse a sua política à de Fontes Pereira de Melo; porém, o Rei optou novamente pelo Fontes. Seguiu-se que o partido Progressista, liderado por um Bispo e por um duque, entrou por uma série de impropérios publicados contra o Rei que fariam corar um carroceiro! Portanto, este é um dos muitos exemplos de como os monárquicos foram igualmente responsáveis pela queda monarquia.

Por outro lado, embora os dois partidos do rotativismo tivessem uma implantação nacional, a política real e efectiva era feita em Lisboa — e por isso é que a ideia segundo a qual os partidos “rotativos”, o Regenerador e o Progressista, que não podiam sobreviver numa sociedade urbana, é simplista.

2/ Estou de acordo com a segunda ideia de Pulido Valente: a corrupção do sistema político — a começar pela Casa Real na famigerada querela dos “adiantamentos”. Os monárquicos actuais (como eu) têm que reconhecer os erros próprios cometidos no passado. “A verdade liberta”.

3/ A ameaça da Alemanha (e outros países continentais) em relação aos territórios ultramarinos portugueses foi real, e foi a principal razão por que Portugal entrou na I Guerra Mundial.

“A Alemanha apossa-se de Quionga e o conde alemão de Azfeld entra em combinações com o ministro inglês Balfour sobre a partilha do nosso património (colonial português). Como os Estados Unidos também quisessem parte do espólio, sobretudo desejando o arquipélago açoriano de tão grande importância estratégica, a operação foi adiada para melhor oportunidade, não sem a intervenção do Marquês de Soveral, nosso ministro em Londres, imensamente facilitada por aquela pretensão da grande república. As ameaças não cessavam, todavia.

Alguns anos depois, quando, em 1904, decorria a guerra russo-japonesa, parece que um acordo secreto entre a Itália, França, Alemanha e Rússia, que procuravam evitar a intervenção da Inglaterra a favor do Japão, fazia de Portugal e da Bélgica os bodes expiatórios. A Alemanha ficaria com as nossas colónias, enquanto a Espanha nos limitaria na metrópole a soberania”.

→ “História de Portugal”, José Hermano Saraiva, 2004, volume VII.

É claro que a entrada do Portugal republicano — e independentemente das querelas com os monárquicos — na I Guerra Mundial teve como principal razão a manutenção das colónias.

Sexta-feira, 20 Junho 2014

Os me®dia portugueses gostam da monarquia dos outros

Filed under: me®dia,Portugal — O. Braga @ 8:30 am
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Foi ver os canais de televisão ocupar grandes partes dos telejornais para falar do charme da monarquia espanhola. “O que é estrangeiro é que é bom”. Do nosso próprio charme monárquico, os me®dia portugueses falam pouco ou quase nada.

casal real

Domingo, 18 Maio 2014

Monarquia, República, Nação e Estado

Filed under: Política,Portugal — O. Braga @ 4:45 am
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Quando Mário Soares diz que “o Estado Novo não foi uma república”, tem, em parte, razão. A república pressupõe a existência dos partidos políticos e as eleições ao serviço do movimento revolucionário que tem a certeza do futuro (Historicismo: o progresso é visto como uma lei da natureza).

Parte-se do princípio de que o conceito de “república” assenta em princípios jacobinos (provenientes da revolução francesa), em que os partidos políticos e as eleições são meios políticos de transformação da sociedade rumo à criação do “Homem Novo”.

A república (propriamente dita) coloca a Nação ao serviço do Estado; a monarquia (propriamente dita) coloca o Estado ao serviço da Nação.

Por isso é que um monárquico não o pode ser apenas por tradição: há uma filosofia por detrás da monarquia: o rei, e exactamente porque não é eleito, é um símbolo da Nação (ninguém se lembraria de submeter a eleições, por exemplo, a bandeira nacional!, ou o hino nacional; e note-se que um plebiscito não é uma eleição); e o presidente da república, mesmo sendo eleito, é sobretudo um símbolo do Estado.

Sábado, 17 Maio 2014

Salazar: era ¿monárquico ou republicano?

Filed under: Política — O. Braga @ 6:21 am
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“(…) era certo que [Salazar] temia que o regime republicano viesse a descambar no sistema de partidos e na confusão de que nos libertáramos havia 30 anos. Mas tinha ainda mais dúvidas do que eu acerca da viabilidade e da idoneidade da Monarquia, pois às que eu formulara se juntavam as dele sobre a dinastia. Não lhe parecia que D. Duarte Nuno possuísse as qualidades necessárias para o reatamento do regime monárquico, e as provas até então dadas pelos filhos ainda eram piores.

No seu discurso [de Salazar], a referência à eventualidade de a solução monárquica vir a ser uma solução nacional queria dizer que poderia chegar um momento em que, à consciência da Nação, a restauração da Monarquia surgisse como forma única de salvaguardar a sua existência e o seu património moral. Nada mais do que isso.”

Marcello Caetano, “Minhas Memórias de Salazar”, Lisboa, 2006, página 733

Salazar, antes de ser um economista, era um professor de Direito na Universidade de Coimbra. Salazar foi bastante influenciado, na sua formação, pela Filosofia do Direito, de Hegel — como, aliás, a esmagadora maioria dos seus contemporâneos. Salazar substituiu o conceito de “Ideia” (imanente, e proveniente do protestantismo), de Hegel, pelo conceito católico e tradicional de “Providência” (transcendente). Ou seja, Salazar não seguiu exactamente a metafísica de Hegel, mas é certo que foi influenciado, de forma marcada, pela Filosofia do Direito do filósofo alemão.

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