perspectivas

Quarta-feira, 14 Dezembro 2016

Vozes de burros não chegam ao Céu

 

Richard Dawkins escreveu algures que “se uma estátua de uma santa saísse pelo seu próprio pé da igreja onde estaria exposta, esse fenómeno teria uma explicação natural”.

Ou poderíamos imaginar outro cenário de Richard Dawkins : o Cristo-Rei, cansado de estar de pé em Almada, um dia põe-se a caminhar, mergulha no Tejo para uma banhoca, e depois vai deitar-se a apanhar sol na Costa da Caparica: segundo Richard Dawkins — e o Ludwig Krippahl — se isso acontecesse, não se trataria de um milagre, mas antes teria uma explicação perfeitamente natural.

¿O que é que une o Richard Dawkins ao Ludwig Krippahl? É a burrice. São ambos burrinhos. Mas escrevem “coisas”.

É claro que, se o Cristo-Rei fosse, por sua alta recreação, tostar o lombo para a Costa da Caparica, o fenómeno teria que ter uma explicação natural.

O problema aqui é definir “natural” — é saber o que significa “natural”. Quando burrinhos como o Ludwig Krippahl ainda não sabem definir “matéria” (ainda não sabem o que é a “matéria”) , consideram que tudo é natural sem saber o que significa “natural”.

É fácil dizer o seguinte: “ainda não existe uma lei da natureza inventada pelo ser humano que regule o fenómeno dos banhos de sol do Cristo-Rei na Costa da Caparica; mas dentro de dois mil milhões de anos, o ser humano encontrará um explicação para esse caso”. É assim que os porcos cientificistas se refastelam na merda ideológica onde se sentem bem. E depois dizem que as suas crenças são racionais, ao passo que as dos outros são irracionais.

“O determinismo universal seria concebível se não existisse a sua noção” — Nicolás Gómez Dávila

A ciência sabe, por exemplo, que meio grama de urânio se decompõe em 4,5 milhões de anos; mas a ciência não sabe, nem poderá nunca — jamais! — saber, em quanto tempo se decompõe um átomo de urânio: pode ser decomposto imediatamente ou daqui a milhões de anos! É neste sentido que podemos dizer que a ciência do Ludwig Krippahl e do Richard Dawkins não faz a puta da ideia do que é a matéria!

A a-causalidade também é natural. A casualidade e a a-causalidade não são a expressão dos nossos conhecimentos limitados actuais, mas sim são constitutivas da realidade. Por isso, os físicos falam em probabilidade objectiva, por contraposição a uma probabilidade subjectiva baseada apenas em uma falta de conhecimento actual e temporário das razões causais.

Para qualquer pessoa inteligente, é difícil aceitar que, no centro da Física que pretende ser a ciência dos fundamentos de todo o mundo, as leis da nossa razão deveriam ser anuladas. Mas do ponto de vista da física, a realidade é resistente à análise. Mas para o Ludwig Krippahl, a coisa é fácil: basta dizer que os outros são irracionais, e o problema está resolvido.

Eu não estive em Fátima em 1917, e o Ludwig Krippahl e o Domingos Faria também não. Ora, segundo o Ludwig Krippahl, Richard Dawkins e o Domingos Faria, se o Sol “dançou em Fátima”, foi devido a fenómenos naturais. Eu também penso o mesmo: tratou-se certamente de um fenómeno natural, assim como são fenómenos naturais, por exemplo, o “efeito de túnel” ou a-causalidade dos fenómenos. Mas as milhares de pessoas que estavam em Fátima em 1917 testemunharam um fenómeno ou/e têm a crença de que viram um fenómeno anormal (uma anomalia).

Vejamos o que escreveu o físico francês Roland Omnès no seu livro “Filosofia Quântica” (edição americana, páginas 191/192):

“Mesmo um objecto do tamanho da Terra pode estar sujeito a um efeito de túnel, pelo menos em princípio. Enquanto a força gravitacional do Sol impede a Terra de se afastar através de um movimento contínuo, contudo o nosso planeta poderia subitamente encontrar-se na órbita da estrela Sírio mediante um efeito de túnel.

(…)

Felizmente, mesmo que o determinismo não seja absoluto, a probabilidade da sua violação é extremamente pequena. Neste caso, a probabilidade da Terra se afastar do Sol é tão pequena quanto a de 10^200 (1 seguido de 200 zeros). (…) Em termos práticos, é um acontecimento que não terá lugar.

(…)

Uma característica destas flutuações quânticas [o efeito de túnel] que violam o determinismo [das leis da física clássica], é a de que não podem ser replicadas (repetidas).

Imaginemos que um efeito de túnel foi observado por muitas pessoas: elas vêem uma pequena pedra subitamente aparecer em um lugar diferente do que estava há milésimos de segundo. Essas pessoas realmente viram o fenómeno, mas nunca serão capazes de convencer mais alguém; nunca poderão demonstrar de forma irrefutável que o fenómeno se possa repetir. Tudo o que essas pessoas podem fazer é jurar: “Juro que a pedra estava ali, à minha esquerda, e que subitamente apareceu à minha direita!”. Em resposta, as pessoas que não assistiram ao fenómeno atribuirão esse juramento a gin ou whisky em demasia, outras dirão que aquela gente está maluca, e as pessoas que assistiram ao fenómeno acabarão por se convencer de que foram vítimas de uma alucinação.”

Ora, parece evidente que o físico Roland Omnès – quando comparado com o Domingos Faria ou com o Ludwig Krippahl – parece ser burro todos os dias.

A verdade do experimentalismo — por exemplo, com Roger Bacon — é sustentada pela indução por enumeração simples.

Stuart Mill formulou quatro regras de método indutivo, mas essas regras só são úteis se aceitarmos a lei da causalidade [“Todo o fenómeno tem uma causa”]; mas esta lei tem como base a indução por enumeração simples e ignora a a-causalidade : ou seja, Stuart Mill pouco adiantou em relação ao método indutivo de Bacon.

Filósofos como por exemplo Karl Popper insistiram no “círculo vicioso” da indução evocando, por exemplo, o princípio da regularidade dos fenómenos naturais, que é em si mesmo um princípio geral que, portanto, não pode ter sido estabelecido indutivamente. Karl Popper tira daqui o argumento para recusar à ciência fundar-se na indução. Portanto, o experimentalismo do Ludwig Krippahl, do Domingos Faria e o Richard Dawkins, por si só, não é suficiente para determinar qualquer “verdade objectiva”, embora a “verdade científica” seja uma crença de grau superior.

E, entretanto, e apesar dos factos, o Ludwig Krippahl e o Domingos Faria continuam a zurrar.

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Segunda-feira, 9 Setembro 2013

O homem moderno anda enganado pelo mito cientificista

“Os meus planos não são os vossos planos, os vossos caminhos não são os meus caminhos (Oráculo do Senhor)” – Isaías 2, 55,8

Aquilo que é, mas que não é como queremos que seja

De acordo com a Física, é possível afirmar, com grande certeza de probabilidade, que meio grama de urânio se decompõe após 4,5 milhões de anos. Mas o que a Física não pode prever, nunca, é exactamente quando um átomo de urânio se decompõe: a Física já sabe um átomo de urânio pode decompor-se imediatamente ou daqui a muitos milhões de anos. Mas nem por este último facto a Física reconhece que existem milagres, porque a ciência só vale para o nosso mundo quotidiano.

O milagre

Não podemos separar a matéria da pessoa que observa.

A Física ensina-nos que não existem milagres porque a ciência não consegue ver, na existência do universo, um milagre; e se o universo inteiro não é um milagre – segundo a Física -, as partes do universo não são excepção. A verdade é que não podemos separar a matéria, por um lado, da pessoa que observa, por outro lado. Se a pessoa que observa é doutrinada e lobotomizada pelo mito cientificista segundo o qual “o milagre não existe”, essa pessoa não vê o milagre em lugar nenhum, e nem mesmo no facto da sua própria existência. E, como se diz no Novo Testamento, numa terra onde ninguém concebe o milagre, este não pode acontecer – porque o milagre já lá está presente mas ninguém o vê.

A circularidade do conceito de matéria

“Quem não desespera com a teoria quântica, não a entendeu.” – “Atomic Physics and Human Knowledge”, Niels Bohr , 1958, p. 40

A lobotomia do cientismo levou a maioria das pessoas, que observam, a conceber apenas objectos localizáveis no espaço e no tempo – ou como escreveu alguém no Rerum Natura : “tudo são partículas, e as ondas quânticas são apenas ilusão” ( ver verbete meu sobre o assunto ).

Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Essas pessoas, lobotomizadas pelo cientismo , não se dão conta de que incorrem em um pensamento circular; trata-se de uma opinião ingénua que a teoria quântica já refutou, porque já não faz sentido ver os objectos claramente identificáveis. Quando os instrumentos de investigação científica são também compostos de partículas, então qualquer análise das partículas tem sempre que pressupor ( a priori ) o conceito de “partículas”. Por isso, a determinação da constituição das partículas é, por princípio, circular, e também por isso não se pode atribuir às partículas nenhuma objectividade definitiva.

O que nos resta é o formalismo de uma estrutura matemática que, como Platão defendeu, deve ter uma natureza espiritual, tal como descrito pelo físico David Bohm (citado em “The Turning Point”, 1982, p.83, de Fritjof Capra ) : “O universo começa a parecer-se mais como uma grande ideia do que com uma grande máquina”.

A casualidade que fundamenta a causalidade

“A física quântica forneceu a refutação definitiva do princípio de causalidade”Werner Heisenberg (citado em “Physics and Transcendence“, 1996, p. 18, de Hans-Peter Dürr ).

A casualidade (não confundir com “causalidade”) e a a-causalidade da realidade física fundamental não se devem aos nossos conhecimentos limitados, ou seja, não se devem à nossa ignorância – mas antes são constitutivas da própria realidade fundamental. Não existe uma probabilidade subjectiva, mas o que existe é uma probabilidade objectiva. Aquilo que nos aparece como causa e efeito tem, na sua base, uma a-causalidade e uma casualidade, como se a causalidade fosse desenhada para que pudéssemos viver num universo minimamente previsível e sujeito a leis e sem as quais a nossa existência não seria possível. Parece que o universo foi desenhado para que pudéssemos existir.

Sexta-feira, 28 Junho 2013

Deus pode inverter a direcção do tempo?

Filed under: filosofia,Quântica — O. Braga @ 4:34 pm
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Católicos – em geral – e os cientistas estão de acordo: segundo uns e outros, Deus não pode inverter a direcção do tempo, ou, segundo os cientistas agnósticos ou ateus, é impossível reverter a direcção do tempo.

Temos que partir de um primeiro princípio:

1/ Deus não depende das leis da física, sejam estas leis as da física clássica, sejam as leis da física quântica (que são o fundamento propriamente dito das leis da física).

Depois, temos um segundo princípio:

2/ Deus é a Causa Primeira, ou seja, é Causa de tudo o que existe no universo. E sendo a Causa Primeira, estando fora do espaço-tempo, Deus pode intervir e intervém de facto (veremos mais adiante) na realidade do espaço-tempo.

E ainda um terceiro e quarto princípios:

3/ Deus intervém na realidade do espaço-tempo através da realidade quântica ou do mundo quântico (conforme lhe queiram chamar).

4/ No mundo subatómico, ou no mundo quântico, ou na realidade quântica – a inversão da direcção do tempo é possível.

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Segunda-feira, 4 Fevereiro 2013

David Hume e o milagre

“Dado que uma experiência uniforme equivale a uma prova, que é uma prova directa e completa, produzida pela natureza do facto, contra a existência de qualquer milagre, nenhuma semelhante prova pode ser destruída ou o milagre só pode tornar-se credível por meio de uma prova oposta e que seja superior.”
— David Hume, “Investigações sobre o Entendimento Humano”

Não vamos refutar este preconceito negativo de David Hume por intermédio da teologia (o que seria possível por alguém que não eu, porque não sou teólogo), mas antes vamos refutá-lo utilizando a ciência.
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Quinta-feira, 27 Dezembro 2012

O milagre e canonização católica

A propósito de um programa de televisão acerca da Rainha Santa Isabel, ouvi e vi um tal Manuel Vilas-Boas afirmar que “a Igreja Católica terá que rever o critério do milagre como sendo essencial à canonização”.
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Segunda-feira, 14 Maio 2012

O primarismo do realismo ingénuo da Esquerda

Filed under: cultura,filosofia,Religare,Ut Edita — O. Braga @ 6:45 am
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Uma críticas da Esquerda ao fenómeno de Fátima é o alegado “primarismo das promessas” que implicam o milagre. Mas será que a Esquerda tem um pensamento científico? A ideia segundo a qual a Esquerda possui um raciocínio científico, é falsa. Acreditar exclusivamente naquilo que se vê não é ser detentor de um raciocínio científico: antes, é “realismo ingénuo”, ou seja, é ser estúpido.
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Segunda-feira, 9 Maio 2011

A manifestação do sagrado e os softwares do nosso cérebro (1)

Este vídeo, gravado por um popular na Costa do Marfim, revela uma manifestação do sagrado. Naturalmente que, para uma parte dos europeus actuais, a revelação do vídeo é incompreensível, porque existe hoje a ideia de que a “realidade para nós” coincide totalmente com a “realidade em si”. E essa “realidade para nós” (que alegadamente e segundo a cultura politicamente correcta actual, coincide totalmente com a “realidade em si”) foi moldada por uma cultura indelevelmente marcada pelo Positivismo.

Uma grande parte dos cidadãos da Europa actual foi programada (educada) para pensar que as leis da natureza possuem uma necessidade coerciva, não permitindo qualquer excepção. Existem mesmo professores das ciências da natureza que estão absolutamente convencidos desta necessidade coerciva e exclusivista das leis natureza. Por isso, reconheço a excepcionalidade do professor Carlos Fiolhais quando, num artigo publicado recentemente no Público (salvo erro), escreveu, preto no branco, que as leis da natureza não são, por princípio, infalíveis; isto, vindo de alguém ligado à ciência, é verdadeiramente notável, mas a verdade é que ele traduziu apenas o consenso alargado existente entre a comunidade dos cientistas físicos.

Esta “programação cultural” actual e positivista, este software científico-tecnológico, e que está na moda (é politicamente correcto), implica a existência de uma espécie de “programa de tratamento de dados cerebral” que trata os dados da “realidade” a partir do nosso cérebro.

Mas antes de falarmos deste e de outros tipos de software cerebral, vamos tentar saber o que é a “realidade”.
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Segunda-feira, 29 Março 2010

Jesus ressuscitou

Ainda hoje ninguém sabe ao certo o que se passou no dia 13 de Outubro de 1917, nas cercanias da Cova da Iria, em Fátima. Milhares de pessoas dizem ter visto, por volta do meio-dia, “o sol dançar”. E as pessoas, hoje, perguntam: será que “o sol dançou” mesmo? Podemos responder: não sabemos ou não podemos afirmar com toda a certeza, porque não estivemos lá nesse dia para testemunhar a experiência daquelas milhares de pessoas que se reuniram naquele local pela fé comum (fé comum = experiência intersubjectiva).

Porém, temos que partir do princípio de que uma idêntica experiência vivida comummente por milhares de pessoas, a maior parte delas estranhas umas às outras, não se pode considerar como uma falsidade ou uma ilusão, porque se o considerássemos assim estaríamos à partida a considerar a nossa própria experiência subjectiva de vida como uma ilusão ― estaríamos a negar a nossa própria experiência subjectiva. Seria estúpido dizer-se que o que se passou naquele dia em Fátima não aconteceu de facto; o que podemos dizer é que a experiência intersubjectiva daquelas pessoas não foi compartilhada por outras pessoas, nomeadamente por nós.
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