perspectivas

Sexta-feira, 3 Junho 2016

Cagando e comendo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 12:05 pm
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A notória naturalista e ateísta Patricia Churchland reduziu o ser humano aos três “efes”: “Fighting, fleeing and fucking”. O Miguel Esteves Cardoso faz a coisa por menos: “comer e cagar”.


Dando peidos um sujeito,
para mim estava olhando
dizendo de quando em quando:
— Que me faça bom proveito!
Eu disto não satisfeito,
pus-me a comer, e dizendo:
— Se você caga, eu merendo.
E disto fizemos alarde
assim passamos a tarde,
ele cagando, eu comendo.

(de autor anónimo do século XVIII, manuscrito da biblioteca de Cardoso Marta, “Antologia de Poesia portuguesa Erótica e Satírica”, página 270 — de Natália Correia, 2000).

Sábado, 16 Abril 2016

A nossa língua não é neutra em matéria de género

 

O “género” é a referência gramatical à diferença entre sexos. Quando falamos em “géneros masculino ou feminino”, estamos em um contexto gramatical e linguístico. Fora deste contexto, devemos falar em “sexos” e não em “géneros”. Posto isto, vamos ao que nos interessa.

O Bloco de Esquerda pretende mudar o nome do Cartão de Cidadão para “Cartão de Cidadania” — porque, alegadamente, “cidadão” é (gramaticalmente) do género masculino e portanto (alegadamente) não abrange as mulheres.

O problema é que a nossa língua (portuguesa) é muito pouco neutral em matéria de género, ao contrário do que acontece com a língua inglesa que é muito mais neutra.

O corolário lógico da posição do Bloco de Esquerda é a necessidade de alteramos a língua portuguesa, introduzindo novas palavras por forma a podermos ter nela uma maior neutralidade de género. Por exemplo, em vez de “cidadão” e “cidadã”, o Bloco de Esquerda poderia propôr que essas duas palavras sejam retiradas do dicionário e substituídas pela palavra “cidadane” que seria neutral em matéria de género. Teríamos assim uma novilíngua em um admirável mundo novo, com o cidadane António Costa e a cidadane Catarina Martins; e teríamos i Cartane de Cidadane. Poderíamos ir mais longe e eliminar os pronomes definidos: i cidadane António Costa e i cidadane Catarina Martins.

O Bloco de Esquerda preocupa-se muito com a linguagem, porque pensa que mudando os nomes das coisas se muda a realidade; por exemplo: se chamarmos “pedra” a um pau, o pau “vira” pedra. Eles estão mesmo convencidos disso.

Temos aqui duas posições divergentes sobre i cartane de cidadane di bloque de esquerde: uma é a de Miguel Esteves Cardoso; a outra é de um tal Conraria.

“Somos todos seres humanos. As mulheres não são seres humanas. Quando se fala na língua portuguesa não se está a pensar apenas na língua que falam as portuguesas. É a língua dos portugueses e doutros povos menos idiotas.”
→ Miguel Esteves Cardoso

I bloque de esquerde deveria alterar o nome de “ser humano” para i ser humane, para se respeitar a neutralidade de género — porque não se admite que a mulher seja “um ser humano” no masculino. Com diz implicitamente o Conraria: Eu não sei o que as mulheres sentem quando lhes dizem que são “uns seres humanos”, mas sei que eu, homem, não gostaria que me chamassem “uma ser humana”. Portanto, somos todes seres humanes.

Depois da sua derrocada, a socialisma foi sucedida por uma culturalisma que caracteriza tanta a teoria da discursa como a desconstrução e a feminisma — porque existe alegadamente uma “linguagem de dominação” sobre a mulher, linguagem essa que prevalece na merda da cultura falocrática ocidental.

E temos que aturar isto.

Quarta-feira, 16 Março 2016

O Miguel Esteves Cardoso e o puritanismo do Frei Bento Domingues

 

O Miguel Esteves Cardoso escreve aqui um comentário a este texto do Frei Bento Domingues em que, invariavelmente, este se dedica a tecer loas ao papa-açorda Francisco. Parece que o Frei Bento Domingues tem necessidade de justificar todo e qualquer acto do papa-açorda Francisco; é uma espécie de “culto do chefe” que é próprio das ideologias políticas. Não há uma só crónica do Frei Bento Domingues que não se preocupe com o culto do chefe.

O culto do chefe leva à justificação do fariseu que critica os fariseus. Estamos em presença do fariseu-mor. O fariseu-mor (ao contrário de Jesus Cristo) utiliza a falácia da mediocridade: em nome da misericórdia, nivela por baixo. A igualdade ontológica dos seres humanos é definida por critérios chãos que, por sua vez, justificam um certo relativismo ético.


Em relação à mulher adúltera, Jesus Cristo disse-lhe: “Vai em paz e não voltes a pecar”. Mas para o Frei Bento Domingues, é o “vai em paz” que conta; o “não voltes a pecar” é sempre “condicionado pela sua vida, pela sua psicologia e pela sua situação”.

O “não voltes a pecar” não interessa muito ao Frei Bento Domingues e ao papa-açorda Francisco, porque é uma forma de repressão farisaica. A verdade é que Jesus Cristo fez um juízo de valor: o “não voltes a pecar” é uma forma de censura.

A verdade insofismável é que Jesus Cristo criticou a mulher adúltera! Para o Frei Bento Domingues e para o papa-açorda Francisco, Jesus Cristo deveria ter dito à mulher adúltera apenas e somente: “Vai em paz” — porque, alegadamente, “ninguém é obrigado a fazer coisas impossíveis”.


As pessoas, em geral, — como o Miguel Esteves Cardoso — não se dão conta de que o anti-farisaísmo do Frei Bento Domingues e do papa-açorda Francisco é uma forma de puritanismo.

O puritano parte da premissa tradicional e óbvia segundo a qual o ser humano é imperfeito; a partir daqui, o puritano acredita que a salvação é individualista e subjectivista, no sentido em que não depende da relação do indivíduo com a comunidade (da Igreja) ou com a família natural, mas antes depende exclusivamente do sujeito enquanto tal (o que não acontece no catolicismo tradicional). O puritano subjectiviza a salvação. Trata-se de uma soteriologia subjectivista.

A rígida obediência a certos padrões morais é necessária ao puritano; mas esses padrões morais dizem respeito apenas ao indivíduo enquanto sujeito e independente da comunidade religiosa (a Igreja).

No papa-açorda Francisco, há uma rígida obediência a determinados padrões morais que concedem privilégios especiais ao puritano. E um desses privilégios é a legitimização do anti-farisaísmo enquanto fim em si mesmo, e não como um meio para atingir um fim (como fez Jesus Cristo). O anti-farisaísmo dos puritanos é uma forma de farisaísmo. O puritano, enquanto indivíduo, julga-se a si próprio como “o eleito por Deus”, em contraponto aos fariseus e escribas que são diabolizados. O papa-açorda Francisco é uma espécie actualizada de Quaker.

Sábado, 28 Fevereiro 2015

O Miguel Esteves Cardoso tem a certeza de não ter certezas

Filed under: filosofia — O. Braga @ 8:17 am
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Este meu textículo não é uma crítica a estoutro do Miguel Esteves Cardoso; é apenas a minha manifestação de solidariedade para com ele — desde logo porque não é possível qualquer coerência absoluta no discurso humano.

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Sexta-feira, 26 Setembro 2014

O Miguel Esteves Cardoso anda aluado

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 6:27 am
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Todos sabemos (ou devíamos saber) que a Lua influencia o movimento das marés; e que mentes mais sensíveis andam aluadas em períodos de Lua Cheia e/ou em Quarto Crescente. Mas o Miguel Esteves Cardoso diz que não. Aliás, esse foi o erro de Galileu, quando publicou a sua teoria das marés: tinha um preconceito negativo tão grande em relação à astrologia que se recusou a integrá-la na sua teoria. E obviamente que a teoria saiu errada.

Para o Miguel Esteves Cardoso, um qualquer electricista é perito em astrologia e tem uma autoridade de direito (e de facto) para abordar qualquer tema astrológico. Fernando Pessoa passou grande parte da sua vida a estudar astrologia, mas o Miguel Esteves Cardoso pensa que ele perdeu tempo: qualquer trolha pode ser perito em astrologia e arrotar pedaços de planetas.

Ou seja, segundo o Miguel Esteves Cardoso, Fernando Pessoa era estúpido e ignorante:

“A astrologia é ideal para pessoas estúpidas e ignorantes que querem passar por sábias. Aprende-se uma dúzia de estereótipos e fica-se equipado para a vida.”

Razão tem Olavo de Carvalho quando criou o conceito de “imbecil colectivo”: existe em Portugal uma elite composta por indivíduos que se dedicam a imbecilizar-se uns aos outros e, por tabela, imbecilizam a sociedade em geral.

Agora falemos a sério, porque o Miguel Esteves Cardoso é estúpido e ignorante.

1/ A astrologia não serve para fazer adivinhações e bruxarias. Só burros como o Miguel Esteves Cardoso e o electricista do bairro dele pensariam desta forma.

2/ A astrologia não prevê o futuro de uma pessoa. Isso só passaria pelas cabeças de um trolha e da do Miguel Esteves Cardoso.

3/ Para se fazer uma Casta Astral de Nascimento de uma criança, ela tem que ter já nascido. Só um marçano de aldeia e o Miguel Esteves Cardoso pensariam que seria possível fazer uma Carta Astral de uma criança antes de ela ter nascido.

4/ Uma Carta Astral de Nascimento de uma criança não define nem determina o futuro dessa criança. Só um Miguel Esteves Cardoso aluado poderia conceber essa ideia, na medida em que a nega.


A propósito: não se esqueçam que haverá um eclipse total da Lua a 8 de Outubro próximo às 11 horas e 54 minutos — o Miguel Esteves Cardoso não deve sair à rua nesse dia: um eclipse total da Lua poderá retirar-lhe qualquer capacidade de comunicação, dada a sensibilidade dele ao movimento das marés.

E haverá também um eclipse parcial do Sol no dia 23 de Outubro pelas 22:44 horas; mas como será de noite, só o electricista do Miguel Esteves Cardoso poderá vê-lo.

Segunda-feira, 26 Setembro 2011

«O Acordo Tortográfico» [Miguel Esteves Cardoso]

“A lusofonia é uma espécie de estereofonia, só que é melhor. A estereofonia funciona com dois altifalantes, enquanto a lusofonia funciona com mais de 100 milhões. Para mais, os falantes da lusofonia têm a vantagem de ser feitos em África e na América do Sul, o que lhes confere uma sonoridade nova e exótica. Para instalar uma aparelhagem lusofónica devidamente apetrechada, são necessários complicados componentes tupis, quimhmoguenses, umbandinos e macuas, enfim, coisas que não se fabricam na nossa terra.

A partir de 1986, todos os povos a quem uma vez chegou a língua portuguesa podem contar com um lusofone em casa. Um lusofone é um aparelho que permite a qualquer indígena falar e escrever perfeitamente esta nova e excitante língua, que passará a chamar-se o brutoguês.

(..)

A tortografia, conforme se estabeleceu no Acordo Lusofónico de 1986, consiste em escrever tudo torto.”

via «O Acordo Tortográfico» [Miguel Esteves Cardoso] – ILC contra o Acordo Ortográfico.

Domingo, 20 Julho 2008

Miguel Esteves Cardoso descobre que D. Afonso Henriques era gay

Miguel Esteves Cardoso, “la crème de la crème” da intelectualidade lisboeta, interroga-se sobre se D. Afonso Henriques era panasca.

Com jeitinho, o MEC ainda vai chegar à conclusão de que D. Afonso Henriques, para além de um grande paneleiro, era pedófilo, e o facto de ter batido na mãe demonstra indícios claros de incesto reprimido e necrofilia em potência: para além de panasca, D. Afonso Henriques era pedófilo e necrófilo. Ademais, D. Afonso andou metade da sua vida a cavalo, o que indicia uma clara tendência para a bestialidade.

Há por aí alguém que dê esta dica ao Miguel Esteves Cardoso?

Nota: a notícia está ao lado da seta a vermelho, para o caso de não conseguirem ler.

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