perspectivas

Terça-feira, 11 Dezembro 2007

A Utopia Negativa

Politicamente correcto

Politicamente correcto

Tentei definir aqui o Politicamente Correcto de uma forma que a maioria entenda, mas a verdade é que o politicamente correcto é muito mais complexo e varia de acordo com os tempos e com a cultura das elites.

No tempo de Salazar não deixou de existir o politicamente correcto, porque subjacente ao politicamente correcto, existe sempre uma utopia. No caso do Estado Novo, existia a utopia da Portugalidade e do Quinto Império. Tratava-se de uma utopia positiva, consentânea com a “utopia clássica” de Platão, Tomás Moro, Campanella, Fourier, etc., etc.

O marxismo cultural (ou politicamente correcto actual) trata-se de uma utopia negativa, porque se concentra na crítica dissolvente da nossa sociedade real. A Teoria Crítica da sociedade por parte do politicamente correcto é negativa porque não possui conceitos capazes de superar a distância entre o presente e o futuro, mas “pretende conservar-se fiel àqueles que deram e dão a sua vida pela Grande Recusa” (“O Homem Unidimensional”, de Herbert Marcuse). Quaisquer que sejam as possibilidades reais que a nossa sociedade actual apresenta de um futuro melhor, o marxismo cultural não nos revela quais são, limitando-se a negar totalmente o sistema em que se baseia a nossa sociedade, e na sua totalidade. Exemplos do marxismo cultural são as “picaretas falantes” do Bloco de Esquerda: destrói, destrói, critica e critica, bota-abaixo, mas ficamos sem saber muito bem quais são as alternativas que propõem para a nossa sociedade. Vejam o discurso do Francisco Louçã e reparem se não é verdade.

Por exemplo, a utopia que preside ao blogue “Arrastão” é parte da utopia negativa marxista cultural que procura sistematicamente a dissolução da nossa sociedade, e tem na procura dessa dissolução o seu único objectivo. Quando o Daniel Oliveira (e outros que tais) defende as posições das minorias a ponto de lhes dar privilégios que a maioria não tem, não o faz por piedade ou sede de justiça: fá-lo por pura ideologia socialmente destrutiva, que é seguida de uma forma irracional através de uma cartilha de lobotomia política definida.
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