perspectivas

Terça-feira, 18 Fevereiro 2014

Uma sociedade sem o conceito de “milagre” é uma sociedade destruída

 

No fim de cada tentativa de fundamentação da realidade, surge apenas aquilo que foi introduzido nela no início. Fazendo uma analogia: se introduzirmos carne em uma picadora de carne, obtemos carne picada com o resultado da nossa acção — e não outra coisa qualquer.

Assim, em uma sociedade fundamentada no materialismo não pode haver lugar para um Deus imaterial, porque a própria hipótese de um mundo exclusivamente material implica a não existência de Deus. O pensamento humano é circular e contraditório, por natureza.

Em uma sociedade em que não há lugar para um Deus imaterial, também não há lugar para os milagres — mesmo que eles aconteçam a cada momento. No fim da tentativa da fundamentação materialista da realidade, surge apenas materialismo e nada mais do que isto. E, em uma sociedade materialista, o ser humano não consegue ver nada senão matéria, e é por isso que os milagres deixam de existir, porque ninguém os vê.

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Sábado, 1 Janeiro 2011

Richard Dawkins estava errado acerca do “universo igual em toda a parte”

Um dos mitos da ciência — que é o suporte do materialismo ateísta de Richard Dawkins dos outros cavaleiros do apocalipse ateísta — é o de que “o universo é igual em toda a parte”, ou seja, quem vê uma parte do universo vê as mesmas características (físicas e químicas) no universo inteiro. Recentes pesquisas da astrofísica desmentem esse mito positivista.

No seu último livro “A Desilusão de Deus”, Richard Dawkins insiste nesta ideia: o universo é igual por toda a parte.

A ideia de que todas as galáxias eram semelhantes ou mesmo idênticas à nossa galáxia (Via Láctea) e em forma espiral, é falsa. Um terço das galáxias já descobertas têm forma elíptica, e não a forma em espiral da nossa galáxia. Por outro lado, as estrelas conhecidas pela designação de “anãs vermelhas” são muito mais vulgares e numerosas nas galáxias em forma elíptica do que nas galáxias em forma de espiral (como é a nossa). Portanto, o universo não é igual por toda a parte.

As estrelas anãs vermelhas têm apenas cerca de 1/5 do tamanho do nosso Sol e têm uma combustão interna muito mais lenta do que este. A pesquisa supracitada revelou que existem muito mais estrelas anãs vermelhas do que se supunha : existem cerca de 300 [10^21] estrelas anãs vermelhas — [300 X (1 seguido de 21 zeros)].

O mais curioso da investigação é que pressupõe que até a composição química das galáxias elípticas pode ser diferente da da nossa galáxia.

Portanto, 1) o universo é muito mais complexo do que o materialismo cientificista e ateísta supõe, e 2) o universo não é igual em todas as suas partes.

Terça-feira, 9 Novembro 2010

“Imaginem o mundo sem religião” — dizem John Lennon e Richard Dawkins

A religião faz parte da condição humana, e por isso é irredutível. A exigência da religião em relação ao Homem é difícil de definir, exactamente em função dessa irredutibilidade.
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Domingo, 9 Agosto 2009

O argumento da “não-obrigação” da reprodução no casamento

Em postal pretende comentar estoutro.

A previsão dos movimentos do inimigo tem a virtude de impedir os ataques surpresa. Exactamente por isso tenho escrito sobre a agenda política gayzista desde 2003, e de certo modo fui contribuindo, dentro do pequeno horizonte da blogosfera, para que os ataques culturais gayzistas no nosso país não fossem imprevisíveis.

O gayzismo tem vários níveis de aprovação:

  1. Em primeiro lugar, na teologia secularista, que conglomera os ateístas, os naturalistas, a maçonaria e os marxistas; estes são os homófilos por conveniência política, usam os gays como carne para canhão;
  2. Em segundo lugar temos os próprios gays e derivativos, que se batem em causa própria;
  3. Em terceiro lugar, temos uma camada da população urbana da média / alta burguesia que expurga a sua consciência pensando com o coração e não com a cabeça, isto é, sujeitando-se a uma lobotomia ideológica que lhes retirou o juízo crítico para que não fosse obrigada a sacrificar outros valores de interesse próprio e de inalienável egoísmo; estes são os “tios”;
  4. Por último, temos os indiferentes, aqueles que por pura ignorância da qual decorre o desinteresse pela cultura acabam por não interferir na ética encontrada através do “método discursivo” oriundo do marxismo cultural.

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Domingo, 28 Junho 2009

O materialismo ou o ‘disparate do século XX’

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Terça-feira, 16 Junho 2009

As contradições do marxismo

Este artigo de Olavo de Carvalho faz uma análise objectiva do que significa o marxismo em termos práticos, e foi escrito de uma forma que toda a gente pode entender.

Nas últimas eleições europeias, dois partidos marxistas [Bloco de Esquerda e o Partido Comunista] conseguiram (os dois somados) mais de 20% dos votos. Naturalmente que muitos portugueses que votaram nesses dois partidos marxistas ou não sabem o que é o marxismo, ou desvalorizam a vertente ideológica dando mais importância às agendas políticas de circunstância e oportunistas que fazem a bandeira da “justiça” e da “igualdade”.
Porém, existem pessoas ― principalmente os mais jovens ― que acreditam na “fé marxista” como isenta de qualquer incoerência; é para as pessoas da “fé marxista” que escrevo este postal.

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Quinta-feira, 27 Novembro 2008

A Teologia da Libertação e o Marxismo

Eu posso concordar com muita coisa neste texto, como por exemplo a crítica à Teologia da Libertação que se iniciou na Alemanha luterana ainda antes da II Guerra Mundial (ler Bonhoeffer).

Não vou agora falar da prova ontológica mas criticar a recusa, por parte da Teologia da Libertação, em abordar a questão de “Deus” quando até a ciência contemporânea (por exemplo, a Física Quântica, a Biologia Molecular, a Bioquímica, etc.) se preocupa com a explicação do Universo através da procura da “Causa-das-causas”.
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Segunda-feira, 11 Agosto 2008

Olavo de Carvalho e o marxismo

«A reacção espontânea do leitor ingénuo ante essas obras [as dos comunistas] é imaginar que tanta repulsa ao mal [o “mal” burguês] só pode nascer de um profundo amor ao bem. Mas é próprio do mal odiar-se a si mesmo, e simplesmente não é possível que a redução de todos os valores morais, religiosos, artísticos e intelectuais da humanidade à condição de camuflagens ideológicas de impulsos mais baixos seja inspirada no amor ao bem.
O olhar de suspicácia feroz que Marx e seus continuadores lançam sobre as mais elevadas criações dos séculos passados denota antes a malícia satânica que procura ver o mal em tudo para assim parecer mais suportável na comparação.»

“Mentira Temível”.

Terça-feira, 22 Julho 2008

Thomas Huxley estava errado (5)

«Não é absurdo acreditar que a era da ciência e da tecnologia é o princípio do fim da humanidade; que a ideia de um enorme progresso é uma ilusão, bem como a ideia de que a verdade será finalmente conhecida; que nada há de bom ou desejável no conhecimento científico e que a humanidade, ao procurá-lo, está a cair numa armadilha. Não é de modo algum óbvio que as coisas não sejam assim.»

Ludwig Wittgenstein ― “Cultura e Valor”, página 86, ISBN 9724409104, Edições 70

Depois de Darwin e Huxley, a Humanidade entrou numa fase ainda mais sinistra do que a que tinha vivido com a Inquisição medieval. Podemos, aliás, estabelecer alguns paralelos epistemológicos entre o materialismo filosófico e a Inquisição católica, entre eles a afirmação absolutista do determinismo em relação ao ser humano, isto é, a ausência do livre alvedrio. Tanto o materialismo filosófico como o dogmatismo inquisitorial assentam num totalitarismo intrínseco, na ideia de que o ser humano não é livre. No fundo, do que saiu do Iluminismo ― com o positivismo, o empirismo e com o materialismo ― foi uma outra maneira de ver o totalitarismo como forma sagrada de organização social.

…em vez
de se afastar da religião, a ciência encontra caminhos
de comunhão com as religiões…

Com o Iluminismo surgiu o determinismo ambiental ― a ideia de que o ser humano é algo exclusivamente manipulável pelo meio-ambiente e pela educação; esta ideia já vinha de trás, engendrada pelos estóicos através da crença de que o ser humano é uma “tábua-rasa” quando nasce. Mais tarde surgiu o determinismo biológico: os novos filósofos defendiam a tese ― ferida de morte por uma lógica circular ― de que 1) a ciência é definida como sendo determinista e 2) a ciência não aprova a ideia de liberdade do ser humano (determinismo científico); primeiro define-se a ciência como excluindo a liberdade na natureza, para depois se dizer que a ciência não aprova a ideia de liberdade do ser humano.
Com o determinismo biológico inaugurado por Darwin e Huxley, as características do ser humano passaram a ser determinadas também pela sua herança genética. Todas as ideologias políticas que estiveram por detrás dos morticínios em massa a que assistimos no século 20 se basearam na ideia do determinismo biológico e ambiental aplicado ao ser humano, isto é, no materialismo, no ateísmo científico, na ausência do espírito humano individualizado e de Deus. O indivíduo deixou de ter importância e só a espécie passou a ser importante, o que passou a justificar todo o tipo de atrocidades e monstruosidades em nome da alegada “evolução da espécie”.

Com o determinismo científico aplicado ao ser humano, a humanidade passa a ser uma massa anónima irresponsável que necessita de uma liderança científica e elitista (Nietzsche). Marx leu Nietzsche (entre outros “filósofos modernos” do seu tempo) e concluiu que, segundo a teoria do determinismo ambiental, o ser humano é totalmente dependente das condições económicas em que vive; pensou Marx que se se mudasse as condições económicas (propriedade privada), a natureza humana mudaria também. O resultado está à vista: é totalmente impossível mudar a natureza humana desta forma (a não ser que acabemos com a raça humana). A única forma de equilibrarmos a humanidade, evitando um descalabro a nível global, é através do recurso aos valores espirituais do Homem e constatando que o ser humano é livre de fazer escolhas.

«A doutrina segundo a qual o mundo é formado por objectos cuja existência é independente da consciência humana revela estar em desacordo com a mecânica quântica e com os factos estabelecidos através da experiência.»

Bernard D’Espagnat, físico quântico.

A ciência ― que foi ideologicamente sacralizada a partir do Iluminismo e até hoje ― parte de premissas determinísticas. Mesmo com as descobertas da Física quântica, no início do século 20, que contrariam claramente o determinismo na natureza, os filósofos da ciência do materialismo fizeram “ouvidos de mercador” e continuaram (ainda hoje) a defender a sacralização da ciência nos mesmos termos que Augusto Comte o fez. Os filósofos materialistas entraram num autismo total.
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Sábado, 10 Maio 2008

O Materialismo Histórico

eoh_hayekO Materialismo Histórico, segundo Marx, é essencialmente baseado no conceito de “consciência de classe”, que segundo os marxistas, surgiu com o proletariado da revolução industrial. Antes do proletariado, segundo Marx, não existia a “consciência de classe”.

Assim, o verdadeiro e único “sujeito da História”, isto é, o verdadeiro protagonista da História, é a “consciência de classe”. Quando o proletariado ganha consciência de si como classe, assume então a responsabilidade de transformar a sociedade capitalista em sociedade sem classes.

Segundo Marx, só o proletariado teria uma “consciência de classe”, e a burguesia não a poderia ter senão como sendo uma “falsa consciência de classe”, porque a burguesia teria a consciência da contradição irresolúvel da sociedade capitalista, mas nada poderia fazer para a eliminar. Portanto, só com o surgimento do proletariado se passou a poder compreender totalmente a História, e passou a ser possível resolver os conflitos históricos.Até aqui, a teoria parece ter alguma lógica, mas a estória não fica por aqui.

Contudo, Marx defendeu a ideia de que a realização da verdadeira “consciência de classe” do proletariado é o desaparecimento, por via dialéctica, do próprio proletariado, isto é, a tarefa do proletariado é acabar com a sua condição de proletariado, levando até ao fim a sua luta de classe.

Quando Marx nega à burguesia a consciência de classe, o que faz é constatar a impossibilidade da burguesia em determinar o curso da História. Para Marx, o curso da História só poderia ser determinado pela “consciência de classe”, e portanto, o proletariado é, por isso, o único protagonista histórico.

Contudo, se a realização plena da “consciência de classe” significa o fim do proletariado, e significa, consequentemente, o fim da própria “consciência de classe”, o conceito de “consciência de classe” que fundamenta o Materialismo Histórico significa o fim da própria História, isto é, a visão histórica do Marxismo assenta na impossibilidade prévia dessa mesma visão histórica!

Estão a ver o problema que Marx nos arranjou? E não é que o neoliberal Hayek fez a mesma borrada, embora com outros argumentos?

Adenda: Sabem porque é que os neoliberais e os neomarxistas da blogosfera têm tantas discussões e tão acaloradas? É para saberem, dos dois tipos em disputa, qual dos “fins da História” é o mais racional.

A ler sobre este assunto: As contradições do marxismo

Quarta-feira, 5 Março 2008

Ding an Sich

O século 20 foi o século da ciência entendida, sob o ponto de vista filosófico, como a prova da total materialidade do ser humano; foi o século do unanimismo filosófico materialista politicamente correcto.

Enquanto a ciência avançava trazendo à espécie humana a esperança no desconhecido, a filosofia moderna e contemporânea – em geral – transformou o mundo do ser humano num ambiente limitado, antropocêntrico e separado do universo, redutor na sua essência, e tornou o Homem num ser tão descartável como tudo o que tem um valor exclusivamente material.

Personagens como Josef Mengele, por exemplo, não são tanto um produto da ciência como são dessa filosofia do fim do milénio que se proclamava como detentora da verdade acerca da essência material do Homem – coisa que a ciência nunca se atreveu a proclamar porque não o podia fazer segundo a sua própria lógica; a ciência pura só afirma o que pode provar através da análise e extrapolação analítica decorrente dos “Fenómenos” (experimentalismo), e mesmo assim, com as reservas que a probabilística veio introduzir depois da morte do determinismo científico (Einstein, Heisenberg).

O fenómeno da redução do Homem a um mecanismo que reflectia a “causa” da vida como derivada do puro “acaso” (1), que Dawkins defende hoje em nome de uma “ciência” que se confunde com o materialismo filosófico, começou com um paranóico que era mais um romancista do que um filósofo: Nietzsche. Juntaram-se a ele os “Utilitários” (Bentham, James Mill, Stuart Mill), que transformaram as minorias sociais e os seres humanos mais fracos em “danos colaterais”, e descreveram o hedonismo como o “único bem” do ser humano.

Karl Marx (a arrogância do “Fim da História”), Gramsci, Lukacs (a necessidade da morte do espírito humano para o triunfo da revolução marxista), Marcuse e Adorno (“Teoria Crítica” e “Utopia Negativa”), Russell (Ética do Desejo), Heidegger (o ser humano definido como sendo uma “defecação” de uma “existência anónima”), Hayek (do cepticismo de Hume à Cultura como sendo “um conjunto de meras tradições” e passível de transformação através de engenharias sociais coercivas), Sartre (o “absurdo” como única realidade existencial) e Michel Foucault (o filósofo-pedófilo, e como tal assumido publicamente pelo próprio) compõem o ramalhete do materialismo filosófico. Da filosofia do século 20, salvam-se Wittgenstein e porventura alguns fenomenologistas, como Husserl e Scheler, e pouco mais.

O cenário é deprimente.
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