perspectivas

Sexta-feira, 18 Maio 2012

Aconteceu um milagre em Espanha: e qual a possível reacção dos naturalistas e da Esquerda?

“La “posible gracia” obrada por el Siervo de Dios Vicente Garrido Pastor corresponde a una curación “inexplicable” de una madre de familia, de Albacete, a quien le fue diagnosticado en 2003 un “adenocarcinoma de endometrio, estadio IVB, por afectación metastásica en cadera derecha” con una esperanza de vida de 10 meses, según han indicado hoy a la agencia AVAN fuentes de la delegación.”

via ¿Milagro en Valencia? – ReL.

Perante uma cura de uma metástase com ramificações terminais, o que dirão os cientistas naturalistas?

“Provavelmente trata-se de uma cura natural. A ciência ainda não consegue explicar o fenómeno, mas nós, naturalistas, estamos convencidos de que, por exemplo, daqui a dois milhões de anos a ciência será capaz de explicar o fenómeno, assim como conseguiu já explicar como a vida surgiu da matéria inerte. É uma questão de tempo até que a ciência explique estes fenómenos.

Os milagres não existem. Só os ignorantes, como por exemplo, o Orlando Braga, acreditam em milagres.”

O que diria a Esquerda deste fenómeno?

“Trata-se de puro acaso. Se calhar, a mulher espanhola comeu alfaces estragadas misturadas com favas fritas, e a reacção química decorrente dos dois vegetais foi a causa da cura da mulher. Por isso é que nós somos contra as touradas e somos vegetarianos, porque temos aqui a demonstração evidente e claríssima de que os vegetais, mesmo estragados, fazem bem à saúde.

Só os fascistas, como o Orlando Braga, acreditam em milagres. ”

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O naturalismo e o relativismo moral (3)

Uma característica do ser humano é que não é capaz de dizer o que a realidade é; mas pode dizer o que a realidade não é, mediante a constatação dos seus erros na tentativa de “construção” teórica dessa realidade.

Porém, dado que só podemos descrever e explicar sempre o fracasso — precisamente por intermédio dos conceitos que utilizámos para a construção das teorias falhadas —, nunca somos capazes de ter uma imagem do mundo que pudéssemos responsabilizar pelo nosso fracasso.

Quando uma teoria é refutada, altera-se apenas o paradigma [Thomas Kuhn]. Charles Darwin escreveu:

“Se fosse possível demonstrar a existência de um órgão complexo que não pudesse ter sido formado através de modificações numerosas, sucessivas e ligeiras, a minha teoria seria absolutamente demolida.” — Charles Darwin, “A Origem das Espécies”.

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Sexta-feira, 27 Abril 2012

A dialéctica de Hegel é anacrónica

A característica fundamental da dialéctica de Hegel — que marcou a filosofia [materialismo, existencialismo], a política [por exemplo, Karl Marx, Adorno e a Escola de Francoforte], e até a religião [por exemplo, a Nova Teologia de Bonhoeffer, ou a teologia da libertação, no Brasil] — é a ideia de que “o Todo é igual à soma das Partes”.

Se se destruir o pressuposto da dialéctica de Hegel — ou seja, o princípio baseado em Lavoisier, segundo o qual o Todo resulta da soma das Partes —, então todo o edifício ideológico da dialéctica hegeliana cai estrondosamente.

O movimento triádico — tese, antítese e síntese —, que é a base da dialéctica de Hegel, aplica-se também à sociedade na medida em que impede que se conceba o todo [social] organicamente e segundo o princípio de que “o todo é mais do que a soma das partes”.

[o princípio da dialéctica hegeliana opõe-se, por sua própria natureza, à concepção orgânica do Todo; a “síntese” hegeliana é apenas o processo de transformação da matéria segundo Lavoisier]
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Terça-feira, 9 Novembro 2010

“Imaginem o mundo sem religião” — dizem John Lennon e Richard Dawkins

A religião faz parte da condição humana, e por isso é irredutível. A exigência da religião em relação ao Homem é difícil de definir, exactamente em função dessa irredutibilidade.
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Domingo, 3 Outubro 2010

O erro de Hegel

« 1. O princípio da ciência é o conceito imediato, indeterminado, do ser. — 2. Este [o ser], na sua ausência de conteúdo, equivale ao nada. O nada, enquanto pensar daquela vacuidade, é assim inversamente ele próprio um ser e, em virtude da sua natureza, o mesmo que aquele [que o ser]. — 3. Não é, pois, nenhuma diferença do mesmo, mas o que é, é assim apenas a posição dos mesmos termos enquanto indistintos e o esvanecimento de cada um no seu contrário, ou é o puro devir. »

— Hegel, Propedêutica Filosófica

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Quinta-feira, 29 Julho 2010

A “coisa-em-si” e a coisicidade do coiso das coisas

Um dos grandes mistérios da filosofia iluminista, é o conceito kantiano de “coisa-em-si”. Depois de tantas interpretações sobre a “coisa-em-si” de Kant (salvo seja), já não faz mal que eu venha agora com mais uma.
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Sábado, 26 Junho 2010

Os monismos seculares

Quando lemos ou ouvimos gente como Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou Manuel Alegre, não podemos nunca esquecer de que se trata de gente religiosa — mas de uma religião diferente (ou mesmo, em alguns casos, de uma corruptela gnóstica) do Cristianismo.

1. À medida em que o Cristianismo se foi afirmando como nova religião, verificam-se nele duas características essenciais: o universalismo abrangente (que não existe tanto no Judaísmo mas existe mais no Islão) e o carácter individual da fé (que existe mais no Judaísmo mas que é limitado no Islão).

No Judaísmo, o carácter formal dos ritos (limitações na alimentação, circuncisão, etc) limita a sua universalidade. O Islão, com excepção talvez do Islão espanhol tardio, não trouxe impulsos de individualização comparáveis aos do Cristianismo europeu e ocidental — que é diferente do Cristianismo oriental ou ortodoxo. O papel determinante da comunidade dos fiéis no Islão (a Umma) e o sistema legal islâmico (a Sharia) fizeram recuar, a partir do século IX da Era cristã, o processo de individualização que é uma das características marcantes das religiões universais.
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