perspectivas

Domingo, 29 Março 2015

O Instituto Ludwig Von Mises Brasil e o marxismo cultural

 

“Trata-se aqui de uma utopia cujo carácter é mais negativo que positivo pois, diversamente da utopia clássica (Platão, Tomás Moto, Campanella, Fourier) que prescrevia, às vezes pormenorizadamente, a forma da cidade ideal, concentra-se sobretudo na crítica dissolvente da sociedade real.

O carácter negativo da nova utopia é evidente no movimento conhecido por Escola de Frankfurt. Iniciou-se este na Alemanha, em Frankfurt, quando, em 1931, o “Instituto de Investigação Social” passou a ser dirigido por Max Horkheimer (nascido em 1895) e tem os seus maiores representantes mas pessoas de Theodor W. Adorno e Herbert Marcuse.”

→ extracto do livro XIV da “História da Filosofia” de Nicola Abbagnano, § 865, com o título “Utopia Negativa”

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Sábado, 31 Maio 2014

O neoliberalismo diz que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”

Filed under: ética — O. Braga @ 12:11 pm
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No Brasil, devido à grande influência do partido marxista de Dilma Roussef, está na moda defender a ideia segundo a qual “a ética marginalista é melhor do que a ética marxista”. É falacioso que se utilize as ideias de Karl Marx para justificar as ideias de Carl Menger ou de Hayek — como se faz aqui.

Seria como se eu dissesse que “matar uma pessoa é melhor do que matar três pessoas”: o foco do argumento desloca-se para a quantidade de pessoas assassinadas e, assim, desvia-se do acto assassino. Trata-se de uma falácia da mediocridade (para além de ser uma falácia de double blind): nivela-se por baixo (com a bitola do marxismo) para se justificar a ética marginalista na economia.

Não é possível separar a ética, por um lado, da economia, por outro lado. Aliás, não é possível separar a ética de qualquer actividade humana, incluindo a política. E por isso não é possível separar a ética do marginalismo, por um lado, da economia e da política, por outro lado.

O “paradoxo do valor”, defendido pelo marginalismo, é evidentemente um paradoxo. Em lógica, um paradoxo é um raciocínio que conduz a consequências contraditórias ou impossíveis, mesmo quando não lhe conseguimos encontrar o defeito.

A utilidade do paradoxo é muitas vezes articulada a uma concepção negativa da opinião (por exemplo, nos diálogos de Platão), concebida como obstáculo à busca da verdade: ou seja, o paradoxo pode transformar-se em um instrumento de dogmatização de uma ideia ou de um conceito. O paradoxo do valor é utilizado como forma de dogmatizar a ética marginalista.

Existe uma ligação directa e íntima entre a ética de David Hume (relativismo moral), a ética do marginalismo (Carl Menger e Walras e Stanley Jevons), a ética utilitarista (de John Stuart Mill, Ayn Rand), e o neoliberalismo  (de Hayek, escola de Chicago).

É evidente que a concepção anti-utilitarista de Karl Marx (como a de Nietzsche) não faz sentido, porque as coisas têm uma utilidade objectiva. Mas o que o marginalismo fez foi perverter e adulterar a noção de “utilidade” — e essa perversão não pode ser justificação para a crítica a Karl Marx. Matar uma pessoa não é melhor do que matar três.

Sexta-feira, 13 Abril 2012

O problema da corrupção é ético, antes de ser político e económico

Filed under: ética,economia,Esta gente vota — O. Braga @ 9:27 pm
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“The greater the state’s controlling role over the economy the more it, respectively those representing the state, are enabled to replace the “invisible hand” by political considerations.”

via Corruption: Paralyzing Vice Or Inventive Social Self-Defense? | The Brussels Journal.

O raciocínio do escriba remete para o seguinte: quanto menos o Estado controla a economia, menos corrupção existe, porque os actos de corrupção deixam automaticamente de ser considerados “corruptos”. Ou melhor: parte-se do princípio de que os actos económicos separados do controlo do Estado são, em si mesmos, impolutos, ou incorruptos, ou, em última análise, desprovidos de moralidade [marginalismo].

Segundo o escriba, a partir do momento em que a política [o Estado] “se mete” na economia, surge a corrupção. Porém, se a política — e o Estado — se afastar da economia, o mesmo tipo de actos e de comportamentos corruptos deixam de ser corruptos, como que por um milagre da “mão invisível”. Ou seja, a corrupção é incompatível com o “laissez-faire”; numa sociedade em que o Estado não intervém na economia, a corrupção deixa de existir porque, alegadamente, o conceito de “corrupção” desaparece.
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Quarta-feira, 28 Março 2012

Sobre a crítica ao Distributismo [parte I]

Filed under: ética,economia — O. Braga @ 6:51 pm
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Este texto de crítica ao Distributismo tem várias invectivas que vou dissecar, se Deus quiser, ao longo de alguns postais, tentando uma resposta disciplinada a um texto crítico confuso e indisciplinado.


Em primeiro lugar, o texto critica o desconhecimento dos católicos distributistas em relação a Carl Menger; é desta crítica que vou falar neste postal.
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