perspectivas

Terça-feira, 9 Fevereiro 2016

O conceito actual de “autonomia” coloca em cheque a “consciência”

Filed under: filosofia — O. Braga @ 6:07 pm
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“Só há a vida do indivíduo, mas a consciência ultrapassa o indivíduo e rompe sem cessar os seus limites.

(…)

A consciência conduz a vida sob a sua própria jurisdição, em lugar de ser ela a submeter-se à jurisdição da vida.

O animal não se eleva acima da vida. Mas a consciência só ilumina aquilo que existe para se interrogar sobre o seu valor; só é consciência psicológica por ser também consciência moral. A vida só conhece o bem do indivíduo; a consciência eleva-se até ao bem universal; e quando o bem do indivíduo a põe em cheque (à consciência), eis que surge o mal”.

(Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”, T. 1, pág. 744)


A consciência é, aqui, a essência que caracteriza não só o indivíduo, mas também a que une todos os indivíduos (o Absoluto). A nível do indivíduo, a consciência é uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.

Quando o “bem do indivíduo” coloca em causa, ou em cheque, a “consciência” que se eleva ao bem universal, surge o mal. Quando o conceito actual e politicamente correcto de “autonomia do indivíduo” ignora a consciência e o bem universal, destrói a sociedade e o indivíduo, em vez de os tornar melhores. Não é possível um “mundo melhor” que se baseie principalmente no bem do indivíduo — porque o animal não se eleva acima da vida que só conhece o bem do indivíduo.

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Sábado, 21 Setembro 2013

O Valor (4)

Filed under: aborto — O. Braga @ 7:52 pm
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Eu peço desculpa por ter de incomodar o Papa Francisco I (e os "católicos fervorosos"), mas face a este artigo publicado no Guardian de 19 de Setembro, vou ter que falar no aborto — não que eu esteja “obcecado” com aborto, mas porque a articulista feminazista do jornal Guardian anda obcecada com aborto, defendendo que o aborto selectivo de nascituros do sexo feminino é um “direito da mulher”. E eu tenho que comentar.


«A consciência conduz a vida sob a sua própria jurisdição, em lugar de ser ela a submeter-se à jurisdição da vida.

O animal não se eleva acima da vida.

Mas a consciência ilumina aquilo que existe, para se interrogar sobre o seu valor: só é consciência psicológica por ser consciência moral. A vida só conhece o bem do indivíduo; a consciência eleva-se até ao bem universal. E quando o bem do indivíduo a põe [à consciência] em cheque, eis que surge o mal.»

— Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”


feminazistaPerante artigos como o daquela feminista e esquerdista, é impossível à consciência calar-se, por muito que Francisco I nos peça. Como disse Goethe, “se queres usufruir do teu próprio valor, atribui um valor ao mundo”. Atribuir um valor ao mundo é conceber e emitir juízos de valor, segundo a nossa consciência. É não ter medo de falar para não ferir susceptibilidades, porque não falamos para ferir ninguém mas apenas por pensarmos que a consciência conduz a vida, e não é a vida que conduz a consciência.

O aborto é o problema ético mais bicudo da actualidade, porque opõe dois direitos: o direito à vida de um ser humano, por um lado, e, por outro lado, o direito da mulher a “não se elevar acima da vida” — ou seja, o direito da mulher a ser um animal irracional. Ninguém retira à mulher esse direito, o de se tornar em um animal. Mas o que não podemos dizer, em consciência, é que esse direito da mulher em se tornar irracional — o direito de “não se elevar acima da vida” — se sobrepõe ao direito de uma vida ser.

Por muito que custe à mulher em geral, e às feministas em particular: se isto que eu escrevi não é verdade, então nada na vida faz sentido — nem mesmo faz sentido o direito de alguém se animalizar.

O valor (3)

 

«Por que a Igreja não pode se adaptar ao "espírito dos tempos", mas deve, em vez disso, absorvê-lo e transcendê-lo dialecticamente, indo sempre adiante dele e nunca a reboque? É simples: O espírito dos tempos consiste em mudança, e nenhuma mudança faz sentido sem ser sobre um fundo de permanência, reflexo e símbolo temporal da supra-temporalidade. Para que algo mude, é preciso que algo permaneça para lhe servir de medida e até para confirmar que a mudança aconteceu e não é só uma impressão enganosa. A Igreja é o quadrante do relógio, sem o qual os ponteiros não teriam onde mover-se. A Igreja é o factor de permanência, a medida das mudanças.»

— Olavo de Carvalho (no Facebook; os sublinhados são meus)


«O valor absoluto é inseparável de todos os valores particulares que o implicam, em vez de lhes ocupar o lugar. É em nome do valor que estimo o direito de uma coisa a ser, que prefiro a sua existência à sua não-existência, que me obrigo a recorrer a tudo para o realizar consoante o meu poder.

(…)

O valor reconhece-se precisamente quando quero uma coisa com uma vontade absoluta à qual estou pronto a sacrificar tudo o mais. E, se se objectar que mesmo tal sacrifício pode ser ilusório, é preciso distinguir ainda entre o valor da coisa como tal, que é tão-só uma imagem ou uma sombra do valor absoluto, por um lado, e por outro lado, o próprio valor da vontade que se empenha em produzi-lo e que testemunha em favor do Absoluto pela própria extensão dos sacrifícios que está pronta a em consentir para não renunciar a si mesma.

Não há valor, por mais humilde que seja, que não exija algum sacrifício; eis aí um dos efeitos da hierarquia dos valores que se ordena toda entre o sensível e o espiritual. O valor não está na natureza: é uma superação da natureza, ao mesmo tempo seu suporte e instrumento. A nossa própria vida pode ser o preço dessa superação da natureza.»

— Louis Lavelle, “Tratado dos Valores”


Há qualquer coisa que liga estes dois trechos, e que os liga às recentes declarações do Papa Francisco I a uma publicação jesuíta. Depois dessa entrevista do Papa, a forma como nós o vemos, mudou: já não o podemos ver da mesma forma como víamos João Paulo II ou Bento XVI. Somos forçados a vê-lo como um irmão de fé que também erra e está sujeito a crítica — aliás, ele próprio se confessa pecador: foi o próprio Papa que renunciou ao estatuto da infalibilidade do Papa.

A Igreja representa “o valor absoluto que é inseparável de todos os valores particulares que o implicam”. Os valores particulares mudam, mas o valor absoluto, que é o fundamento dos valores particulares, não muda. Se definirmos o absoluto como aquilo que de nada depende e de que tudo o mais depende, o absoluto implica o relativo; mas se o absoluto implica o relativo como o que o exprime e manifesta, o relativo também implica o absoluto como o que o pressupõe e o fundamenta.

Não é possível uma Igreja sem Valor e sem valores, que exigem sacrifícios porque são a “superação da natureza”. Ninguém nos pode dizer, ou tem o direito de dizer: “abandonem a defesa dos valores”, porque isso seria o mesmo que nos dissessem: “ponham o valor absoluto de lado em nome da moda que passa na televisão”. Nem o Papa nos pode dizer isso.

Quinta-feira, 19 Setembro 2013

O Valor (2)

Filed under: ética — O. Braga @ 2:50 pm
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No seguimento do anterior verbete, continuamos a falar do Valor, segundo Louis Lavelle, que definiu o valor como “espírito em acto”. Vamos tentar colocar o problema de uma forma que seja inteligível para muita gente, ou seja, de uma forma simples. (more…)

Quinta-feira, 5 Agosto 2010

O Valor não é relativo

Filed under: ética,filosofia — O. Braga @ 5:26 am
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« Cada qual forja para si o mundo de beleza ou de fealdade em que habita. O que não significa que o valor seja relativo, mas justamente o contrário, visto que mostra como cada ser, pelo acto de participar no Absoluto, cria de algum modo o absoluto de si próprio. »

— Louis Lavelle (Traité des Valeurs)

Sexta-feira, 7 Agosto 2009

A importância de Leibniz no futuro da filosofia quântica

«A simples presença de uma substância, ainda que animada, não basta para a percepção. Um cego, e até um distraído, não vê. É preciso explicar [às pessoas] como a alma percebe o que está fora dela.»

Gottfried Wilhelm von Leibniz ― segunda carta ao filósofo inglês Clarke

Leibniz é essencial para se poder construir uma filosofia quântica que extrapole os parâmetros delimitadores da pura Física ― ele é essencial para uma nova teoria metafísica e espiritualista baseada nas recentes descobertas da quântica. A Física quântica apenas constata factos, ou através da observação ou através do formalismo da lógica matemática; perante a incompreensibilidade das conclusões a que chegou, a Física quântica entra numa espécie de “singularidade” através da qual constata que as leis da Física entram em colapso ― e não consegue explicar esse facto.

Observem este vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=ZtXGq2I4ZI8
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Segunda-feira, 6 Julho 2009

A ameaça espanhola

Se eu tivesse hoje vinte anos, o único país da Europa ― para além de Portugal, até ver ― onde me sentiria confortavelmente inserido na sociedade, seria a Irlanda. Naturalmente que se poderia dizer que se eu tivesse vinte anos não pensaria assim; porém, o facto de existirem jovens com vinte anos que pensam como eu mantém a probabilidade objectiva de que se o tempo recuasse, ainda assim eu manteria a mesma opinião.

No seguimento do postal anterior, um dos grandes problemas de Portugal chama-se “Espanha”. Espanha representa um enorme problema para Portugal em todos os sentidos, para além do perigo de desintegração territorial do leviatão espanhol que pode, pelo menos, causar grandes incómodos ao nosso país. “Nós podemos escolher os nossos amigos, mas não podemos escolher os nossos vizinhos”, diz o povo, com razão.
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