perspectivas

Sábado, 27 Abril 2013

Maimónidas e a evolução darwinista mediante mutações aleatórias

Filed under: Darwinismo,filosofia — O. Braga @ 11:42 am
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Maimónidas, que nasceu no século XII em Córdova (Espanha) e viveu e morreu no Egipto no início do século XIII, defendeu a ideia segundo a qual é impossível raciocinar sobre as condições em que se encontrava uma determinada coisa quando começava surgir, quando essa coisa está agora acabada.

Ou seja, segundo Maimónidas, não podemos recuar do estado em acto de uma coisa para o seu estado potencial; e por isso, todos os argumentos que se servem desta forma de agir são viciosos e não têm qualquer força demonstrativa (conforme Nicola Abbagnano, História da Filosofia, Volume III, §250, Editorial Presença, Lisboa, edição de 1969, página 234).

A inteligência do Homem moderno caiu tão baixo que até um homem do século XII, utilizando a lógica, o consegue rebater.

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Domingo, 21 Abril 2013

A normalidade anómala, e a anormalidade da norma: e ainda dizem mal de Salazar?

Anorma é o critério ou princípio que rege a conduta ou o comportamento, ou ao qual nos referimos para fazer um juízo de valor; e é “normativo” qualquer juízo ou discurso que enuncie tais princípios. A norma define e estabelece o normal.

A tendência da decadência europeia é a de estabelecer uma “normalidade sem normas” que é paulatinamente protegida pelo direito processual e formal positivo (nomeadamente controlado pela maçonaria jacobina europeia). Ou seja, o próprio desvio em relação a qualquer bitola normativa passou a ser tendencialmente a norma sancionada positivamente pelo Direito.

Hoje, cada vez mais e progressivamente, é considerada “normal” aquela pessoa que se desvia de qualquer norma, e esta noção de normalidade é promovida pelo próprio Direito Positivo. Naturalmente que ainda há resquícios históricos de “anormalidade da norma” — como por exemplo, ainda existe uma maioria do povo, relapsa e contumaz, que se atém ao conceito vetusto e reaccionário de “norma normal” — que as elites, e o Direito Positivo por elas controlado, pretendem converter para a “normalidade anómala”.

A tendência da cultura antropológica europeia actual é cada vez mais a definir a regra como “ausência de regra”; e por isso é que os juízos de valor são, cada vez mais, proibidos ou considerados politicamente incorrectos. O discurso normativo passa a ser aquele que denuncie qualquer juízo de valor, ou seja, que negue a própria norma.

Ser normal é afirmar que não se é normal.

A norma deixa progressivamente de ser considerada racional na cultura antropológica: ser normal é ser anormal — o que sendo uma contradição em termos, exige que a contradição e a respectiva dissonância cognitiva sejam resolvidas mediante a anulação da própria lógica. A lógica passa a ser um obstáculo incómodo a ser ultrapassado por intermédio da sua dissolução; o princípio da não-contradição esfuma-se; o princípio da identidade esvai-se; o princípio do terceiro excluído é hoje uma vetustade vesânica.

Neste cenário da cultura antropológica europeia, a norma tende a ser, progressivamente e em nome do “progresso” e dos “direitos humanos”, absolutamente arbitrária e ao sabor da discricionariedade das elites. Já não é a cultura antropológica que impõe a norma: essa função discricionária de normalização arbitrária e irracional da “norma anormal” passou para o Estado abstracto e para o formalismo processual do Direito Positivo controlado pelas elites.

Voltamos à barbárie; e ainda dizem mal de Salazar?!

Domingo, 13 Janeiro 2013

O ser humano é o único animal que pode ser irracional porque quer

Filed under: aborto,ética,cultura,educação,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 4:12 pm
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Este verbete aponta para outro, aqui [ ver ficheiro PDF do verbete ]. Pelo que eu entendi, o verbete aborda uma passagem de um livro sobre ética (ou filosofia moral, como quiserem) destinado a adolescentes e alunos de filosofia. Eu não li o livro, e o meu juízo baseia-se apenas no extracto publicado no verbete. Já vamos ao trecho publicado.
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Quinta-feira, 20 Dezembro 2012

A diferença entre ataque ad Hominem, e depreciação de um indivíduo em função das suas ideias

O ataque ad Hominem, ou a falácia lógica ad Hominem, ou ainda o argumento ad Hominem, é definido aqui. Se o leitor tem dúvidas acerca do que é o ad Hominem, vá lá ler o textículo e volte aqui para continuar a ler estoutro.
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Quinta-feira, 13 Dezembro 2012

Os lógicos podem não ter lógica

Filed under: Ciência,filosofia,Ut Edita — O. Braga @ 10:02 am
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A Lógica é um instrumento do pensamento; mas muitos lógicos revelaram, aqui e a li nas suas obras, erros de raciocínio — lembro-me, por exemplo, talvez do maior lógico português, Edmundo Curvelo, que incluiu, na sua sua visão da Lógica, a doutrina hegeliana, por exemplo no seguinte trecho:

« Falar de acordo do pensamento com a realidade é o mesmo que falar de acordo do pensamento consigo mesmo, e reciprocamente. E isto não por o pensamento não poder sair de si e penetrar na realidade, nem por o pensamento ser a realidade, nem por a realidade ser o pensamento — mas porque pensamento e realidade são uma e a mesma coisa. » — Edmundo Curvelo, Introdução à Lógica, Lisboa, 1942, Edições Cosmos, página 140

Ora, ao contrário do que o homem moderno pensa, a Lógica não evolui. O que evolui é a logística e outros derivados da Lógica, como as teorias formais matemáticas. Mas o cientista moderno, em geral, na esteira do darwinismo, está maioritariamente convencido de que a Lógica evolui — porque uma coisa que não evolui é considerada absurda pela mente moderna; uma coisa que não evolui é um paradoxo que desafia a imanência do espaço-tempo.

A ideia — de Curvelo — segundo a qual “o pensamento e a realidade são uma e a mesma coisa” não é apenas falsa: é absurda. Portanto, nem todos os lógicos têm lógica; e de nada serve sabermos muito de Lógica se não tivermos a priori uma intuição da Lógica, por um lado, e por outro lado se não possuirmos o tipo de inteligência lógica-matemática (porque há outros tipos de inteligência).
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Domingo, 21 Outubro 2012

As falácias bovinotécnicas do Blasfémias

O risco que corremos é, na realidade, o de aniquilarmos a economia, o país e os seus cidadãos, para acudirmos ao crónico e histórico (mas ultimamente mais “monstruoso”) problema orçamental do Estado.

Por muito que se diga que há sempre alternativas, elas – as alternativas viáveis e realisticamente operativas – não se vislumbram, clara e satisfatoriamente. Da parte da sociedade civil há, com efeito, uma reação natural de quem asfixia. Porém, também não se ouvem alternativas consistentes, ou mesmo, simplesmente realistas e fundamentadas.

via Entre mortos e feridos…* « BLASFÉMIAS.

Falei, no postal anterior, das duas principais falácias lógicas do discurso político actual veiculado pela pseudo-informação dos me®dia : a falácia ad Baculum e ad Misericordiam. Porém, podemos verificar, neste texto em epígrafe, mais três falácias lógicas me®diáticas: o argumento ad Nauseam, a falácia da Falsa Dicotomia, e o Circulus in Demonstrando.

A falácia da Falsa Dicotomia resume-se nisto: “não há alternativa possível à política económica de Passos Coelho: ou Passos Coelho, ou o caos”.
[Le Peuple, C’est Moi!]

Acontece que as alternativas existem, mas “não cairiam bem” nem na Comissão Europeia, nem no governo de Angela Merkel, e nem nas elites da utopia portuguesa da construção do leviatão europeu. E essas alternativas não são necessariamente sinónimo de caos: o mais que podem ser é sinónimo de uma certa hostilidade diplomática em relação a esta União Europeia, por um lado, e a procura diplomática de soluções que não estão hoje a ser equacionadas (fora da União Europeia).

O argumento ad Nauseam é esta pseudo-informação, em si mesma, que se repete até à náusea. E depois temos o Circulus in Demonstrando, que funciona assim:

1/ com a actual política económica, corremos o risco de aniquilar a economia;

2/ mas não existem alternativas a esta política económica suicida de Passos Coelho.

3/ Por isso, não temos outro remédio senão corrermos o risco de aniquilar a economia.

Terça-feira, 16 Outubro 2012

“Eu sou contra o aborto, mas não imponho a minha opinião aos outros”

Filed under: aborto,ética,cultura — O. Braga @ 6:38 am
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When Joe Biden was asked about abortion in the vice-presidential debate last Thursday, he replied with what, in part, has become boilerplate. “I accept my church’s position on abortion…” he said. “Life begins at conception; that’s the church’s judgment. I accept it in my personal life; I just refuse to impose that on others, unlike my friend here, the congressman [Paul Ryan].”…

[T]he fallacy of the PONVI (personally-opposed, no-values-imposed) position is revealed when we apply it to other things. “Personally, I’m opposed to rape, but I understand the world is shades of gray; “Personally, I’m opposed to slavery; I just refuse to impose that on others, unlike my friend here….”

via The real malarkey: Joe Biden's abortion stance | Jill Stanek.

Uma falácia lógica habitual no discurso do relativismo moral é a do “sou contra, mas não imponho”. É vulgar ouvirmos dizer: “sou contra o aborto mas não imponho a minha opinião aos outros”.

Seguindo este raciocínio falacioso, eu poderia também dizer:

“Eu sou contra a violência doméstica, mas não imponho a minha opinião aos outros. Tenho um vizinho que agride a sua mulher todas as noites: eu não concordo com ele, mas não lhe imponho a minha visão acerca da violência doméstica”.

Naturalmente que o leitor relativista moral poderá dizer: “mas a violência doméstica é crime público, e o aborto não é”. Mas este argumento também é falacioso, por duas razões:

1/ a primeira é que a política e o Direito não são a mesma coisa que a Ética;

2/ e em segundo lugar, uma lei, sendo obviamente legal, pode não ser legítima. Legalidade não é a mesma coisa que legitimidade.

Segunda-feira, 24 Setembro 2012

Um professor de Princeton diz que “a ciência é aquilo que se quiser”

“The renowned philosopher Karl Popper coined the term “demarcation problem” to describe the quest to distinguish science from pseudoscience. He also proposed a solution. As Popper argued in a 1953 lecture, “The criterion of the scientific status of a theory is its falsifiability.” In other words, if a theory articulates which empirical conditions would invalidate it, then the theory is scientific; if it doesn’t, it’s pseudoscience.

That seems clear enough. Unfortunately, it doesn’t work. Epistemologists present several challenges to Popper’s argument. First, how would you know when a theory has been falsified? Suppose you are testing a particular claim using a mass spectrometer, and you get a disagreeing result. The theory might be falsified, or your mass spectrometer could be on the fritz. Scientists do not actually troll the literature with a falsifiability detector, knocking out erroneous claims right and left. Rather, they consider their instruments, other possible explanations, alternative data sets, and so on. Rendering a theory false is a lot more complicated than Popper imagined—and thus determining what is, in principle, falsifiable is fairly muddled.”

via Separating the Pseudo From Science – The Chronicle Review – The Chronicle of Higher Education.

O cidadão comum deveria começar a estar mais preocupado, não só com a elite académica em geral, mas sobretudo com a comunidade dos investigadores científicos em particular. Existe hoje, nas universidades, uma deriva cientificista tão forte e a tal ponto, que um energúmeno com um alvará em História defende aquela tese supracitada, e ninguém contesta. E não nos esqueçamos que essa “tropa” académica faz as suas “investigações científicas” com o dinheiro dos contribuintes; e essa é mais uma razão para sabermos o que eles pensam acerca da ciência.

Um professor de História da universidade de Princeton (a mesma universidade onde Peter Singer dá lições de bio-ética), de seu nome Michael D. Gordin, diz que o princípio de falsicabilidade de Karl Popper está errado, e que não é possível definir o que é ciência ou não, por intermédio desse princípio. Karl Popper deu um exemplo chão do que consiste o princípio da falsicabilidade, como segue:

  • Alguém faz a seguinte proposição: “todos os cisnes são brancos”, e pretende que esta sua proposição seja objecto de investigação científica [no sentido de se apurar a verdade objectiva sobre a proposição]. Porém, diz Karl Popper, é preciso saber se esta proposição é falsificável (passível de refutação empírica), para que possa ser objecto de investigação científica. E basta que alguém demonstre empiricamente que existe, pelo menos, um cisne negro, para que então a proposição seja falsificável (refutável) e possa ser investigada pela ciência.

O professor de História de Princeton segue o raciocínio “anti Karl Popper” de Lakatos e de Feyerabend, de que falarei mais adiante. Entretanto, utiliza um argumento estapafúrdio, que é o seguinte [tradução livre]:
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Segunda-feira, 3 Setembro 2012

Acordo do pensamento com a realidade

« Falar de acordo do pensamento com a realidade é o mesmo que falar de acordo do pensamento consigo mesmo, e reciprocamente. E isto não por o pensamento não poder sair de si e penetrar na realidade, nem por o pensamento ser a realidade, nem por a realidade ser o pensamento — mas porque pensamento e realidade são uma e a mesma coisa. »

— Edmundo Curvelo, Introdução à Lógica, Lisboa, 1942, Edições Cosmos, página 140

Edmundo Curvelo foi considerado o melhor lógico português do século XX, foi professor liceal de História e de Filosofia, e professor universitário de História da Filosofia Antiga, Moderna e Contemporânea, Teoria do Conhecimento, Moral e Lógica. Quem sou eu, um humilde ignaro, para contradizer ou mesmo discordar do professor Edmundo Curvelo?

Em princípio, a proposição em epígrafe está correcta porque decorre da validade do princípio de autoridade de direito que supostamente se baseia numa autoridade de facto.

Vemos nessa proposição a influência de Kant — embora alterada — e a tentativa de negar S. Tomás de Aquino. O santo dizia que “a verdade é a adequação do intelecto (pensamento) à realidade”. E na minha opinião, o santo dizia bem. E, portanto, segundo o santo, se o pensamento [implícito em “intelecto”] tem que se adequar à realidade para descobrir a verdade, pensamento e realidade não são a mesma coisa. Mas o professor Curvelo diz que não: que o santo estava errado…!

Por outro lado, Kant [e também, por exemplo, o neo-kantiano ou neo-criticista Karl Popper] diz — e bem — que o cérebro humano não é uma espécie de balde onde os sentidos despejam as sensações provenientes do mundo exterior. Em vez disso, dizia Kant que existe uma espécie de software implantado no cérebro humano que faz o tratamento dos dados das percepções sensoriais recebidas do exterior por via dos sentidos. Ou seja, o cérebro interpreta; e cada interpretação de um determinado fenómeno inerente à realidade é uma teoria.

Então, como é que o professor Curvelo chega à conclusão de que “o pensamento e a realidade são uma e a mesma coisa”?! Deixo a resposta para o caro leitor, que certamente terá mais perspicácia do que eu.

Porém, eu penso que o professor Curvelo era um hegeliano — o que aliás não era de espantar porque Hegel marcou o espírito do seu (do professor Curvelo) tempo. E Hegel foi conhecido por pegar nas ideias de Kant e adulterá-las. Dizia Hegel que “o que é racional é real”, e vice-versa, o que significa que, segundo Hegel, toda a realidade pode ser traduzida mediante categorias racionais (lógicas). E, portanto, se “o que real é racional”, então “o pensamento e realidade são uma e a mesma coisa” — conclui o professor Curvelo.

Mas não é.

Em primeiro lugar, o professor Curvelo parte do princípio segundo o qual, o pensamento enquanto tal, é sempre racional (ou seja, o pensamento é sempre sustentado pela lógica).

Em segundo lugar, o professor Curvelo parte do princípio de que a realidade, entendida em si mesma, não é nunca logicamente contraditória, e por isso pode ser categorizada racionalmente [Hegel].

Tanto o primeiro princípio como o segundo são falsos. E quando um princípio está errado, toda a concepção teórica está errada [Aristóteles], o que significa que, neste caso, o pensamento do professor Curvelo não se adequa à realidade — lá dizia S. Tomás de Aquino, e com razão!

Quarta-feira, 22 Agosto 2012

Como se desconstrói uma treta em duas penadas

«Uma peça importante neste truque é a falsa distinção entre “evidências científicas” e “evidências não científicas”, como se o carácter de ser científico estivesse nas evidências em vez de estar nos processos de inferência.»

via Que Treta!: A “evidência científica”..

A inferência é o acto que consiste em admitir como verdadeira uma proposição que não é directamente conhecida como tal, e por referência a outras proposições verdadeiras com as quais está ligada. A inferência pode ser “racional” mas não enquanto “juízo lógico”: é “racional” no que diz respeito ao seu “conteúdo” — embora alguns lógicos admitam a existência formal (mediante juízo lógico) de inferências imediatas.

A definição de inferência indica, desde logo, duas realidades factuais: a primeira é a de que a verdade existe. A segunda é a que a descoberta da verdade pode ser independente do juízo lógico. Estas duas realidades factuais estão, a priori, implícitas no trecho supracitado.

Portanto, falar em ciência é (1) admitir que a verdade existe; nenhum cientista propriamente dito pode admitir que a verdade não exista, porque estaria na profissão errada. Por outro lado, falar em ciência é (2) admitir também que o conteúdo da verdade — ou o resultado da inferência — é independente do juízo lógico ou da indução que só se aplica no seu estado puro (raciocínio por recorrência) nas matemáticas.
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Sexta-feira, 10 Agosto 2012

A essência do casamento

Neste artigo [em inglês], o autor constrói de uma forma magistral e facilmente compreensível pelo comum dos mortais, uma tese contra o “casamento” gay, utilizando as noções filosóficas de “essência” e de “acidente”, que se opõem uma à outra. Não há forma de refutar os fundamentos da dita tese sem violar os princípios da lógica.

A essência é aquilo que constitui a natureza permanente de um ser (substância) ou de uma condição existencial (conceito).

A essência do casamento é aquilo que constitui a sua própria natureza: a aliança entre a mulher e o homem com a sucessão das gerações. Só assim o casamento faz sentido. Se retirarmos a sucessão das gerações à definição de casamento, a quantidade e a qualidade dos nubentes torna-se acidental, ou seja, tanto podem ser casadas duas pessoas como três ou quatro ou mais, independentemente do sexos e das idades dos nubentes.

Segue-se, portanto, que o “casamento” gay é a porta de entrada da barbárie na nossa sociedade [estamos apenas no início de uma época caracterizada pelo mais puro e inédito barbarismo], porque o próprio conceito de “casamento” gay resulta de pura arbitrariedade do poder político e da prevalência prepotente do absurdo — no sentido da recusa ostensiva da lógica e da natureza das coisas — em forma de lei.

Quinta-feira, 21 Junho 2012

A lógica do absurdo de um nazismo suave

Se há coisa principalíssima na presente crise social e económica que Portugal (e demais países) atravessa ela consiste na catastrófica hecatombe demográfica e nos pressupostos imorais e injustos que a ela conduziram.

Devia pois ser evidente para todos que o melhor e mais expedito modo de superar definitivamente esta enorme calamidade é a que os nossos políticos sumamente iluminados, justíssimos e competentíssimos engendraram: gastar milhões e milhões de euros, na contracepção e no aborto, para evitar a todo o custo que sejam geradas crianças ou, no caso de o serem, possibilitar a sua rápida e inexorável eliminação.

Não se entende por isso como é que ainda há alguns beldroegas embotados, cerebralmente abestalhados, mentalmente aparvados e de entendimento palúrdio, nos quais naturalmente me incluo, que em vez de aplaudirem e cooperarem no salvamento da nação continuam a zurrar e escoicear contra esta solução prodigiosa.

via Padre Nuno Serras Pereira: A Clarividência Genial dos nossos Políticos.

Cantava o poeta Alegre que “a razão mesmo vencida não deixa de ser razão”; ainda que saibamos que o poeta Alegre não tinha razão quando defendeu a legalização do aborto a pedido discricionário da mulher.

“Os factos são teimosos” [Lenine]. O problema da nossa sociedade coloca-se quando a lógica não entra na interpretação dos factos, quando fazemos de conta que a lógica não existe. O pós-modernismo trouxe-nos algumas palavras-chave que se vulgarizaram na academia; por exemplo: “a lógica é uma batata”. Era eu estudante e este chavão propagava-se como a peste negra na Idade Média. Professores e alunos utilizavam-na a propósito de qualquer coisa com que não concordassem. Mas nunca ninguém me conseguiu explicar por que “a lógica é uma batata”.

O pós-modernismo é, de facto, caracterizado pela negação da lógica, e o pior é que esta negação não é vista como uma coisa má, mas antes conduz alegadamente à autonomia do indivíduo e é considerada, por isso, uma coisa muito boa. Um indivíduo autónomo é aquele que nega a lógica; um indivíduo que não nega a lógica não pode ser autónomo porque está condicionado pela axiomática universal e, portanto, dizem, não é livre. Negar a lógica é hoje sinal de inteligência. Dizer asneiras e afirmar incoerências é sintoma de alta criatividade. A opção pelo absurdo é, muitas vezes, consciente; o absurdo parece adquirir uma lógica própria. O discurso errático e desenraizado da realidade objectiva pertence hoje à categoria da genialidade.

E depois há aqueles que embora verificando que a negação da lógica conduz ao absurdo, pensam que não vale a pena contrariar a tendência cultural do nosso tempo. Encaram este fenómeno cultural da procura consciente do absurdo como que uma fatalidade consentânea com o conceito de Destino, segundo Fernando Pessoa. O Destino é uma espécie de entidade oculta que tem já definida a História, e as consequências da acção do Destino na História não podem ser mudadas. “As coisas são assim, e não há nada a fazer”.

Ora as coisas não têm necessariamente que ser assim. Quando o acto de matar um ser humano em formação é considerado um direito, já não estamos só a falar de negação da lógica: estamos também a falar em negação ontológica [a negação do ser]. O absurdo de se considerar o aborto como um direito é levado ao extremo de se poder ter o direito de negar a vida que não é a sua. Estamos já num processo cultural de legalização do homicídio: vivemos hoje um nazismo suave.

Hoje, devemos olhar para aqueles heróis que resistiram ao nazismo, mesmo com sacrifício da sua própria vida, e seguir-lhes o exemplo. Lembro-me por exemplo de três nomes: Claus von Stauffenberg [ateu], Dietrich Bonhoeffer [pastor protestante] e Maximiliano Kolbe [Padre católico]. Todos eles foram sacrificados pela defesa da lógica da vida humana.

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