perspectivas

Domingo, 28 Fevereiro 2016

As estórias da Teresa de Sousa

 

A Teresa de Sousa escreve sobre política como se tratasse de uma estória de embalar meninos renitentes ao sono; e, no fim da estória, longa, acabamos todos por adormecer.

teresa-de-sousa-webQuando sabemos que não temos razão acerca da realidade, construímos uma estória rebuscada e o mais confusa possível, misturando alhos e bugalhos, de modo a que os nossos leitores se embrenhem em uma fantasia que os transporte para o domínio da utopia onde o concreto se esbate e dá lugar ao subjectivo “à la carte”.

Em nome da “razão”, a Teresa de Sousa defende a construção de um leviatão na Europa.

A não ser que um leviatão seja racional, a Teresa de Sousa entra em contradição; ou seja, ela não tem razão. Ou então terão que me demonstrar a existe alguma racionalidade na construção de um leviatão europeu.

O que significa “leviatão”?

O Leviatão é um monstro bíblico, do qual fala o Livro de Jó, afirmando que “sobre a Terra, nenhum é seu mestre”. No texto da Bíblia, o poder terrestre do Leviatão é evocado para simbolizar a que ponto ele ultrapassa o poder celeste de Deus.

O “filósofo” Hobbes retoma o conceito de “leviatão” no século XVII na sua obra “Leviatão” que designa o Estado e sublinha o seu poder absoluto. A teoria absolutista do Poder, que Hobbes desenvolve, fez do conceito de “Estado” o símbolo do carácter monstruoso do Estado moderno (que a Teresa de Sousa apoia) — “o mais frio dos monstros frios”, segundo Nietzsche —, devorando as forças vivas do indivíduo.

A contradição e a irracionalidade da Teresa de Sousa consiste em chamar de “democrática” a construção de um leviatão (um absolutismo) na Europa.

Quinta-feira, 6 Dezembro 2012

O Euro como instrumento de construção de um leviatão europeu

O ex-primeiro-ministro belga e agora eurodeputado liberal (sublinho: liberal!), Guy Verhofstadt, diz que uma Europa federal do leviatão é um OBRIGAÇÃO, e não uma ESCOLHA dos povos da Europa. E serve-se das putativas e alegadas vantagens do Euro como argumento para eliminar qualquer escolha dos povos da Europa.

Guy Verhofstadt web

http://www.youtube.com/watch?v=Uu3g7geKUfE

Segunda-feira, 26 Julho 2010

Consequências do Tratado de Lisboa

« Austria is also on the verge of introducing a new and draconian anti terrorism law that is so loosely worded that virtually anyone who criticises governments can be classified as a terrorist. »

Jane Burgermeister

Quinta-feira, 19 Novembro 2009

Na Europa, os dias de liberdade estão contados

Eu tenho aqui feito uma crítica cerrada ao Tratado de Lisboa e ao leviatão europeu em si, mas penso que os meus dias ― e os vossos também ― de liberdade estão contados. Acontece algumas vezes dizerem-me que sou “maluquinho”, mas acontece também que passado um ano ou dois, aqueles que me diziam “tolinho” acabam por me dar razão ou, no mínimo, por “meter a viola ao saco”.

A União Europeia baseia os seus princípios de cidadania no conceito elitista e não-democrático de “vontade geral” de Rousseau, a que fiz referência aqui.

A “vontade geral” de Rousseau não é idêntica à da maioria ou até à da totalidade dos cidadãos. Rousseau entende a “vontade geral” como a vontade do corpo político que se assume arbitrariamente como intérprete da vontade do povo, na medida em que Rousseau considera a sociedade civil como uma pessoa e com atributos de uma personalidade ― tal como Hobbes ― que inclui o atributo da vontade. Segundo Rousseau, a sociedade civil não é (ou não deve ser) um conjunto de indivíduos organizados, mas antes uma pessoa colectiva.

Na carta dos direitos fundamentais da União Europeia, podemos ver a elencagem normal e politicamente correcta dos direitos e garantias, e depois vemos no artigo 52:

Qualquer restrição ao exercício dos direitos e liberdades reconhecidos pela presente Carta deve ser prevista por lei e respeitar o conteúdo essencial desses direitos e liberdades. Na observância do princípio da proporcionalidade, essas restrições só podem ser introduzidas se forem necessárias e corresponderem efectivamente a objectivos de interesse geral reconhecidos pela União, ou à necessidade de protecção dos direitos e liberdades de terceiros.

O “interesse geral” invocado é, sem tirar nem pôr, a “vontade geral” de Rousseau que tanto fascinou os jacobinos franceses e a revolução francesa. Isto significa que em nome da “vontade geral” do corpo político elitista europeu ― que ou não foi eleito directamente pelos cidadãos, como é o caso do Conselho Europeu, ou se foi eleito é um simples proforma, sem poderes legislativos ou de fiscalização, como é o caso do parlamento europeu ― todos os direitos e garantias podem ser restringidos ou mesmo abolidos em nome do poder plenipotenciário dessa “vontade geral” exarada no corpo político e por este exclusivamente representada, e ao arrepio da vontade dos povos.

Porém, a dita Carta vai mais longe. No seu artigo 54, diz o seguinte:

Nenhuma disposição da presente Carta deve ser interpretada no sentido de implicar qualquer direito de exercer actividades ou praticar actos que visem a destruição dos direitos ou liberdades por ela reconhecidos, ou restrições maiores desses direitos e liberdades que as previstas na presente Carta.

Isto significa que a mais ninguém, à excepção do corpo político que se auto-intitula como sendo o “representante da vontade geral”, é permitido criticar ou colocar em causa, nomeadamente, o artigo 52. Não só as liberdades e garantias podem ser coarctadas a qualquer momento e de forma “legal”, como qualquer crítica ou acção política que coloque em causa essa restrição das liberdades é considerada ilegal.

Sábado, 14 Novembro 2009

O “casamento” gay e a estimulação contraditória

O texto de Maria José Nogueira Pinto que publiquei ontem (já tinha publicado um outro texto dela) remete-nos para um processo político intencional de irracionalização das massas através da estimulação contraditória. Escreve Olavo de Carvalho acerca da estimulação contraditória:
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Domingo, 15 Junho 2008

Vem aí a censura política na blosgosfera



A morte do leviatão (G. Doré)

Acabei de ler o “Arquipélago de Orwell”, de Mercedes Rosúa. Para quem, como eu, viveu durante um ano e pico num país com uma ditadura marxista-leninista (Moçambique — 1975/76), a leitura do livro foi um déjà vu. Comparando o Marxismo com o Salazarismo (que também conheci), e se tivesse que escolher, preferiria — sem hesitação — o segundo. No Salazarismo, só te incomodavam se incomodasses o regime; no Marxismo-leninismo, o regime não está à espera que tu incomodes: ele parte sempre do princípio que incomodas, mesmo que não faças nada por isso.

O Marxismo chinês (maoísmo) evoluiu para uma ditadura capitalista original. Não se trata de uma deriva fascista, porque não existe propriamente um corporativismo organizado e consagrado. O sistema chinês é um sincretismo, algo de completamente novo e que, sendo um leviatão, é diferente do “Leviatão” de Hobbes.

Hobbes imaginou o Homem como um ser anti-social por natureza e defendeu a aplicação firme de normas morais para evitar o caos social. No novo leviatão contemporâneo, não existem propriamente normas morais (no sentido ético), mas normas políticas; as normas políticas coercivas dependem das variações das correlações de forças no seio da elite politica que controla o leviatão, e são muito imprevisíveis: o que é politicamente correcto hoje, pode não ser já amanhã. A ética do leviatão europeu que se pretende construir é o relativismo total sujeito a uma lógica totalitária que progressivamente se instala na sociedade, sem que os cidadãos se apercebam das mudanças e da perda da liberdade.

Uma das características do Leviatão contemporâneo é o Presentismo filosófico-histórico que derivou no Presentismo político que pretende “apagar” a História e criar o “Homem Novo” (este vídeo dá uma ideia do Leviatão actual).


Parlamento Europeu analisa estatuto da blogosfera (link)

“Os blogues e os outros conteúdos produzidos pelos utilizadores da Internet contribuem de forma viva e enérgica para o pluralismo da comunicação e não devem ser sujeitos a restrições. No entanto, existem algumas questões legais, designadamente o direito de resposta, que carecem de uma solução adequada”

Primeiro, a benevolência e tolerância politicamente correctas. A introdução a uma medida de restrição da liberdade é sempre complacente e paternalista.

“Os blogues não podem ser considerados automaticamente uma ameaça, mas imaginemos os grupos de pressão, os interesses profissionais ou quaisquer outros grupos que utilizem os blogues para veicular a sua mensagem. Os blogues são instrumentos poderosos e podem funcionar como uma forma avançada de exercício de pressão. Nesse caso, poderão ser considerados uma ameaça”

Depois, a tolerância estreita-se: o “perigo” dos “grupos de pressão”. Mas nem todos os grupos de pressão constituem um perigo; depende muito do critério aleatório de quem comanda os destinos do leviatão. Há grupos de pressão bons, que têm opiniões positivas, e grupos de pressão maus, que emitem opiniões negativas; ninguém sabe é como esses critérios de valor são estabelecidos.
Um grupo de pressão pode não ser um perigo hoje, e passar a ser amanhã. Depende do activismo político e dos lobbies políticos presentes a cada momento da vida do Leviatão; não existe um critério seguro e firme.

“Não consideramos os blogues como uma ameaça. No entanto, sabemos que podem poluir, de forma considerável, o ciberespaço; a clarificação do estatuto permitiria a resolução legal de eventuais litígios.”

Os blogues poluem o ciberespaço, embora não sejam uma ameaça. Não são uma ameaça, mas poluem. Os blogues são como os veículos de baixa emissão de CO2: não são uma ameaça, mas poluem, e portanto, há que aumentar os impostos que no sentido da auto-limitação da sua circulação. É uma espécie de ecofascismo aplicado às ideias e à opinião.

Esta última asserção é verdadeiramente extraordinária: os blogues poluem a Internet! Como se os motores de busca não fizessem a triagem entre a procura e a oferta de conteúdos!

Imagem daqui.

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