perspectivas

Quinta-feira, 25 Julho 2013

Sobre as críticas de Eric Voegelin a Karl Popper

Filed under: filosofia — O. Braga @ 4:46 pm
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Eu não vou aqui tecer considerações contra o pensamento de Leo Strauss, porque, como conservador, não gosto de dar tiros nos pés. Para inimigos já nos bastam os que existem, e para além dos neocons.

Karl Popper foi um filósofo da ciência, por um lado, e por outro lado foi um neo-kantiano, coisa que Eric Voegelin também foi! Para além da filosofia da ciência, Karl Popper foi pobre: a sua metafísica é pobre, a sua ética é esquiva, relativista e escusa (mesmo cobarde). Não foi um lógico. Esta é verdade.

Mas na filosofia da ciência, Karl Popper foi muito forte. Reduzir as ideias de Karl Popper à “Sociedade Aberta e os Seus Inimigos” não é honesto. Seria como se eu dissesse que “o Cristiano Ronaldo é muito mau jogador, como defesa central”, o que é um absurdo de se dizer, porque o Cristiano Ronaldo é um atacante e não um defesa central. De modo semelhante, Karl Popper foi muito bom na filosofia da ciência (assim como Thomas Kuhn, por exemplo), e é na área em que ele mais se destacou, na filosofia da ciência, que deve ser criticado.

Eric Voegelin diz que Henry Bergson é um “filósofo respeitável”, por anteposição a Karl Popper que ele considera implicitamente que não é “respeitável”. É a opinião dele, mas eu estou em total e completo desacordo. Um filósofo (Bergson) que reduz e limita a metafísica à pura imanência não é, em minha opinião, um filósofo respeitável. Para tratar a metafísica da forma como ele a tratou, mais valia que Bergson seguisse o exemplo de Karl Popper e evitasse falar dela.

Isto não significa que não exista alguma originalidade em Bergson; mas também existiu alguma originalidade em Karl Marx, por exemplo, e nem por isso o considero um “filósofo respeitável”. Ser original não significa ser automaticamente respeitável; o Marquês de Sade, ou o Mandeville, também foram originais, mas nem por isso eu os consideraria “respeitáveis”.

A filosofia de Bergson tem um fundamento gnóstico puro e duro, e admira-me, por isso, que Eric Voegelin tenha dito dele que foi um “filósofo respeitável”. Vejo aqui alguma contradição em Eric Voegelin.

Sobre os conhecimentos de filosofia grega, se colocarmos Eric Voegelin ao lado de Gadamer, por exemplo, Eric Voegelin é um aprendiz. No entanto, eu também não considero Gadamer como um “filósofo respeitável”. Gadamer era capaz de passar uma ou duas horas a discursar, escorreito, em grego antigo – ou seja, discursar na língua dos próprios filósofos gregos -, coisa que Eric Voegelin nunca jamais sonharia ter podido fazer. Um “filósofo respeitável” não tem que necessariamente falar correctamente grego antigo.

No que diz respeito ao ataque ad Hominem de Eric Voegelin a Karl Popper, não nos merece qualquer comentário.

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Segunda-feira, 14 Dezembro 2009

Leo Strauss, o modernismo e a democracia directa

A “intrusão” da democracia directa na democracia representativa, através de um sistema misto que condicione esta última, tem o condão de restringir a discrecionariedade política dos governantes, responsabilizar os governados, e de criar uma aristocracia natural e não-hereditária.

Uma das características do chamado “neoconservadorismo” ― de onde deriva o termo “neocon” do conservadorismo pós-moderno que foi o esteio das políticas dos Bush pai e filho ―, é o de considerar que é possível combater a revolução jacobina e as suas réplicas contemporâneas com outro tipo de revolução, criando-se um “conservadorismo revolucionário”, o que, na minha opinião, é auto-contraditório. Em Leo Strauss podemos verificar essa tendência.

Neste postal no Mídia sem Máscara podemos ver a expressão do “conservadorismo revolucionário” de Strauss, e é sobre assunto que versa o meu comentário.
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