perspectivas

Quarta-feira, 13 Abril 2016

A intelijumenta volta à carga

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 6:59 pm
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É nossa obrigação — a de cidadãos normais, que nos situamos na faixa central da curva de gauss — não nos calarmos perante a intelijumência progressista.

“Alguém tem de explicar aos senhores que homossexualidade e heterossexualidade não se proíbem.”

A intelijumenta de serviço


Minha cara senhora:

Cada um faz do seu cu o que bem entender. Que um indivíduo encontre deleite (literalmente) tomando no cu, é problema dele e ninguém tem nada a ver com isso — excepto quando a sua “orientação sexual” prejudica o regular funcionamento de uma instituição de ensino que, em princípio, prepara os jovens para a vida militar (como é o caso do Colégio Militar).

Para que a senhora perceba: por exemplo, aceitar homossexuais em um seminário da Igreja Católica (onde só existem homens) deve manter os gays deleitados — o que não significa que quem lhes for ao cu seja gay: não devemos confundir a libido, o eros, a filia e o ágape. A libido é aquela característica do homem que “faz transpirar o monstro”. ¿Entendeu? Para alguns homens, o que interessa é um buraquinho quentinho, nem que seja o cu de um porco.

Com esta linguagem explícita, espero que a Exma. Senhora tenha entendido. Cumprimentos.

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Quarta-feira, 16 Março 2016

Se o Camões fosse guei, seria outra coisa

 

Para o Jugular, os feitos narrados por Camões deveriam ser assim:

As pichas dos varões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana,
Por mares nunca dantes encavados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em paradas e orgias esforçados
Mais do que prometia a tesão humana
E entre bonobos e putos edificaram
Novo Reino, que tanto fornicaram;

E também os esfíncteres gloriosos
Daqueles cus que foram dilatando
O Vício dessas terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por fodas valerosas
Se vão da lei da Morte libertando
Cantando espalharei por toda a parte
Se a tanto me ajudar o putedo e arte.

Terça-feira, 1 Março 2016

Um exemplo da “elite” burra que temos

Filed under: Esta gente vota — O. Braga @ 1:40 pm
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Eu não sei quem é esta gaja, mas é burra (falemos português correcto).

Normalmente os burros atribuem as causas do pós-modernismo às sequelas da II Guerra Mundial; os mais esclarecidos vão até à I Guerra Mundial; quem sabe alguma coisa, busca na Revolução Francesa a origem do nexo causal que deu origem à contemporaneidade. E quem se preocupa com o episteme, procura no Cristianismo e na História das Ideias — Idade Média, Renascimento, Idade Clássica — a origem da afirmação do sujeito na sociedade europeia.

Não tenho dúvidas que aquela senhora gaja aparece nos me®dia lisboetas, com pompa e circunstância. Possivelmente é militante do Partido Socialista de António Costa.

Domingo, 14 Fevereiro 2016

O Henrique Raposo e as altas taxas de suicídio no Alentejo

Filed under: A vida custa — O. Braga @ 9:16 pm
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Vemos aqui um texto notável do Henrique Raposo acerca da alta taxa de suicídio no Alentejo, que se baseia em factos. Obviamente que os factos criam imediatamente anticorpos ideológicos.

A principal razão que Henrique Raposo invoca para justificar a alta taxa relativa de suicídio no Alentejo, é a cultura. Mas ele descarta a genética, e bem. Mas não deveria descartar a epigenética que é uma área de estudo relativamente recente.

A cultura antropológica (o mimetismo cultural) e a epigenética  “andam de mãos dadas”.

A reacção do blogue Jugular ao texto do Henrique Raposo é a reacção normal de quem se recusa a identificar as altas de suicídio com o mimetismo na cultura antropológica e com a epigenética — por causa da recente proposta radical de legalização da eutanásia. Perante factos, a Esquerda responde invariavelmente com ideologia.

Segunda-feira, 8 Fevereiro 2016

Eutanásia: um desejo privado não é automaticamente um direito público

 

Alguém escreveu o seguinte:

« Desenvolvimento de cuidados paliativos e dignidade para morrer não são incompatíveis nem mutuamente exclusivos.

"NINGUÉM TEM O DIREITO DE OBRIGAR SEJA QUEM FOR AO SOFRIMENTO, À DOR, À AGONIA, COMO NINGUÉM TEM O DIREITO DE ANTECIPAR A MORTE DE UM DOENTE QUE NÃO O QUEIRA FAZER" (roubado ao João Semedo). »

Deixem de ser ignorantes


Desde logo, existem no textículo supracitado duas falácias lógicas informais: a primeira é o ad Hominem. Quem não concorda com a criatura que escreveu aquilo é “ignorante” — embora ela não explique por que razão é ignorante. É ignorante, “porque sim”! A outra falácia é de apelo à autoridade: não é porque o João Semedo é licenciado em medicina que está habilitado a pronunciar-se sobre questões éticas ou jurídicas. Ou seja, o João Semedo pode ter a sua (dele) opinião, mas não tem uma qualquer autoridade de direito ou de facto nessa matéria.

Ademais, o desejo (privado) de uma pessoa não se transforma automaticamente em direito (público).

Mas é assim que aquela criatura pensa: o desejo individual é sempre passível de ser transformado em direito, alegadamente “desde que não prejudique outrem”. Ora, o conceito de “prejuízo de outrem” é deliberadamente desvalorizado e obnubilado.


eutanasia-cadeiras
Se a eutanásia for legalizada, as pessoas com doenças terminais, ainda que não estejam em grande sofrimento físico, serão informadas pelos médicos acerca da possibilidade da eutanásia; ou seja, os médicos dirão detalhadamente a essas pessoas — muito antes da fase terminal da doença em que o sofrimento físico se acentua — quais as consequências futuras da evolução da doença em termos de dor e sofrimento; e isto para salvaguardar os requisitos de “consentimento informado” necessários para a “eutanásia voluntária”.

Por outras palavras: quando o médico detecta uma doença incurável no doente, informa-o imediatamente da possibilidade da eutanásia (cumprindo, assim, os requisitos legais de “consentimento confirmado”), muito antes de se manifestarem, no doente, quaisquer dores extremas.

O doente (a quem foi diagnosticado uma doença terminal) e que não queira ser eutanasiado, ouvirá inevitavelmente do médico, de amigos e de familiares, o relato da trágica prognose de sofrimento e dor — entrando em dissonância cognitiva em relação às suas próprias convicções anti-eutanásia; e tenderá, lógica- e obviamente, a aceitar a eutanásia (mesmo contra as suas convicções) para evitar o fardo do sofrimento — o que terá como consequência um sofrimento acrescido: o de se sentir culpado por ter violado a sua própria consciência.

Um doente a quem foi diagnosticada uma doença terminal, poderá viver, por exemplo, mais dois anos. Se ele opta por ser eutanasiado, poderá não ser beneficiado por avanços da ciência na área da doença dele.

Por outro lado, o doente pode procurar a eutanásia por motivos altruístas (mesmo que se oponha à eutanásia por objecção de consciência) para que não seja um peso em relação à família, ou porque não quer ser um peso em relação aos recursos escassos do Serviço Nacional de Saúde.

O doente que não deseja a eutanásia entra em um estado de ansiedade, com receio de ser incluído no rol das vítimas. Pessoas muito doentes ou débeis, internadas em hospitais ou lares de idosos, encontram-se muitas vezes em estado de confusão mental e/ou psicológica; por exemplo, é vulgar a regressão emocional. O facto de ele saber que pessoas à sua volta estão a ser eutanasiadas pode causar nele um estado permanente de medo.

A família do doente eutanasiado (que seja moralmente contra a eutanásia) sofrerá mais a morte dele do que se se tratasse de uma morte natural.

Se quem vê o ser humano como um animal sem alma tem o direito a ser eutanasiado, a verdade é quem se opõe moralmente à eutanásia não deve ser desconsiderado. Ou seja, a legalização da eutanásia não serve o interesse público, mas antes serve apenas o interesse privado dos filhos-de-puta que a defendem.

Se a eutanásia for legalizada sem regulamentação, aqueles que não queiram ser assassinados tornar-se-ão vítimas involuntárias (a lei contra o homicídio fica fragilizada). Se a eutanásia for legalizada com uma regulamentação apertada, envolvendo o governo e o Estado na matança, aqueles que não concordam com a eutanásia serão envolvidos na situação contra a sua vontade.

Uma vez que o envolvimento do Estado no processo de eutanásia será o de apenas promover o interesse privado e particular (e não o bem comum), a acção do Estado infringirá injustamente a liberdade de todos aqueles que não concordam com a eutanásia como um bem — o que torna ilegítima a acção do Estado.

O problema coloca-se, em suma, nas seguintes condições: existe uma contradição insanável entre os interesses privados daqueles que defendem a eutanásia (que vêem no ser humano um simples animal, sem alma, e que podem ser abatidos como um qualquer animal), por um lado, e por outro lado os interesses da maioria e do bem comum. Não é possível conciliar aqui os interesses de ambas as partes.

Ou seja, a legalização da eutanásia não é possível sem injustiça.

Sexta-feira, 15 Janeiro 2016

O blogue Jugular quebrou o silêncio (finalmente!)

Filed under: A vida custa,Esta gente vota — O. Braga @ 12:59 pm
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Depois de um longo silêncio comprometedor, depois as agressões sexuais a mulheres por parte dos islamitas “refugiados” na Alemanha, o blogue Jugular quebrou finalmente o silêncio, para falar de… Manuela Ferreira Leite!

Domingo, 27 Dezembro 2015

As obrigações deontológicas do médico nazi Josef Mengele

 

O médico nazi Josef Mengele entendia que as suas obrigações deontológicas tinham de ser aferidas com rigor nas estruturas competentes – os serviços do Estado alemão onde ele trabalhava, o Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas do Estado Nazi, e os tribunais nazis se for caso disso.

Neste sentido, o juramento de Hipócrates foi para Mengele um mero “acto simbólico” que “nada acrescentava ao exercício da medicina no seu tempo”.

mengele

Domingo, 29 Novembro 2015

Ser contra a tradição, em nome de uma nova tradição

 

“(…) num sistema político de tipo constitucional, erigindo uma república em Estado de Direito democrático, falar de uma qualquer legitimidade que não surja do cumprimento da legalidade é um perigo”.

Jugular


Esta frase do jugularento poderia ser atribuída a Goebbels depois de incendiado o Reichtag e instaurado o nazismo na Alemanha. Ou seja, o que se quer dizer é que “qualquer legitimidade surge sempre do cumprimento da lei, qualquer que seja a lei; e se assim não for, é um perigo”.

A verdade, caro leitor, é a seguinte: o conceito de “legitimidade” apela a valores superiores aos das leis estabelecidas pelo Direito Positivo — incluindo a própria Constituição, porque a Constituição tem um qualquer fundamento metajurídico que lhe concede legitimidade.

O “perigo” não é a legitimidade: em vez disso, é o legalismo, ou seja, o perigo de uma atitude que consiste em levar à letra a lei.

O jugularento seria honesto se dissesse o seguinte:

“Em Portugal havia uma tradição segundo a qual o partido mais votado constituía governo. Essa tradição era a base da legitimidade democrática.

Mas nós, na Esquerda radical, não gostamos dessa tradição, porque normalmente somos minoritários; e por isso decidimos substituir essa tradição por outra (nova) tradição.

Assim, a nova tradição consiste, em primeiro lugar, na abolição da antiga tradição; em segundo lugar, a nova tradição consiste na atribuição à classe política a discricionariedade da definição de “tradição” em qualquer momento especifico, dependendo da dialéctica política, e em função da prevalência do conceito de “Vontade Geral“.

Assim sendo, a nova legitimidade coincide sempre com a legalidade, por um lado, e por outro lado, a tradição é sempre o que a classe política ou a elite social quiserem em cada momento histórico.

Ou seja, a nova tradição é a ausência de tradição”.

Domingo, 6 Setembro 2015

A Joana Amaral Dias surpreendeu-me

Filed under: A vida custa,Esta gente vota,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 6:18 pm
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A Joana Amaral Dias subiu na minha consideração, principalmente porque conseguiu incomodar mentes cristalizadas no sistema ortorrômbico — mas também porque considera que um feto pode ter um nome. Afinal, se se dão nomes a objectos inertes (por exemplo, alguns da tabela periódica), ¿por que não se poderá nomear um ser com vida?! Por quê esta aversão mórbida ao ser humano em gestação?!

As mentes cristalizadas no sistema triclínico dizem que “um feto se reduz a uma massa celular” por uma razão simples: vêem o mundo e a realidade conforme se vêem a elas próprias: solipsismo puro.

E quando a Joana Amaral Dias diz que “todos os filhos são um projecto a dois”, o que ela pretende dizer certamente é que uma criança tem direito a não ser filha de pai incógnito — mesmo que a mãe pretenda criá-la e educá-la sozinha. É irónico como o progressismo serôdio actual pretende um retrocesso civilizacional ao tempo das crianças filhas-de-puta.

Sexta-feira, 17 Julho 2015

A objecção de consciência em relação ao aborto incomoda a Esquerda

Filed under: aborto,ética,Política,politicamente correcto — O. Braga @ 11:19 am
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Se os criminosos são, por definição, pessoas que não respeitam a lei, ¿como é possível que se defenda a ideia segundo a qual “são necessárias mais leis para evitar a proliferação de criminosos”?!

Se alguém tiver a paciência necessária para ler este “poste”  (as respectivas lésbicas que me desculpem a imagem fálica), verificará o recurso — aliás, sistemático em pessoas como por exemplo a Isabel Moreira — ao Direito Positivo para regular aquilo a que no dito poste se chama de “posição subjectiva” : a objecção de consciência em relação ao aborto.

O conceito de “posição subjectiva” pretende ter um carácter pejorativo, por um lado, e por outro  lado pretende-se contrapôr o “subjectivo da objecção de consciência” ao universal de quem não tem qualquer objecção de consciência em relação ao aborto. Ou seja, invertem-se os termos da ética: segundo o esquerdalho, não ter qualquer prurido moral em relação ao aborto é característica de um juízo universal — o que é uma falácia, como é evidente. Os objectores de consciência em relação ao aborto passam a ser considerados uns indivíduos esquisitos e anormais que vão à missa todos os dias, ou seja, uma minoria irrisória e risível.

A objecção de consciência em relação ao aborto passa, assim, a ser um fenómeno subjectivo característico de uns malucos religiosos; e qualquer pessoa que não seja religiosa, aborta necessariamente todos os dias.

Kant distingue, no campo da moral prática, os princípios subjectivos — que o sujeito dispõe, em si — de princípios objectivos, isto é, princípios universais. A mim parece-me que a objecção de consciência em relação ao aborto constitui um princípio objectivo (universal) e não um princípio subjectivo. E por ser assim é que o esquerdalho anda preocupado com a objecção de consciência e pretende restringi-la, como se pode depreender do poste da criatura.

Qual é o argumento utilizado para defender a restrição da objecção de consciência em relação ao aborto?

É o seguinte: “através da objecção de consciência sistémica no Serviço Nacional de Saúde, os abortos são desviados para o privado”. Portanto, parte-se do princípio de que os objectores de consciência não o são realmente, e que apenas se servem da figura jurídica da objecção de consciência para retirar daí alguns proventos materiais.

Imagine o leitor que eu faço a seguinte asserção: “A TAP deve ser privatizada”. E a escriba do jugular, em resposta, pergunta-me: “O que é que tu ganhas (em dinheiro), com essa tua posição?”

Perante esta pergunta, qualquer discussão fica inquinada à partida e deixa de ser possível — porque qualquer asserção minha é passível de ser interpretada como uma manifestação de um qualquer  interesse próprio material, e não como uma posição de princípio, em si mesma abstracta. Portanto, não é possível qualquer diálogo com aquela gentalha.

Sexta-feira, 26 Junho 2015

A alegada “normal relação terapêutica”

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 5:00 am
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Uma qualquer forma de perversão da Lógica (da natureza das coisas) causa-me náuseas; admito — que remédio?! — que haja gente que defenda o aborto livre; mas que pretendam subjectivizar o método científico em nome da “ciência”, é insultar-nos a inteligência.

“Na base de qualquer actividade clínica está a relação terapêutica, cujas características ético-deontológicas estão claramente definidas.

A vertente informativa, não directiva e facilitadora da escolha está inerente a qualquer consulta médica desenvolvida com base no modelo biopsicossocial, em particular se o acompanhamento clínico é feito no contexto de uma equipa multidisciplinar e com possibilidades de se desenvolver por etapas – como é, claramente, o caso da interrupção voluntária da gravidez feita por opção da mulher. Nesse contexto, e assumindo que não compete à classe médica determinar as atitudes e regras de qualquer Estado ou comunidade, não posso deixar de sentir como lesivas quaisquer determinações legais que interfiram com o modo como se desenrola a normal relação terapêutica, sobretudo quando se pretende estandardizar o que deve, ou não, ser dito àquela mulher em particular, e como deve ser dito.”

feto-abortado-com-9-semanasNão há, no texto, uma definição de “normal relação terapêutica”, porque se trata de um conceito. É bom que o leitor se dê conta de que existe uma diferença fundamental entre noção, por um lado, e conceito, por outro lado. Uma noção é uma abstracção geral que decorre de uma definição; por exemplo, a definição: “o Homem é um animal bípede, racional, dotado de linguagem e de inteligência”, dá-nos a noção de “Homem”; mas já o conceito de Homem poderia encher os livros de uma biblioteca inteira.

Um caso análogo se passa com o conceito de “homofobia”, porque até hoje nunca vi uma definição (uma noção) de “homofobia”. O politicamente correcto trabalha sempre com conceitos e tem horror mortal às definições.

Um conceito é uma representação mental abstracta e universal que sintetiza as características essenciais de um conjunto ou classe de objectos ou de seres. A sua expressão verbal é o “termo”. Portanto, neste caso concreto, o termo do conceito é “normal relação terapêutica”.

Mas há aqui um problema: é o de que, nas ciências da natureza, o conceito é o produto da abstracção e da generalização a partir de imagens ou de objectos particulares. Esta ideia foi traduzida pelo físico Niels Bohr da seguinte forma:

“O sentido de um conceito só é definido por meio de uma experiência concreta. Nas ciências da natureza, os conceitos não têm sentido no absoluto; a sua definição é apenas operacional.”

Por exemplo, saber se uma partícula elementar é onda ou corpúsculo. Se uma determinada experimentação demonstrar que uma partícula elementar é onda, teremos o conceito de partícula elementar como onda; e se outra específica experimentação demonstrar que uma partícula elementar é corpúsculo, teremos o conceito de partícula elementar como corpúsculo. Para obviar à contradição intrínseca da noção de “partícula elementar”, Niels Bohr criou o conceito de “complementaridade onda/partícula”.

Uma coisa parecida estabeleceu Karl Popper com o princípio da falsificabilidade. Por exemplo, na linguagem filosófica e na do senso-comum, existe o conceito de “Deus” que não pode fazer parte da ciência, porque o termo desse conceito (Deus) não é falsificável. Se eu disser, por exemplo, que “todos os deuses falam grego”, não há maneira de se fazer uma demonstração intersubjectiva — e não meramente subjectiva — do contrário dessa asserção; e, portanto, essa asserção não é falsificável, não fazendo por isso parte da ciência.

Note-se que “demonstração intersubjectiva” é exactamente o mesmo que “demonstração objectiva”.

feto-de-12-semanas-webAquilo que é objectivo em ciência não se restringe à opinião de um médico (por exemplo) em uma situação particular, ou até a um grupo de três ou quatro médicos; o que é objectivo em ciência é aquilo que é aceite — ou deveria ser aceite — pela maioria dos membros comunidade científica, tendo como base a noção de “conceito” segundo Niels Bohr e segundo o principio de falsificabilidade de Karl Popper.

O problema é o de que hoje está na moda afirmar que as ciências sociais e/ou humanas são “ciências exactas”, no sentido em que o método das ciências da natureza (física, química, etc.) se aplica da mesma forma às ciências humanas. É na sequência desta extrapolação absurda do método científico (behaviourismo, por exemplo) para as ciências humanas que surge o conceito de “normal relação terapêutica”.

Em psicologia (por exemplo) não é possível, de uma forma intersubjectiva (ou seja, objectiva) aplicar-se literalmente a noção de “conceito” segundo Niels Bohr, porque no caso da psicologia o objecto da investigação é um ser humano cuja subjectividade é praticamente insondável.

Julgar um ser humano apenas e só pelo comportamento exterior (behaviourismo), e tomar decisões em função deste, é uma doença epistemológica do nosso tempo (cientismo). A forma de pensar da Esquerda cientificista não é eticamente neutra; e mais: é perigosa! Por exemplo, se eu quiser consolar uma criança que chora, não pretendo alterar o comportamento dela, nem impedir que gotas compostas de H2O e NaCl  lhe escorram pela face abaixo: a minha motivação é outra, indemonstrável, não dedutível, mas acima de tudo, humana.

É totalmente errado admitir que a objectividade (intersubjectividade) da ciência está dependente da objectividade do cientista — neste caso, da pretensa objectividade de um médico ou de um psicólogo.

A objectividade da ciência não é uma questão individual dos diversos cientistas, mas antes uma questão extensível a toda a comunidade científica. E a objectividade, em ciência, não é possível da mesma maneira nas Ciências da Natureza e nas Ciências Humanas.


Outro assunto tratado no texto é, alegadamente, “a exigência de sigilo no acto de abortar”. A ideia é a seguinte: mostrar uma ecografia do embrião ou do feto à mulher que pretende abortar, gratuitamente à custa do Estado, e condicionar o acto do aborto a uma assinatura que comprova que ela viu a ecografia, tem duas consequências:

1/ quebra o sigilo do aborto, e, portanto, implica a noção de “culpa”. Veja-se que, para aquela mente aberrante, a culpa vem do exterior, vem do mundo: para aquela avantesma com duas pernas e que se diz psicóloga, a culpa não é uma característica intrínseca do ser humano: não!, a culpa é sempre exógena ao ser humano, a culpa é “culpa da sociedade”. A sociedade é a culpada por alguém sentir culpa.

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização da imagem ecográfica configura uma informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável da mulher que pondera abortar mudarei, de imediato, a minha opinião.”

2/ repare-se na seguinte proposição da minha lavra:

“Quando alguém me conseguir explicar de que maneira a visualização de imagens do holocausto nazi e dos campos de concentração nazis, configuram informação relevante para a formação da decisão livre, consciente, e responsável dos cidadãos face ao fenómeno do nazismo na cultura antropológica, mudarei de imediato a minha opinião no que respeita à exibição pública dessas imagens.”

Quando a ciência é substituída pelo cientismo, e quando a opinião sobre o aborto é culturalmente marcada por gente que nunca pariu nem há-de parir em função de uma idiossincrasia niilista, o que obtemos é a negação da realidade, sobretudo da realidade humana. O que é necessário e urgente é afastar essa gente mentalmente doente dos areópagos da decisão política.

Domingo, 29 Março 2015

Jugulando o Jugular: “pedofilia é uma orientação sexual fixa e exclusiva”, diz ela. Mas a homossexualidade não é!

Filed under: Política,politicamente correcto — O. Braga @ 7:55 am
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“Informam-nos, depois, que tais sujeitos têm “comportamento habitual de tipo heterossexual com adultos, geralmente não sendo pedófilos”. Adoro o “geralmente não sendo pedófilos”. Se escreveram antes que tem “comportamento habitual (…) com adultos” não são, por definição, pedófilos – o “habitualmente” (comportamento ou não) no pedófilo versa a criança.”

Jugular

A seguir, continua:

“Agora em capitais, O PEDÓFILO PODE NÃO SER, E HABITUALMENTE NÃO É, UM ABUSADOR DE MENORES, SUAS BESTAS. Que merda é essa de deitar mão do diagnóstico de pedofilia para justificar o injustificável?”


Por um lado, o “geralmente não sendo pedófilos” não se aplica; mas, por outro lado, “o pedófilo pode não ser e habitualmente não é um abusador de menores”. Ou seja, o juízo universal só se aplica nos casos que convém a uma determinada visão subjectiva.

A sedução sexual (do pedófilo) de uma criança não é vista como um “abuso sexual”.

Está na moda, por exemplo, as mulheres estudarem a História para descobrir a putativa e alegada feminilidade escondida por detrás da narrativa histórica. E outras estudam psiquiatria para justificar as suas “orientações sexuais”: tentando justificar no pleno sentido, incluindo o ético.

E depois caem em contradições: por exemplo, quando dizem que a “orientação sexual” não é uma condição rígida quando se aplica ao binómio heterossexualidade/homossexualidade: dizem eles que há uma fluidez entre as duas orientações sexuais, que “as coisas não são a preto e branco”, que há uma espécie de “espectro” que vai desde o totalmente homossexual ao totalmente heterossexual.

Mas quando se trata da pedofilia entendida pela psiquiatria como “orientação sexual”, esse “espectro fluido” já não existe: o pedófilo é exclusivamente pedófilo. E por isso — dizem eles — há pedófilos, por um lado, e abusadores de crianças, por outro lado. Não tem nada a ver uma coisa com a outra — dizem.

Ou seja, há orientações sexuais, e orientações sexuais. A diferença entre elas é estabelecida subjectivamente por quem embutiu na carola alguns conceitos académicos embotados que estão na moda.

Repare bem caro leitor: sei pouco de psiquiatria (e não perco nada, porque a psiquiatria anda pelas ruas da amargura, controlada pelo cientismo politicamente correcto), mas basta que utilizemos a lógica para reduzir aquela mente retorcida a um monte de escombros.

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