perspectivas

Quarta-feira, 18 Fevereiro 2015

O anti-semitismo islamista aumenta em França

Filed under: Europa — O. Braga @ 12:05 pm
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Quando dizem, os me®dia portugueses,  que o anti-semitismo em França vem da Front Nationale de Marine Le Pen, os factos no terreno desmentem essa afirmação, embora seja um facto que muita gente da esquerda radical vota Front Nationale.

Mas o anti-semitismo em França vem dos milhões de imigrantes muçulmanos; e não nos podemos esquecer que o Islão foi um bom aliado de Hitler.

Um jornalista francês usou um kippah e passeou-se durante dez horas pelas ruas de Paris.

Segunda-feira, 21 Julho 2014

O Talmude e os monoteísmos

Filed under: filosofia — O. Braga @ 3:23 pm
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Ao contrário do que está escrito na Wikipédia tupiniquim, o Mishnah judaico não pertence ao Talmude: O Mishnah, o Midrash e o Talmude são escrituras judaicas distintas entre si.

Um dos “problemas” da Cabala (de origem judaica) é o de se ter afastado radicalmente das fontes das escrituras judaicas Mishnah, Midrash — e principalmente do Talmude: seja o segundo Talmude (alterado e acrescentado a partir do primeiro Talmude) que surgiu depois da destruição do templo de Jerusalém em 70 d.C, seja um Talmude mais antigo que já existia escrito muitos séculos antes do tempo de Jesus Cristo. Vamos chamar a este Talmude mais antigo “primeiro Talmude”.

Na sua educação, e na sua condição de judeu que o era, Jesus Cristo aprendeu desse primeiro Talmude na sua educação enquanto criança.

¿Qual é a súmula ideológica do primeiro Talmude?

Acima foi referido que a Cabala se afastou radicalmente do primeiro Talmude; e por uma principal razão: a Cabala introduziu uma visão religiosa monista no Judaísmo.

No monismo (e também no henoteísmo), o princípio da Unidade (o Uno), é diametralmente diferente do conceito de Unidade do monoteísmo.

No monismo, as formas concretas do divino são plurais, mas o divino-geral — que lhe está subjacente — é Uno. Porém, este divino-geral monista não existe no monoteísmo (neste caso concreto, no Judaísmo). No monoteísmo só existe o divino concreto.

Ou, por outras palavras: o Javé concreto, a “pessoa única” de Javé, possui uma validade universal. Ou, talvez melhor ainda: os monismos chegam à Unidade através da relativização do particular; e os monoteísmos chegam à Unidade através da absolutização e universalização do particular.

Ora, o primeiro Talmude, que é uma escritura base do Judaísmo de depois do exílio, é o suporte ideológico e teórico do monoteísmo judaico. Por isso, de uma forma directa ou indirecta, tanto o Cristianismo como o Islamismo foram beber alguns dos seus fundamentos ao primeiro Talmude.

Conclusão: 1/ O Talmude é antítese da Cabala. O primeiro é a defesa do monoteísmo, ao passo que a Cabala introduz uma mundividência monista no Judaísmo. 2/ Tanto o Cristianismo como o Islamismo, sendo religiões monoteístas, têm alguma base ou fundamento no primeiro Talmude.

Sábado, 11 Janeiro 2014

O Decálogo e a ética

Filed under: ética — O. Braga @ 6:27 pm
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O termo “Decálogo” foi cunhado ou por Clemente de Alexandria (~ 150 – ~ 230), ou Irineu de Lião (~ 130 – ~ 202) : não se tem a certeza de qual dos dois foi o autor do termo. Existem duas versões ligeiramente diferentes do Decálogo: a do Êxodo e a do Deuteronómio. Vamos apenas fazer aqui referência ao Êxodo.

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Quarta-feira, 17 Outubro 2012

Sobre a racionalidade da religião, segundo a Melanie Phillips

So why do I make this counter-intuitive suggestion that Judaism gave rise to rationality?

The popular belief is that the roots of reason and science lie in ancient Greece. Now undoubtedly Greece contributed much to modernity and to the development of Western thought down the ages. Nevertheless, in certain crucial respects Greek thinking was inimical to a rational view of the universe. The Greeks, who transformed heavenly bodies into gods, explained the natural world by abstract general principles.

By contrast, science grew from the novel idea that the universe was rational; and that belief was given to us by Genesis, which set out the revolutionary proposition that the Universe had a rational Creator.

via The new intolerance | Melanie Phillips.

Quando leio uma coisa escrita por alguém com autoridade de direito, e com que não concordo, começo a ficar inquieto; (more…)

Terça-feira, 24 Julho 2012

Neognosticismo

Existe (ainda) uma certa ética cristã “voluntarista” — de origem em S. Paulo, continua por Santo Agostinho, segue com a irmandade franciscana, é adoptada por gente como Henrique de Gand ou Abelardo, foi seguida pela Escola de Port-Royal e por Pascal, entrou na Reforma através do calvinismo e do puritanismo, influenciou Kant, Hegel e o romantismo alemão, e finalmente descambou com Nietzsche com a sua inversão da vontade. Esta corrente ética voluntarista parte do paradoxo paulino: por um lado, a ética depende exclusivamente da nossa vontade; e por outro lado, depende do determinismo imposto por Deus — hoje, o determinismo de origem divina foi substituído pelo determinismo da natureza, mesmo sabendo-se que existe a física quântica.

Prefiro a concepção ética de S. Tomás de Aquino:

  • (1) é preciso obedecer sempre à nossa consciência, mesmo que possamos estar eventualmente errados;
  • (2) o acto cometido por uma consciência errada ou errónea continua a ser mau e distinto do de uma consciência informada; e por isso, há também a necessidade de informarmos a nossa consciência no sentido de evitarmos, quanto seja possível, os erros grosseiros na acção ética;
  • (3) o Direito Positivo tem a sua origem no direito natural que pertence às origens da criatura racional e que o tempo não muda, mas antes é imutavelmente permanente;
  • (4) o Direito Positivo é a incarnação do direito natural na História; e a dominação de um homem pelo outro já existia antes da “queda” e no estado de natureza no sentido das relações políticas entre um príncipe e os seus súbditos — porque o homem é um ser político: o direito natural é a forma do direito histórico;
  • (5) o ser humano é possuidor de livre-arbítrio, e a verdade é a adequação da consciência à realidade.

Ao contrário da concepção ética aristotélica de S. Tomás de Aquino, a estirpe platónica da ética — o “voluntarismo” — é iminentemente escapista [escape à realidade objectiva] e potencialmente gnóstica.

Por exemplo, os franciscanos medievais [desde a Alta Idade Média] defendiam a tese segundo a qual a própria natureza foi “quebrada” pela História [vemos as semelhanças com o movimento revolucionário moderno] por causa do pecado original [o “bom selvagem”, de Rousseau]. E os franciscanos baseavam esta sua tese na concepção ética de Santo Agostinho que, por sua vez, a foi buscar a S. Paulo.

Antes da “queda” — cogitavam os franciscanos medievais —, ou seja, antes do pecado original, no estado de uma natureza instituída, não existia nem senhor nem escravo [Rousseau], mas apenas a posse natural sem direito sobre as coisas [utopia platónica da República]; depois disto, para acudir às fraquezas humanas, foi instituída pelo homem a propriedade privada, (por exemplo, em Alexandre de Hales, “Suma do Irmão Alexandre”) introduzindo assim o direito e as relações de dominação [desconstrutivismo moderno e, por exemplo, marxismo cultural ou Derrida].

O próprio direito — ruminavam ainda os franciscanos — foi cindido pela “queda”, porque o direito natural é o estado da natureza humana antes do pecado original, antes da propriedade privada e antes da dominação: o Direito Positivo é, assim, concebido para uma natureza pecadora, o que significa que, para os franciscanos, existiu na Terra o Homem sem pecado e perfeito, e uma sociedade em que não existia o sofrimento nem a morte. Estamos em pleno gnosticismo cristão!

Podemos vislumbrar as influências da estirpe voluntarista da ética franciscana / agostiniana em gente tão diversa como, por exemplo, no bispo esquerdista Torgal Ferreira ou no radical Francisco Louçã. É isto que chamamos, grosso modo e entre outras razões, de “gnosticismo moderno”, ou neognosticismo.

Segunda-feira, 2 Julho 2012

A intolerância do secularismo alemão

Filed under: IV Reich — O. Braga @ 7:50 am
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Those who circumcise boys on the basis of religion now make themselves punishable for physical injury. This was the decision of the Cologne district court in a pioneering decision available to the FTD (Financial Times Deutschland). Neither parental law nor the freedom of religion guaranteed in the Constitution can justify this intervention, the court clearly stated in its argumentation of judgment. With this, a German court has for the first time placed religious practice under penalty.

via Court Places Religious Circumcision Under Penalty.

Um tribunal da cidade alemã de Colónia entendeu que a circuncisão dos meninos, que é prática usual e milenar dos judeus, é contra a lei alemã e punível pelo direito positivo. Entendeu esse tribunal que a circuncisão é uma atentado à integridade física da criança, fazendo uma analogia com a excisão feminina (a amputação do clitóris). Sessenta anos depois dos campos de concentração nazis, a Alemanha de Angela Merkel proíbe a circuncisão masculina dos judeus, coisa de que nem o Hitlerismo se tinha lembrado de fazer…
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Domingo, 31 Julho 2011

Não é possível uma ética universal sem Deus (3)

O Milenarismo

Falar do quiliasmo e do milenarismo em um postal é loucura (quiliasmo e milenarismo não são sinónimos, embora estejam interligados). Não obstante — e tendo eu seguido o conselho do Papa Bento XVI e ter adoptado a Bíblia para leitura neste Verão —, deparei-me com alguns textos bíblicos que explicam, em grande parte, a emergência do movimento revolucionário. Dou alguns exemplos.

“Nós, porém, devemos dar continuidade graças a Deus por vós, irmãos amados do Senhor, pois Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação na santificação do Espírito e na fé da verdade” — Paulo, (2 Tes., 2,13).

Calvino não diria melhor que S. Paulo!
Vemos aqui o quiliasmo — o determinismo gnóstico dos predestinados, eleitos ou pneumáticos — que, com o messianismo milenarista, está na base do desenvolvimento do movimento revolucionário já na Idade Média.
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Segunda-feira, 3 Janeiro 2011

A metástase do gnosticismo na nossa cultura

Para quem se interessa pelos assuntos ligados à evolução do gnosticismo da antiguidade tardia até aos nossos dias, passando pela degeneração do gnosticismo no monismo materialista moderno que assumiu várias estirpes (objectivismo, marxismo, pragmatismo, positivismo, neo-empirismo, etc.), aconselho a leitura do livro de António de Macedo, “Esoterismo da Bíblia”.

O livro deve ser lido com espírito crítico aguçado porque como o próprio autor reconhece, não existe objectividade nas ciências sociais (antropologia, sociologia, história, etc). Por outro lado, o livro é em si mesmo uma manifestação gnóstica e, portanto, é parcial na análise dos factos históricos, culturais e mitológicos.

Exactamente porque o livro tem essas características gnósticas, é que é uma boa muleta para (e até certo ponto) complementar escritos como os de Hans Jonas ou Eric Voegelin. A leitura do livro deve ser encarada como uma “entrada” dentro do espírito gnóstico da antiguidade e da sua evolução até aos nossos dias, por um lado, e ajuda-nos a perceber que existem manifestações ditas “católicas” e impolutamente “tradicionalistas” — e que se pautam pela assunção de uma inquestionável autoridade de direito —, mas que não passam do corolário da afirmação secular do velho gnosticismo dentro da Igreja Católica — por outro lado.

Sexta-feira, 12 Novembro 2010

A herança judaica da nossa concepção da História

Filed under: cultura,filosofia — O. Braga @ 6:44 pm
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O tempo histórico linear é uma herança do Judaísmo. Em mais nenhuma outra cultura do mundo existia um sentido histórico linear, marcado por um qualquer tipo de messianismo. Em praticamente todas as culturas — e ainda hoje, em muitas delas, apesar da “colonização” judaico-cristã — o tempo é cíclico. A maior parte das culturas — incluindo a cultura romana — tinha como paradigma o tempo primordial (Ó Tempora! Ó Mores!).
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Sábado, 26 Junho 2010

Os monismos seculares

Quando lemos ou ouvimos gente como Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa ou Manuel Alegre, não podemos nunca esquecer de que se trata de gente religiosa — mas de uma religião diferente (ou mesmo, em alguns casos, de uma corruptela gnóstica) do Cristianismo.

1. À medida em que o Cristianismo se foi afirmando como nova religião, verificam-se nele duas características essenciais: o universalismo abrangente (que não existe tanto no Judaísmo mas existe mais no Islão) e o carácter individual da fé (que existe mais no Judaísmo mas que é limitado no Islão).

No Judaísmo, o carácter formal dos ritos (limitações na alimentação, circuncisão, etc) limita a sua universalidade. O Islão, com excepção talvez do Islão espanhol tardio, não trouxe impulsos de individualização comparáveis aos do Cristianismo europeu e ocidental — que é diferente do Cristianismo oriental ou ortodoxo. O papel determinante da comunidade dos fiéis no Islão (a Umma) e o sistema legal islâmico (a Sharia) fizeram recuar, a partir do século IX da Era cristã, o processo de individualização que é uma das características marcantes das religiões universais.
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Sexta-feira, 18 Junho 2010

A evolução do gnosticismo até à sua expressão moderna (8)

Filed under: cultura,gnosticismo — O. Braga @ 7:18 am
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No postal 4 desta série, descreveu-se a crença em Marduk e a forma como este deus babilónico “matou” os seus “pais” para formar o cosmos. (more…)

Domingo, 20 Dezembro 2009

O cristianismo e o milenarismo

Um dado que muita gente que se diz “cristã” não compreende, é que o cristianismo foi definido pelo seu fundador (Jesus Cristo) como uma religião de progresso individual no sentido de progresso interior do indivíduo, e não uma religião de cariz eminentemente colectivista como é, por exemplo, o Islão. O cristianismo introduziu a novidade da Graça Divina como sendo uma dádiva de Deus que se dirige ao indivíduo.
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